Arquivo de Berlin - https://maisberlim.com/category/berlin-pt/ Notícias e serviços para brasileiros em Berlim e na Alemanha Fri, 09 Oct 2026 16:02:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.4 https://maisberlim.com/wp-content/uploads/2026/06/cropped-logo-3-32x32.png Arquivo de Berlin - https://maisberlim.com/category/berlin-pt/ 32 32 Alessandra Pontes completou dez Maratonas de Berlim, inspirou a família a correr e quer celebrar os 50 anos com 50 maratonas pelo mundo. https://maisberlim.com/alessandra-pontes-dez-maratonas-berlim/ Fri, 09 Oct 2026 15:45:45 +0000 https://maisberlim.com/?p=1769 Pernambucana de 49 anos encontrou na corrida saúde, amizades e uma paixão que contagiou toda a família. Na décima prova em Berlim, a ajuda de uma desconhecida tornou a chegada ainda mais especial.

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Aos 49 anos, a professora de música de Frankfurt soma 47 maratonas e celebra as amizades que o esporte trouxe. Pernambucana corre sem se preocupar com performance.


A prova em Berlim trouxa a certeza de que ainda há pessoas dispostas a ajudar.

Alessandra Pontes voltou de sua décima Maratona de Berlim com uma medalha e uma nova amiga. A medalha foi conquistada depois de 42,195 quilômetros. A amizade nasceu quando continuar parecia difícil — e uma brasileira que ela não conhecia parou para ajudá-la.

Na edição de 2026, por volta do quilômetro 30, a pernambucana de 49 anos teve um sangramento menstrual intenso, que associa à fase de transição para a menopausa. Assustada, chamou uma corredora que passava pelo percurso.

“Ei, fala comigo aqui, me ajuda aqui que eu tô desesperada.”

Nos quatro quilômetros finais, as duas seguiram caminhando juntas. A outra brasileira também tinha uma história de dificuldade e superação para contar. Enquanto avançavam, a conversa e a companhia ajudaram Alessandra a concluir a prova.

“Ganhei mais outra amiga brasileira e ela me entendeu.”

O jubileu de dez maratonas na capital alemã ganhou, assim, uma lembrança que não cabe no resultado oficial. Alessandra chegou ao fim amparada por alguém que, até pouco antes, era uma desconhecida. Para quem corre pelos encontros tanto quanto pela distância, aquela ajuda tornou a chegada ainda mais especial.


Dez medalhas de Berlim, dez histórias: Alessandra reuniu as lembranças de suas participações na prova. Foto cedida por Alessandra Pontes.

O primeiro passo abriu caminho para a família

Antes das maratonas, vieram a natação, o balé, o frevo e as danças populares do Recife. Alessandra gostava de se movimentar, mas correr longas distâncias nunca tinha feito parte de seus planos.

Depois de se mudar para a Alemanha, foi o marido quem a inscreveu em uma corrida de cinco quilômetros. Ela gostou. Vieram os dez quilômetros, a meia maratona e a curiosidade de descobrir se conseguiria completar uma prova inteira.

Em 2014, quando morava em Seul, na Coreia do Sul, decidiu tentar. Sua primeira maratona seria um desafio pessoal, sem anúncio nem expectativa de um grande resultado.

“Vou me inscrever numa prova de 42, só pra ver se eu consigo terminar. Não vou dizer nem a ninguém, porque é um teste pra mim mesma.”

Conseguiu. A segunda maratona foi em Berlim. Desde então, segundo conta ao Mais Berlim, completou 47 provas pelo mundo.

Alessandra Pontes em Seul, cidade onde correu sua primeira maratona em 2014
Seul, 2014: o início de uma trajetória que Alessandra não imaginava percorrer. Foto cedida por Alessandra Pontes.
Medalha da Maratona Internacional de Seul de 16 de março de 2014
A medalha da primeira maratona, disputada em Seul em 16 de março de 2014. Foto cedida por Alessandra Pontes.

A paixão atravessou também a porta de casa. Inspirados por ela, o marido e os filhos passaram a correr. Hoje, o esporte faz parte da rotina da família, e o marido já completou oito Maratonas de Berlim com Alessandra.

Cada um segue no seu ritmo. O encontro fica para o final, quando a chegada vira festa.

“Nunca pensei que a corrida fosse me trazer tanta alegria, tanta coisa boa. E hoje minha família, todo mundo corre, meus filhos, meu marido.”

Para ela, a mudança aparece nos pequenos hábitos: levantar cedo, sair de casa, respirar, cuidar da saúde e encontrar um tempo para si.

“Não é só o esporte também, é uma higiene mental.”

O relógio não conta tudo

Moradora de Frankfurt, Alessandra organiza parte de suas viagens em torno das maratonas. Mas o tempo na chegada nunca foi sua prioridade. O que deseja levar de cada prova é outra coisa.

