Arquivo de Cultura & Sociedade - https://maisberlim.com/category/cultura-sociedade/ Notícias e serviços para brasileiros em Berlim e na Alemanha Tue, 25 Aug 2026 13:31:38 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.4 https://maisberlim.com/wp-content/uploads/2026/06/cropped-logo-3-32x32.png Arquivo de Cultura & Sociedade - https://maisberlim.com/category/cultura-sociedade/ 32 32 Praia de plástico em Berlim une saber ancestral e IA para provocar debate sobre crise climática https://maisberlim.com/praia-plastico-berlim-seudo-antropobsceno-ia-crise-climatica/ Tue, 25 Aug 2026 12:41:22 +0000 https://maisberlim.com/?p=1714 Artista argentino Seudo apresenta em Berlim “Antropobsceno”, exposição que une saberes ancestrais dos Andes, inteligência artificial e debate climático.

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Plastic Beach: Instalação provocativa de Seudo

Em “Antropobsceno”, artista argentino Seudo recupera conhecimentos agrícolas dos Andes para pensar o futuro da alimentação; brasileiro parte da Prachtsaal alerta para concentração de riqueza com novas tecnologias

Uma praia tomada por plástico ocupa parte de uma galeria em Berlim. A imagem criada pelo artista argentino Seudo é irônica e incômoda, mas a intenção não é apenas denunciar os impactos da ação humana sobre o planeta. Em “Antropobsceno”, o artista procura também apresentar uma proposta: recuperar conhecimentos agrícolas ancestrais e colocá-los em diálogo com tecnologias contemporâneas, como a inteligência artificial.

A instalação está na Prachtsaal, espaço artístico em Neukölln, que tem o brasileiro Stephan Vankuyk, como um dos gestores da galeria e curador da exposição.

A finissage está marcada para está terça-feira, 25, das 17 as 22 horas.

Em entrevista ao Mais Berlim, Seudo explicou que a ideia surgiu justamente da vontade de ultrapassar a crítica.

Seudo, solução além da crítica. Foto: divulgação

“Em vez de gerar uma crítica de que o mundo está indo para um lugar que não beneficia nenhum de nós, me parece que a nenhum de nós, [quis] gerar uma proposta”, afirma.

Essa proposta passa por olhar para o passado para discutir um dos maiores desafios do presente: como produzir alimentos para uma população crescente sem aumentar a degradação dos solos e dos recursos naturais.

O que significa “Antropobsceno”?

Exposição no Prachtsaal, em Berlim. Foto: Seudo

“Antropobsceno” é a quarta parte de um projeto dividido em cinco trabalhos e parte do conceito de Antropoceno.

Questionado pelo Mais Berlim sobre o nome, Seudo confirmou: “É um jogo de palavras ligado a esta era geológica que alguns cientistas chamam de Antropoceno.”

O termo ganhou espaço nas últimas décadas para discutir a dimensão das transformações provocadas pela humanidade sobre os sistemas terrestres. Apesar de seu amplo uso no debate científico e ambiental, o Antropoceno não foi formalmente reconhecido como uma nova época na escala geológica internacional.

Na obra de Seudo, essa interferência humana ganha uma representação bastante concreta: plástico.

Uma praia onde o plástico ocupa o lugar da natureza

Praia do futuro?

Uma das instalações transforma o espaço da galeria em uma espécie de praia coberta por resíduos plásticos.

Para Seudo, o exagero e o desconforto fazem parte da linguagem da obra.

“É um pouco também de ironia, de acidez. Gosto de jogar com essas coisas, me parece que impacta muito mais”, disse ao Mais Berlim.

A praia funciona como uma provocação sobre a enorme produção de plástico e sua presença cada vez maior no ambiente.

Mas é quando o visitante encontra o contraponto à praia que a proposta de “Antropobsceno” ganha outra dimensão.

Se de um lado está um dos materiais que simbolizam a sociedade industrial contemporânea, do outro aparecem conhecimentos desenvolvidos muito antes das tecnologias atuais.

Os terraços agrícolas dos Andes

Uma segunda instalação resgata cultura inca.
Foto: Seudo

Seudo direciona o olhar para as terrazas de cultivo, conhecidas no Peru como andenes: sistemas de terraços construídos nas encostas das montanhas para possibilitar a agricultura em terrenos inclinados e auxiliar no manejo da água e do solo.

Embora sejam frequentemente associados aos incas, esses conhecimentos agrícolas são mais antigos que o próprio Império Inca e foram desenvolvidos por diferentes sociedades andinas ao longo de milhares de anos.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) destaca que os sistemas agrícolas andinos são resultado de mais de 5 mil anos de adaptação ao ambiente. Terraços, sistemas de irrigação e o cultivo de diferentes espécies em diferentes altitudes permitiram às populações produzir alimentos em uma geografia particularmente desafiadora.

Essas técnicas não desapareceram com as civilizações que as desenvolveram.

Comunidades andinas ainda mantêm sistemas tradicionais de agricultura. No Peru, iniciativas governamentais procuram inclusive recuperar andenes por seu potencial para conservação do solo, aproveitamento da água e produção agrícola.

Estudos do Instituto Geofísico do Peru também apontam benefícios contra a erosão. Pesquisa realizada em áreas agrícolas encontrou redução de cerca de 33% na erosão do solo em terrenos com terraços em comparação com áreas sem essas estruturas.

É esse conhecimento que Seudo quer trazer para uma discussão contemporânea.

O encontro entre conhecimento ancestral e inteligência artificial

Seudo também traz obras a preços acessíveis para democratizar a arte. Foto: Seudo

“Resgatar conhecimentos ancestrais, como são as terrazas de cultivos incaicas, que têm dois mil anos de história e subsistem até hoje, e uni-las às novas tecnologias, como pode ser a IA”, explicou Seudo.

A intenção, segundo ele, seria “gerar alimentos sem danificar tanto o solo, as terras” e buscar caminhos para enfrentar o desafio de alimentar a população mundial.

A referência aos dois mil anos corresponde à explicação do próprio artista. Historicamente, porém, a tradição agrícola andina é ainda mais antiga e envolve diferentes povos anteriores aos incas.

Na exposição, portanto, a IA não é apresentada como uma solução científica pronta para as mudanças climáticas. Ela aparece dentro de uma proposição artística: imaginar o que poderia acontecer se ferramentas tecnológicas atuais fossem combinadas com conhecimentos acumulados e testados por populações durante gerações.

Mas dentro da própria mostra existe uma visão mais crítica sobre essa promessa tecnológica.

“Vão servir para acumular grandes fortunas no bolso de poucos”

Stephan Vankuyk: compromisso com novos artistas

O brasileiro Stephan Vankuyk, um dos responsáveis pela Prachtsaal e curador da exposição, acompanha o trabalho de Seudo há cerca de 20 anos.

Para Stephan, referências às culturas pré-colombianas não surgiram agora na produção do artista.

“A proposta nova dele trata muito sobre as realidades climáticas que a gente está vivendo, mas reinterpretando as inspirações incas, maias e astecas que ele sempre teve no trabalho dele. Foi algo que desde as primeiras exposições que a gente fez juntos já dava para ver”, conta.

O que mudou é a maneira como essas referências passaram a dialogar com questões contemporâneas.

“Agora ele está usando isso como uma ferramenta sarcástica para analisar novas tecnologias”, afirma Stephan.

E, enquanto Seudo imagina a possibilidade de aproximar conhecimentos ancestrais e ferramentas como a IA, Stephan introduz uma crítica à maneira como essas tecnologias vêm sendo apresentadas à sociedade.

“Essas novas tecnologias são apresentadas para a gente como a solução para todos os nossos problemas”, diz.

O galerista, entretanto, questiona quem efetivamente será beneficiado por elas.

“Eu acho que, muito mais que solução, a IA, essas novas tecnologias, só vão servir para acumular grandes fortunas no bolso de poucos. História que a gente já conhece e já viu antes.”

As duas perspectivas não precisam produzir uma resposta única. Pelo contrário: ajudam a transformar a exposição em uma discussão sobre qual tecnologia queremos, de onde vem o conhecimento utilizado por ela e quem se beneficia dos resultados.

Uma parceria que começou com dois quadros em Buenos Aires

Obras de Seudo na galeria Prachtsaal

A presença de Seudo na Prachtsaal também é resultado de uma relação que começou cerca de duas décadas atrás, muito antes da atual exposição em Berlim.

Stephan lembra que estava inaugurando sua primeira galeria em Buenos Aires quando Seudo apareceu.

“O Seudo apareceu no dia da abertura da minha primeira galeria. Apareceu com uma cara de cão sem dono, com dois quadros embaixo do braço, dizendo que leu no Facebook que eu estava abrindo uma galeria e queria saber se podia mostrar os quadros.”

Stephan decidiu abrir espaço para o então desconhecido artista.

“Para mim sempre foi muito importante dar espaço para artistas sub-representados no mundo artístico, artistas que são esquecidos pelo mainstream, pelo mundo das artes.”

Ele conta que gostou do trabalho e permitiu que Seudo ocupasse um espaço na galeria.

“Isso foi há vinte anos e, desde então, a gente vem trabalhando junto, às vezes mais, às vezes menos.”

Duas décadas depois daquele encontro em Buenos Aires, a parceria chegou novamente a Berlim.

