Idosos passam fome e vivem abandonados na Alemanha, alerta assistente social teuto-brasileira

Em entrevista ao Mais Berlim, a assistente social Lalá apresenta um panorama da vulnerabilidade social na Alemanha, com relatos sobre idosos que passam fome, aposentadorias insuficientes, trabalhadores que precisam complementar a renda e imigrantes europeus em situação de rua.

Imagem: Jorge Lopes

Em entrevista ao jornalista Augusto Medeiros, no Mais Berlim, Lalá relatou casos de idosos em situação de vulnerabilidade e destacou que muitos desconhecem seus direitos. Ela também contestou a ideia de que beneficiários da assistência social não trabalham: segundo sua experiência e informações recebidas de uma dirigente do Jobcenter, grande parte recebe auxílio para complementar salários baixos.

A Alemanha é uma das maiores potências econômicas do mundo e possui um amplo sistema de proteção social. Mas, por trás dessa estrutura, existem histórias de pobreza, abandono, dificuldades financeiras e desconhecimento de direitos que nem sempre aparecem no debate público.

Lalá – @assistentesocialnaalemanha (perfil no Instagram) – Imagem acervo privado

Na quarta-feira, 21 de outubro, a assistente social conhecida nas redes sociais como Lalá, do perfil Assistente Social na Alemanha, participou de uma entrevista ao vivo concedida ao jornalista Augusto Medeiros, no Instagram do Mais Berlim. Durante a conversa, ela apresentou um panorama da assistência social no país a partir de sua experiência profissional, abordando benefícios para famílias, trabalhadores, estudantes, pessoas com deficiência, refugiados e idosos.

Um dos momentos mais marcantes da entrevista foi quando Lalá descreveu a realidade de pessoas idosas que, mesmo vivendo em um país com mecanismos de proteção social, enfrentam situações extremas de vulnerabilidade.

“Tem muito idoso aqui abandonado, sem família, sem ninguém. E se não é uma alma boa de um vizinho … ligando pra algum lugar, não acontece nada.”

A assistente social também chamou a atenção para o desconhecimento de benefícios destinados a complementar aposentadorias insuficientes.

Idosos com fome, abandono e aposentadorias de 120 euros

Imagem ilustrativa

Com nove anos de atuação profissional na Alemanha, Lalá contou que já acompanhou casos de idosos que não conseguiam garantir necessidades básicas, mesmo quando existiam mecanismos de assistência disponíveis.

Em uma das situações, ela foi procurada por um vizinho preocupado com um idoso que vivia sozinho.

“Já teve vizinho me ligando e eu fui até a casa da pessoa, visita domiciliar, porque era um idoso, ele estava simplesmente sem comida. Esse nível. Tem gente que acha que não, mas tem caso assim de idoso.”

Nesse episódio, segundo seu relato, o problema não era exatamente a falta de recursos financeiros. O homem tinha dinheiro na conta bancária, mas não conseguia sair de casa nem administrar sua própria situação.

“Ele estava comendo, assim, sopa que o vizinho dava pra ele de vez em quando, mesmo tendo uma conta com dinheiro.”

Lalá explicou que precisou buscar apoio judicial para garantir a esse idoso um gesetzlicher Betreuer, uma pessoa legalmente designada para auxiliá-lo na administração de questões pessoais e burocráticas. Também mencionou a possibilidade de atendimento domiciliar por meio do seguro de saúde.

Outro caso relatado envolveu um idoso que estava sendo explorado financeiramente por uma pessoa mais jovem, supostamente responsável por ajudá-lo.

“Ele mal comia e uma pessoa maldosa, entendeu? É, um idoso dessa finura, magrinho, não comia quase nada.”

Segundo Lalá, a pessoa apresentava comprovantes de compras em supermercados que ultrapassavam 200 euros por semana, embora os produtos não fossem destinados ao idoso.

Para ela, essas experiências revelam uma realidade pouco discutida.

“Tem muito idoso que não sabe, tem muito idoso que tá em situação de vulnerabilidade.”

O benefício que muitos aposentados desconhecem

Imagem ilustrativa

Entre os direitos mencionados na entrevista está o Grundsicherung im Alter, destinado a pessoas idosas com renda insuficiente.