“Eu tenho a ambição de ser feliz com isso, de fazer amigos, de conhecer gente nova.”

Já correu em destinos como Londres, Roma e Tromsø, na região do Ártico, e participou da festiva Maratona do Médoc, na França. Em Atenas, Copenhague, Genebra e Budapeste, conheceu pessoas que continuam fazendo parte de sua vida. Uma prova puxa outra; um encontro dá origem ao próximo.

Alessandra Pontes e duas amigas mostram suas medalhas da Maratona de Frankfurt
Medalhas e companhia: Alessandra, ao centro, celebra com amigas depois da Maratona de Frankfurt. Foto cedida por Alessandra Pontes.

Berlim se tornou um desses lugares de reencontro. Amigos feitos em outras cidades voltam a se reunir ali. Até a prova que já conhece pode surpreendê-la: mudam o clima, as conversas, a disposição. Muda também quem ela é a cada ano.

Na alegria das ruas, Alessandra reconhece algo das festas que marcaram sua vida em Pernambuco.

“Pra mim, corrida é um momento de meditação, de alegria, é uma festa, é o carnaval que eu não tenho mais do Recife, é o São João que eu não tenho mais em Caruaru.”

O esporte se tornou uma maneira de cuidar do corpo e de cultivar companhia. Entre seus amigos estão corredores mais velhos, alguns com mais de 70 anos, cujas histórias alimentam sua vontade de continuar. A distância percorrida importa, mas é a vida compartilhada em torno dela que Alessandra mais gosta de contar.

Grupo de corredores da Acorja reunido no Marco Zero do Recife
Corredores da Acorja no Marco Zero do Recife: as amizades e as raízes pernambucanas também fazem parte dessa história. Foto cedida por Alessandra Pontes.

50 anos, 50 maratonas

Alegria o ano todo, celebrada com criatividade no Natal. Foto acervo particular.

Aos 49 anos, Alessandra ainda tem duas maratonas previstas para o restante de 2026. Para o ano seguinte, prepara uma celebração que reúne a idade que vai completar e a paixão que encontrou depois de adulta.

Entre a primeira chegada em Seul e a décima em Berlim, a corrida passou a fazer parte das viagens, das amizades e da vida de toda a família. Na última prova na capital alemã, também ganhou o rosto de uma brasileira que ouviu seu pedido de ajuda e seguiu com ela.

Agora, Alessandra quer acrescentar novas histórias à coleção. E já sabe como deseja comemorar meio século de vida:

“Ano que vem quero completar meus 50 anos com 50 maratonas.”

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Praia de plástico em Berlim une saber ancestral e IA para provocar debate sobre crise climática https://maisberlim.com/praia-plastico-berlim-seudo-antropobsceno-ia-crise-climatica/ Tue, 25 Aug 2026 12:41:22 +0000 https://maisberlim.com/?p=1714 Artista argentino Seudo apresenta em Berlim “Antropobsceno”, exposição que une saberes ancestrais dos Andes, inteligência artificial e debate climático.

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Plastic Beach: Instalação provocativa de Seudo

Em “Antropobsceno”, artista argentino Seudo recupera conhecimentos agrícolas dos Andes para pensar o futuro da alimentação; brasileiro parte da Prachtsaal alerta para concentração de riqueza com novas tecnologias

Uma praia tomada por plástico ocupa parte de uma galeria em Berlim. A imagem criada pelo artista argentino Seudo é irônica e incômoda, mas a intenção não é apenas denunciar os impactos da ação humana sobre o planeta. Em “Antropobsceno”, o artista procura também apresentar uma proposta: recuperar conhecimentos agrícolas ancestrais e colocá-los em diálogo com tecnologias contemporâneas, como a inteligência artificial.

A instalação está na Prachtsaal, espaço artístico em Neukölln, que tem o brasileiro Stephan Vankuyk, como um dos gestores da galeria e curador da exposição.

A finissage está marcada para está terça-feira, 25, das 17 as 22 horas.

Em entrevista ao Mais Berlim, Seudo explicou que a ideia surgiu justamente da vontade de ultrapassar a crítica.

Seudo, solução além da crítica. Foto: divulgação

“Em vez de gerar uma crítica de que o mundo está indo para um lugar que não beneficia nenhum de nós, me parece que a nenhum de nós, [quis] gerar uma proposta”, afirma.

Essa proposta passa por olhar para o passado para discutir um dos maiores desafios do presente: como produzir alimentos para uma população crescente sem aumentar a degradação dos solos e dos recursos naturais.

O que significa “Antropobsceno”?

Exposição no Prachtsaal, em Berlim. Foto: Seudo

“Antropobsceno” é a quarta parte de um projeto dividido em cinco trabalhos e parte do conceito de Antropoceno.