“Foi muito satisfatório saber que eu tive um impacto tão grande na carreira desse grande artista”, afirma Stephan.

Para o galerista brasileiro, existe ainda outra dimensão nesse trabalho: ampliar a presença latino-americana no circuito europeu.

“É legal ter uma oportunidade de trazer os artistas latinos e encontrar um espaço para exibi-los na Europa.”

Outros artistas dividem o espaço

Obra do alemão MIMA é parte da mostra coletiva e fala sobre o abuso de substâncias

A mostra na Prachtsaal não se limita ao trabalho de Seudo.

Dentro do espaço expositivo, uma área reúne também trabalhos de outros artistas, ampliando a proposta da galeria de colocar diferentes produções e trajetórias em contato com o público berlinense.

É nesse ambiente que a praia de plástico de “Antropobsceno” encontra seu lugar.

A instalação começa com uma imagem de degradação, mas termina colocando uma questão que atravessa passado e futuro.

De um lado, uma sociedade que ainda procura uma saída para a quantidade de plástico que produz. Do outro, técnicas agrícolas desenvolvidas por sociedades que aprenderam durante milhares de anos a produzir alimentos em alguns dos terrenos mais difíceis do planeta.

No meio desses dois mundos está uma tecnologia que promete transformar o futuro — e sobre a qual artista e curador levantam perguntas diferentes.

O conhecimento necessário para enfrentar a crise ambiental virá das máquinas, do passado ou da combinação entre os dois? E, se a tecnologia fizer parte da resposta, quem terá acesso aos seus benefícios?

“Antropobsceno” deixa essas perguntas abertas.

Prachtsaal
Jonasstraße 22
12053 Berlin-Neukölln

Fontes

Entrevistas exclusivas de Seudo e Stephan Vankuyk ao Mais Berlim; material da exposição “Antropobsceno”; Prachtsaal; Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO); fontes oficiais do governo peruano e Instituto Geofísico do Peru.

Essa matéria é parte do projeto Mais Art, lançado pelo Mais Berlim para proporcionar oportunidades a artistas independentes.

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Um cemitério com 7 mil soldados soviéticos em Berlim: curiosidades e a história do memorial que celebra a derrota da Alemanha nazista https://maisberlim.com/memorial-sovietico-berlim-sete-mil-soldados-cemiterio/ Fri, 21 Aug 2026 20:24:02 +0000 https://maisberlim.com/?p=1674 Um cemitério com 7 mil soldados soviéticos em Berlim. Conheça o memorial que conta parte da história da Segunda Guerra Mundial, possui uma estátua de 13 metros e celebra a derrota da Alemanha nazista, de Hitler.

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Homenagem aos soldados soviéticos em Berlim

No meio do Treptower Park, em Berlim, existe um enorme memorial soviético que também é um cemitério de guerra. Mais de 7 mil integrantes do Exército Vermelho estão sepultados no complexo, construído depois da Segunda Guerra Mundial para homenagear os mortos e celebrar a vitória soviética sobre a Alemanha nazista.

A visita ao memorial abre caminho para entender não apenas o monumento, mas acontecimentos que transformaram Berlim, a Alemanha e o mundo.

Neste artigo, entenda:

  • Como mais de 7 mil soldados soviéticos foram parar no Treptower Park.
  • Onde estão os soldados enterrados dentro do memorial.
  • Por que existem cinco grandes campos de gramado.
  • Por que existem 16 sarcófagos monumentais.
  • O que dizem as frases de Josef Stalin gravadas no memorial.
  • Quem foi Stalin.
  • Quem é o soldado da gigantesca estátua e o que ela representa.
  • Qual é o tamanho do memorial em comparação com o Treptower Park.
  • O que foi a Alemanha nazista e quanto tempo ela existiu.
  • Por que aconteceu a Segunda Guerra Mundial e quanto tempo ela durou.
  • Quem lutou contra quem.
  • O que foi a Batalha de Berlim.
  • Quantos soldados soviéticos morreram na tomada de Berlim.
  • Quantos militares soviéticos e alemães morreram durante a guerra.
  • Quantas pessoas morreram na Segunda Guerra Mundial e quantas eram civis.
  • Se o Brasil participou da guerra e como.
  • Como a Alemanha foi dividida depois de 1945.
  • Como surgiu a Alemanha Oriental e por quanto tempo ela existiu.
  • Qual era a relação da Alemanha Oriental com a União Soviética.
  • Por que os estudantes da Alemanha Oriental aprendiam russo.
  • Por que Berlim Ocidental existia no meio da Alemanha Oriental.
  • Como essa divisão acabaria levando ao Muro de Berlim.
  • Por que a Alemanha preserva até hoje um monumento soviético que celebra a derrota da Alemanha nazista.

Como os 7 mil soldados foram parar no Treptower Park se o memorial só foi inaugurado em 1949?

Eles não ficaram quatro anos esperando para ser enterrados.

Depois dos combates de 1945, soldados soviéticos mortos foram sepultados inicialmente em diferentes pontos de Berlim. Durante a criação do grande memorial e cemitério militar de Treptow, restos mortais foram exumados e transferidos de outros locais da cidade.

Em 1947, antes mesmo da inauguração do monumento, milhares já haviam sido sepultados ali.

Hoje, fontes oficiais de Berlim falam em mais de 7 mil sepultamentos no complexo. Uma publicação oficial do distrito de Treptow-Köpenick de 2026 menciona aproximadamente 7.200 sepulturas.

Onde exatamente estão enterrados?

Os mortos estão distribuídos em áreas funerárias dentro do próprio complexo.

Os cinco enormes retângulos de gramado no eixo central são sepulturas coletivas simbólicas. Portanto, não significa que todos os milhares de corpos estejam simplesmente debaixo desses cinco gramados.

Documentos oficiais de Berlim registram sepultamentos coletivos e individuais distribuídos pela área.

O espaço foi projetado para funcionar simultaneamente como cemitério real e representação monumental de um cemitério.

Por que existem cinco grandes campos de gramado?

Os cinco campos retangulares fazem parte da composição arquitetônica do memorial e foram concebidos como sepulturas coletivas simbólicas.

Eles ocupam o grande eixo central e conduzem visualmente o visitante até a estátua monumental do soldado soviético.

Toda a simetria do complexo foi planejada para construir uma narrativa de sofrimento, combate, morte, vitória e memória.

Por que existem 16 sarcófagos?

São 16 grandes sarcófagos monumentais, oito de cada lado, representando as 16 repúblicas que formavam a União Soviética quando o memorial foi concebido.

Eles não são simplesmente 16 grandes túmulos.

Seus relevos apresentam episódios da guerra segundo a narrativa soviética: a invasão alemã, o sofrimento da população, a resistência, o esforço de guerra, os combates e o luto pelos mortos.

O que dizem as frases de Stalin nos sarcófagos?

Texto atribuído à fala de Stalin:
“O Exército Vermelho possui suas próprias tradições gloriosas. Elas inspiram nossos combatentes e os elevam a feitos heroicos. Elas lhes dão a compreensão de que a guerra patriótica gera entre nós milhares de heróis e heroínas dispostos a enfrentar a morte pela liberdade de sua pátria.”
— Josef Stalin

Os sarcófagos possuem inscrições atribuídas a Josef Stalin, reproduzidas em russo e alemão.

Em uma das inscrições fotografadas pelo Mais Berlim, Stalin exalta a tradição militar do Exército Vermelho e afirma que ela inspira grandes feitos, mencionando milhares de homens e mulheres dispostos a enfrentar a morte pela liberdade de sua pátria.

As frases fazem parte da concepção original do memorial e precisam ser entendidas dentro da linguagem política e propagandística da União Soviética sob Stalin.


“Os invasores de Hitler pretendem transformar em escravos os povos da Ucrânia, Belarus, dos países bálticos, da Moldávia, Crimeia e Cáucaso. Nosso objetivo é claro e nobre: queremos libertar nossa terra soviética.” — Josef Stalin

Quem foi Stalin?

Josef Stalin foi o líder que consolidou o controle da União Soviética no final dos anos 1920 e permaneceu no poder até sua morte, em 1953.

Foi o líder soviético durante a maior parte da Segunda Guerra Mundial e comandava o país quando o Exército Vermelho chegou a Berlim.

Ao mesmo tempo, governou como ditador. Seu regime foi marcado por repressão política, execuções, deportações, expurgos e pelo sistema de campos de trabalhos forçados conhecido como Gulag. Milhões de pessoas morreram durante seu governo.

O memorial foi inaugurado em 1949, quando Stalin ainda estava no poder, o que ajuda a explicar a presença de suas frases.

Quem é o soldado da enorme estátua?

A escultura é conhecida como “O Guerreiro Libertador” e foi criada pelo escultor soviético Yevgeny Vuchetich.

Ela não representa oficialmente uma pessoa específica, mas uma figura simbólica do soldado do Exército Vermelho.

O homem segura uma criança alemã em um braço e uma enorme espada no outro. Sob seus pés aparece uma suástica destruída.

A composição representa a vitória soviética sobre a Alemanha nazista e, dentro da narrativa original do monumento, a libertação do nazismo.

A figura também é associada à história do soldado soviético Nikolai Masalov, que teria resgatado uma criança alemã durante a Batalha de Berlim. Isso não significa, porém, que a estátua seja um retrato dele.