“Existe algo chamado Grundsicherung im Alter, que é como se fosse o benefício para a pessoa idosa que recebe pouca aposentadoria. Tem gente que recebe aposentadoria de trezentos euros e não sabe que pode pedir esse auxílio pra viver um pouquinho melhor.”

Lalá destacou especialmente a situação de mulheres que passaram parte da vida dedicadas aos cuidados dos filhos e, por isso, tiveram uma participação menor no mercado de trabalho.

“Tem caso de muitas mulheres, por exemplo, que cuidaram dos filhos, não podiam trabalhar, né? Principalmente antigamente, que era pior, a mulher não tinha essa inserção no mercado de trabalho como temos hoje em dia.”

Ela contou que já atendeu pessoas com aposentadorias extremamente baixas.

“Eu já tive gente que a aposentadoria é cento e vinte euros, sabe?”

De acordo com a assistente social, pessoas nessas condições podem buscar o Sozialamt de sua cidade para verificar o acesso ao complemento de renda.

Entretanto, ela ressalta que o próprio benefício não elimina necessariamente as dificuldades financeiras dos idosos.

“Esse benefício pros idosos … também, como eu falei, não é suficiente pros idosos viverem, por isso eles ficam catando garrafinha na rua. É uma vergonha, né, pra Alemanha.”

Durante a entrevista, Augusto Medeiros demonstrou preocupação com os relatos e sugeriu que o Mais Berlim desenvolva um material informativo para ajudar idosos a conhecer seus direitos e saber onde buscar atendimento. Lalá se dispôs a colaborar com a iniciativa.

A assistente social também ressaltou a importância da solidariedade entre vizinhos.

“Porque pode ter um vizinho idoso passando fome no teu lado e você não sabe.”

A maioria dos beneficiários não seria de pessoas sem trabalho, afirma Lalá

Imagem ilustrativa

Outro ponto central da entrevista foi a crítica à imagem de que as pessoas que recebem assistência social na Alemanha vivem sem trabalhar por escolha própria.

Lalá afirmou que essa percepção não corresponde à realidade que encontra em seus atendimentos. Ela também relatou uma reunião com a chefe de um Jobcenter de grande porte, na cidade onde trabalha, na qual foram apresentados dados sobre o perfil dos beneficiários.

“Uma das mentiras é dizer que a maioria das pessoas que recebem o benefício do Jobcenter são pessoas encostadas, né? Tem muita gente que acha isso.”

Segundo a profissional, uma parcela importante das pessoas atendidas recebe o chamado Aufstockung, complemento financeiro destinado a quem trabalha, mas não consegue obter renda suficiente para suas necessidades.

“Aufstockung é quando você trabalha, mas ganha pouco. Então aí já desmente muita coisa, né? Não só na minha cidade, mas em várias cidades, que a maioria das pessoas são trabalhadoras, pobres.”

Lalá citou especialmente famílias estrangeiras que trabalham na área de cuidados, conhecida na Alemanha como Pflege.

“Eu, no meu atendimento, eu vejo muitas famílias que são pessoas estrangeiras que trabalham na área da Pflege, ganham pouco, mesmo trabalhando em Vollzeit.”

Vollzeit significa trabalho em tempo integral.

Segundo ela, algumas dessas famílias precisam recorrer ao Jobcenter porque, mesmo trabalhando, não conseguem sustentar a casa e os filhos apenas com os salários.

A assistente social disse que a dirigente do Jobcenter também havia mencionado situação semelhante em outras cidades alemãs.

“A minoria são pessoas que estão em casa sem, sem estar trabalhando.”

A entrevista não apresentou números absolutos ou percentuais dessas estatísticas. As afirmações foram feitas por Lalá com base em sua experiência profissional e nas informações que disse ter recebido da dirigente do Jobcenter.

Depressão, desemprego e o julgamento de quem recebe assistência

Casos de depressão entre beneficiários – imagem ilustrativa

Lalá também questionou o tratamento dado às pessoas que não estão inseridas no mercado de trabalho.

Segundo ela, muitos beneficiários enfrentam problemas de saúde mental, situações familiares complexas ou dificuldades para conseguir um novo emprego.

“Eu acho muito absurdo as pessoas quererem julgar sem saber a dor do outro, né?”