Questionado pelo Mais Berlim sobre o nome, Seudo confirmou: “É um jogo de palavras ligado a esta era geológica que alguns cientistas chamam de Antropoceno.”

O termo ganhou espaço nas últimas décadas para discutir a dimensão das transformações provocadas pela humanidade sobre os sistemas terrestres. Apesar de seu amplo uso no debate científico e ambiental, o Antropoceno não foi formalmente reconhecido como uma nova época na escala geológica internacional.

Na obra de Seudo, essa interferência humana ganha uma representação bastante concreta: plástico.

Uma praia onde o plástico ocupa o lugar da natureza

Praia do futuro?

Uma das instalações transforma o espaço da galeria em uma espécie de praia coberta por resíduos plásticos.

Para Seudo, o exagero e o desconforto fazem parte da linguagem da obra.

“É um pouco também de ironia, de acidez. Gosto de jogar com essas coisas, me parece que impacta muito mais”, disse ao Mais Berlim.

A praia funciona como uma provocação sobre a enorme produção de plástico e sua presença cada vez maior no ambiente.

Mas é quando o visitante encontra o contraponto à praia que a proposta de “Antropobsceno” ganha outra dimensão.

Se de um lado está um dos materiais que simbolizam a sociedade industrial contemporânea, do outro aparecem conhecimentos desenvolvidos muito antes das tecnologias atuais.

Os terraços agrícolas dos Andes

Uma segunda instalação resgata cultura inca.
Foto: Seudo

Seudo direciona o olhar para as terrazas de cultivo, conhecidas no Peru como andenes: sistemas de terraços construídos nas encostas das montanhas para possibilitar a agricultura em terrenos inclinados e auxiliar no manejo da água e do solo.

Embora sejam frequentemente associados aos incas, esses conhecimentos agrícolas são mais antigos que o próprio Império Inca e foram desenvolvidos por diferentes sociedades andinas ao longo de milhares de anos.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) destaca que os sistemas agrícolas andinos são resultado de mais de 5 mil anos de adaptação ao ambiente. Terraços, sistemas de irrigação e o cultivo de diferentes espécies em diferentes altitudes permitiram às populações produzir alimentos em uma geografia particularmente desafiadora.

Essas técnicas não desapareceram com as civilizações que as desenvolveram.

Comunidades andinas ainda mantêm sistemas tradicionais de agricultura. No Peru, iniciativas governamentais procuram inclusive recuperar andenes por seu potencial para conservação do solo, aproveitamento da água e produção agrícola.

Estudos do Instituto Geofísico do Peru também apontam benefícios contra a erosão. Pesquisa realizada em áreas agrícolas encontrou redução de cerca de 33% na erosão do solo em terrenos com terraços em comparação com áreas sem essas estruturas.

É esse conhecimento que Seudo quer trazer para uma discussão contemporânea.

O encontro entre conhecimento ancestral e inteligência artificial

Seudo também traz obras a preços acessíveis para democratizar a arte. Foto: Seudo

“Resgatar conhecimentos ancestrais, como são as terrazas de cultivos incaicas, que têm dois mil anos de história e subsistem até hoje, e uni-las às novas tecnologias, como pode ser a IA”, explicou Seudo.

A intenção, segundo ele, seria “gerar alimentos sem danificar tanto o solo, as terras” e buscar caminhos para enfrentar o desafio de alimentar a população mundial.

A referência aos dois mil anos corresponde à explicação do próprio artista. Historicamente, porém, a tradição agrícola andina é ainda mais antiga e envolve diferentes povos anteriores aos incas.

Na exposição, portanto, a IA não é apresentada como uma solução científica pronta para as mudanças climáticas. Ela aparece dentro de uma proposição artística: imaginar o que poderia acontecer se ferramentas tecnológicas atuais fossem combinadas com conhecimentos acumulados e testados por populações durante gerações.

Mas dentro da própria mostra existe uma visão mais crítica sobre essa promessa tecnológica.

“Vão servir para acumular grandes fortunas no bolso de poucos”

Stephan Vankuyk: compromisso com novos artistas

O brasileiro Stephan Vankuyk, um dos responsáveis pela Prachtsaal e curador da exposição, acompanha o trabalho de Seudo há cerca de 20 anos.

Para Stephan, referências às culturas pré-colombianas não surgiram agora na produção do artista.

“A proposta nova dele trata muito sobre as realidades climáticas que a gente está vivendo, mas reinterpretando as inspirações incas, maias e astecas que ele sempre teve no trabalho dele. Foi algo que desde as primeiras exposições que a gente fez juntos já dava para ver”, conta.

O que mudou é a maneira como essas referências passaram a dialogar com questões contemporâneas.

“Agora ele está usando isso como uma ferramenta sarcástica para analisar novas tecnologias”, afirma Stephan.

