Arquivo de Esporte - https://maisberlim.com/category/esporte/ Notícias e serviços para brasileiros em Berlim e na Alemanha Fri, 09 Oct 2026 16:02:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.4 https://maisberlim.com/wp-content/uploads/2026/06/cropped-logo-3-32x32.png Arquivo de Esporte - https://maisberlim.com/category/esporte/ 32 32 Alessandra Pontes completou dez Maratonas de Berlim, inspirou a família a correr e quer celebrar os 50 anos com 50 maratonas pelo mundo. https://maisberlim.com/alessandra-pontes-dez-maratonas-berlim/ Fri, 09 Oct 2026 15:45:45 +0000 https://maisberlim.com/?p=1769 Pernambucana de 49 anos encontrou na corrida saúde, amizades e uma paixão que contagiou toda a família. Na décima prova em Berlim, a ajuda de uma desconhecida tornou a chegada ainda mais especial.

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Aos 49 anos, a professora de música de Frankfurt soma 47 maratonas e celebra as amizades que o esporte trouxe. Pernambucana corre sem se preocupar com performance.


A prova em Berlim trouxa a certeza de que ainda há pessoas dispostas a ajudar.

Alessandra Pontes voltou de sua décima Maratona de Berlim com uma medalha e uma nova amiga. A medalha foi conquistada depois de 42,195 quilômetros. A amizade nasceu quando continuar parecia difícil — e uma brasileira que ela não conhecia parou para ajudá-la.

Na edição de 2026, por volta do quilômetro 30, a pernambucana de 49 anos teve um sangramento menstrual intenso, que associa à fase de transição para a menopausa. Assustada, chamou uma corredora que passava pelo percurso.

“Ei, fala comigo aqui, me ajuda aqui que eu tô desesperada.”

Nos quatro quilômetros finais, as duas seguiram caminhando juntas. A outra brasileira também tinha uma história de dificuldade e superação para contar. Enquanto avançavam, a conversa e a companhia ajudaram Alessandra a concluir a prova.

“Ganhei mais outra amiga brasileira e ela me entendeu.”

O jubileu de dez maratonas na capital alemã ganhou, assim, uma lembrança que não cabe no resultado oficial. Alessandra chegou ao fim amparada por alguém que, até pouco antes, era uma desconhecida. Para quem corre pelos encontros tanto quanto pela distância, aquela ajuda tornou a chegada ainda mais especial.


Dez medalhas de Berlim, dez histórias: Alessandra reuniu as lembranças de suas participações na prova. Foto cedida por Alessandra Pontes.

O primeiro passo abriu caminho para a família

Antes das maratonas, vieram a natação, o balé, o frevo e as danças populares do Recife. Alessandra gostava de se movimentar, mas correr longas distâncias nunca tinha feito parte de seus planos.

Depois de se mudar para a Alemanha, foi o marido quem a inscreveu em uma corrida de cinco quilômetros. Ela gostou. Vieram os dez quilômetros, a meia maratona e a curiosidade de descobrir se conseguiria completar uma prova inteira.

Em 2014, quando morava em Seul, na Coreia do Sul, decidiu tentar. Sua primeira maratona seria um desafio pessoal, sem anúncio nem expectativa de um grande resultado.

“Vou me inscrever numa prova de 42, só pra ver se eu consigo terminar. Não vou dizer nem a ninguém, porque é um teste pra mim mesma.”

Conseguiu. A segunda maratona foi em Berlim. Desde então, segundo conta ao Mais Berlim, completou 47 provas pelo mundo.

Alessandra Pontes em Seul, cidade onde correu sua primeira maratona em 2014
Seul, 2014: o início de uma trajetória que Alessandra não imaginava percorrer. Foto cedida por Alessandra Pontes.
Medalha da Maratona Internacional de Seul de 16 de março de 2014
A medalha da primeira maratona, disputada em Seul em 16 de março de 2014. Foto cedida por Alessandra Pontes.

