Arquivo de Dicas Práticas - https://maisberlim.com/category/dicas-praticas/ Notícias e serviços para brasileiros em Berlim e na Alemanha Fri, 21 Aug 2026 19:58:40 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.4 https://maisberlim.com/wp-content/uploads/2026/06/cropped-logo-3-32x32.png Arquivo de Dicas Práticas - https://maisberlim.com/category/dicas-praticas/ 32 32 Em qual Berlim você vive? https://maisberlim.com/em-qual-berlim-voce-vive/ https://maisberlim.com/em-qual-berlim-voce-vive/#respond Mon, 17 Aug 2026 16:46:42 +0000 https://maisberlim.com/?p=1664 SÉRIE ESPECIAL maisberlim Mais Berlim Berlim: várias cidades em uma Sete faces de uma metrópole que não cabe em um rótulo — drogas, clubes, natureza, história, arte, startups e diversidade. […]

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SÉRIE ESPECIAL
Mais Berlim

Berlim: várias cidades em uma

Sete faces de uma metrópole que não cabe em um rótulo — drogas, clubes, natureza, história, arte, startups e diversidade. Dados de fontes oficiais, com links pra quem quiser se aprofundar.

Saúde pública

Berlim das Drogas

Berlim está entre as cidades europeias com maior consumo de cocaína, segundo análises de esgoto feitas pela agência europeia de drogas (EUDA). Diferente da maioria das substâncias, cujo consumo dispara nos fins de semana, a cocaína é detectada de forma praticamente constante ao longo de toda a semana em Berlim — um padrão associado a turismo de festa, disponibilidade e hype pop-cultural, segundo reportagem do jornal taz. A cidade registrou recorde de mortes relacionadas a drogas em 2024, e desde então mantém um programa de “drug-checking” (testagem de substâncias) como estratégia de redução de danos, com balanço positivo após um ano de funcionamento.

No cinema: o retrato mais conhecido do submundo das drogas em Berlim é Eu, Christiane F. — 13 Anos, Drogada e Prostituída (1981), com trilha de David Bowie, baseado em fatos reais dos anos 1970 na estação Bahnhof Zoo. A história ganhou uma minissérie mais recente, Nós, os Filhos da Estação Zoo (2021, Prime Video).

Techno & vida noturna

Berlim dos Clubes

Em 2024, a cultura techno de Berlim foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Alemanha — o mesmo tipo de proteção dado ao canto coral e a ofícios tradicionais. A cena nasceu logo após a queda do Muro, quando prédios industriais abandonados viraram pistas de dança. Hoje, o setor vive um momento de transição: clubes históricos como Watergate e Renate fecharam recentemente, enquanto uma nova geração (RSO, OXI, Lokschuppen) reorganiza o mapa.

Clássicos: Berghain (a porta mais difícil do mundo, sem celular), Tresor (nasceu no cofre de uma loja de departamentos), ://about blank, Sisyphos, KitKat (dress code fetiche obrigatório).

Dress code geral: roupas escuras e confortáveis, tênis surrados, nada de grife, salto ou grupos com looks combinando. Câmeras de celular são lacradas com adesivo na entrada — fotografar dentro é proibido na maioria das casas.

A cena muda rápido — clubes fecham e abrem o tempo todo. Confira sempre o site oficial da casa antes de ir.
Parques & florestas

Berlim Verde

Cerca de 18% da área de Berlim é coberta por florestas — cerca de 29 mil hectares, segundo a administração florestal da cidade (Berliner Forsten). Isso faz de Berlim a cidade alemã com mais de 1 milhão de habitantes com maior proporção de floresta, à frente de Hamburgo, Colônia e Munique. Somando florestas, parques, rios e lagos, cerca de 1/3 do território da cidade é área verde ou azul.

Florestas: o Grunewald (3.000 hectares) é a maior e mais famosa, cercada pelo rio Havel e por lagos como Schlachtensee e Krumme Lanke — dentro dela fica o Teufelsberg, colina artificial feita de escombros da guerra e um dos pontos mais altos da cidade. Outras grandes áreas florestais: Tegeler Forst, Spandauer Forst e a mata ao redor do Müggelsee, em Treptow-Köpenick — o distrito mais arborizado de Berlim.

Parques urbanos: o Tempelhofer Feld — um antigo aeroporto — hoje é um dos maiores espaços verdes urbanos do mundo. O Tiergarten, no coração da cidade, tem 210 hectares (maior que o Hyde Park de Londres). O Mauerpark, erguido sobre o antigo “corredor da morte” do Muro, vira feira de pulgas e karaokê livre todo domingo.