E, enquanto Seudo imagina a possibilidade de aproximar conhecimentos ancestrais e ferramentas como a IA, Stephan introduz uma crítica à maneira como essas tecnologias vêm sendo apresentadas à sociedade.

“Essas novas tecnologias são apresentadas para a gente como a solução para todos os nossos problemas”, diz.

O galerista, entretanto, questiona quem efetivamente será beneficiado por elas.

“Eu acho que, muito mais que solução, a IA, essas novas tecnologias, só vão servir para acumular grandes fortunas no bolso de poucos. História que a gente já conhece e já viu antes.”

As duas perspectivas não precisam produzir uma resposta única. Pelo contrário: ajudam a transformar a exposição em uma discussão sobre qual tecnologia queremos, de onde vem o conhecimento utilizado por ela e quem se beneficia dos resultados.

Uma parceria que começou com dois quadros em Buenos Aires

Obras de Seudo na galeria Prachtsaal

A presença de Seudo na Prachtsaal também é resultado de uma relação que começou cerca de duas décadas atrás, muito antes da atual exposição em Berlim.

Stephan lembra que estava inaugurando sua primeira galeria em Buenos Aires quando Seudo apareceu.

“O Seudo apareceu no dia da abertura da minha primeira galeria. Apareceu com uma cara de cão sem dono, com dois quadros embaixo do braço, dizendo que leu no Facebook que eu estava abrindo uma galeria e queria saber se podia mostrar os quadros.”

Stephan decidiu abrir espaço para o então desconhecido artista.

“Para mim sempre foi muito importante dar espaço para artistas sub-representados no mundo artístico, artistas que são esquecidos pelo mainstream, pelo mundo das artes.”

Ele conta que gostou do trabalho e permitiu que Seudo ocupasse um espaço na galeria.

“Isso foi há vinte anos e, desde então, a gente vem trabalhando junto, às vezes mais, às vezes menos.”

Duas décadas depois daquele encontro em Buenos Aires, a parceria chegou novamente a Berlim.

“Foi muito satisfatório saber que eu tive um impacto tão grande na carreira desse grande artista”, afirma Stephan.

Para o galerista brasileiro, existe ainda outra dimensão nesse trabalho: ampliar a presença latino-americana no circuito europeu.

“É legal ter uma oportunidade de trazer os artistas latinos e encontrar um espaço para exibi-los na Europa.”

Outros artistas dividem o espaço

Obra do alemão MIMA é parte da mostra coletiva e fala sobre o abuso de substâncias

A mostra na Prachtsaal não se limita ao trabalho de Seudo.

Dentro do espaço expositivo, uma área reúne também trabalhos de outros artistas, ampliando a proposta da galeria de colocar diferentes produções e trajetórias em contato com o público berlinense.

É nesse ambiente que a praia de plástico de “Antropobsceno” encontra seu lugar.

A instalação começa com uma imagem de degradação, mas termina colocando uma questão que atravessa passado e futuro.

De um lado, uma sociedade que ainda procura uma saída para a quantidade de plástico que produz. Do outro, técnicas agrícolas desenvolvidas por sociedades que aprenderam durante milhares de anos a produzir alimentos em alguns dos terrenos mais difíceis do planeta.

No meio desses dois mundos está uma tecnologia que promete transformar o futuro — e sobre a qual artista e curador levantam perguntas diferentes.

O conhecimento necessário para enfrentar a crise ambiental virá das máquinas, do passado ou da combinação entre os dois? E, se a tecnologia fizer parte da resposta, quem terá acesso aos seus benefícios?

“Antropobsceno” deixa essas perguntas abertas.

Prachtsaal
Jonasstraße 22
12053 Berlin-Neukölln

Fontes

Entrevistas exclusivas de Seudo e Stephan Vankuyk ao Mais Berlim; material da exposição “Antropobsceno”; Prachtsaal; Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO); fontes oficiais do governo peruano e Instituto Geofísico do Peru.

Essa matéria é parte do projeto Mais Art, lançado pelo Mais Berlim para proporcionar oportunidades a artistas independentes.

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Um cemitério com 7 mil soldados soviéticos em Berlim: curiosidades e a história do memorial que celebra a derrota da Alemanha nazista https://maisberlim.com/memorial-sovietico-berlim-sete-mil-soldados-cemiterio/ Fri, 21 Aug 2026 20:24:02 +0000 https://maisberlim.com/?p=1674 Um cemitério com 7 mil soldados soviéticos em Berlim. Conheça o memorial que conta parte da história da Segunda Guerra Mundial, possui uma estátua de 13 metros e celebra a derrota da Alemanha nazista, de Hitler.