A figura de bronze possui aproximadamente 11,6 metros de altura e pesa cerca de 70 toneladas. Dentro de seu pedestal existe ainda uma sala memorial decorada com mosaicos.

Qual é o tamanho do memorial?

O Memorial Soviético ocupa aproximadamente 93 mil metros quadrados, ou 9,3 hectares.

O Treptower Park possui cerca de 88 hectares.

Isso significa que o complexo soviético ocupa aproximadamente 10% de toda a área do parque.

E existe uma diferença importante de idade: o Treptower Park surgiu no século XIX e já existia décadas antes das guerras mundiais. O memorial soviético só foi construído depois da Segunda Guerra.

O que foi a Alemanha nazista?

Aos pés da estátua a suástica nazista aparece destruída pela espada do soldado soviético. Foto: Mais Berlim

“Alemanha nazista” é o nome usado para a Alemanha durante a ditadura de Adolf Hitler e do Partido Nazista.

Hitler tornou-se chanceler em 30 de janeiro de 1933 e rapidamente destruiu as instituições democráticas da República de Weimar, perseguiu adversários e estabeleceu uma ditadura.

O regime defendia uma ideologia ultranacionalista, racista e antissemita. Judeus foram progressivamente excluídos da sociedade, perseguidos e posteriormente submetidos a um programa sistemático de extermínio.

O regime também perseguiu, aprisionou e assassinou outros grupos e adversários considerados inimigos.

Quanto tempo durou a Alemanha nazista?

A ditadura nazista existiu por aproximadamente 12 anos, de 1933 a 1945.

Hitler chegou ao poder em janeiro de 1933.

O regime terminou com a derrota militar da Alemanha na Segunda Guerra Mundial. Hitler suicidou-se em seu bunker em Berlim em 30 de abril de 1945, poucos dias antes da capitulação alemã.

Por que aconteceu a Segunda Guerra Mundial?

Não existe uma única causa, mas existe um ponto de partida claro para a guerra na Europa.

Em 1º de setembro de 1939, a Alemanha nazista invadiu a Polônia. Dois dias depois, Reino Unido e França declararam guerra à Alemanha.

A invasão fazia parte da política expansionista de Hitler, que pretendia conquistar territórios e obter o chamado Lebensraum, ou “espaço vital”, principalmente no leste europeu.

As consequências da Primeira Guerra Mundial, a instabilidade econômica e política, o crescimento de regimes autoritários e o fracasso das potências europeias em conter a expansão de Hitler também contribuíram para criar as condições que levaram ao conflito.

Quanto tempo durou a Segunda Guerra Mundial?

A Segunda Guerra Mundial durou seis anos, de 1º de setembro de 1939 a 2 de setembro de 1945.

Há uma distinção importante para entender o memorial de Berlim.

Na Europa, a guerra terminou em maio de 1945, com a derrota da Alemanha nazista.

Mas o conflito continuou na Ásia e no Pacífico. O Japão anunciou sua rendição em agosto e assinou formalmente o documento em 2 de setembro de 1945, encerrando a Segunda Guerra Mundial.

Portanto, o memorial de Treptow celebra a vitória soviética sobre a Alemanha nazista e o fim da guerra na Europa.

Quem lutou contra quem?

De maneira simplificada, a guerra reuniu dois grandes grupos.

De um lado estavam as Potências do Eixo, lideradas por:

Alemanha nazista, Itália fascista e Japão.

Do outro estavam os Aliados, entre os quais:

Reino Unido, União Soviética, Estados Unidos, China e França, além de muitos outros países.

A composição mudou ao longo da guerra.

A União Soviética entrou diretamente na guerra contra a Alemanha depois que Hitler rompeu o pacto de não agressão germano-soviético e invadiu o território soviético em 22 de junho de 1941.

Os Estados Unidos entraram no conflito depois do ataque japonês a Pearl Harbor, em dezembro daquele ano.

O que foi a Batalha de Berlim?

Foi a batalha final pela capital da Alemanha nazista.

Em abril de 1945, o Exército Vermelho avançou sobre Berlim enquanto os Aliados ocidentais avançavam pela Alemanha pelo oeste.

As forças soviéticas cercaram a capital e travaram violentos combates pelas ruas da cidade.

Hitler suicidou-se em 30 de abril de 1945. Berlim capitulou em 2 de maio e, poucos dias depois, veio a rendição incondicional das forças armadas alemãs.

A guerra terminava na Europa.

Os 7 mil enterrados em Treptow foram todos os soviéticos mortos na Batalha de Berlim?

Não.

O número foi muito maior.

Estimativas frequentemente citadas apontam para aproximadamente 80 mil militares soviéticos mortos durante a operação de Berlim, que compreendeu uma área maior do que apenas os combates dentro da cidade.

Os sepultados no Treptower Park representam somente uma parcela dessas perdas.

Berlim possui outros grandes cemitérios soviéticos, entre eles os de Tiergarten e Schönholzer Heide.

Quantos militares soviéticos morreram durante a Segunda Guerra Mundial?

As estimativas variam conforme os critérios utilizados.

Uma das cifras mais utilizadas é de aproximadamente 8,7 milhões de militares soviéticos mortos durante a guerra.

Quando civis são incluídos, estimativas amplamente utilizadas colocam as perdas da União Soviética em aproximadamente 26 a 27 milhões de pessoas.

A União Soviética foi um dos países mais atingidos pela Segunda Guerra Mundial.

Quantos militares alemães morreram?

Também existem diferenças entre as estimativas.

Uma cifra frequentemente utilizada é de aproximadamente 5,3 milhões de militares alemães mortos durante a Segunda Guerra Mundial.

Uma parcela muito significativa dessas mortes ocorreu na Frente Oriental, durante os combates contra a União Soviética.

Quantas pessoas morreram na Segunda Guerra Mundial?

Não existe uma contagem mundial definitiva.

As estimativas variam conforme a metodologia e principalmente conforme são contabilizadas as mortes indiretas provocadas por fome, doenças, ocupação e deslocamentos.

O consenso é que dezenas de milhões de pessoas morreram, tornando a Segunda Guerra Mundial o conflito mais mortal da história.

Diferentes instituições trabalham com totais que vão de aproximadamente 55 milhões a mais de 70 milhões de mortos.

Quantos eram civis?

Os civis representaram uma parcela enorme das vítimas.

Não existe um total mundial exato, mas dezenas de milhões de civis morreram em bombardeios, massacres, genocídios, ocupações, fome e doenças provocadas ou agravadas pela guerra.

Entre as vítimas estavam aproximadamente 6 milhões de judeus assassinados no Holocausto pela Alemanha nazista e seus colaboradores.

A dimensão das perdas civis mostra por que a Segunda Guerra Mundial não pode ser compreendida apenas como uma guerra entre exércitos.

O Brasil participou da Segunda Guerra Mundial?

Sim.

Inicialmente, o Brasil permaneceu neutro. A situação mudou principalmente depois de ataques de submarinos do Eixo contra navios brasileiros.

Em 1942, o Brasil declarou guerra à Alemanha e à Itália.

Posteriormente, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) foi enviada para lutar na Itália ao lado dos Aliados.

Mais de 25 mil brasileiros foram enviados ao teatro de operações italiano e participaram de combates importantes, entre eles Monte Castello e Montese.

A participação brasileira significa que a guerra lembrada no Memorial Soviético de Berlim também possui uma conexão direta com a história do Brasil.

O que aconteceu com a Alemanha depois da guerra?

Depois da derrota nazista, a Alemanha foi ocupada pelas quatro principais potências vencedoras:

Estados Unidos, Reino Unido, França e União Soviética.

O território foi dividido em quatro zonas de ocupação.

A União Soviética passou a controlar uma grande área no leste da Alemanha, enquanto as outras três potências administravam regiões no oeste.

Essa divisão, inicialmente concebida no contexto da ocupação do pós-guerra, acabaria se transformando em uma divisão política muito mais duradoura com o início da Guerra Fria.

Como surgiu a Alemanha Oriental?

Em 1949, a divisão alemã se consolidou.

As zonas ocidentais deram origem à República Federal da Alemanha (RFA), conhecida como Alemanha Ocidental.

Na zona de ocupação soviética foi criada, em 7 de outubro de 1949, a República Democrática Alemã (RDA), conhecida como Alemanha Oriental ou DDR, em alemão.

A Alemanha Oriental tornou-se um Estado socialista fortemente ligado política, econômica e militarmente à União Soviética.

Por quanto tempo existiu a Alemanha Oriental?

A Alemanha Oriental existiu por quase 41 anos, de 1949 a 1990.

Mas a presença soviética no leste alemão havia começado antes, imediatamente depois da guerra, em 1945.

Se considerarmos o período entre o início da ocupação soviética e a reunificação, o leste da Alemanha passou aproximadamente 45 anos sob ocupação e, posteriormente, forte influência soviética.

A RDA deixou de existir em 3 de outubro de 1990, quando ocorreu a reunificação alemã.

Os alemães orientais aprendiam inglês ou russo?

Na Alemanha Oriental, a principal língua estrangeira ensinada nas escolas era o russo.

A partir dos anos 1950, o ensino de russo tornou-se obrigatório para a maioria dos estudantes, refletindo a forte ligação política e cultural da RDA com a União Soviética.