A paixão atravessou também a porta de casa. Inspirados por ela, o marido e os filhos passaram a correr. Hoje, o esporte faz parte da rotina da família, e o marido já completou oito Maratonas de Berlim com Alessandra.

Cada um segue no seu ritmo. O encontro fica para o final, quando a chegada vira festa.

“Nunca pensei que a corrida fosse me trazer tanta alegria, tanta coisa boa. E hoje minha família, todo mundo corre, meus filhos, meu marido.”

Para ela, a mudança aparece nos pequenos hábitos: levantar cedo, sair de casa, respirar, cuidar da saúde e encontrar um tempo para si.

“Não é só o esporte também, é uma higiene mental.”

O relógio não conta tudo

Moradora de Frankfurt, Alessandra organiza parte de suas viagens em torno das maratonas. Mas o tempo na chegada nunca foi sua prioridade. O que deseja levar de cada prova é outra coisa.

“Eu tenho a ambição de ser feliz com isso, de fazer amigos, de conhecer gente nova.”

Já correu em destinos como Londres, Roma e Tromsø, na região do Ártico, e participou da festiva Maratona do Médoc, na França. Em Atenas, Copenhague, Genebra e Budapeste, conheceu pessoas que continuam fazendo parte de sua vida. Uma prova puxa outra; um encontro dá origem ao próximo.

Alessandra Pontes e duas amigas mostram suas medalhas da Maratona de Frankfurt
Medalhas e companhia: Alessandra, ao centro, celebra com amigas depois da Maratona de Frankfurt. Foto cedida por Alessandra Pontes.

Berlim se tornou um desses lugares de reencontro. Amigos feitos em outras cidades voltam a se reunir ali. Até a prova que já conhece pode surpreendê-la: mudam o clima, as conversas, a disposição. Muda também quem ela é a cada ano.

Na alegria das ruas, Alessandra reconhece algo das festas que marcaram sua vida em Pernambuco.

“Pra mim, corrida é um momento de meditação, de alegria, é uma festa, é o carnaval que eu não tenho mais do Recife, é o São João que eu não tenho mais em Caruaru.”

O esporte se tornou uma maneira de cuidar do corpo e de cultivar companhia. Entre seus amigos estão corredores mais velhos, alguns com mais de 70 anos, cujas histórias alimentam sua vontade de continuar. A distância percorrida importa, mas é a vida compartilhada em torno dela que Alessandra mais gosta de contar.

Grupo de corredores da Acorja reunido no Marco Zero do Recife
Corredores da Acorja no Marco Zero do Recife: as amizades e as raízes pernambucanas também fazem parte dessa história. Foto cedida por Alessandra Pontes.

50 anos, 50 maratonas

Alegria o ano todo, celebrada com criatividade no Natal. Foto acervo particular.

Aos 49 anos, Alessandra ainda tem duas maratonas previstas para o restante de 2026. Para o ano seguinte, prepara uma celebração que reúne a idade que vai completar e a paixão que encontrou depois de adulta.

Entre a primeira chegada em Seul e a décima em Berlim, a corrida passou a fazer parte das viagens, das amizades e da vida de toda a família. Na última prova na capital alemã, também ganhou o rosto de uma brasileira que ouviu seu pedido de ajuda e seguiu com ela.

Agora, Alessandra quer acrescentar novas histórias à coleção. E já sabe como deseja comemorar meio século de vida:

“Ano que vem quero completar meus 50 anos com 50 maratonas.”

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Brasileiro assume comando do principal time de vôlei de Berlim e já leva equipe à semifinal https://maisberlim.com/brasileiro-tecnico-berlin-recycling-volleys-semifinal/ https://maisberlim.com/brasileiro-tecnico-berlin-recycling-volleys-semifinal/#respond Sun, 05 Apr 2026 14:11:36 +0000 https://maisberlim.com/?p=1357 Alexandre Leal, brasileiro, assume o Berlin Recycling Volleys e já leva o time à semifinal dos playoffs. Conheça sua trajetória internacional.