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Homenagem aos soldados soviéticos em Berlim

No meio do Treptower Park, em Berlim, existe um enorme memorial soviético que também é um cemitério de guerra. Mais de 7 mil integrantes do Exército Vermelho estão sepultados no complexo, construído depois da Segunda Guerra Mundial para homenagear os mortos e celebrar a vitória soviética sobre a Alemanha nazista.

A visita ao memorial abre caminho para entender não apenas o monumento, mas acontecimentos que transformaram Berlim, a Alemanha e o mundo.

Neste artigo, entenda:

  • Como mais de 7 mil soldados soviéticos foram parar no Treptower Park.
  • Onde estão os soldados enterrados dentro do memorial.
  • Por que existem cinco grandes campos de gramado.
  • Por que existem 16 sarcófagos monumentais.
  • O que dizem as frases de Josef Stalin gravadas no memorial.
  • Quem foi Stalin.
  • Quem é o soldado da gigantesca estátua e o que ela representa.
  • Qual é o tamanho do memorial em comparação com o Treptower Park.
  • O que foi a Alemanha nazista e quanto tempo ela existiu.
  • Por que aconteceu a Segunda Guerra Mundial e quanto tempo ela durou.
  • Quem lutou contra quem.
  • O que foi a Batalha de Berlim.
  • Quantos soldados soviéticos morreram na tomada de Berlim.
  • Quantos militares soviéticos e alemães morreram durante a guerra.
  • Quantas pessoas morreram na Segunda Guerra Mundial e quantas eram civis.
  • Se o Brasil participou da guerra e como.
  • Como a Alemanha foi dividida depois de 1945.
  • Como surgiu a Alemanha Oriental e por quanto tempo ela existiu.
  • Qual era a relação da Alemanha Oriental com a União Soviética.
  • Por que os estudantes da Alemanha Oriental aprendiam russo.
  • Por que Berlim Ocidental existia no meio da Alemanha Oriental.
  • Como essa divisão acabaria levando ao Muro de Berlim.
  • Por que a Alemanha preserva até hoje um monumento soviético que celebra a derrota da Alemanha nazista.

Como os 7 mil soldados foram parar no Treptower Park se o memorial só foi inaugurado em 1949?

Eles não ficaram quatro anos esperando para ser enterrados.

Depois dos combates de 1945, soldados soviéticos mortos foram sepultados inicialmente em diferentes pontos de Berlim. Durante a criação do grande memorial e cemitério militar de Treptow, restos mortais foram exumados e transferidos de outros locais da cidade.

Em 1947, antes mesmo da inauguração do monumento, milhares já haviam sido sepultados ali.

Hoje, fontes oficiais de Berlim falam em mais de 7 mil sepultamentos no complexo. Uma publicação oficial do distrito de Treptow-Köpenick de 2026 menciona aproximadamente 7.200 sepulturas.

Onde exatamente estão enterrados?

Os mortos estão distribuídos em áreas funerárias dentro do próprio complexo.

Os cinco enormes retângulos de gramado no eixo central são sepulturas coletivas simbólicas. Portanto, não significa que todos os milhares de corpos estejam simplesmente debaixo desses cinco gramados.

Documentos oficiais de Berlim registram sepultamentos coletivos e individuais distribuídos pela área.

O espaço foi projetado para funcionar simultaneamente como cemitério real e representação monumental de um cemitério.

Por que existem cinco grandes campos de gramado?

Os cinco campos retangulares fazem parte da composição arquitetônica do memorial e foram concebidos como sepulturas coletivas simbólicas.

Eles ocupam o grande eixo central e conduzem visualmente o visitante até a estátua monumental do soldado soviético.

Toda a simetria do complexo foi planejada para construir uma narrativa de sofrimento, combate, morte, vitória e memória.

Por que existem 16 sarcófagos?

São 16 grandes sarcófagos monumentais, oito de cada lado, representando as 16 repúblicas que formavam a União Soviética quando o memorial foi concebido.

Eles não são simplesmente 16 grandes túmulos.

Seus relevos apresentam episódios da guerra segundo a narrativa soviética: a invasão alemã, o sofrimento da população, a resistência, o esforço de guerra, os combates e o luto pelos mortos.

O que dizem as frases de Stalin nos sarcófagos?

Texto atribuído à fala de Stalin:
“O Exército Vermelho possui suas próprias tradições gloriosas. Elas inspiram nossos combatentes e os elevam a feitos heroicos. Elas lhes dão a compreensão de que a guerra patriótica gera entre nós milhares de heróis e heroínas dispostos a enfrentar a morte pela liberdade de sua pátria.”
— Josef Stalin

Os sarcófagos possuem inscrições atribuídas a Josef Stalin, reproduzidas em russo e alemão.