Isso não significa que ninguém aprendesse inglês. Inglês e outras línguas também podiam ser ensinados, principalmente em determinados níveis e escolas, mas o russo ocupava uma posição privilegiada no sistema educacional.

Enquanto na Alemanha Ocidental o inglês se consolidava como principal língua estrangeira, gerações de estudantes da Alemanha Oriental tiveram o russo como primeira língua estrangeira obrigatória.

Depois da reunificação, o inglês rapidamente assumiu essa posição também no leste.

A divisão alemã, portanto, não existia apenas no mapa: ela chegava às escolas, ao idioma aprendido pelas crianças e à vida cotidiana.

E como Berlim ficou nessa divisão?

Aqui existe uma particularidade fundamental.

Berlim estava geograficamente dentro da zona de ocupação soviética, mas, por ser a antiga capital alemã, a própria cidade também foi dividida entre as quatro potências vencedoras.

O setor soviético tornou-se posteriormente Berlim Oriental, que passou a funcionar como capital da RDA.

Os setores americano, britânico e francês formaram Berlim Ocidental.

Isso criou uma situação extraordinária: uma parte da cidade politicamente ligada ao Ocidente estava cercada pelo território da Alemanha Oriental.

O Muro de Berlim dividia apenas a cidade ao meio?

Não.

Uma parte do Muro realmente separava Berlim Oriental de Berlim Ocidental dentro da cidade.

Mas, como Berlim Ocidental estava cercada pela Alemanha Oriental, o sistema de fronteira precisava também contornar toda Berlim Ocidental.

É por isso que, quando observamos um mapa, o Muro parece formar um enorme perímetro ao redor de uma parte da cidade.

Ele não era simplesmente uma linha reta dividindo Berlim em duas metades.

A construção começou em 13 de agosto de 1961, principalmente para impedir a saída de cidadãos da Alemanha Oriental através de Berlim Ocidental.

O Muro caiu em 9 de novembro de 1989.

Menos de um ano depois, em 3 de outubro de 1990, a Alemanha foi reunificada.

Por que a Alemanha preserva um memorial que celebra sua própria derrota?

Pintura localizada na base da estátua no memorial soviético do Treptower Park

Porque é mais preciso dizer que o monumento celebra a derrota da Alemanha nazista.

O local também é um cemitério militar, com milhares de mortos efetivamente sepultados no complexo.

Além disso, depois da reunificação, a Alemanha assumiu compromissos relacionados à preservação dos memoriais e túmulos soviéticos.

Preservar o conjunto não significa que a Alemanha contemporânea endosse Stalin ou toda a narrativa política soviética presente no monumento.

O Memorial de Treptow reúne várias camadas da história em um mesmo espaço: é cemitério de guerra, monumento à derrota do nazismo, celebração da vitória soviética e uma obra monumental produzida durante a ditadura de Stalin.

Mais de oito décadas depois do fim da guerra, todas essas camadas permanecem preservadas no meio de Berlim — em um parque que já existia muito antes delas.

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SÉRIE ESPECIAL
Mais Berlim

Berlim: várias cidades em uma

Sete faces de uma metrópole que não cabe em um rótulo — drogas, clubes, natureza, história, arte, startups e diversidade. Dados de fontes oficiais, com links pra quem quiser se aprofundar.

Saúde pública

Berlim das Drogas

Berlim está entre as cidades europeias com maior consumo de cocaína, segundo análises de esgoto feitas pela agência europeia de drogas (EUDA). Diferente da maioria das substâncias, cujo consumo dispara nos fins de semana, a cocaína é detectada de forma praticamente constante ao longo de toda a semana em Berlim — um padrão associado a turismo de festa, disponibilidade e hype pop-cultural, segundo reportagem do jornal taz. A cidade registrou recorde de mortes relacionadas a drogas em 2024, e desde então mantém um programa de “drug-checking” (testagem de substâncias) como estratégia de redução de danos, com balanço positivo após um ano de funcionamento.

No cinema: o retrato mais conhecido do submundo das drogas em Berlim é Eu, Christiane F. — 13 Anos, Drogada e Prostituída (1981), com trilha de David Bowie, baseado em fatos reais dos anos 1970 na estação Bahnhof Zoo. A história ganhou uma minissérie mais recente, Nós, os Filhos da Estação Zoo (2021, Prime Video).

Techno & vida noturna

Berlim dos Clubes

Em 2024, a cultura techno de Berlim foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Alemanha — o mesmo tipo de proteção dado ao canto coral e a ofícios tradicionais. A cena nasceu logo após a queda do Muro, quando prédios industriais abandonados viraram pistas de dança. Hoje, o setor vive um momento de transição: clubes históricos como Watergate e Renate fecharam recentemente, enquanto uma nova geração (RSO, OXI, Lokschuppen) reorganiza o mapa.

Clássicos: Berghain (a porta mais difícil do mundo, sem celular), Tresor (nasceu no cofre de uma loja de departamentos), ://about blank, Sisyphos, KitKat (dress code fetiche obrigatório).

Dress code geral: roupas escuras e confortáveis, tênis surrados, nada de grife, salto ou grupos com looks combinando. Câmeras de celular são lacradas com adesivo na entrada — fotografar dentro é proibido na maioria das casas.

A cena muda rápido — clubes fecham e abrem o tempo todo. Confira sempre o site oficial da casa antes de ir.
Parques & florestas

Berlim Verde

Cerca de 18% da área de Berlim é coberta por florestas — cerca de 29 mil hectares, segundo a administração florestal da cidade (Berliner Forsten). Isso faz de Berlim a cidade alemã com mais de 1 milhão de habitantes com maior proporção de floresta, à frente de Hamburgo, Colônia e Munique. Somando florestas, parques, rios e lagos, cerca de 1/3 do território da cidade é área verde ou azul.

Florestas: o Grunewald (3.000 hectares) é a maior e mais famosa, cercada pelo rio Havel e por lagos como Schlachtensee e Krumme Lanke — dentro dela fica o Teufelsberg, colina artificial feita de escombros da guerra e um dos pontos mais altos da cidade. Outras grandes áreas florestais: Tegeler Forst, Spandauer Forst e a mata ao redor do Müggelsee, em Treptow-Köpenick — o distrito mais arborizado de Berlim.

Parques urbanos: o Tempelhofer Feld — um antigo aeroporto — hoje é um dos maiores espaços verdes urbanos do mundo. O Tiergarten, no coração da cidade, tem 210 hectares (maior que o Hyde Park de Londres). O Mauerpark, erguido sobre o antigo “corredor da morte” do Muro, vira feira de pulgas e karaokê livre todo domingo.

  • Grunewald — floresta de 3.000 ha a oeste da cidade, às margens do Havel
  • Tiergarten — Str. des 17. Juni, 10785 Berlin
  • Tempelhofer Feld — Tempelhofer Damm, 12101 Berlin
  • Mauerpark — Bernauer Str. 63-64, 13355 Berlin (feira e karaokê aos domingos)
  • Treptower Park — às margens do Spree, com o memorial soviético
  • Britzer Garten — o maior relógio de flores da Europa
  • Gärten der Welt (Marzahn) — jardins temáticos de várias culturas
Memória & museus

Berlim da História

Poucas cidades carregam tanto peso histórico quanto Berlim: capital do Terceiro Reich, dividida pela Guerra Fria, palco da queda do Muro em 1989. A Museumsinsel (Ilha dos Museus) é Patrimônio Mundial da Unesco desde 1999, reunindo cinco museus e 6 mil anos de história da arte num só lugar.

  • Museu Pérgamo — parte da Ilha dos Museus (atualmente com áreas em reforma)
  • DDR Museum — cotidiano da Alemanha Oriental, bem interativo
  • Checkpoint Charlie — um dos postos de fronteira mais famosos do mundo
  • Topographie des Terrors — sobre o aparato nazista, entrada gratuita
  • Memorial do Holocausto — perto do Portão de Brandemburgo
Cena artística

Berlim da Arte

Depois da queda do Muro, aluguéis baratíssimos e prédios vazios transformaram Berlim num ímã para artistas do mundo inteiro — um perfil de cidade que a metrópole mantém até hoje. A edição de 2026 do Gallery Weekend Berlin reuniu 50 galerias participantes em 63 endereços pela cidade, segundo o site oficial do evento. A região da Auguststraße, em Mitte, concentra várias delas.

  • KW Institute for Contemporary Art — Auguststraße 69, sede da Bienal de Berlim
  • Hamburger Bahnhof — arte contemporânea numa antiga estação de trem
  • C/O Berlin — referência em fotografia
  • Neue Nationalgalerie — arte do século 20, prédio de Mies van der Rohe
  • Boros Collection — coleção contemporânea dentro de um bunker da Segunda Guerra
Inovação

Berlim das Startups

Um novo startup nasce em Berlim a cada 14 horas, segundo o Berlin Startup Ecosystem Report 2025 — pesquisa oficial encomendada pela Secretaria de Economia do governo de Berlim e apresentada pela própria administração municipal. O ecossistema já vale €169 bilhões, reúne cerca de 1.600 startups financiadas por capital de risco e conta com 57 unicórnios (avaliados em mais de US$ 1 bilhão) ou “thoroughbreds” (empresas com receita anual acima de €100 milhões). Isso representa 43% de todo o valor do ecossistema de startups alemão concentrado numa única cidade.

