Arquivo de Urgente - https://maisberlim.com/category/urgente/ Notícias e serviços para brasileiros em Berlim e na Alemanha Thu, 11 Jun 2026 08:16:28 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://maisberlim.com/wp-content/uploads/2026/06/cropped-logo-3-32x32.png Arquivo de Urgente - https://maisberlim.com/category/urgente/ 32 32 Casos de “Boa Noite Cinderela” disparam em Berllim https://maisberlim.com/boa-noite-cinderela-berlim-ko-tropfen-alemanha/ https://maisberlim.com/boa-noite-cinderela-berlim-ko-tropfen-alemanha/#respond Sat, 06 Jun 2026 09:11:24 +0000 https://maisberlim.com/?p=1408 Dados obtidos pelo Mais Berlim junto à Polícia de Berlim revelam aumento de quase 1.000% nos registros de K.O.-Tropfen nos últimos dez anos. O "Boa Noite Cinderela".

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Após relato da artista brasileira Gissauro Araújo, Mais Berlim reúne depoimentos de vítimas, dados inéditos da Polícia e alertas de especialistas sobre o uso de K.O.-Tropfen na Alemanha

Por Mais Berlim

Reportagem: Augusto Medeiros, Igor Abreu; Edição: Emilene Silva

Uma queda repentina.

Um apagão sem explicação.

Um nariz quebrado.

Um dente destruído.

E uma pergunta que permanece sem resposta.

Foi assim que começou a investigação do Mais Berlim sobre casos suspeitos de “Boa Noite Cinderela”, conhecidos na Alemanha como K.O.-Tropfen.

Nas últimas semanas, a reportagem ouviu vítimas, testemunhas, especialistas, organizadores de eventos, instituições  de apoio e a própria Polícia de Berlim. Os relatos vieram de Berlim, Colônia e outras cidades alemãs. Alguns terminaram em roubos, outros levantam suspeitas de crimes mais graves. Em comum, as vítimas  descrevem perda repentina de controle, falhas de memória, dificuldade para reunir provas e a sensação de vulnerabilidade diante de algo que muitas vezes desaparece do organismo antes mesmo de ser identificado.

O caso que motivou esta reportagem aconteceu na madrugada de 11 de maio de 2026, em Berlim.


“A noite começou a ficar estranha”

A artista e dançarina brasileira Gissauro Araújo havia passado o sábado inteiro participando de uma batalha de dança.

Depois do evento, seguiu para a casa do amigo Jonathan “Jhow” da Silva, onde ambos se prepararam para sair.

Gissauro conta que eles estavam cansados e quase desistiram.

“Estava aquela preguiça. A gente ficou enrolando para sair. Quando vimos já era uma hora, uma e meia da manhã.”

Mesmo assim decidiram ir para uma festa no Maaya, um clube que pode ser alugado para eventos, numa das regiões mais badaladas da cidade.

Ao chegar ao local encontraram amigos, deixaram seus pertences na recepção e seguiram para a pista.

“Era uma noite muito tranquila. A gente estava ali para dançar”, lembra a artista.

Segundo Gissauro, não havia intenção de beber muito.

“Não era uma noite de encher a cara. Era uma noite de dançar.”

Em determinado momento ela e Jhow dividiram uma caipirinha.

Mais tarde, Gissauro consumiu uma segunda bebida.

Ela contou ao Mais Berlim que bebeu aproximadamente uma caipirinha e meia ao longo de toda a noite.

Pouco depois começaram os sintomas.

Primeiro veio uma forte tontura.

“Eu senti uma tontura muito forte.”

A princípio ela não associou aquilo ao consumo de álcool.

“Eu praticamente não tinha bebido.”

Em seguida surgiu uma forte dor de barriga.

Ela foi ao banheiro.

“Eu fiquei sentada na privada pensando: nossa, que estranho.”

Depois retornou à pista.

Foi então que apareceu outro sintoma.

Frio.

Muito frio.

Ela decidiu sentar em um sofá próximo dos amigos.

Foi nesse momento que algo começou a lhe parecer errado.

“A noite começou a ficar estranha para mim.”

“Eu não sei explicar.”

“Parecia que alguma coisa estava errada.”