Em uma das inscrições fotografadas pelo Mais Berlim, Stalin exalta a tradição militar do Exército Vermelho e afirma que ela inspira grandes feitos, mencionando milhares de homens e mulheres dispostos a enfrentar a morte pela liberdade de sua pátria.

As frases fazem parte da concepção original do memorial e precisam ser entendidas dentro da linguagem política e propagandística da União Soviética sob Stalin.


“Os invasores de Hitler pretendem transformar em escravos os povos da Ucrânia, Belarus, dos países bálticos, da Moldávia, Crimeia e Cáucaso. Nosso objetivo é claro e nobre: queremos libertar nossa terra soviética.” — Josef Stalin

Quem foi Stalin?

Josef Stalin foi o líder que consolidou o controle da União Soviética no final dos anos 1920 e permaneceu no poder até sua morte, em 1953.

Foi o líder soviético durante a maior parte da Segunda Guerra Mundial e comandava o país quando o Exército Vermelho chegou a Berlim.

Ao mesmo tempo, governou como ditador. Seu regime foi marcado por repressão política, execuções, deportações, expurgos e pelo sistema de campos de trabalhos forçados conhecido como Gulag. Milhões de pessoas morreram durante seu governo.

O memorial foi inaugurado em 1949, quando Stalin ainda estava no poder, o que ajuda a explicar a presença de suas frases.

Quem é o soldado da enorme estátua?

A escultura é conhecida como “O Guerreiro Libertador” e foi criada pelo escultor soviético Yevgeny Vuchetich.

Ela não representa oficialmente uma pessoa específica, mas uma figura simbólica do soldado do Exército Vermelho.

O homem segura uma criança alemã em um braço e uma enorme espada no outro. Sob seus pés aparece uma suástica destruída.

A composição representa a vitória soviética sobre a Alemanha nazista e, dentro da narrativa original do monumento, a libertação do nazismo.

A figura também é associada à história do soldado soviético Nikolai Masalov, que teria resgatado uma criança alemã durante a Batalha de Berlim. Isso não significa, porém, que a estátua seja um retrato dele.

A figura de bronze possui aproximadamente 11,6 metros de altura e pesa cerca de 70 toneladas. Dentro de seu pedestal existe ainda uma sala memorial decorada com mosaicos.

Qual é o tamanho do memorial?

O Memorial Soviético ocupa aproximadamente 93 mil metros quadrados, ou 9,3 hectares.

O Treptower Park possui cerca de 88 hectares.

Isso significa que o complexo soviético ocupa aproximadamente 10% de toda a área do parque.

E existe uma diferença importante de idade: o Treptower Park surgiu no século XIX e já existia décadas antes das guerras mundiais. O memorial soviético só foi construído depois da Segunda Guerra.

O que foi a Alemanha nazista?

Aos pés da estátua a suástica nazista aparece destruída pela espada do soldado soviético. Foto: Mais Berlim

“Alemanha nazista” é o nome usado para a Alemanha durante a ditadura de Adolf Hitler e do Partido Nazista.

Hitler tornou-se chanceler em 30 de janeiro de 1933 e rapidamente destruiu as instituições democráticas da República de Weimar, perseguiu adversários e estabeleceu uma ditadura.

O regime defendia uma ideologia ultranacionalista, racista e antissemita. Judeus foram progressivamente excluídos da sociedade, perseguidos e posteriormente submetidos a um programa sistemático de extermínio.

O regime também perseguiu, aprisionou e assassinou outros grupos e adversários considerados inimigos.

Quanto tempo durou a Alemanha nazista?

A ditadura nazista existiu por aproximadamente 12 anos, de 1933 a 1945.

Hitler chegou ao poder em janeiro de 1933.

O regime terminou com a derrota militar da Alemanha na Segunda Guerra Mundial. Hitler suicidou-se em seu bunker em Berlim em 30 de abril de 1945, poucos dias antes da capitulação alemã.

Por que aconteceu a Segunda Guerra Mundial?

Não existe uma única causa, mas existe um ponto de partida claro para a guerra na Europa.

Em 1º de setembro de 1939, a Alemanha nazista invadiu a Polônia. Dois dias depois, Reino Unido e França declararam guerra à Alemanha.

A invasão fazia parte da política expansionista de Hitler, que pretendia conquistar territórios e obter o chamado Lebensraum, ou “espaço vital”, principalmente no leste europeu.

As consequências da Primeira Guerra Mundial, a instabilidade econômica e política, o crescimento de regimes autoritários e o fracasso das potências europeias em conter a expansão de Hitler também contribuíram para criar as condições que levaram ao conflito.

Quanto tempo durou a Segunda Guerra Mundial?

A Segunda Guerra Mundial durou seis anos, de 1º de setembro de 1939 a 2 de setembro de 1945.

Há uma distinção importante para entender o memorial de Berlim.

Na Europa, a guerra terminou em maio de 1945, com a derrota da Alemanha nazista.