Nomes conhecidos: N26, Trade Republic, GetYourGuide, Delivery Hero, Contentful, Flink — várias já negociadas na bolsa ou avaliadas em bilhões.

Povos & liberdade

Berlim da Diversidade

Berlim tinha 3.913.644 habitantes no fim de 2025, segundo o Departamento de Estatística de Berlim-Brandemburgo — dos quais 976.419 são estrangeiros (quase 25% da população), vindos de mais de 190 países diferentes. A maior comunidade estrangeira é a turca. Essa mistura de origens, somada à liberdade de expressão e de se vestir que marca a cidade — da cena LGBTQ+ de Schöneberg aos looks sem regra dos clubes — é o que faz Berlim parecer várias cidades ao mesmo tempo, dependendo de que rua você está.

Música clássica

Berlim Erudita

A Filarmônica de Berlim (Berliner Philharmoniker), fundada em 1882, é considerada uma das orquestras mais aclamadas do mundo. Toca na Philharmonie, sala com o palco no centro do auditório — projeto inaugurado em 1963 e copiado por salas de concerto no mundo todo. Desde a temporada 2019/20, o maestro titular é Kirill Petrenko. A orquestra também mantém a Digital Concert Hall, um serviço próprio de streaming com transmissões ao vivo dos concertos.

A Staatskapelle Berlin, fundada em 1570, é a orquestra mais antiga da cidade e se apresenta na Staatsoper Unter den Linden — casa de ópera erguida em 1742 a pedido de Frederico, o Grande. Outros templos da música clássica: o Konzerthaus Berlin, na bela Gendarmenmarkt, e a Deutsche Oper, no oeste da cidade.

Bares & restaurantes

Berlim Gastronômica: Friedrichshain

Friedrichshain, principalmente ao redor da Simon-Dach-Straße e da Boxhagener Platz (“Boxi”), é um dos bairros com maior densidade de bares, restaurantes e cafés de Berlim — pubs e restaurantes literalmente lado a lado, com happy hour o dia inteiro, segundo o guia oficial de turismo da cidade (visitBerlin). O bairro nasceu como reduto alternativo e de ocupações após a queda do Muro, e hoje é um dos points mais gentrificados — e mais visitados por turistas — da cidade.

Vale notar: não encontramos nenhuma fonte confiável que confirme a fama de “uma das maiores concentrações do mundo” — parece ser reputação de boca a boca entre viajantes. O que é bem documentado é a altíssima densidade de bares dentro de Berlim mesmo, especialmente nessa região.

  • Simon-Dach-Straße — entre Warschauer Str. e Frankfurter Allee
  • Boxhagener Platz — feira orgânica aos sábados, feira de pulgas aos domingos
  • RAW-Gelände — antigo pátio ferroviário virado point de bares, clubes e street art
Economia & negócios

Berlim das Feiras

Por sua localização central na Europa e sua importância política, Berlim é sede de uma das maiores organizadoras de feiras comerciais do planeta: a Messe Berlin, que está entre as maiores empresas de feiras do mundo em faturamento, segundo levantamento da AUMA (associação alemã do setor de feiras) com base em receitas publicadas. São cerca de 190 mil m² de área de exposição e um portfólio de aproximadamente 80 eventos internacionais por ano, comercializados em mais de 170 países.

  • ITB Berlin — considerada a maior feira de turismo do mundo, desde 1966
  • IFA — feira líder mundial de eletrônicos de consumo e eletrodomésticos
  • InnoTrans — referência mundial em transporte, mobilidade e logística
  • FRUIT LOGISTICA — feira líder do comércio internacional de frutas e vegetais
  • Internationale Grüne Woche — uma das maiores feiras de agricultura e alimentação do mundo

A economia de Berlim como um todo já soma cerca de €218 bilhões em PIB (2025) — e as feiras são uma peça importante desse motor, movimentando hotelaria, gastronomia e turismo de negócios.

Meio ambiente

Berlim Sustentável

Berlim é a 4ª metrópole mais sustentável do mundo (entre cidades com mais de 1,5 milhão de habitantes), segundo o Global Destination Sustainability Index de 2025 — seu melhor resultado desde que entrou no ranking em 2020, com nota de 80,5%. A cidade fica atrás de Melbourne, Singapura e Barcelona. A cidade tem meta de neutralidade climática até 2045. Cerca de 46% dos domicílios berlinenses não têm carro, e a proporção é de 1,7 bicicleta por domicílio, segundo a pesquisa nacional de mobilidade “Mobilität in Städten”. Mais de 100 km de novas ciclovias estão planejados até 2030 pelo Berlin Mobility Act.

Prédios & design

Berlim Arquitetônica

Berlim é um museu vivo de arquitetura do século 20. Seis conjuntos residenciais do modernismo berlinense — como o Hufeisensiedlung (Conjunto em Ferradura) e a Siemensstadt — foram declarados Patrimônio Mundial da Unesco em 2008, projetados por nomes como Bruno Taut e Walter Gropius, cofundador da Bauhaus. A Fernsehturm (Torre de TV), com 368 metros, foi erguida pelo governo da Alemanha Oriental entre 1965 e 1969 como símbolo de poder — hoje é só o símbolo mais famoso da cidade reunificada. Do outro lado da história arquitetônica, o Plattenbau (os grandes conjuntos habitacionais pré-fabricados do Leste) ainda define a paisagem de bairros inteiros.

Livros & exílio

Berlim Literária

Berlim é palco literário há mais de um século. Bertolt Brecht viveu e escreveu boa parte de sua obra teatral na cidade. Alfred Döblin publicou em 1929 o clássico Berlin Alexanderplatz. Já o inglês Christopher Isherwood morou na Nollendorfstraße, em Schöneberg, entre o fim dos anos 1920 e início dos 1930 — período que virou os contos de Adeus a Berlim, base do musical e do filme Cabaret.

Hoje, o ilb — international literature festival berlin, realizado todo mês de setembro desde 2001, reúne mais de 200 autores de 40 países ao longo de 11 dias de programação, segundo o site oficial do festival.

Curadoria Mais Berlim · maisberlim.com
Dados de fontes públicas e oficiais, citadas em cada seção. Números mudam com o tempo — sempre vale conferir a fonte original pra dados atualizados.

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Cinema alemão para dia de chuva https://maisberlim.com/cinema-alemao-para-dia-de-chuva/ https://maisberlim.com/cinema-alemao-para-dia-de-chuva/#respond Sun, 16 Aug 2026 08:31:12 +0000 https://maisberlim.com/?p=1662 CINEMA ALEMÃO PRA DIA DE CHUVA maisberlim Caderno de cinema 10 filmes alemães pra assistir num dia de chuva Do cinema mudo expressionista aos vencedores de festival mais recentes — […]

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CINEMA ALEMÃO PRA DIA DE CHUVA
Caderno de cinema

10 filmes alemães pra assistir num dia de chuva

Do cinema mudo expressionista aos vencedores de festival mais recentes — uma seleção pra maratonar em casa. Toque em cada filme pra ver onde assistir agora.

Toque em “onde assistir” pra buscar no JustWatch
01 Ficção científica muda

Metrópolis

“Metropolis” · 1927 · Fritz Lang

Obra-prima muda do expressionismo alemão — o visual que influenciou o cinema até hoje.

Onde assistir
02 Horror clássico

Nosferatu

“Nosferatu, eine Symphonie des Grauens” · 1922 · F. W. Murnau

O vampiro mais assustador (e mais imitado) do cinema mudo.

Onde assistir
03 Thriller frenético

Corra, Lola, Corra

“Lola rennt” · 1998 · Tom Tykwer

Berlim em ritmo acelerado — 20 minutos, três finais possíveis.

Onde assistir
04 Drama poético

Asas do Desejo

“Der Himmel über Berlin” · 1987 · Wim Wenders

Anjos observam Berlim em preto e branco — poesia pura.

Onde assistir
05 Drama · Oscar

A Vida dos Outros

“Das Leben der Anderen” · 2006 · F. Henckel von Donnersmarck

Vigilância da Stasi na Berlim Oriental — tensão do início ao fim.

Onde assistir
06 Comédia dramática

Good Bye, Lenin!

“Good Bye, Lenin!” · 2003 · Wolfgang Becker

A queda do Muro contada com humor e muito coração.

Onde assistir
07 Comédia

Sonnenallee

“Sonnenallee” · 1999 · Leander Haußmann

Adolescência e rock no lado errado do Muro — leve e nostálgico.

Onde assistir
08 Comédia familiar

Almanya

“Almanya – Willkommen in Deutschland” · 2011 · Yasemin Şamdereli

Três gerações de uma família turco-alemã — emocionante e engraçado.

Onde assistir
09 Comédia · aclamado

Toni Erdmann

“Toni Erdmann” · 2016 · Maren Ade

Pai excêntrico, filha workaholic — um dos filmes alemães mais premiados da década.

Onde assistir
10 Thriller em plano único

Victoria

“Victoria” · 2015 · Sebastian Schipper

Uma noite em Berlim, filmada em um único take de 140 minutos.

Onde assistir
Curadoria Mais Berlim · maisberlim.com
Disponibilidade de streaming muda com frequência — os links levam à busca atualizada no JustWatch.