  • Grunewald — floresta de 3.000 ha a oeste da cidade, às margens do Havel
  • Tiergarten — Str. des 17. Juni, 10785 Berlin
  • Tempelhofer Feld — Tempelhofer Damm, 12101 Berlin
  • Mauerpark — Bernauer Str. 63-64, 13355 Berlin (feira e karaokê aos domingos)
  • Treptower Park — às margens do Spree, com o memorial soviético
  • Britzer Garten — o maior relógio de flores da Europa
  • Gärten der Welt (Marzahn) — jardins temáticos de várias culturas
Memória & museus

Berlim da História

Poucas cidades carregam tanto peso histórico quanto Berlim: capital do Terceiro Reich, dividida pela Guerra Fria, palco da queda do Muro em 1989. A Museumsinsel (Ilha dos Museus) é Patrimônio Mundial da Unesco desde 1999, reunindo cinco museus e 6 mil anos de história da arte num só lugar.

  • Museu Pérgamo — parte da Ilha dos Museus (atualmente com áreas em reforma)
  • DDR Museum — cotidiano da Alemanha Oriental, bem interativo
  • Checkpoint Charlie — um dos postos de fronteira mais famosos do mundo
  • Topographie des Terrors — sobre o aparato nazista, entrada gratuita
  • Memorial do Holocausto — perto do Portão de Brandemburgo
Cena artística

Berlim da Arte

Depois da queda do Muro, aluguéis baratíssimos e prédios vazios transformaram Berlim num ímã para artistas do mundo inteiro — um perfil de cidade que a metrópole mantém até hoje. A edição de 2026 do Gallery Weekend Berlin reuniu 50 galerias participantes em 63 endereços pela cidade, segundo o site oficial do evento. A região da Auguststraße, em Mitte, concentra várias delas.

  • KW Institute for Contemporary Art — Auguststraße 69, sede da Bienal de Berlim
  • Hamburger Bahnhof — arte contemporânea numa antiga estação de trem
  • C/O Berlin — referência em fotografia
  • Neue Nationalgalerie — arte do século 20, prédio de Mies van der Rohe
  • Boros Collection — coleção contemporânea dentro de um bunker da Segunda Guerra
Inovação

Berlim das Startups

Um novo startup nasce em Berlim a cada 14 horas, segundo o Berlin Startup Ecosystem Report 2025 — pesquisa oficial encomendada pela Secretaria de Economia do governo de Berlim e apresentada pela própria administração municipal. O ecossistema já vale €169 bilhões, reúne cerca de 1.600 startups financiadas por capital de risco e conta com 57 unicórnios (avaliados em mais de US$ 1 bilhão) ou “thoroughbreds” (empresas com receita anual acima de €100 milhões). Isso representa 43% de todo o valor do ecossistema de startups alemão concentrado numa única cidade.

Nomes conhecidos: N26, Trade Republic, GetYourGuide, Delivery Hero, Contentful, Flink — várias já negociadas na bolsa ou avaliadas em bilhões.

Povos & liberdade

Berlim da Diversidade

Berlim tinha 3.913.644 habitantes no fim de 2025, segundo o Departamento de Estatística de Berlim-Brandemburgo — dos quais 976.419 são estrangeiros (quase 25% da população), vindos de mais de 190 países diferentes. A maior comunidade estrangeira é a turca. Essa mistura de origens, somada à liberdade de expressão e de se vestir que marca a cidade — da cena LGBTQ+ de Schöneberg aos looks sem regra dos clubes — é o que faz Berlim parecer várias cidades ao mesmo tempo, dependendo de que rua você está.

Música clássica

Berlim Erudita

A Filarmônica de Berlim (Berliner Philharmoniker), fundada em 1882, é considerada uma das orquestras mais aclamadas do mundo. Toca na Philharmonie, sala com o palco no centro do auditório — projeto inaugurado em 1963 e copiado por salas de concerto no mundo todo. Desde a temporada 2019/20, o maestro titular é Kirill Petrenko. A orquestra também mantém a Digital Concert Hall, um serviço próprio de streaming com transmissões ao vivo dos concertos.

A Staatskapelle Berlin, fundada em 1570, é a orquestra mais antiga da cidade e se apresenta na Staatsoper Unter den Linden — casa de ópera erguida em 1742 a pedido de Frederico, o Grande. Outros templos da música clássica: o Konzerthaus Berlin, na bela Gendarmenmarkt, e a Deutsche Oper, no oeste da cidade.