Mas o conflito continuou na Ásia e no Pacífico. O Japão anunciou sua rendição em agosto e assinou formalmente o documento em 2 de setembro de 1945, encerrando a Segunda Guerra Mundial.

Portanto, o memorial de Treptow celebra a vitória soviética sobre a Alemanha nazista e o fim da guerra na Europa.

Quem lutou contra quem?

De maneira simplificada, a guerra reuniu dois grandes grupos.

De um lado estavam as Potências do Eixo, lideradas por:

Alemanha nazista, Itália fascista e Japão.

Do outro estavam os Aliados, entre os quais:

Reino Unido, União Soviética, Estados Unidos, China e França, além de muitos outros países.

A composição mudou ao longo da guerra.

A União Soviética entrou diretamente na guerra contra a Alemanha depois que Hitler rompeu o pacto de não agressão germano-soviético e invadiu o território soviético em 22 de junho de 1941.

Os Estados Unidos entraram no conflito depois do ataque japonês a Pearl Harbor, em dezembro daquele ano.

O que foi a Batalha de Berlim?

Foi a batalha final pela capital da Alemanha nazista.

Em abril de 1945, o Exército Vermelho avançou sobre Berlim enquanto os Aliados ocidentais avançavam pela Alemanha pelo oeste.

As forças soviéticas cercaram a capital e travaram violentos combates pelas ruas da cidade.

Hitler suicidou-se em 30 de abril de 1945. Berlim capitulou em 2 de maio e, poucos dias depois, veio a rendição incondicional das forças armadas alemãs.

A guerra terminava na Europa.

Os 7 mil enterrados em Treptow foram todos os soviéticos mortos na Batalha de Berlim?

Não.

O número foi muito maior.

Estimativas frequentemente citadas apontam para aproximadamente 80 mil militares soviéticos mortos durante a operação de Berlim, que compreendeu uma área maior do que apenas os combates dentro da cidade.

Os sepultados no Treptower Park representam somente uma parcela dessas perdas.

Berlim possui outros grandes cemitérios soviéticos, entre eles os de Tiergarten e Schönholzer Heide.

Quantos militares soviéticos morreram durante a Segunda Guerra Mundial?

As estimativas variam conforme os critérios utilizados.

Uma das cifras mais utilizadas é de aproximadamente 8,7 milhões de militares soviéticos mortos durante a guerra.

Quando civis são incluídos, estimativas amplamente utilizadas colocam as perdas da União Soviética em aproximadamente 26 a 27 milhões de pessoas.

A União Soviética foi um dos países mais atingidos pela Segunda Guerra Mundial.

Quantos militares alemães morreram?

Também existem diferenças entre as estimativas.

Uma cifra frequentemente utilizada é de aproximadamente 5,3 milhões de militares alemães mortos durante a Segunda Guerra Mundial.

Uma parcela muito significativa dessas mortes ocorreu na Frente Oriental, durante os combates contra a União Soviética.

Quantas pessoas morreram na Segunda Guerra Mundial?

Não existe uma contagem mundial definitiva.

As estimativas variam conforme a metodologia e principalmente conforme são contabilizadas as mortes indiretas provocadas por fome, doenças, ocupação e deslocamentos.

O consenso é que dezenas de milhões de pessoas morreram, tornando a Segunda Guerra Mundial o conflito mais mortal da história.

Diferentes instituições trabalham com totais que vão de aproximadamente 55 milhões a mais de 70 milhões de mortos.

Quantos eram civis?

Os civis representaram uma parcela enorme das vítimas.

Não existe um total mundial exato, mas dezenas de milhões de civis morreram em bombardeios, massacres, genocídios, ocupações, fome e doenças provocadas ou agravadas pela guerra.

Entre as vítimas estavam aproximadamente 6 milhões de judeus assassinados no Holocausto pela Alemanha nazista e seus colaboradores.

A dimensão das perdas civis mostra por que a Segunda Guerra Mundial não pode ser compreendida apenas como uma guerra entre exércitos.

O Brasil participou da Segunda Guerra Mundial?

Sim.

Inicialmente, o Brasil permaneceu neutro. A situação mudou principalmente depois de ataques de submarinos do Eixo contra navios brasileiros.

Em 1942, o Brasil declarou guerra à Alemanha e à Itália.

Posteriormente, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) foi enviada para lutar na Itália ao lado dos Aliados.

Mais de 25 mil brasileiros foram enviados ao teatro de operações italiano e participaram de combates importantes, entre eles Monte Castello e Montese.

A participação brasileira significa que a guerra lembrada no Memorial Soviético de Berlim também possui uma conexão direta com a história do Brasil.

O que aconteceu com a Alemanha depois da guerra?