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Berlim reforça liderança global e cria estratégia pioneira na Alemanha contra queerfobia https://maisberlim.com/berlim-reforca-lideranca-global-e-cria-estrategia-pioneira-na-alemanha-contra-queerfobia/ Tue, 31 Mar 2026 18:38:21 +0000 https://maisberlim.com/?p=1343 Berlim aprova plano pioneiro na Alemanha contra queerfobia, com medidas de segurança, apoio e combate à violência após aumento de ataques LGBTQIA+.

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Foto: Gustavo Fring

O Senado de Berlim aprovou, no último dia 24 de março, uma estratégia oficial para a segurança de pessoas LGBTQIA+, tornando a cidade o primeiro estado da Alemanha a adotar uma política estruturada desse tipo.

O plano foi desenvolvido com a participação de mais de 400 pessoas, entre sociedade civil, especialistas e instituições.

A iniciativa reforça o histórico de Berlim como uma das cidades mais avançadas do mundo em direitos LGBTQIA+.

O que diz o governo

Foto: SLAYTINA

A senadora Cansel Kızıltepe afirmou:

“Estamos enviando um sinal claro: a proteção e a segurança de pessoas queer passam a ser permanentes em Berlim.”

Já o comissário Alfonso Pantisano declarou:

“Berlim deixa claro: vidas queer importam. Proteger essas pessoas é também proteger a democracia.”

Por que isso foi criado

Segundo os dados mais recentes disponíveis (2023):

588 crimes contra pessoas LGBTQIA+ registrados em Berlim 127 desses casos envolveram violência física

As autoridades reconhecem que há subnotificação.

Medidas oficiais do plano

Foto: Polina Tankilevitch

Com base no documento do governo de Berlim, a estratégia prevê:

Segurança e combate à violência

Melhoria no registro e monitoramento de crimes de ódio Treinamento específico para polícia e autoridades Ações de prevenção em áreas consideradas de risco

Combate à queerfobia online

Estruturas para enfrentamento de discurso de ódio digital Monitoramento e resposta institucional

Apoio e proteção social

Expansão de serviços de apoio psicológico Fortalecimento de redes de acolhimento Atendimento específico para pessoas LGBTQIA+ refugiadas

Educação e instituições públicas

Promoção da diversidade nas escolas Capacitação de profissionais Incentivo a ambientes mais inclusivos

Espaço urbano

Medidas para aumentar a segurança em espaços públicos Avaliação de pontos de ajuda e emergência

Contexto: por que Berlim é referência

Foto: Abdulmomen Bsruki

Berlim tem um histórico consolidado de políticas LGBTQIA+:

Reconhecimento de diversidade de gênero em políticas públicas Forte rede de apoio institucional e comunitária Histórico de proteção legal e visibilidade desde o pós-reunificação Uma das maiores cenas LGBTQIA+ do mundo

A nova estratégia se soma a esse histórico, agora com foco estruturado em segurança e combate à violência.

O que isso significa

A cidade aprofunda sua atuação ao tratar a queerfobia como uma questão estrutural de segurança pública e direitos humanos, com impacto direto no cotidiano da população LGBTQIA+.

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De Cannes ao Oscar,a viagem mundial de “O Agente Secreto” https://maisberlim.com/o-agente-secreto-oscar-kleber-mendonca-filho/ Sun, 15 Mar 2026 20:46:01 +0000 https://maisberlim.com/?p=1232 O filme brasileiro O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, chega ao Academy Awards indicado em quatro categorias após trajetória internacional iniciada no Festival de Cannes.

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30 pessoas da equipe de “O Agente Secreto” foram a Los Angels para a cerimônia do Oscar

Filme de Kleber Mendonça Filho chega à premiação após quase cinco anos de produção e uma intensa trajetória internacional iniciada no Festival de Cannes. Durante cerca de dez meses, o diretor percorreu diversos países apresentando o longa — incluindo duas passagens pela Alemanha, para a pré-estreia em Berlim e durante a Berlinale.

No dia em que o cinema mundial volta os olhos para a cerimônia do Oscar, o portal Mais Berlim publica uma entrevista com o diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho, responsável por O Agente Secreto, filme escolhido para representar o Brasil na disputa pela premiação.

Kléber em uma de suas passagens por Berlim para divulgação do filme

A conversa aconteceu durante a passagem do cineasta por Berlim para a pré-estreia do longa na cidade.

Conhecido por obras como Bacurau e Aquarius, o diretor pernambucano falou sobre o longo processo de criação do filme, ambientado em 1977, período em que o Brasil ainda vivia sob a ditadura militar.

Um filme que levou anos para ficar pronto

Segundo Kleber Mendonça Filho, a produção levou anos até chegar às telas.

“O Agente Secreto durou dois anos de roteiro, um ano de preparação, sete meses de montagem e mais alguns meses de pós-produção”, contou o diretor ao Mais Berlim.

“O sentimento é real, mas não é uma história real. É uma história totalmente fictícia.”

Apesar do forte realismo da narrativa, o cineasta explica que a história não é baseada em um caso específico.

Para ele, a força da narrativa está justamente na conexão com a história e a cultura do país.

“Eu acho que os melhores filmes, livros e músicas têm a lógica da cultura que produziu aquilo. E sendo um filme brasileiro, O Agente Secreto olha muito para a história do Brasil e para os brasileiros.”

O roteiro dialoga com o presente

Imagem Divulgação
© Port au Prince Pictures

Durante a entrevista, Kleber também comentou que o roteiro ganhou novas camadas ao dialogar com acontecimentos políticos recentes no país.

Segundo ele, o período de polarização e o crescimento de discursos autoritários no Brasil ajudaram a dar forma à narrativa.

“Esse momento político pelo qual nós passamos também fez com que o roteiro do filme tomasse corpo”, disse.

Embora ambientado na década de 1970, o diretor afirma que a história desperta reações contemporâneas em diferentes países.

“Eu tenho viajado com o filme e é muito interessante ver como plateias de outros países fazem associações com os momentos políticos que estão vivendo”, explicou.

A diversidade do Brasil no cinema

Imagem Divulgação
© Port au Prince Pictures

Kleber Mendonça Filho também destacou a importância de representar no cinema a diversidade real do Brasil. Para o diretor, mostrar diferentes regiões, sotaques e histórias do país sempre foi uma preocupação em seus filmes.

“Eu acho que meus filmes têm esse desejo de mostrar a variedade de caras que nós temos no Brasil”, disse ao Mais Berlim.

Na entrevista, o cineasta citou inclusive a diversidade do elenco de O Agente Secreto. “Você tem o Wagner Moura da Bahia, a Maria Fernanda Cândido do Paraná, o Buda Lira da Paraíba, a Tânia Maria do Rio Grande do Norte, a Fabiana Pirro do Recife. Isso é Brasil também”, afirmou.

Segundo ele, durante muitos anos o audiovisual brasileiro concentrou grande parte de suas produções no Sudeste, o que acabou criando representações pouco fiéis de outras regiões do país.

“Na televisão, quando aparece um personagem nordestino, muitas vezes é um personagem estilizado, com um sotaque muito estranho, que não é exatamente como as pessoas falam”, disse.

Para o diretor, filmes como O Agente Secreto ajudam a mostrar a pluralidade do país e a riqueza cultural que existe em diferentes partes do Brasil.

Um thriller político sobre o Brasil da ditadura

Imagem Divulgação
© Port au Prince Pictures

O Agente Secreto é um thriller político ambientado no Brasil de 1977, em pleno período da ditadura militar.

A história acompanha Marcelo, personagem interpretado por Wagner Moura, um especialista em tecnologia que retorna a Recife, sua cidade natal, tentando escapar de um passado perigoso e se reconectar com o filho.

O que parecia ser um refúgio, no entanto, rapidamente se transforma em um cenário de tensão e perseguições em meio ao clima de repressão política da época. Misturando elementos de suspense, drama político e investigação, o filme constrói um retrato da sociedade brasileira durante os anos mais duros do regime militar.

O longa reúne um elenco de destaque do cinema brasileiro, com nomes como Wagner Moura, Maria Fernanda Cândido, Tânia Maria, Gabriel Leone, Alice Carvalho e Thomás Aquino. O filme também conta com a participação do ator alemão Udo Kier, conhecido por sua longa carreira no cinema internacional.

A produção é uma coprodução internacional entre Brasil, França, Alemanha e Países Baixos, refletindo o caráter global do projeto e o crescente diálogo do cinema brasileiro com o mercado internacional. Parte da pós-produção do filme, incluindo trabalhos de imagem, foi realizada na Alemanha.

O longa teve estreia mundial no Festival de Cannes, onde competiu pela Palma de Ouro. No festival, Kleber Mendonça Filho recebeu o prêmio de Melhor Diretor, enquanto Wagner Moura foi premiado como Melhor Ator.

Depois da trajetória em festivais e exibições internacionais, o filme chegou aos cinemas em 6 de novembro, com lançamento simultâneo no Brasil, Alemanha e Portugal.

Na disputa por quatro estatuetas

O Agente Secreto concorre ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Elenco e Melhor Ator, para Wagner Moura.

A cerimônia do Oscar acontece neste domingo no Dolby Theatre, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Na Alemanha, a premiação começa à 1h da madrugada de segunda-feira, no horário local.