A profissional mencionou casos de depressão e de trabalhadores com mais de 50 anos que perderam o emprego e não conseguiram retornar ao mercado.

“O que eu vejo na prática são pessoas doentes que estão em casa, realmente com depressão e histórias muito, muito tristes.”

Na avaliação de Lalá, a desinformação sobre os benefícios também contribui para discursos de hostilidade contra estrangeiros.

Ela criticou particularmente a AfD, partido de extrema direita alemão, por utilizar a imigração como tema de mobilização política.

“A extrema-direita, né, tá ganhando força, porque as pessoas, assim, elas veem muitos imigrantes chegando e acham que é culpa deles, né, que estamos nessa situação.”

Para a assistente social, a realidade de quem procura ajuda precisa ser conhecida antes que se façam julgamentos sobre o recebimento de benefícios.

Um país capitalista com um Estado social forte

Alemanha- capitalismo e programas sociais – imagem Cláudio Mota

Questionada por Augusto Medeiros sobre como uma potência econômica capitalista pode manter tantos programas sociais, Lalá destacou o papel do Estado e da arrecadação de impostos.

Ela mostrou durante a transmissão um livro de referência com legislações utilizadas por profissionais da assistência social, explicando que os direitos estão distribuídos por diferentes áreas.

“Um país capitalista, mas com um Estado forte social para que as pessoas não fiquem desamparadas. E a gente paga muito imposto aqui na Alemanha, exatamente pra isso.”

Na avaliação da assistente social, os benefícios não devem ser compreendidos apenas como ajuda financeira para pessoas pobres, mas como mecanismos de proteção e de reconstrução de trajetórias.

“Os benefícios tão aí não pra pessoa pobre coitada, e sim pra reerguer uma pessoa que tá numa situação de vulnerabilidade.”

Ela também lembrou que ninguém está permanentemente livre de precisar da assistência do Estado.

“Eu acho assim que a gente tem sempre que lembrar que nós podemos ser os próximos, então também ter a empatia. Eu acho que falta muito a solidariedade na sociedade.”

Famílias e crianças: Kindergeld, Elterngeld e proteção à maternidade

Benefícios para a família – imagem ilustrativa

Ao longo da entrevista, Lalá apresentou alguns dos benefícios sociais voltados às famílias.

O Kindergeld foi um dos exemplos. Segundo ela, o benefício é concedido por criança, independentemente de a família ter uma renda alta ou baixa, desde que atendidas as condições aplicáveis.

Na entrevista, Lalá mencionou o valor de 259 euros mensais por criança em 2026 e explicou que o pagamento pode continuar após a maioridade em determinadas situações, como durante os estudos ou em casos relacionados à deficiência.

A profissional também falou sobre o Elterngeld, benefício destinado a pais e mães após o nascimento dos filhos, que pode ser compartilhado entre os responsáveis.

Ela usou sua própria experiência familiar como exemplo.

“Quando a minha segunda filha nasceu, nós dividimos. Meu marido ficou realmente, eu fiquei só seis meses fora … do trabalho e depois ele ficou um ano.”

Lalá explicou que o valor recebido está relacionado à renda anterior e à modalidade escolhida, mencionando percentuais aproximados de 65% a 67% da renda líquida em uma das modalidades.

Também abordou o Mutterschutz, período de proteção à maternidade, o Mutterschaftsgeld e a possibilidade de afastamento do trabalho durante a gravidez em situações que envolvam riscos à saúde.

A assistente social destacou que esses mecanismos também fazem parte da proteção social, inclusive quando utilizados por famílias que não se consideram economicamente vulneráveis.

“Tem pessoas que nem sabem que estão usufruindo de benefícios, né, quando você recebe o Elterngeld.”

Educação: apoio financeiro para estudar

Benefícios para estudantes – imagem ilustrativa

Outro benefício apresentado foi o BAföG, destinado ao apoio financeiro de estudantes que atendam aos requisitos.

Lalá diferenciou o Schüler-BAföG, voltado a determinadas situações de educação escolar, do benefício concedido a estudantes universitários.

Segundo ela, o primeiro não precisa ser devolvido, enquanto o segundo pode exigir restituição parcial após a conclusão dos estudos.

A assistente social contou que recebeu BAföG durante seu mestrado na Alemanha.