Bares & restaurantes

Berlim Gastronômica: Friedrichshain

Friedrichshain, principalmente ao redor da Simon-Dach-Straße e da Boxhagener Platz (“Boxi”), é um dos bairros com maior densidade de bares, restaurantes e cafés de Berlim — pubs e restaurantes literalmente lado a lado, com happy hour o dia inteiro, segundo o guia oficial de turismo da cidade (visitBerlin). O bairro nasceu como reduto alternativo e de ocupações após a queda do Muro, e hoje é um dos points mais gentrificados — e mais visitados por turistas — da cidade.

Vale notar: não encontramos nenhuma fonte confiável que confirme a fama de “uma das maiores concentrações do mundo” — parece ser reputação de boca a boca entre viajantes. O que é bem documentado é a altíssima densidade de bares dentro de Berlim mesmo, especialmente nessa região.

  • Simon-Dach-Straße — entre Warschauer Str. e Frankfurter Allee
  • Boxhagener Platz — feira orgânica aos sábados, feira de pulgas aos domingos
  • RAW-Gelände — antigo pátio ferroviário virado point de bares, clubes e street art
Economia & negócios

Berlim das Feiras

Por sua localização central na Europa e sua importância política, Berlim é sede de uma das maiores organizadoras de feiras comerciais do planeta: a Messe Berlin, que está entre as maiores empresas de feiras do mundo em faturamento, segundo levantamento da AUMA (associação alemã do setor de feiras) com base em receitas publicadas. São cerca de 190 mil m² de área de exposição e um portfólio de aproximadamente 80 eventos internacionais por ano, comercializados em mais de 170 países.

  • ITB Berlin — considerada a maior feira de turismo do mundo, desde 1966
  • IFA — feira líder mundial de eletrônicos de consumo e eletrodomésticos
  • InnoTrans — referência mundial em transporte, mobilidade e logística
  • FRUIT LOGISTICA — feira líder do comércio internacional de frutas e vegetais
  • Internationale Grüne Woche — uma das maiores feiras de agricultura e alimentação do mundo

A economia de Berlim como um todo já soma cerca de €218 bilhões em PIB (2025) — e as feiras são uma peça importante desse motor, movimentando hotelaria, gastronomia e turismo de negócios.

Meio ambiente

Berlim Sustentável

Berlim é a 4ª metrópole mais sustentável do mundo (entre cidades com mais de 1,5 milhão de habitantes), segundo o Global Destination Sustainability Index de 2025 — seu melhor resultado desde que entrou no ranking em 2020, com nota de 80,5%. A cidade fica atrás de Melbourne, Singapura e Barcelona. A cidade tem meta de neutralidade climática até 2045. Cerca de 46% dos domicílios berlinenses não têm carro, e a proporção é de 1,7 bicicleta por domicílio, segundo a pesquisa nacional de mobilidade “Mobilität in Städten”. Mais de 100 km de novas ciclovias estão planejados até 2030 pelo Berlin Mobility Act.

Prédios & design

Berlim Arquitetônica

Berlim é um museu vivo de arquitetura do século 20. Seis conjuntos residenciais do modernismo berlinense — como o Hufeisensiedlung (Conjunto em Ferradura) e a Siemensstadt — foram declarados Patrimônio Mundial da Unesco em 2008, projetados por nomes como Bruno Taut e Walter Gropius, cofundador da Bauhaus. A Fernsehturm (Torre de TV), com 368 metros, foi erguida pelo governo da Alemanha Oriental entre 1965 e 1969 como símbolo de poder — hoje é só o símbolo mais famoso da cidade reunificada. Do outro lado da história arquitetônica, o Plattenbau (os grandes conjuntos habitacionais pré-fabricados do Leste) ainda define a paisagem de bairros inteiros.

Livros & exílio

Berlim Literária

Berlim é palco literário há mais de um século. Bertolt Brecht viveu e escreveu boa parte de sua obra teatral na cidade. Alfred Döblin publicou em 1929 o clássico Berlin Alexanderplatz. Já o inglês Christopher Isherwood morou na Nollendorfstraße, em Schöneberg, entre o fim dos anos 1920 e início dos 1930 — período que virou os contos de Adeus a Berlim, base do musical e do filme Cabaret.

Hoje, o ilb — international literature festival berlin, realizado todo mês de setembro desde 2001, reúne mais de 200 autores de 40 países ao longo de 11 dias de programação, segundo o site oficial do festival.

Curadoria Mais Berlim · maisberlim.com
Dados de fontes públicas e oficiais, citadas em cada seção. Números mudam com o tempo — sempre vale conferir a fonte original pra dados atualizados.

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Por que o Aeroporto de Tempelhof fechou e como virou parque e abrigo de refugiados https://maisberlim.com/aeroporto-tempelhof-fechamento-parque-refugiados/ Sun, 18 Jan 2026 11:45:02 +0000 https://maisberlim.com/?p=814 Um aeroporto desativo, em Berlim, que foi transformado em um dos maiores parques urbanos do mundo. O Tempelhofer Feld também abriga refugiados desde 2015.