A dançarina conta que chegou a pensar que fosse apenas cansaço.

Mas os sintomas continuaram.

Então veio uma forte ânsia de vômito.

Ela se levantou para ir ao banheiro.

Não conseguiu chegar.

“Eu lembro de pensar: não vai dar tempo.”

Essa é a última lembrança clara que tem daquela madrugada.


“Eu acordei cheia de sangue”

A memória seguinte já é depois da queda.

“Eu acordei cheia de sangue.”

Ela estava caída no chão.

Desorientada.

Sem entender o que havia acontecido.

Ao redor estavam amigos e outras pessoas tentando ajudá-la.

“Eu lembro do Jhow falando comigo.”

“Foi isso que me despertou.”

A queda foi violenta.

Ela bateu o rosto diretamente no chão.

O impacto provocou uma fratura no nariz e a quebra de um dente.

“Foi um apagão muito estranho.”

Segundo Gissauro, nunca havia vivido algo semelhante.

“Nunca tive um apagão assim.”

“Nunca tive um desmaio assim.”

“Nem quando eu bebia mais no Brasil.”

O choque emocional foi imediato.

“Eu comecei a tremer.”

A primeira hipótese que lhe veio à cabeça foi justamente aquilo que mais temia.

“Minha mãe sempre falava para tomar cuidado com copo, com bebida, com alguém colocar alguma coisa.”

“E aconteceu justamente aquilo que eu tinha medo.”

Até hoje ela não consegue afirmar o que aconteceu.

Mas diz que jamais conseguiu explicar a perda repentina de consciência.


As testemunhas

Jonathan “Jhow” da Silva estava ao lado de Gissauro naquela noite.

Ele contou que os dois têm um hábito que adotaram justamente por receio desse tipo de situação: dividir bebidas.

“A gente sempre divide bebida.”

Segundo Jhow, essa prática faz parte dos cuidados que costumam ter quando saem.

“A gente tenta dividir justamente porque existe esse medo.”

Ele relata que, depois de algum tempo, começou a perceber mudanças no comportamento da amiga.

“Ela voltou da outra pista e sentou.”

Isso chamou sua atenção.

“Normalmente a gente dança muito.”

“Ela ficou mais quieta.”

Ainda assim acreditou que pudesse ser apenas cansaço.

Jhow conversava com o amigo Cléber Amaral quando ouviu um alerta.

“Cléber falou: ‘Jhow, ela caiu.’”

Quando chegou perto encontrou a amiga desacordada e sangrando.

“Eu coloquei minha mão embaixo da cabeça dela.”

“Fiquei falando o tempo todo: meu bem, estamos aqui.”

Pouco depois ela recuperou a consciência.

Durante a entrevista ao Mais Berlim, Jhow revelou que também passou por uma situação semelhante anos atrás.

Ele havia tomado apenas parte da segunda cerveja da noite quando começou a sentir uma forte náusea e intensa dor de cabeça.

Conseguiu chegar em casa.

Mas sofreu apagões.

“Eu lembro de tentar abrir a porta.”

“Depois lembro de acordar no chão da cozinha.”

Para ele, só não aconteceu algo pior porque conseguiu voltar para casa.

“Se fosse uma amiga sozinha, poderia ter sido muito pior.”

Cléber Amaral também presenciou a queda.

Ele viu quando Gissauro caminhou em direção ao bar e então caiu.

“Ela simplesmente apagou.”

“Havia muito sangue.”

Cléber ajudou nos primeiros socorros, controlou o sangramento, acionou a equipe de segurança e permaneceu ao lado da vítima.

“O correto teria sido chamar a ambulância.”

A equipe do Maaya informou à vítima que iria chamar a ambulância, mas Gissauro conta de recusou o atendimento de emergência.


Seis horas de espera e o exame que não aconteceu

Imagem: Mais Berlim

Assim como muitos imigrantes, Gissauro acreditava que uma ambulância poderia resultar em custos elevados.

Por isso decidiu voltar para casa.

Dormiu algumas horas.

E apenas depois procurou atendimento médico.

Hoje acredita que essa decisão pode ter prejudicado a coleta de provas.

Ao chegar ao hospital, informou que suspeitava que sua bebida pudesse ter sido adulterada.