A perda do ator alemão Udo Kier

Durante a trajetória internacional do filme, a equipe também enfrentou uma perda importante. O ator alemão Udo Kier, que participa de O Agente Secreto e já havia trabalhado com Kleber Mendonça Filho em Bacurau, faleceu recentemente. Conhecido por sua longa carreira no cinema europeu e em produções internacionais, Kier teve participação marcante nas duas produções do diretor brasileiro.

Ficha técnica – O Agente Secreto

Direção e roteiro: Kleber Mendonça Filho

Elenco: Wagner Moura, Maria Fernanda Cândido, Tânia Maria, Gabriel Leone, Alice Carvalho, Thomás Aquino, Udo Kier

Gênero: thriller político / drama

Ambientação: Brasil, 1977, durante a ditadura militar

Produção: CinemaScópio, MK Productions, One Two Films, Lemming Film

Coprodução: Brasil, França, Alemanha e Países Baixos

Duração: 158 minutos

Idioma: português

Estreia mundial: Festival de Cannes

Lançamento nos cinemas: 6 de novembro (Brasil, Alemanha e Portugal)

Veja também

O Agente Secreto” vence dois Globos de Ouro e avança na corrida pelo Oscar 2026

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“Um país que não apoia seus artistas não é um país”: Kléber Mendonça destaca acolhimento ao cinema brasileiro na Embaixada do Brasil em Berlim https://maisberlim.com/um-pais-que-nao-apoia-seus-artistas-nao-e-um-pais-kleber-mendonca-destaca-acolhimento-ao-cinema-brasileiro-na-embaixada-do-brasil-em-berlim/ https://maisberlim.com/um-pais-que-nao-apoia-seus-artistas-nao-e-um-pais-kleber-mendonca-destaca-acolhimento-ao-cinema-brasileiro-na-embaixada-do-brasil-em-berlim/#respond Thu, 19 Feb 2026 14:57:34 +0000 https://maisberlim.com/?p=1072 Em passagem por Berlim, durante o festival de cinena da cidade, Kléber Mendonça Filho falou sobre a importância do apoio do governo aos artistas.

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Embaixador Rodrigo Soares, Kléber Mendonça Filho, Emilie Lesclaux

Evento realizado nesta quarta-feira (ontem), durante a Berlinale, reuniu cineastas brasileiros e reforçou o papel das embaixadas no apoio à cultura

Texto original criado por Mais Berlim


Na noite desta quarta-feira (ontem), a Embaixada do Brasil em Berlim voltou a se transformar em um verdadeiro ponto de encontro do cinema brasileiro durante a Berlinale. O evento deu continuidade a uma agenda que já havia começado no domingo anterior, quando artistas e produções brasileiras foram recebidos em uma primeira celebração oficial.

Mais do que um encontro protocolar, o momento revelou algo maior: um movimento de reaproximação entre o cinema brasileiro e a diplomacia do país — agora com portas abertas e presença ativa.


Um novo momento para o cinema brasileiro

O diretor Kléber Mendonça Filho, que concorre ao Oscar com quatro indicações pelo filme O Agente Secreto, foi direto ao ponto ao comentar essa mudança de cenário. Em tom crítico, mas também assertivo, ele destacou que a diferença não está na recepção internacional (referindo-se a outros países)— que, segundo ele, sempre existiu —, mas sim dentro da própria estrutura brasileira.

“A diferença entre ter um governo democrático e um governo que não respeita a arte brasileira. É só isso.”

Para o diretor, o problema vivido nos governos anteriores foi interno: a ausência de apoio institucional ao artista brasileiro por parte da própria diplomacia.

“Um país deve apoiar os seus artistas. Um país que não apoia seus artistas não é um país.”

Ele reforça que, mesmo durante períodos de negligência institucional, os filmes brasileiros continuaram sendo bem recebidos no exterior — o que evidencia ainda mais a importância do suporte oficial:

“Internacionalmente, os filmes continuaram sendo bem recebidos. Estou falando da diplomacia brasileira no período Temer/Bolsonaro era de ignorar o artista brasileiro. Isso tá errado e precisa ser lembrado.”


Berlim como símbolo desse acolhimento

Kléber Mendonça Filho, Karim Aïnouz, Emilie Lesclaux

A produtora Sara Silveira, uma das figuras mais respeitadas do cinema nacional, reforça que Berlim tem um papel histórico nesse processo.

Com mais de 20 anos de presença na Berlinale, ela aponta que a capital alemã sempre foi um ponto fora da curva no apoio institucional:

“Berlim é especial, porque foi sempre a Embaixada que abriu as portas para o cinema brasileiro — das únicas no mundo inteiro.”

Sara destaca ainda que o reconhecimento atual — incluindo as recentes presenças brasileiras no Oscar — é resultado de uma construção coletiva:

“Só se chega ao Oscar com grandes filmes, mas também com toda a base do cinema brasileiro.”

E completa, com entusiasmo:

“A embaixada de Berlim é o coração, é a que recebe o cinema brasileiro há anos.”


Recepções da Embaixada na Berlinale

Segundo apuração do Mais Berlim, a Embaixada do Brasil em Berlim não realizou recepções aos artistas nos anos 2019, 2020, 2021 e 2022. A partir do ano 2023, houve recepções anualmente.

Os artistas e produtores brasileiros que vêm participar do Festival de Cinema de Berlim são convidados para um coquetel, no salão de eventos da Embaixada, momento em que há oportunidade para trocas de experiências e contatos.

O impacto direto nos artistas

Emilie Lesclaux

A produtora de O Agente Secreto, Emilie Lesclaux, também percebe claramente essa mudança — inclusive no plano pessoal e profissional.

“A gente teve anos muito difíceis […] , de não acolher os filmes e os artistas, como se fosse uma orientação, na época do governo anterior.”

Hoje, segundo ela, o cenário é outro:

“É muito bom poder contar com o Itamaraty, com o apoio de todas as Embaixadas. […] A gente se sente realmente em casa.[…] E bom sentir que voltamos ao que sempre foi.”

Vivendo um momento de grande reconhecimento internacional — com dezenas de prêmios acumulados — Emilie resume a fase atual como uma experiência intensa e positiva:

“A gente está aproveitando cada momento. Não tem um dia que não seja interessante.”


O papel da diplomacia cultural

Embaixador Rodrigo Soares

O embaixador brasileiro em Berlim, Rodrigo Baena Soares, reforçou que esse movimento não é casual, mas parte de uma estratégia clara.

Segundo ele, cabe às representações diplomáticas promover o cinema brasileiro como ferramenta de conexão internacional:

“O Itamaraty tem que fazer todo o possível para que o público de cada país tenha o privilégio de assistir às nossas produções. […] O Itamaraty, como o braço do Estado brasileiro no exterior, tem que procurar apoiar sempre essas produções. ”

Ele também relembrou os dois momentos recentes organizados pela Embaixada durante a Berlinale — o encontro de domingo e a homenagem realizada nesta quarta-feira (ontem) — destacando a presença de diversas produções brasileiras no festival.

Para além do cinema, ele aponta o papel estratégico da cultura:

“A cultura é um dos melhores instrumentos da nossa política exterior — é o cimento das relações entre os países. […] Nós podemos mostrar o nosso país de uma forma até lúdica, suave. Então, nós temos essa capacidade, isso o Itamaraty tem que estimular e tem que promover. ”


Mais do que eventos: um momento de aproximação

O encontro na Embaixada do Brasil em Berlim reforça o papel das representações diplomáticas no apoio à cultura brasileira no exterior.

As falas de diretores, produtores e representantes do governo indicam um momento de maior proximidade entre o cinema brasileiro e a diplomacia do país, especialmente em espaços estratégicos como a Berlinale.

Nesse contexto, Berlim segue como um dos principais pontos de encontro entre o Brasil e o cenário internacional do cinema, reunindo artistas, produções e instituições em torno da promoção da cultura brasileira.

Continue lendo:

Brasileira faz história como primeira maestra a assumir orquestra da Alemanha que foi fundada há 130 anos.

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Diversidade e visibilidade: árbitro pede companheiro em casamento antes de jogo do Campeonato Alemão https://maisberlim.com/arbitro-pede-companheiro-casamento-campeonato-alemao/ https://maisberlim.com/arbitro-pede-companheiro-casamento-campeonato-alemao/#respond Sun, 01 Feb 2026 18:47:00 +0000 https://maisberlim.com/?p=837 Um gesto de visibilidade no futebol alemão ganhou destaque internacional ao acontecer diante de mais de 50 mil torcedores em Colônia.

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Foto: IMAGO/ Beautiful Sports International

Na sexta-feira (30), pouco antes do início da partida entre 1. FC Köln e VfL Wolfsburg, válida pelo Campeonato Alemão (Bundesliga), o árbitro alemão Pascal Kaiser, de 27 anos, protagonizou um dos momentos mais simbólicos do futebol alemão nos últimos anos.

Cerca de 15 minutos antes do apito inicial, diante de mais de 50 mil torcedores no RheinEnergieStadion, em Colônia, Kaiser entrou no gramado com um microfone, ajoelhou-se e pediu seu companheiro, Moritz, em casamento. O pedido — feito em alemão, com a pergunta “Willst du mich heiraten?” (“Quer se casar comigo?”) — recebeu um “sim” imediato, seguido por aplausos e emoção nas arquibancadas.