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Imagem: Mais Berlim

De símbolo da aviação e da Guerra Fria a espaço público e social no coração de Berlim

O Aeroporto de Berlim-Tempelhof foi inaugurado em 1923 e ocupou um papel central na história da cidade ao longo do século XX. Muito além de um terminal aéreo, Tempelhof foi símbolo de modernidade, da divisão da cidade e da resistência de Berlim Ocidental durante a Guerra Fria.

Encerrado em 2008, o aeroporto deixou de operar por uma combinação de decisões políticas, econômicas e urbanísticas. Ainda assim, o local nunca perdeu sua função social. Hoje, abriga o Tempelhofer Feld — um dos maiores parques urbanos do mundo — e também estruturas de acolhimento para refugiados.

A história do Aeroporto de Tempelhof em Berlim

Modelo Nord 262. Imagem Mais Berlim

Tempelhof é considerado um dos aeroportos mais antigos do mundo ainda existentes. Desde os anos 1920, o local foi central para a aviação civil europeia. O gigantesco edifício do terminal, construído entre 1936 e 1941, chegou a ser um dos maiores complexos aeroportuários do planeta.

Após a Segunda Guerra Mundial, o aeroporto passou a ser administrado pelas forças americanas e se tornou peça-chave durante a divisão de Berlim. Entre 1948 e 1949, durante o bloqueio soviético, Tempelhof foi um dos principais pontos da Ponte Aérea de Berlim, operação que garantiu o abastecimento da cidade por via aérea e transformou o aeroporto em símbolo internacional de liberdade.

Por que o Aeroporto de Tempelhof foi fechado em 2008

Imagem: Mais Berlim

O fechamento de Tempelhof não ocorreu por falta de relevância histórica, mas por razões práticas e estratégicas.

Entre os principais motivos estavam os altos custos de manutenção de uma infraestrutura antiga, o baixo volume de passageiros em comparação com outros aeroportos da cidade e as limitações técnicas das pistas, que não comportavam aeronaves maiores e rotas mais rentáveis.

Além disso, o governo de Berlim decidiu concentrar todo o tráfego aéreo em um único aeroporto moderno, o futuro BER. A localização extremamente central de Tempelhof também gerava conflitos urbanos, como restrições de ruído e de horários.

Em 2008, um referendo tentou impedir o fechamento, mas não teve força legal suficiente para reverter a decisão política. O último voo comercial partiu em 30 de outubro daquele ano.

Do aeroporto ao Tempelhofer Feld

Imagem: Mais Berlim

Em 2010, o antigo campo de pouso foi reaberto ao público como o Tempelhofer Feld. Com cerca de 355 hectares, o espaço se tornou um dos maiores parques urbanos do mundo e rapidamente passou a integrar o cotidiano da cidade.

Hoje, o local é usado para caminhadas, corridas, ciclismo, piqueniques, esportes e atividades culturais, mantendo a característica de espaço aberto e livre. Em 2014, um novo referendo garantiu que a área permaneceria sem construções permanentes, reforçando seu papel como bem público.

Tempelhof e a chegada dos refugiados a partir de 2015

Imagem Mais Berlim

A partir de 2015, durante a crise de refugiados na Europa, Tempelhof assumiu mais uma função social. Hangares e estruturas do antigo aeroporto passaram a ser usados como abrigo de emergência para refugiados vindos principalmente da Síria, do Afeganistão e de outras regiões afetadas por guerras e conflitos.

Em 2016, ao circular pelo local, já era possível ver famílias vivendo em estruturas provisórias montadas dentro do antigo complexo aeroportuário. Com o tempo, também foram instaladas moradias temporárias no entorno do campo, ampliando a capacidade de acolhimento.

O uso de Tempelhof como abrigo gerou debates intensos na cidade sobre condições de moradia, integração e o futuro do espaço, mas reforçou um traço constante da história do local: a adaptação às necessidades do seu tempo.

Um espaço que nunca deixou de servir

Imagem: Mais Berlim

Hoje, Tempelhof é ao mesmo tempo parque, memorial histórico e espaço social ativo. Aeronaves expostas relembram o passado da aviação, o campo aberto simboliza liberdade urbana e as estruturas de acolhimento mostram que o local continua cumprindo uma função essencial.

Mais do que um antigo aeroporto, Tempelhof é um retrato das transformações de Berlim — uma cidade que reaproveita seu passado para responder aos desafios do presente.

Texto original Mais Berlim.

Fonte de pesquisa, no local e site oficial do Tempelhofer Feld

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