Mesmo assim, segundo seu relato, aguardou aproximadamente seis horas para ser atendida.

“Foram umas seis horas esperando.”

Quando finalmente foi chamada, a atenção médica concentrou-se nos ferimentos provocados pela queda.

Uma tomografia descartou lesões graves na cabeça.

Mas confirmou a fratura no nariz.

O dente quebrado também exigiu atendimento urgente.

“O nervo ficou exposto.”

Segundo Gissauro, nenhum exame toxicológico foi solicitado.

Ela afirma que no relatório médico apareceu a palavra “intoxicação”, embora não tenha sido realizado exame de sangue.

Dias depois procurou a Polícia de Berlim.

Ela foi informada por uma policial que o exame deveria ter sido solicitado imediatamente.

A policial também teria alertado que muitas substâncias utilizadas nesses casos permanecem pouco tempo no organismo.


Casos crescem quase 1000% em Berlim

Foto de Myko Makh na Unsplash

Os dados obtidos com exclusividade pelo Mais Berlim junto à Polícia de Berlim mostram que os registros de suspeitas envolvendo K.O.-Tropfen aumentaram drasticamente na última década.

Em 2016 foram registrados 52 casos.

Em 2025 o número chegou a 569.

Isso representa um aumento de aproximadamente 994%, ou quase onze vezes mais registros em menos de dez anos.

Somente entre 1º de janeiro e 20 de maio de 2026 já haviam sido contabilizados outros 214 casos.

AnoCasos
201652
201761
201850
2019119
2020182
2021155
2022190
2023358
2024415
2025569
2026*214

*Dados até 20 de maio de 2026.


Friedrichshain-Kreuzberg lidera os registros

Segundo a Polícia de Berlim, os distritos com maior número de ocorrências registradas em 2025 foram:

  • Friedrichshain-Kreuzberg: 165 casos;
  • Mitte: 130 casos;
  • Neukölln: 59 casos.

Entre janeiro e maio de 2026, Friedrichshain-Kreuzberg permaneceu na liderança, com 76 registros.

A Polícia de Berlim ressalta que esses números não permitem concluir que determinados estabelecimentos sejam mais perigosos que outros e não atribui responsabilidade a locais específicos.


O que diz o MAAYA

O Mais Berlim procurou o Maaya para comentar o caso.

Em pronunciamento público divulgado nas redes sociais, João Victor Dantas Beyer, gerente de eventos, afirmou que o local tem equipes treinadas para lidar com situações de emergência e insegurança.

Ele explica que o treinamento envolve segurança, bar, limpeza, logística, awareness e demais funcionários da casa.

João afirmou que qualquer frequentador que se sinta inseguro deve procurar imediatamente um integrante da equipe.

“Se você vê uma ameaça ou sente que algo está errado, procure um funcionário”, reforça.

O responsável pelo espaço também destacou um ponto que conversa diretamente com a experiência vivida por Gissauro.

A ambulância.

Segundo ele, muitas vítimas recusam atendimento por acreditarem que precisarão arcar com os custos.

E pede, “se você é vítima, aceite ajuda.”

João afirmou que o seguro do local cobre situações dessa natureza e que o atendimento imediato é fundamental para proteger a vítima e preservar provas.

“Você não estará prejudicando a casa.”

“Você estará ajudando a identificar quem cometeu o crime.”

Além disso, destacou que o encaminhamento imediato ao hospital aumenta as chances de coleta de evidências e de abertura rápida de investigação policial.

Para ele, a prioridade deve ser sempre a segurança da vítima.


Outros relatos, apagões, roubos e situações de risco

Foto de Axville na Unsplash

Durante a apuração desta reportagem, o Mais Berlim ouviu brasileiros que viveram experiências semelhantes em diferentes contextos: festas brasileiras, bares, eventos de rua e encontros entre amigos.

Alguns relatos terminaram em roubos.

Outros envolvem situações que as vítimas descrevem como tentativas de aproveitamento da incapacidade de reação provocada pelas substâncias.

Em comum, de acordo com as informações da Polícia e de especialistas, os depoimentos apresentam elementos semelhantes aos associados aos chamados K.O.-Tropfen: perda repentina de consciência, apagões de memória, desorientação, dificuldade de locomoção, incapacidade de reagir e dificuldade posterior para reunir provas.