“Eu mesma recebi no meu mestrado, sou filha de trabalhador, né? No meu mestrado eu recebi, eu tinha uma filha pequena e não era casada.”

Ela mencionou a possibilidade de prolongamento do período de apoio em situações como a maternidade e explicou, com base em sua experiência, que o valor a ser devolvido pode ser limitado e parcelado.

A conversa também abordou as universidades públicas alemãs e as contribuições semestrais pagas pelos estudantes, que, segundo Lalá, incluem serviços como transporte público e atividades de representação estudantil.

Para ela, o investimento em educação está diretamente relacionado ao desenvolvimento da sociedade.

“É pra sociedade funcionar.”

Pessoas com deficiência e a continuidade do acompanhamento

Benefícios para pessoas com deficiência – imagem ilustrativa

Lalá também explicou que a legislação social alemã prevê diferentes formas de apoio às pessoas com deficiência, incluindo crianças, adolescentes e adultos.

Ela mencionou o Livro VIII da legislação social, relacionado à proteção de crianças e jovens, e o Livro IX, que trata de direitos e mecanismos de apoio às pessoas com deficiência.

Entre os instrumentos citados está a Eingliederungshilfe, destinada a favorecer a participação social de pessoas com deficiência.

A profissional relatou que, em sua trajetória, teve contato com pessoas que precisavam de acompanhamento prolongado.

“Eu sei que o amparo é, assim, eterno se a pessoa precisar, o que é muito legal, né?”

Ela também ressaltou a existência de oportunidades de trabalho e de participação social para pessoas com deficiência.

“Pra pessoa não ficar, é, pra ela estar inserida na sociedade de verdade, né? Mesmo com toda a dificuldade.”

Moradia e situação de rua: nem todos conseguem acessar os benefícios

Situação de rua – Imagem Timur Weber

Ao tratar da população em situação de rua, Lalá explicou que a existência de benefícios sociais não significa que todas as pessoas tenham acesso automático a eles.

Ela chamou a atenção para cidadãos de outros países europeus que chegam à Alemanha em busca de emprego, conseguem contratos temporários e depois enfrentam dificuldades para manter a moradia.

“A pessoa que é da União Europeia, ela não vai ter direito automático aos benefícios sociais, igual o alemão. Então as pessoas caem em situação de rua.”

A assistente social também explicou a distinção que utiliza em sua atuação entre wohnungslos e obdachlos.

O primeiro termo abrange situações em que uma pessoa não dispõe de moradia própria ou estável, mesmo quando permanece temporariamente na casa de amigos ou em outras condições precárias. O segundo se refere à situação de quem efetivamente não possui abrigo.

“Se você mora … na casa de um amigo, de favor, você é wohnungslos.”

Lalá explicou que trabalhou na Wohnungslosenhilfe, área de assistência a pessoas sem moradia estável ou em situação de rua, e mencionou os artigos 67 e 68 do Livro XII da legislação social alemã.

Ela também relatou dificuldades no atendimento a pessoas com transtornos psiquiátricos graves, criticando a demora de intervenções em determinadas situações que acompanhou profissionalmente.

Refugiados e a importância do acolhimento

Refugiados – Imagem Ahmed Akacha

Com experiência em projetos voltados a refugiados e à população queer, Lalá compartilhou histórias de pessoas que chegaram à Alemanha após trajetórias marcadas pela violência.

Uma delas foi a de um adolescente afegão que, segundo seu relato, precisou atravessar diferentes países antes de chegar ao território alemão.

Ela contou que a família do jovem o vestia como menina para evitar que fosse levado pelo Talibã e transformado em soldado.

Após chegar à Alemanha, ele recebeu acompanhamento social e começou a estudar.

“Depois com seis meses o menino tava falando alemão maravilhosamente, tava na escola super bem, e o Estado social forte ele vem pra isso, né? Pra amparar as pessoas que estão precisando.”

A assistente social também lembrou a história de uma amiga de infância, refugiada da Somália, que conseguiu se formar em Direito após sua família receber apoio na Alemanha.

Para Lalá, esses exemplos demonstram o potencial dos benefícios sociais para transformar trajetórias individuais.

