
Serviço nacional de meteorologia aponta para formação de tempestades severas ao longo do fim de semana.
A Alemanha voltou a registrar um novo recorde de temperatura neste sábado (27), em meio à intensa onda de calor que atinge grande parte do país. Segundo dados preliminares do Serviço Meteorológico Alemão (DWD), os termômetros alcançaram 41,5°C em Möckern-Drewitz, no estado da Saxônia-Anhalt, estabelecendo um novo recorde nacional pelo segundo dia consecutivo.
O DWD mantém alerta oficial para calor extremo em diversas regiões do país. O órgão informa que a população enfrenta uma situação de forte a extrema sobrecarga térmica, especialmente em áreas urbanas, onde as temperaturas permanecem elevadas durante a noite, reduzindo o resfriamento natural do organismo.
Além do calor intenso, o serviço meteorológico alerta para a formação de tempestades severas, principalmente no oeste e no norte da Alemanha. As condições atmosféricas favorecem a ocorrência de chuvas intensas, rajadas de vento e queda de granizo, aumentando o risco de transtornos após dias consecutivos de temperaturas excepcionais.
As autoridades recomendam que a população evite exposição ao sol nas horas mais quentes do dia, mantenha-se hidratada e redobre os cuidados com idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas, considerados os grupos mais vulneráveis aos efeitos do calor extremo.
Berlim vive um dos momentos mais críticos desta onda de calor. A capital alemã está sob alerta para calor extremo, com temperaturas próximas dos 40°C, número incomum para a cidade. As autoridades cancelaram atividades escolares, eventos esportivos e culturais ao ar livre, enquanto hospitais registram aumento nos atendimentos relacionados ao calor.
A atual onda de calor é considerada uma das mais intensas já registradas no país e reforça a preocupação dos meteorologistas com a frequência crescente de eventos climáticos extremos na Europa.
O calor extremo já afeta a rotina em Berlim

Os impactos da onda de calor já são sentidos em diversos setores da cidade. Neste fim de semana, pelo menos dois eventos ligados à comunidade brasileira foram cancelados por questões de segurança.
O concerto do projeto Komponistin!, que aconteceria no Schloss Britz sob regência da maestra brasileira Andréa Huguenin Botelho, foi cancelado devido à previsão de calor extremo. Em comunicado oficial, a organização informou que a decisão foi tomada para garantir a segurança do público, dos músicos e de toda a equipe envolvida.
Outro evento adiado foi a tradicional Festa Junina da Bossa FM Europa, que seria realizada neste sábado. Os organizadores remarcaram a festa para o dia 1º de agosto e orientaram o público a evitar exposição ao calor, reforçando os cuidados com hidratação.
A rotina da capital também precisou ser adaptada. Neste domingo (28), a Polícia de Berlim utilizou caminhões com canhões de água para refrescar moradores e turistas na região da Potsdamer Platz. Em vez de operações de segurança, os veículos lançaram uma fina névoa de água sobre as pessoas para aliviar a sensação térmica durante a onda de calor. A iniciativa ganhou destaque na imprensa alemã e nas redes sociais.
Por que está fazendo tanto calor?

