
O Senado de Berlim aprovou, no último dia 24 de março, uma estratégia oficial para a segurança de pessoas LGBTQIA+, tornando a cidade o primeiro estado da Alemanha a adotar uma política estruturada desse tipo.
O plano foi desenvolvido com a participação de mais de 400 pessoas, entre sociedade civil, especialistas e instituições.
A iniciativa reforça o histórico de Berlim como uma das cidades mais avançadas do mundo em direitos LGBTQIA+.
O que diz o governo

A senadora Cansel Kızıltepe afirmou:
“Estamos enviando um sinal claro: a proteção e a segurança de pessoas queer passam a ser permanentes em Berlim.”
Já o comissário Alfonso Pantisano declarou:
“Berlim deixa claro: vidas queer importam. Proteger essas pessoas é também proteger a democracia.”
Por que isso foi criado
Segundo os dados mais recentes disponíveis (2023):
588 crimes contra pessoas LGBTQIA+ registrados em Berlim 127 desses casos envolveram violência física
As autoridades reconhecem que há subnotificação.
Medidas oficiais do plano

Com base no documento do governo de Berlim, a estratégia prevê:
Segurança e combate à violência
Melhoria no registro e monitoramento de crimes de ódio Treinamento específico para polícia e autoridades Ações de prevenção em áreas consideradas de risco
Combate à queerfobia online
Estruturas para enfrentamento de discurso de ódio digital Monitoramento e resposta institucional
Apoio e proteção social
Expansão de serviços de apoio psicológico Fortalecimento de redes de acolhimento Atendimento específico para pessoas LGBTQIA+ refugiadas
Educação e instituições públicas
Promoção da diversidade nas escolas Capacitação de profissionais Incentivo a ambientes mais inclusivos
Espaço urbano
Medidas para aumentar a segurança em espaços públicos Avaliação de pontos de ajuda e emergência
Contexto: por que Berlim é referência

Berlim tem um histórico consolidado de políticas LGBTQIA+:
Reconhecimento de diversidade de gênero em políticas públicas Forte rede de apoio institucional e comunitária Histórico de proteção legal e visibilidade desde o pós-reunificação Uma das maiores cenas LGBTQIA+ do mundo
A nova estratégia se soma a esse histórico, agora com foco estruturado em segurança e combate à violência.
O que isso significa
A cidade aprofunda sua atuação ao tratar a queerfobia como uma questão estrutural de segurança pública e direitos humanos, com impacto direto no cotidiano da população LGBTQIA+.
Augusto Medeiros é jornalista há 25 anos, formado pela Universidade Federal da Paraíba, atuou no Brasil como repórter de rede, na TV Globo, por 15 anos, com reportagens para Jornal Nacional, Fantástico, Jornal Hoje, Bom Dia Brasil, Jornal da Globo e Globo News. Na Alemanha, passou a atuar como correspondente internacional para o Fantástico, em coberturas como a Guerra da Ucrânia e a Crise Energética. É fundador e editor-chefe do portal Mais Berlim.