Depois da derrota nazista, a Alemanha foi ocupada pelas quatro principais potências vencedoras:

Estados Unidos, Reino Unido, França e União Soviética.

O território foi dividido em quatro zonas de ocupação.

A União Soviética passou a controlar uma grande área no leste da Alemanha, enquanto as outras três potências administravam regiões no oeste.

Essa divisão, inicialmente concebida no contexto da ocupação do pós-guerra, acabaria se transformando em uma divisão política muito mais duradoura com o início da Guerra Fria.

Como surgiu a Alemanha Oriental?

Em 1949, a divisão alemã se consolidou.

As zonas ocidentais deram origem à República Federal da Alemanha (RFA), conhecida como Alemanha Ocidental.

Na zona de ocupação soviética foi criada, em 7 de outubro de 1949, a República Democrática Alemã (RDA), conhecida como Alemanha Oriental ou DDR, em alemão.

A Alemanha Oriental tornou-se um Estado socialista fortemente ligado política, econômica e militarmente à União Soviética.

Por quanto tempo existiu a Alemanha Oriental?

A Alemanha Oriental existiu por quase 41 anos, de 1949 a 1990.

Mas a presença soviética no leste alemão havia começado antes, imediatamente depois da guerra, em 1945.

Se considerarmos o período entre o início da ocupação soviética e a reunificação, o leste da Alemanha passou aproximadamente 45 anos sob ocupação e, posteriormente, forte influência soviética.

A RDA deixou de existir em 3 de outubro de 1990, quando ocorreu a reunificação alemã.

Os alemães orientais aprendiam inglês ou russo?

Na Alemanha Oriental, a principal língua estrangeira ensinada nas escolas era o russo.

A partir dos anos 1950, o ensino de russo tornou-se obrigatório para a maioria dos estudantes, refletindo a forte ligação política e cultural da RDA com a União Soviética.

Isso não significa que ninguém aprendesse inglês. Inglês e outras línguas também podiam ser ensinados, principalmente em determinados níveis e escolas, mas o russo ocupava uma posição privilegiada no sistema educacional.

Enquanto na Alemanha Ocidental o inglês se consolidava como principal língua estrangeira, gerações de estudantes da Alemanha Oriental tiveram o russo como primeira língua estrangeira obrigatória.

Depois da reunificação, o inglês rapidamente assumiu essa posição também no leste.

A divisão alemã, portanto, não existia apenas no mapa: ela chegava às escolas, ao idioma aprendido pelas crianças e à vida cotidiana.

E como Berlim ficou nessa divisão?

Aqui existe uma particularidade fundamental.

Berlim estava geograficamente dentro da zona de ocupação soviética, mas, por ser a antiga capital alemã, a própria cidade também foi dividida entre as quatro potências vencedoras.

O setor soviético tornou-se posteriormente Berlim Oriental, que passou a funcionar como capital da RDA.

Os setores americano, britânico e francês formaram Berlim Ocidental.

Isso criou uma situação extraordinária: uma parte da cidade politicamente ligada ao Ocidente estava cercada pelo território da Alemanha Oriental.

O Muro de Berlim dividia apenas a cidade ao meio?

Não.

Uma parte do Muro realmente separava Berlim Oriental de Berlim Ocidental dentro da cidade.

Mas, como Berlim Ocidental estava cercada pela Alemanha Oriental, o sistema de fronteira precisava também contornar toda Berlim Ocidental.

É por isso que, quando observamos um mapa, o Muro parece formar um enorme perímetro ao redor de uma parte da cidade.

Ele não era simplesmente uma linha reta dividindo Berlim em duas metades.

A construção começou em 13 de agosto de 1961, principalmente para impedir a saída de cidadãos da Alemanha Oriental através de Berlim Ocidental.

O Muro caiu em 9 de novembro de 1989.

Menos de um ano depois, em 3 de outubro de 1990, a Alemanha foi reunificada.

Por que a Alemanha preserva um memorial que celebra sua própria derrota?

Pintura localizada na base da estátua no memorial soviético do Treptower Park

Porque é mais preciso dizer que o monumento celebra a derrota da Alemanha nazista.

O local também é um cemitério militar, com milhares de mortos efetivamente sepultados no complexo.

Além disso, depois da reunificação, a Alemanha assumiu compromissos relacionados à preservação dos memoriais e túmulos soviéticos.

Preservar o conjunto não significa que a Alemanha contemporânea endosse Stalin ou toda a narrativa política soviética presente no monumento.

O Memorial de Treptow reúne várias camadas da história em um mesmo espaço: é cemitério de guerra, monumento à derrota do nazismo, celebração da vitória soviética e uma obra monumental produzida durante a ditadura de Stalin.

Mais de oito décadas depois do fim da guerra, todas essas camadas permanecem preservadas no meio de Berlim — em um parque que já existia muito antes delas.

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