Mais um apagão após festa brasileira

Um dos casos mais recentes ocorreu após uma festa brasileira realizada no YAAM (Young African Art Market), um projeto sociocultural independente de Berlim, que reúne música, arte urbana, cultura africana e caribenha, esportes e iniciativas de integração social. 

Foi na noite de 8 para 9 de maio.

O Mais Berlim teve acesso ao caso e ouviu diretamente a vítima, um homem que pediu para não ser identificado.

Segundo o relato, a noite começou de forma completamente normal.

A vítima afirma que chegou bem ao evento e que havia consumido apenas uma cerveja comprada em um Späti Kaufe (uma loja de bebidas que permanece aberta até mais tarde) durante o trajeto.

Nada além disso.

A última lembrança clara da noite foi por volta das 2h30 da madrugada.

Depois disso, a memória desaparece completamente.

Não existem flashes.

Não existem recordações fragmentadas.

Não existe qualquer lembrança do que aconteceu durante as horas seguintes.

A próxima memória foi dentro de um trem da rede S-Bahn.

Eram quase seis horas da manhã.

Não sabia como havia chegado ali.

Não sabia por onde havia passado.

Nem conseguia reconstruir o trajeto realizado durante aquele período.

Ao recuperar a consciência percebeu que alguns pertences haviam desaparecido.

O celular não estava mais com ele.

Cerca de 100 euros em dinheiro também desapareceram.

Os cartões bancários, porém, permaneceram na carteira.

No dia seguinte registrou uma ocorrência online junto à Polícia de Berlim.

Poucas horas depois recebeu uma ligação dos investigadores.

No domingo, policiais compareceram à sua casa para recolher uma amostra de urina.

O material foi encaminhado para análise toxicológica.

Até o momento da entrevista ao Mais Berlim, a vítima ainda aguardava os resultados.

Além do possível uso de substâncias, o caso também envolve suspeita de roubo.

O Mais Berlim também procurou o YAAM para comentar o caso relatado nesta reportagem.

Até o fechamento desta edição, não havia recebido resposta.

A Polícia de Berlim também foi questionada sobre o episódio e informou que responderá posteriormente dentro dos trâmites normais da investigação.


“Você vai comigo para o quarto”

Acervo particular: Bruno Torati

O enfermeiro brasileiro Bruno Torati, morador de Berlim há mais de 14 anos, também relatou uma experiência que nunca esqueceu.

Foi durante o verão em um bar bastante conhecido da cidade.

Naquela noite aguardava a chegada de um amigo.

Os demais companheiros já haviam ido embora.

Foi então que um homem mais velho se aproximou.

Segundo Bruno, o desconhecido afirmou estar hospedado em um hotel localizado acima do estabelecimento.

Pouco depois fez um convite direto.

“Você não quer subir comigo?”

Bruno recusou.

Explicou que estava esperando um amigo.

O homem insistiu de outra forma.

Ofereceu uma cerveja.

Bruno aceitou.

Acervo Particular: Bruno Torati

Naquele momento não viu motivo para desconfiar.

Mas seu amigo já estava chegando ao local.

Ao passar de carro em frente ao bar, percebeu algo estranho.

Segundo Bruno, o amigo afirma ter visto o momento em que o homem teria colocado alguma substância no copo.

Ele correu até a mesa.

Mas nesse instante Bruno já havia tomado dois goles da bebida.

O efeito teria sido quase imediato.

“Eu comecei a passar mal muito rápido.”

Bruno conta que costuma consumir bebidas alcoólicas e que aquela era apenas sua terceira cerveja da noite.

Mesmo assim começou a perder completamente a coordenação motora.

Foi então que ouviu uma frase que nunca esqueceu.

“Você vai comigo para o quarto.”

Ele explicou que naquele momento já estava confuso.

Desorientado.

Sem conseguir reagir adequadamente.

O amigo precisou praticamente carregá-lo até o carro.

Durante o trajeto de volta para casa, vomitou diversas vezes.

Também sofreu apagões de memória.

“Eu não lembro de muita coisa.”