O momento foi registrado e compartilhado oficialmente pelo 1. FC Köln, que descreveu a cena como “um momento muito especial” e parabenizou o casal. A repercussão foi imediata na imprensa alemã e internacional, que destacou a naturalidade e o simbolismo do gesto.

Um gesto que vai além do romantismo

Pascal Kaiser já havia se declarado bissexual publicamente em 2022 e, desde então, defende mais visibilidade para pessoas LGBTQIA+ no futebol. Em entrevista à emissora alemã n-tv, o árbitro afirmou que não deseja se esconder no ambiente esportivo e que gestos como esse ajudam a normalizar a diversidade em um espaço historicamente marcado por resistência à inclusão.

O pedido aconteceu em um contexto de iniciativas do clube voltadas à diversidade e ao respeito, reforçando o papel dos estádios como espaços sociais que refletem mudanças culturais mais amplas na Alemanha.

Mais do que um momento pessoal, a cena foi interpretada como um símbolo de avanço na representatividade dentro do futebol profissional, mostrando que o esporte também pode ser palco de afeto, coragem e transformação social.


Texto original produzido por Mais Berlim

Augusto Medeiros

Editor-chefe — Mais Berlim

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Por que o Aeroporto de Tempelhof fechou e como virou parque e abrigo de refugiados https://maisberlim.com/aeroporto-tempelhof-fechamento-parque-refugiados/ Sun, 18 Jan 2026 11:45:02 +0000 https://maisberlim.com/?p=814 Um aeroporto desativo, em Berlim, que foi transformado em um dos maiores parques urbanos do mundo. O Tempelhofer Feld também abriga refugiados desde 2015.

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Imagem: Mais Berlim

De símbolo da aviação e da Guerra Fria a espaço público e social no coração de Berlim

O Aeroporto de Berlim-Tempelhof foi inaugurado em 1923 e ocupou um papel central na história da cidade ao longo do século XX. Muito além de um terminal aéreo, Tempelhof foi símbolo de modernidade, da divisão da cidade e da resistência de Berlim Ocidental durante a Guerra Fria.

Encerrado em 2008, o aeroporto deixou de operar por uma combinação de decisões políticas, econômicas e urbanísticas. Ainda assim, o local nunca perdeu sua função social. Hoje, abriga o Tempelhofer Feld — um dos maiores parques urbanos do mundo — e também estruturas de acolhimento para refugiados.

A história do Aeroporto de Tempelhof em Berlim

Modelo Nord 262. Imagem Mais Berlim

Tempelhof é considerado um dos aeroportos mais antigos do mundo ainda existentes. Desde os anos 1920, o local foi central para a aviação civil europeia. O gigantesco edifício do terminal, construído entre 1936 e 1941, chegou a ser um dos maiores complexos aeroportuários do planeta.

Após a Segunda Guerra Mundial, o aeroporto passou a ser administrado pelas forças americanas e se tornou peça-chave durante a divisão de Berlim. Entre 1948 e 1949, durante o bloqueio soviético, Tempelhof foi um dos principais pontos da Ponte Aérea de Berlim, operação que garantiu o abastecimento da cidade por via aérea e transformou o aeroporto em símbolo internacional de liberdade.

Por que o Aeroporto de Tempelhof foi fechado em 2008

Imagem: Mais Berlim

O fechamento de Tempelhof não ocorreu por falta de relevância histórica, mas por razões práticas e estratégicas.

Entre os principais motivos estavam os altos custos de manutenção de uma infraestrutura antiga, o baixo volume de passageiros em comparação com outros aeroportos da cidade e as limitações técnicas das pistas, que não comportavam aeronaves maiores e rotas mais rentáveis.

Além disso, o governo de Berlim decidiu concentrar todo o tráfego aéreo em um único aeroporto moderno, o futuro BER. A localização extremamente central de Tempelhof também gerava conflitos urbanos, como restrições de ruído e de horários.

Em 2008, um referendo tentou impedir o fechamento, mas não teve força legal suficiente para reverter a decisão política. O último voo comercial partiu em 30 de outubro daquele ano.

Do aeroporto ao Tempelhofer Feld

Imagem: Mais Berlim

Em 2010, o antigo campo de pouso foi reaberto ao público como o Tempelhofer Feld. Com cerca de 355 hectares, o espaço se tornou um dos maiores parques urbanos do mundo e rapidamente passou a integrar o cotidiano da cidade.

Hoje, o local é usado para caminhadas, corridas, ciclismo, piqueniques, esportes e atividades culturais, mantendo a característica de espaço aberto e livre. Em 2014, um novo referendo garantiu que a área permaneceria sem construções permanentes, reforçando seu papel como bem público.

Tempelhof e a chegada dos refugiados a partir de 2015

Imagem Mais Berlim

A partir de 2015, durante a crise de refugiados na Europa, Tempelhof assumiu mais uma função social. Hangares e estruturas do antigo aeroporto passaram a ser usados como abrigo de emergência para refugiados vindos principalmente da Síria, do Afeganistão e de outras regiões afetadas por guerras e conflitos.

Em 2016, ao circular pelo local, já era possível ver famílias vivendo em estruturas provisórias montadas dentro do antigo complexo aeroportuário. Com o tempo, também foram instaladas moradias temporárias no entorno do campo, ampliando a capacidade de acolhimento.

O uso de Tempelhof como abrigo gerou debates intensos na cidade sobre condições de moradia, integração e o futuro do espaço, mas reforçou um traço constante da história do local: a adaptação às necessidades do seu tempo.

Um espaço que nunca deixou de servir

Imagem: Mais Berlim

Hoje, Tempelhof é ao mesmo tempo parque, memorial histórico e espaço social ativo. Aeronaves expostas relembram o passado da aviação, o campo aberto simboliza liberdade urbana e as estruturas de acolhimento mostram que o local continua cumprindo uma função essencial.

Mais do que um antigo aeroporto, Tempelhof é um retrato das transformações de Berlim — uma cidade que reaproveita seu passado para responder aos desafios do presente.

Texto original Mais Berlim.

Fonte de pesquisa, no local e site oficial do Tempelhofer Feld

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“O Agente Secreto” vence dois Globos de Ouro e avança na corrida pelo Oscar 2026 https://maisberlim.com/o-agente-secreto-vence-dois-globos-de-ouro/ Mon, 12 Jan 2026 07:01:15 +0000 https://maisberlim.com/?p=795 O filme brasileiro, O Agente Secreto, levou dois Globos de Ouro, nos Estados Unidos, melhor ator em filme de drama, para Wagner Moura e melhor filme de língua não inglesa.

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© Port au Prince Pictures

O cinema brasileiro vive um de seus momentos mais fortes dos últimos anos. O filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, conquistou dois Globos de Ouro: Melhor Ator em Filme – Drama, para Wagner Moura, e Melhor Filme em Língua Não Inglesa.

A produção ainda concorreu a Melhor Filme – Drama, somando três indicações na premiação da Golden Globe Awards.

Wagner Moura e o reconhecimento internacional


© Port au Prince Pictures

Esta é a segunda indicação de Wagner Moura ao Globo de Ouro. A primeira ocorreu em 2016, quando concorreu como Best Performance by an Actor in a Television Series – Drama pelo papel de Pablo Escobar em Narcos.

Com O Agente Secreto, o ator brasileiro não apenas voltou a ser indicado, como venceu o prêmio, consolidando uma trajetória internacional que já havia sido reconhecida meses antes no Cannes Film Festival, onde recebeu o prêmio de Melhor Ator em 2025 pelo mesmo papel.

Coprodução com a Alemanha e estreia internacional


© Port au Prince Pictures

O Agente Secreto é uma coprodução internacional que inclui a produtora alemã One Two Films, que tem o brasileiro, Fred Burle, entre os sócios. A participação alemã reforça a dimensão europeia do projeto e sua forte circulação no continente.

O longa foi lançado simultaneamente na Alemanha, no Brasil e em Portugal em 6 de novembro, estratégia que ampliou sua visibilidade internacional e contribuiu para a campanha nas principais premiações.

Na corrida pelo Oscar 2026

Após o sucesso em Cannes e no Globo de Ouro, O Agente Secreto segue avançando na temporada de prêmios. O filme entrou oficialmente na shortlist do Oscar 2026 na categoria Melhor Filme Internacional, lista que reúne 15 produções semifinalistas escolhidas pela Academia.

Estar na shortlist é uma das etapas mais importantes da campanha rumo ao Academy Awards, pois define os títulos que seguem na disputa antes das indicações finais.

A lista oficial dos indicados ao Oscar 2026 será divulgada no dia 22 de janeiro, quando será confirmado se O Agente Secreto estará entre os finalistas da categoria — e possivelmente em outras disputas técnicas ou artísticas.

Um dos filmes brasileiros mais premiados dos últimos anos


© Port au Prince Pictures

Com dois Globos de Ouro, prêmio de Melhor Ator em Cannes, presença na shortlist do Oscar e uma carreira sólida em festivais internacionais, O Agente Secreto se firma como um dos filmes brasileiros de maior impacto global da década, fortalecendo o cinema nacional no cenário internacional e ampliando o diálogo com a Europa, especialmente com a Alemanha.

Texto original produzido pelo Mais Berlim.

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