
O corpo da brasileira Graziele Costa Moreira, encontrada morta em seu apartamento em Berlim, foi liberado pelas autoridades alemãs, nesta quarta-feira, 11, quase um mês após a morte, segundo informou a família ao portal Mais Berlim. Com a liberação, os familiares decidiram realizar a cremação na Alemanha, diante dos altos custos e da demora para transportar o corpo ao Brasil.
Atualização do Caso em 11 de março, às 23h02.
Quase um mês após a morte de Graziele Costa Moreira, o corpo da brasileira foi finalmente liberado pelas autoridades alemãs. A família agora iniciou os procedimentos para a cremação na Alemanha.
Segundo a mãe de Graziele, a decisão foi tomada após avaliar os custos e o tempo necessário para transportar o corpo ao Brasil.
“Os custos são muito altos para trazer o corpo e também é muito demorado. Já vai completar quase um mês desde que ela morreu”, afirmou.
De acordo com o cunhado da brasileira, Rafael Padrão, a família foi informada sobre a liberação do corpo pela Embaixada do Brasil em Berlim.
Com a liberação, os familiares começaram a organizar os próximos passos do processo. Até o momento, os valores confirmados incluem 2.408,92 euros para a cremação, além de impostos. A família também estima gastos entre 800 e 1.000 euros para o transporte da urna com as cinzas, além de taxas adicionais.
O laudo oficial sobre a causa da morte ainda não foi divulgado. Segundo informações repassadas à família, o resultado pode levar até três meses ou mais para ser concluído.
De acordo com informações repassadas à família, as autoridades alemãs já descartaram o envolvimento de terceiros na morte.
A seguir, matéria publicada em 11 de março, às 17h05
Morte de brasileira em Berlim expõe burocracia e custos enfrentados por famílias de estrangeiros na Alemanha
A morte de brasileiros no exterior costuma trazer, além da dor da perda, uma série de procedimentos burocráticos complexos que muitas famílias desconhecem até se verem diante da situação. Na Alemanha, os processos legais podem levar dias ou semanas até a liberação do corpo, enquanto os custos para sepultamento ou traslado ao Brasil podem chegar a dezenas de milhares de euros.
O caso recente da brasileira Graziele Costa Moreira, 44 anos, natural de Sete Lagoas (Minas Gerais) e residente em Berlim há cerca de 12 anos, ilustra essas dificuldades enfrentadas por familiares que precisam lidar com essas etapas à distância.
Graziele foi encontrada morta em seu apartamento na capital alemã, no dia 19 de fevereiro. Desde então, a família aguarda a conclusão da investigação conduzida pelas autoridades alemãs.
Segundo o cunhado da brasileira, Rafael Padrão, a família ainda não recebeu o laudo definitivo sobre a causa da morte.
“Ela comentou que estava com febre e um pouco cansada e que iria descansar. A gente estava organizando a viagem dela para visitar o Brasil em abril. Essa foi a última mensagem que tivemos”, contou.
Ela relatou à mãe, no sábado 14 de fevereiro, que havia tido uma febre alta na noite anterior, sem razão clara. A partir do domingo, já não respondia mais às mensagens e ligações da mãe.
Depois disso, familiares tentaram contato, mas não tiveram resposta.
“A gente tentou ligar e mandar mensagens, mas não tivemos retorno. Como não tínhamos muitos contatos dela na Alemanha, pedimos ajuda a um amigo que trabalha com ela em Berlim.”
O amigo foi até o apartamento alguns dias depois.
“Ele bateu na porta, chamou e ligou para ela, mas não teve resposta. Então chamou a polícia e os bombeiros, que constataram que ela já estava sem vida.”
Até o momento, segundo a família, as autoridades alemãs descartaram sinais de violência.
“A polícia informou que descartou qualquer fator externo. Pode ter sido um vírus ou um mal súbito, mas ainda não temos confirmação”, disse Rafael.
Investigação pode levar dias ou semanas

A família ainda aguarda a conclusão da investigação.
Segundo Rafael Padrão, o pedido de autópsia foi encaminhado ao procurador responsável.
“A policial responsável já deixou o pedido de autópsia na mesa do procurador. A gente ainda não sabe se já foi feita ou quando sai o resultado. Eles sempre falam que pode sair hoje ou amanhã, mas nunca tem data definida.”
Enquanto o processo não é concluído, a família enfrenta outra dificuldade: não pode acessar documentos pessoais da brasileira.
“Enquanto não tiver liberação da polícia, a gente não pode entrar no apartamento para ver documentos ou saber se ela tinha seguro de vida. Também não temos acesso ao celular ou ao computador.”
Como funciona o processo após uma morte na Alemanha

