Apagão no sudoeste de Berlim: polícia investiga sabotagem após incêndio em cabos de energia

Incêndio que provocou apagão em Berlim, pode ser criminoso. Umas das possibilidades investigadas é motivação política e ideológica.

Berlim — Um grande apagão atingiu o sudoeste de Berlim após um incêndio em cabos de alta tensão ocorrido no sábado, 3 de janeiro de 2026, deixando até 50 mil residências e mais de 2 mil empresas sem eletricidade e aquecimento em pleno inverno. A polícia investiga o caso como possível incêndio criminoso, e a normalização total do fornecimento de energia está prevista até quinta-feira, 8 de janeiro, segundo a operadora da rede elétrica.


O que causou o apagão

De acordo com informações confirmadas pela polícia e pela operadora Stromnetz Berlin, o apagão foi provocado por um incêndio em uma ponte técnica de cabos sobre o Canal de Teltow, na região de Lichterfelde, no sudoeste da capital alemã.

O fogo danificou gravemente a infraestrutura elétrica, afetando não apenas o fornecimento de energia residencial e comercial, mas também iluminação pública, semáforos, telecomunicações e sistemas de aquecimento, em um período de temperaturas próximas de zero.


Investigação por incêndio criminoso

Desde as primeiras horas, a polícia de Berlim classificou o caso como incêndio criminoso (arson). Segundo as autoridades, não há indícios de falha técnica, o que reforça a hipótese de ação deliberada contra infraestrutura crítica.

O local atingido não é de acesso casual, e unidades especializadas da polícia criminal seguem analisando circunstâncias, possíveis autores e motivação. Até o momento, não há suspeitos identificados.


Carta de reivindicação sob análise

A investigação também considera a existência de uma carta de reivindicação, que circulou em meios ligados à esquerda radical. De acordo com descrições publicadas pela imprensa alemã, o texto afirma que o ataque teria sido planejado e direcionado contra infraestruturas consideradas essenciais ao funcionamento do Estado e da economia.

Segundo esses relatos, a carta:

  • define o incêndio como um ato de sabotagem,
  • critica o chamado “complexo industrial, tecnológico e militar”,
  • reconhece que a população foi afetada, mas trata o impacto como efeito colateral.

A polícia ressalta que a autenticidade do documento ainda não foi confirmada, e que nenhuma organização foi oficialmente responsabilizada.


Impacto para a população

O apagão gerou preocupação imediata com moradores em situação de vulnerabilidade, especialmente idosos, famílias com crianças e pessoas dependentes de aquecimento elétrico. Como resposta, a prefeitura de Berlim acionou planos emergenciais com apoio do Technisches Hilfswerk (THW), incluindo geradores móveis e pontos de apoio para serviços essenciais.

Parte do fornecimento foi restabelecida de forma gradual nos dias seguintes ao incêndio.


Previsão de retomada do fornecimento

Segundo a Stromnetz Berlin, os trabalhos de reparo seguem em andamento e a retomada total da energia está prevista até a tarde de quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, dependendo do avanço técnico das substituições necessárias na rede danificada.


Contexto mais amplo

O caso reacende o debate sobre a segurança de infraestruturas críticas na Alemanha. Nos últimos anos, incêndios e danos a cabos ferroviários, de telecomunicações e de energia vêm sendo investigados como possíveis atos de sabotagem com motivação política.

Especialistas alertam que esse tipo de ataque busca causar impacto indireto sobre a população, ampliando a visibilidade do ato por meio da interrupção da vida cotidiana.


O que se sabe até agora

  • O incêndio ocorreu em 3 de janeiro de 2026
  • O apagão atingiu o sudoeste de Berlim
  • A polícia investiga incêndio criminoso e possível sabotagem
  • Existe uma carta de reivindicação, ainda não confirmada
  • A normalização total da energia está prevista até 8 de janeiro
  • Não há suspeitos oficialmente identificados

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Augusto Medeiros é jornalista há 25 anos, formado pela Universidade Federal da Paraíba, atuou no Brasil como repórter de rede, na TV Globo, por 15 anos, com reportagens para Jornal Nacional, Fantástico, Jornal Hoje, Bom Dia Brasil, Jornal da Globo e Globo News. Na Alemanha, passou a atuar como correspondente internacional para o Fantástico, em coberturas como a Guerra da Ucrânia e a Crise Energética. É fundador e editor-chefe do portal Mais Berlim.

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