Segundo o Serviço Meteorológico Alemão (DWD), o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM), a atual onda de calor é resultado da combinação de diferentes fatores atmosféricos.
O principal deles é um bloqueio de alta pressão, conhecido como domo de calor (heat dome). Esse sistema funciona como uma tampa sobre a atmosfera, impedindo a chegada de frentes frias e mantendo o ar quente preso próximo à superfície.
Ao mesmo tempo, ventos vindos do norte da África transportaram uma massa de ar extremamente quente para a Europa Central. O céu praticamente sem nuvens permitiu que a radiação solar aquecesse ainda mais o solo, elevando rapidamente as temperaturas.
Os especialistas destacam que, embora nenhum evento isolado possa ser atribuído exclusivamente às mudanças climáticas, o aquecimento global provocado pelas atividades humanas aumenta significativamente a frequência, a intensidade e a duração das ondas de calor observadas na Europa.
Quando o calor deve diminuir?
A previsão oficial do Serviço Meteorológico Alemão indica que a mudança no tempo deve começar ao longo do início da próxima semana.
A chegada de uma frente fria deverá romper o bloqueio atmosférico responsável pelo calor extremo, favorecendo a formação de tempestades, chuvas e uma redução gradual das temperaturas em boa parte da Alemanha.
Em Berlim, a expectativa é que as máximas voltem gradualmente para valores próximos da média do verão ao longo da semana. Apesar da melhora, alguns dias ainda poderão registrar temperaturas acima dos 30°C.
Como deve ser o restante do verão?
As previsões sazonais do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas (ECMWF) indicam que o verão de 2026 deve continuar mais quente que a média em grande parte da Europa.
Isso não significa que haverá calor extremo todos os dias, mas aumenta a probabilidade de novas ondas de calor ao longo de julho e agosto, alternadas com tempestades intensas e episódios de chuva forte, um padrão cada vez mais frequente no continente.
Meteorologistas alertam que episódios como o registrado neste fim de semana tendem a se tornar mais comuns nas próximas décadas caso o aquecimento global continue avançando.
Por que Berlim sofre tanto com o calor?
Embora a Alemanha tenha um clima considerado temperado, grandes cidades como Berlim sofrem com o chamado efeito de ilha de calor urbana.
O concreto, o asfalto e os edifícios absorvem calor durante o dia e o liberam lentamente durante a noite. Como consequência, as temperaturas permanecem elevadas mesmo após o pôr do sol, dificultando o resfriamento do organismo e aumentando os riscos à saúde.
Esse fenômeno também explica por que as noites em Berlim têm sido excepcionalmente quentes durante esta onda de calor.
Quais são os riscos do calor extremo?
As autoridades de saúde alertam que temperaturas muito elevadas podem provocar:
- Desidratação;
- Insolação;
- Exaustão pelo calor;
- Queda de pressão arterial;
- Agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias;
- Aumento do risco de infarto e AVC;
- Piora da qualidade do sono devido às noites quentes.
Os grupos mais vulneráveis são idosos, crianças pequenas, gestantes, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores expostos ao sol durante longos períodos.
Como se proteger

O Serviço Meteorológico Alemão (DWD) e as autoridades de saúde recomendam:
- Beber água regularmente, mesmo sem sentir sede;
- Evitar atividades físicas entre 11h e 18h;
- Permanecer em locais frescos sempre que possível;
- Utilizar roupas leves e claras;
- Usar chapéu, boné e protetor solar;
- Manter janelas fechadas durante o período mais quente do dia e ventilar os ambientes durante a noite e a madrugada;
- Acompanhar idosos, crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade;
- Nunca deixar crianças ou animais dentro de veículos estacionados, mesmo por poucos minutos.
Um alerta para o futuro
Para os cientistas, a onda de calor que atinge a Alemanha é mais um exemplo de como os eventos climáticos extremos estão se tornando mais frequentes na Europa. Embora fenômenos naturais sempre tenham existido, o consenso científico aponta que as mudanças climáticas provocadas pela ação humana aumentam a probabilidade de episódios como este ocorrerem com maior intensidade e duração.
A expectativa é que governos, cidades e a própria população precisem se adaptar a uma nova realidade climática, em que temperaturas próximas ou superiores a 40°C deixem de ser eventos excepcionais e passem a ocorrer com maior frequência durante os verões europeus.
Fontes: Serviço Meteorológico Alemão (DWD), Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), Organização Meteorológica Mundial (OMM/WMO), Instituto Robert Koch (RKI) e Ministério Federal da Saúde da Alemanha (BMG).
Jornalista formado pela Universidade de Ribeirão Preto. Acumula passagens por g1 e ge, além de colaborações em veículos como O Estado de Minas e UOL.