Segundo a advogada Glória Hermsdorf, especializada em questões jurídicas envolvendo brasileiros no exterior, o procedimento após uma morte na Alemanha segue protocolos rigorosos.
De acordo com Glória Hermsdorf, o primeiro passo é a constatação da morte por um médico.
“O médico analisa o corpo e determina a causa do falecimento. Dependendo da situação, a polícia também pode ser chamada para verificar se houve morte natural ou se existe suspeita de crime.”
Isso ocorre principalmente quando a morte acontece fora de hospitais, como em residências.
Depois da verificação médica e policial, o corpo é liberado e encaminhado para uma funerária.
Como o corpo é preservado enquanto o processo acontece
Enquanto a família decide os próximos passos ou aguarda a conclusão de investigações, o corpo permanece sob responsabilidade das autoridades funerárias.
Segundo Glória Hermsdorf, os corpos são mantidos em câmaras refrigeradas.
“Eles ficam em locais com refrigeração, como grandes câmaras frias. O corpo é mantido em temperatura controlada até que seja enterrado ou cremado.”
Algumas funerárias possuem estrutura própria para isso. Outras utilizam instalações específicas para conservação dos corpos.
Durante esse período, podem existir custos de armazenamento.
Custos elevados levam famílias a buscar alternativas

Outro desafio enfrentado por famílias é o custo dos procedimentos funerários na Alemanha.
Segundo a família de Graziele, orçamentos iniciais indicaram valores entre 9 mil e 11 mil euros para sepultamento.
Já a cremação apresenta custos menores.
“A cremação fica entre dois mil e três mil e quinhentos euros”, explicou Rafael Padrão, cunhado de Graciele.
Além do custo menor, a cremação também reduz a burocracia para transporte internacional.
“Enviar um corpo envolve muitas exigências sanitárias e documentação. Transportar as cinzas é muito mais simples”, disse.
Diante dos custos, a família iniciou uma campanha de arrecadação.
“A gente criou uma vaquinha e amigos e conhecidos ajudaram na divulgação. A prefeitura de Sete Lagoas também ajudou.”
Dificuldades com doações internacionais
A família também tentou arrecadar recursos no exterior.
“A gente tentou usar o aplicativo Wise para receber doações internacionais, mas tivemos muitos problemas. Eles bloquearam várias doações e pediram documentos que não faziam sentido naquele momento”, contou Rafael.
Parte das doações acabou sendo cancelada.
“A gente precisou transferir o dinheiro arrecadado para uma conta brasileira.”
Até o momento, o valor arrecadado cobre apenas parte dos custos.
Procuração pode evitar conflitos e atrasos

A advogada Glória Hermsdorf explica que brasileiros que vivem no exterior podem evitar muitas dificuldades deixando uma procuração pública para uma pessoa de confiança.
Esse documento permite que alguém cuide da burocracia em caso de falecimento.
Sem a procuração, pode ser necessário recorrer ao tribunal para definir quem será responsável pelas decisões.
Segundo Glória Hermsdorf, disputas familiares podem atrasar o processo.
A advogada relatou um caso em que a esposa de um falecido queria decidir sobre o enterro, mas a família dele não concordava.
A disputa acabou indo para o tribunal.
“O corpo ficou aguardando decisão judicial por cerca de dois meses até que o caso fosse resolvido”, contou.
Seguro pode evitar custos elevados
Outra recomendação de Glória Hermsdorf é a contratação de seguros que cubram despesas funerárias ou traslado internacional.
Segundo ela, turistas que viajam para a Europa normalmente possuem seguros com essa cobertura.
Já brasileiros que vivem no exterior podem contratar seguros específicos.
“Existem seguros que cobrem funeral, cremação, burocracia e até cerimônia.”
Qual é o papel da Embaixada do Brasil
A Embaixada do Brasil em Berlim pode prestar orientação administrativa às famílias em caso de morte de brasileiros na Alemanha.
Entre os serviços oferecidos estão:
- emissão gratuita da certidão brasileira de óbito
- orientação sobre procedimentos com autoridades alemãs
- auxílio no contato com funerárias
- informações sobre cremação, sepultamento e traslado
A embaixada também orienta sobre a documentação necessária para transporte de restos mortais para o Brasil.
No entanto, a representação diplomática ressalta que não pode custear despesas funerárias ou transporte do corpo.
Planejamento pode evitar dificuldades
Especialistas destacam que, embora seja um tema difícil, o planejamento pode evitar dificuldades adicionais para familiares.
Isso inclui manter familiares informados sobre:
- documentos importantes
- seguros contratados
- contatos de emergência
- decisões sobre cremação ou sepultamento
Essas informações podem facilitar muito os procedimentos em momentos delicados.
Leia também
A importância de Graziele para a comunidade brasileira em Berlim.
Depoimentos de quem conviveu com Graziele até às vésperas de seu falecimento.
Outro caso envolvendo brasileiros na Alemanha foi relatado pelo Mais Berlim recentemente.
Corpo de brasileira vítima de intoxicação por gás na Alemanha é liberado para repatriação
Augusto Medeiros é jornalista brasileiro radicado em Berlim, editor-chefe e fundador do Portal Mais Berlim. Atua na cobertura de cultura, sociedade, diversidade, empreendedorismo e cotidiano na Alemanha, com foco na experiência de brasileiros e comunidades internacionais no país. Produz reportagens autorais, entrevistas e conteúdos multilíngues que conectam Brasil e Alemanha com informação, contexto e sensibilidade.