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Foto: Pressefoto Gora

Alexandre Leal, técnico do Berlin Recycling Volleys, aposta em intensidade, gestão de grupo e experiência internacional para buscar mais um título


De quase 10 anos no Taubaté ao comando em Berlim

A trajetória de Alexandre Leal até o comando do Berlin Recycling Volleys é marcada por consistência e formação sólida dentro do voleibol de alto nível.

O brasileiro construiu a base da sua carreira no Vôlei Taubaté, onde atuou entre as temporadas 2013/2014 e o início de 2021/2022. Durante esse período, trabalhou como analista de desempenho até 2020/2021 e depois como auxiliar técnico.

No clube paulista, acumulou conquistas importantes:

  • bicampeão da Superliga (2018/19 e 2020/21)
  • campeão do Sul-Americano de Clubes (2015/16)
  • bicampeão da Copa do Brasil (2014/15 e 2016/17)
  • campeão da Supercopa do Brasil (2020/21)
  • múltiplos títulos do Campeonato Paulista

Além disso, integrou a comissão técnica da seleção brasileira nos Jogos Pan-Americanos de Lima 2019, onde conquistou a medalha de bronze como analista de desempenho.


Experiência internacional antes da Alemanha

Após deixar o Brasil, Leal iniciou sua trajetória internacional. Trabalhou no Kuwait, pelo Kazma, e na Arábia Saudita, pelo Al Hilal, ambos como auxiliar técnico.

No Kazma, foi vice-campeão da liga e da copa nacional do Kuwait.

Também acumulou experiências como auxiliar técnico na Holanda e na Turquia antes de chegar à Alemanha.


A chegada a Berlim e a promoção

18.01.26, Berlin, Volleyball, 17. Spieltag, Berlin Recycling Volleys – Helios Grizzlys Giesen.

Leal chegou ao Berlin Recycling Volleys como auxiliar técnico e permaneceu na função por duas temporadas e meia até janeiro deste ano, quando assumiu o comando da equipe principal.

A mudança aconteceu após a saída do treinador anterior — um momento delicado, como ele próprio define:

“É uma situação que nunca é legal. Um colega de trabalho foi desligado, mas o clube precisava de alguém para assumir. A gente tem que fazer o que for necessário para ajudar o clube que te acolheu.”


“Não mudou nada — só a responsabilidade”

Mesmo com o novo cargo, o treinador reforça que sua forma de trabalhar permanece a mesma.

“Tô fazendo o que eu sempre fiz. Não mudou nada. Continuo fazendo o que eu sempre faço, mas com mais responsabilidades, com mais decisões a serem tomadas. Agora é literalmente a responsabilidade de decidir, não apenas de dar suporte.”

Para ele, manter a identidade foi essencial para chegar até aqui — e continua sendo no novo desafio.


Ajustes pontuais e continuidade

Ao assumir o time, Leal encontrou uma estrutura já consolidada e optou por ajustes pontuais.

“A equipe já tinha uma situação bem sólida. Fiz alguns ajustes no dia a dia de treinamento, mas não grandes mudanças.”

A base de trabalho foi mantida, com foco na evolução progressiva.


Um estilo mais brasileiro

18.01.26, Berlin, Volleyball, 17. Spieltag, Berlin Recycling Volleys – Helios Grizzlys Giesen.

A principal diferença aparece na forma de conduzir o grupo.

“Talvez um pouco mais latino, um pouco mais brasileiro. Um pouco mais intenso, mais enérgico, mas também com calma. Tem que ter um balanço entre as duas coisas.”

Segundo ele, esse equilíbrio entre intensidade e controle é essencial no alto nível.


Mudar a atmosfera foi o primeiro objetivo

Nos primeiros meses como técnico principal, o foco esteve no ambiente interno da equipe.

“É difícil fazer uma autoavaliação, mas a atmosfera com certeza mudou. Esse era o meu principal foco.”


Time já está na semifinal dos playoffs

O impacto do trabalho já aparece em resultados. O Berlin Recycling Volleys venceu as quartas de final da Bundesliga e garantiu vaga na semifinal.

Agora, a equipe aguarda a definição do adversário na próxima fase.