A trajetória de Lalá entre o Brasil e a Alemanha

Teuto-brasileira, Lalá contou que foi criada por uma mãe historiadora brasileira e um pai antropólogo alemão. Estudou Serviço Social na PUC-Rio, onde foi bolsista, e realizou estágios em instituições do Rio de Janeiro.

Entre elas, destacou a São Martinho, que desenvolve projetos voltados a crianças e jovens em situação de vulnerabilidade, além de experiências no Tribunal de Justiça e em uma instituição de atendimento a pessoas com deficiência.

Ela relatou que deixou o Brasil após sofrer uma tentativa de sequestro no Rio de Janeiro, em 2016.

“Foi por essa tentativa de sequestro que eu sofri, que foi uma coisa horrorosa, né, que eu saí machucada e tudo mais, que eu saí.”

Em 2017, retornou à Alemanha e iniciou sua trajetória profissional no país, inicialmente em projetos relacionados ao atendimento de refugiados.

Posteriormente, realizou uma formação complementar em Berlim para obter o reconhecimento profissional de sua graduação em Serviço Social.

Trabalhou em projetos voltados a famílias queer, famílias afro-alemãs e pessoas em situação de vulnerabilidade habitacional. Também concluiu um mestrado em Estudos Interdisciplinares da América Latina na Freie Universität Berlin, com pesquisa sobre a criminalização da pobreza no Brasil.

Atualmente, trabalha com aconselhamento social geral, atendendo pessoas com diferentes necessidades.

“Aí eu pego da pessoa com dezoito anos que não sabe o que fazer da vida, né? Casal que se separou, até pessoas idosas em situação de vulnerabilidade. Então vem todo mundo pra minha mesa.”

Informação, solidariedade e acesso aos direitos

Ao longo da conversa, Augusto Medeiros destacou que conhecer os direitos sociais é fundamental para que as pessoas consigam acessar os benefícios existentes.

Os relatos sobre idosos em situação de abandono motivaram a proposta de produzir um material informativo voltado especialmente a essa população.

Lalá ressaltou que o trabalho da assistência social também depende do comprometimento dos profissionais.

“Eu fiz da minha profissão a minha missão de vida.”

E explicou como costuma agir quando identifica uma pessoa com direito a algum benefício.

“Quando eu vejo que a pessoa tem direito a esse benefício, não vou ficar de palhaçada porque eu vou correr atrás pra pessoa.”

Para ela, o debate sobre assistência social precisa superar a ideia de que receber apoio do Estado é sinal de fracasso ou falta de esforço individual.

As histórias compartilhadas na entrevista mostram, a partir de sua experiência, situações em que a vulnerabilidade está relacionada a salários insuficientes, problemas de saúde, maternidade, deficiência, deslocamento forçado, isolamento e envelhecimento.

Mais do que apresentar uma relação de benefícios, a conversa trouxe uma reflexão sobre o papel da proteção social em uma sociedade economicamente desenvolvida e sobre as pessoas que, mesmo tendo direitos, continuam enfrentando dificuldades para exercê-los.

“Eu acho que a gente tem que ser um pouco menos egoísta e olhar sempre o nosso umbigo.”

A entrevista foi transmitida ao vivo pelo perfil do Mais Berlim no Instagram, na quarta-feira, 21 de outubro de 2026, com apresentação do jornalista Augusto Medeiros. A conversa abordou ainda outras questões relacionadas à assistência social na Alemanha e abriu a possibilidade de novos encontros para aprofundar temas específicos.

Nota editorial: A matéria foi elaborada exclusivamente a partir da transcrição da entrevista. As declarações, os valores dos benefícios, as referências legais e as avaliações sobre o sistema alemão foram atribuídos à entrevistada, sem verificação externa. As citações foram selecionadas da fala de Lalá, com pequenas supressões de hesitações e repetições quando necessário para a leitura.

Editor-chefe at  | Website |  + posts

Augusto Medeiros é jornalista há 25 anos, formado pela Universidade Federal da Paraíba, atuou no Brasil como repórter de rede, na TV Globo, por 15 anos, com reportagens para Jornal Nacional, Fantástico, Jornal Hoje, Bom Dia Brasil, Jornal da Globo e Globo News. Na Alemanha, passou a atuar como correspondente internacional para o Fantástico, em coberturas como a Guerra da Ucrânia e a Crise Energética. É fundador e editor-chefe do portal Mais Berlim.