“Agora começa uma outra competição. Playoffs são uma outra competição.”

“Berlim é uma das melhores equipes da Europa e o objetivo é sempre ser campeão.”


O que realmente conta no voleibol internacional

Mesmo vindo de uma das maiores escolas de vôlei do mundo, Leal relativiza o peso da origem.

“O mais importante é o que você constrói dentro da equipe. Não é de onde você veio, mas o que você faz no clube.”


Um gigante do vôlei europeu

O Berlin Recycling Volleys é um dos clubes mais dominantes da Alemanha nas últimas décadas. A equipe soma mais de 10 títulos da Bundesliga, além de conquistas da Copa da Alemanha e da Supercopa.

O clube também é presença frequente na CEV Champions League, consolidando-se como uma das principais forças do voleibol europeu.

A aposta da diretoria em Alexandre Leal foi justamente para dar um novo impulso ao elenco.

“Alexandre Leal vem realizando um trabalho valioso há três anos no clube. Mesmo quando era estatístico, já assumia mais responsabilidades do que o habitual e atuava quase como um segundo auxiliar técnico. Demos a ele a oportunidade de assumir como treinador principal porque a equipe precisava de um novo impulso. Ele encara esse desafio com muito empenho e ambição. Valorizamos não apenas seu conhecimento de vôlei, mas também sua paixão pelo esporte e sua forma humana de lidar com as pessoas.”


O momento mais importante da carreira

Agora como técnico principal de uma das maiores equipes da Europa, Alexandre Leal vive o auge da carreira.

Sem prometer revoluções, mas apostando em intensidade, consistência e gestão de grupo, o brasileiro já começa sua trajetória no comando levando o time à semifinal — e com o objetivo claro de manter Berlim no topo.

Você pode enviar essa matéria para um amigo, na versão alemão ou inglês:

Quer saber mais? Mais Berlim News.

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Como Lucas Laet usou o diário para se tornar Mister Brasil e Campeão Europeu de Jiu-jitsu. https://maisberlim.com/como-lucas-laet-usou-o-diario-para-se-tornar-mister-brasil-e-campeao-europeu-de-jiu-jitsu/ https://maisberlim.com/como-lucas-laet-usou-o-diario-para-se-tornar-mister-brasil-e-campeao-europeu-de-jiu-jitsu/#respond Fri, 13 Feb 2026 16:19:19 +0000 https://maisberlim.com/?p=1008 Diário de um campeão. Lucas Laet usa a escrita para treinar a mente. Em um ano, ele se tornou Mister Brasil e venceu o Europeu de jiu-jitsu.

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No dia 17 janeiro, em Lisboa, o árbitro levantou o braço de Lucas Laet Mattos no European Jiu-Jitsu Championship, organizado pela IBJJF – International Brazilian Jiu-Jitsu Federation. O carioca de 32 celebrou o título de campeão europeu, na categoria Faixa-preta, Master 1, Peso Médio. No ano passado, a faixa foi a de Mister Brasil, título de homem mais bonito do país.

Imagem acervo particular / Mister Brasil 2025

As vitórias de Lucas começaram num quarto silencioso, diante de uma folha em branco. Foi o que o Mais Berlim descobriu durante uma entrevista exclusiva, nessa quinta-feira, 12, durante sua passagem por Berlim.

E como será que um diário transformou a vida de um adolescente hiperativo. É o que vamos te contar agora.


“O papel aceita tudo”

Imagem: acervo particular – Campeonato Europeu 2026

Lucas tinha pouco mais de 20 anos quando uma lesão o tirou do tatame. O corpo parou. A mente não.

Foi ali que a escrita deixou de ser impulso e virou método.

“O papel aceita tudo. Ele aceita sonho, aceita valor milionário, aceita qualquer coisa. Ele tá ali em branco e cabe a gente preencher.”

Sem treinar, ele começou a organizar pensamentos, metas, frustrações, medos, planos.

O que parecia desabafo virou estratégia de alta performance.

Hoje, Lucas não começa um ciclo de preparação sem escrever.


O diário como treinador

Imagem acervo particular: Europeu de Jiu-jitsu 2026

No caderno que carrega na mochila, Lucas registra:

  • objetivos divididos em ciclos
  • metas semanais
  • pequenas vitórias diárias
  • erros técnicos
  • dificuldades emocionais
  • ajustes de rotina
  • padrões de comportamento

Ele não escreve apenas quando vence.

Escreve quando falha.

“Eu anoto o que eu quero melhorar, o que eu melhorei, o que não consegui.”

“É uma conversa comigo.”

“Se tentar construir a Muralha da China de um dia pro outro, não vai conseguir. Mas se colocar um tijolo por dia…”

O campeão europeu foi construído assim: um tijolo por dia.


A criança que precisava aprender a respirar

Acervo particular: Mister Brasil 2025

Antes do campeão, havia um menino inquieto.

Lucas fala sem romantizar: era briguento, indisciplinado. Hoje reconhece traços claros de hiperatividade — algo que, na época, ninguém sabia diagnosticar.

Foi o jiu-jitsu que trouxe ordem.

“O jiu-jitsu trouxe disciplina pra mim. Você aprende respeito, hierarquia, controle emocional.”

“Aprende a respirar sob pressão — literalmente.”

Respirar quando alguém mais pesado tenta te imobilizar.

Respirar quando o caos quer tomar conta.

O tatame ensinou controle do corpo.

O diário ensinou controle da mente.


Lisboa foi consequência

O Europeu da IBJJF é um dos torneios mais exigentes do calendário internacional.

O título europeu na categoria europeu, na categoria Faixa-preta, Master 1, Peso Médio, veio depois de meses de preparação física — e mental.

Cada ajuste estava anotado.

Cada treino dividido em ciclos.

Cada falha analisada.

Ele não fala em sorte.

Fala em processo.

“Eu tô feliz com o processo. Eu me ganhei durante o camp.”


Roma: defender o que já escreveu

Nesta sexta-feira 13, pela manhã, Lucas deixou Berlim rumo à Itália para disputar novamente o Abu Dhabi Grand Slam Rome, organizado pela Abu Dhabi Jiu Jitsu Pro, no Centro Olimpico Matteo Pellicone.

Ele foi campeão da sua categoria no ano passado. Agora retorna para defender o título. Mas Roma não é sobre provar algo ao mundo. O topo do ranking já fala por si. Roma é continuidade. É manter o padrão que foi escrito antes mesmo da viagem.


A faixa e a responsabilidade

Imagem acervo particular: Mister Brasil 2025

Em 2025, Lucas venceu o Mister Brasil.

O tema que apresentou foi direto:

“O esporte como ferramenta de transformação.”

Lucas conta que não planejava disputar concursos de beleza. O convite veio durante a pandemia, quando estava no Brasil e foi abordado por uma agência. Ele aceitou o desafio com a mesma disciplina que aplica ao esporte.

“Eu não estava esperando. Foi por acaso. Mas quando eu entro em algo, eu entro para dar o meu melhor”, afirma.

Em cinco dias de provas, em Balneário Camboriú, superou outros 38 candidatos e conquistou o título de Mister Brasil 2025 levando como tema “o esporte como ferramenta de transformação”.

E se tem provas e desafios, o diário está sempre lá, como ferramenta de treinamento mental.

Lucas passará oficialmente a faixa quando retornar ao Brasil para a cerimônia de transição do título.

Mas o que ele faz com a visibilidade importa mais do que a faixa.


Onde o diário vira ponte

Imagem acervo particular: Projeto Brasil do Amanhã

Instituto DHS Brasil do Amanhã

Lucas é embaixador do Instituto DHS Brasil do Amanhã, que atua entre as comunidades da Babilônia e Chapéu Mangueira, no Leme, Rio de Janeiro.

Ali, o esporte é ferramenta de acesso.

De autoestima.

De oportunidade.

Lucas usa seus títulos para captar:

  • kimonos
  • equipamentos
  • apoio educacional
  • aulas de inglês
  • chances internacionais para jovens atletas

“Quero trazer esperança pra vida dessa galera.”

“A beleza é pessoal. O que você faz com ela é o que importa.”


Diário de um roteirista

Imagem acervo particular: gravação ao lado do Cauã Reinold

Além dos títulos no tatame e nas passarelas, Lucas também levou sua história para o streaming. Ele participou do desenvolvimento da série Viajando de Kimono, produzida pela Caravana Filmes que será exibida no Globoplay e no Canal Combate.

A ideia nasceu anos atrás, durante um período de recuperação de lesão, quando começou a escrever o projeto no mesmo diário que usa até hoje.

“Eu já tinha esse esboço guardado. O jiu-jitsu não é só competição, é transformação, é identidade. Eu queria mostrar isso para o mundo”, explica.

E no mundo das telas, teve ainda uma passagem pela novela Vale Tudo, contracenando com o ator Cauã Reinold.

O que Berlim viu

Esse tour pela Europa incluiu seis países, por onde Lucas realizou workshops para atletas de jiu-jitsu. Aqui em Berlim, Alemanha, o foco inicial da matéria do Mais Berlim era falar sobre a curiosidade da visita de um Mister Brasil, mas Lucas tinha muito mais a mostrar.

Ele nos ensina, com o exemplo, que a vitória vem com propósito, que uma história se escreve a cada linha, e a correção dos erros pode mudar o rumo do roteiro, na próxima página.

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Diversidade e visibilidade: árbitro pede companheiro em casamento antes de jogo do Campeonato Alemão https://maisberlim.com/arbitro-pede-companheiro-casamento-campeonato-alemao/ https://maisberlim.com/arbitro-pede-companheiro-casamento-campeonato-alemao/#respond Sun, 01 Feb 2026 18:47:00 +0000 https://maisberlim.com/?p=837 Um gesto de visibilidade no futebol alemão ganhou destaque internacional ao acontecer diante de mais de 50 mil torcedores em Colônia.

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Foto: IMAGO/ Beautiful Sports International

Na sexta-feira (30), pouco antes do início da partida entre 1. FC Köln e VfL Wolfsburg, válida pelo Campeonato Alemão (Bundesliga), o árbitro alemão Pascal Kaiser, de 27 anos, protagonizou um dos momentos mais simbólicos do futebol alemão nos últimos anos.

Cerca de 15 minutos antes do apito inicial, diante de mais de 50 mil torcedores no RheinEnergieStadion, em Colônia, Kaiser entrou no gramado com um microfone, ajoelhou-se e pediu seu companheiro, Moritz, em casamento. O pedido — feito em alemão, com a pergunta “Willst du mich heiraten?” (“Quer se casar comigo?”) — recebeu um “sim” imediato, seguido por aplausos e emoção nas arquibancadas.

O momento foi registrado e compartilhado oficialmente pelo 1. FC Köln, que descreveu a cena como “um momento muito especial” e parabenizou o casal. A repercussão foi imediata na imprensa alemã e internacional, que destacou a naturalidade e o simbolismo do gesto.

Um gesto que vai além do romantismo

Pascal Kaiser já havia se declarado bissexual publicamente em 2022 e, desde então, defende mais visibilidade para pessoas LGBTQIA+ no futebol. Em entrevista à emissora alemã n-tv, o árbitro afirmou que não deseja se esconder no ambiente esportivo e que gestos como esse ajudam a normalizar a diversidade em um espaço historicamente marcado por resistência à inclusão.

O pedido aconteceu em um contexto de iniciativas do clube voltadas à diversidade e ao respeito, reforçando o papel dos estádios como espaços sociais que refletem mudanças culturais mais amplas na Alemanha.

Mais do que um momento pessoal, a cena foi interpretada como um símbolo de avanço na representatividade dentro do futebol profissional, mostrando que o esporte também pode ser palco de afeto, coragem e transformação social.


Texto original produzido por Mais Berlim

Augusto Medeiros

Editor-chefe — Mais Berlim

Já conhece os guias de passeio do Mais Berlim?

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