Segundo ele, só não aconteceu algo mais grave porque o amigo chegou antes do horário combinado.

“Se ele não tivesse chegado naquele momento, eu não sei o que teria acontecido.”

Hoje Bruno não aceita bebidas abertas oferecidas por desconhecidos.

“Só se abrir na minha frente.”

Em 14 anos vivendo em Berlim, afirma que foi a única situação desse tipo que enfrentou pessoalmente.

Mas diz conhecer outras pessoas que relatam experiências semelhantes.


Uma corrente de prata, um banheiro e o medo de não conseguir reagir.

Foto de Aleksandar Andreev na Unsplash

Outro relato recebido pelo Mais Berlim ocorreu em um estabelecimento da região de Neukölln.

A vítima pediu anonimato.

E conta que tudo começou após conhecer um homem durante a noite.

Mais tarde os dois seguiram para outro local.

Enquanto um conhecido jogava bilhar, ela permaneceu sentada próxima ao balcão.

Foi então que um segundo homem iniciou conversa.

Segundo o relato, ele perguntou várias vezes se ela estava sozinha.

“Ele perguntou duas ou três vezes.”

Em determinado momento colocou uma corrente de prata em sua mão.

A vítima acredita que foi exatamente naquele instante que sua bebida foi adulterada.

“Eu fiquei olhando para a corrente sem entender por que ele estava me dando aquilo.”

Depois começaram os sintomas.

Outros homens apareceram.

Um deles a conduziu até um banheiro.

Ali a situação ficou ainda mais estranha.

A vítima lembra que o homem mostrou drogas e dinheiro.

E afirma ter percebido que estava em perigo.

“Eu comecei a entrar em estado de alerta.”

Mesmo confusa, a vítima conseguiu sair do banheiro.

Do lado de fora encontrou novamente o conhecido que a acompanhava naquela noite.

Mas percebeu que não encontrava suas chaves.

Enquanto ele retornava ao interior do estabelecimento para procurá-las, dois homens se aproximaram.

Eles começaram a tocar seu corpo e tentar retirar suas roupas.

Ela afirma que naquele momento já tinha dificuldade de reagir e de compreender totalmente o que estava acontecendo.

O conhecido retornou e interrompeu a situação.

Pouco depois ela perdeu completamente as forças.

Uma ambulância foi chamada.

A vítima registrou ocorrência junto à polícia.

Meses depois foi informada de que não haviam sido encontradas imagens que permitissem avançar na investigação.

A vítima acredita que se tratava de uma ação coordenada envolvendo mais de uma pessoa.

“Para mim estava claro que era uma gangue.”

Ela afirma que o homem que acredita ter colocado algo em sua bebida não foi o mesmo que posteriormente a abordou do lado de fora do estabelecimento.


“Ela simplesmente decidiu me drogar”

Outro relato recebido pelo Mais Berlim aconteceu durante uma festa de aniversário em Berlim.

A vítima também pediu anonimato.

Naquela noite estava com forte dor de cabeça e pretendia ir embora.

Amigos insistiram para que permanecesse mais algum tempo.

Uma das convidadas ofereceu um suposto remédio.

Depois disso, as lembranças tornam-se fragmentadas.

A pessoa recorda apenas flashes.

Conversas.

Momentos de dança.

Trechos desconexos da noite.

No dia seguinte veio a descoberta.

Segundo o relato, a substância oferecida como remédio era, na verdade, ópio.

“Ela simplesmente decidiu que podia me drogar.”

A vítima afirma que nunca recebeu explicações convincentes sobre o episódio.

O caso nunca foi investigado formalmente.

Mas permanece como uma das experiências mais perturbadoras relatadas durante esta apuração.


“Até hoje tenho pânico do Carnaval de Colônia”

A brasileira Joanna Silva conta que sua vida mudou durante o Carnaval de Colônia.

O episódio ocorreu antes da pandemia.

Naquele dia ela viajou até a cidade acompanhada de uma amiga.

Como muitos foliões, carregava uma bebida preparada previamente.

Joanna diz que não havia consumido grande quantidade de álcool.

A última lembrança que possui é de quando entrou em um banheiro.

Depois disso, nada.

Horas mais tarde despertou em um hospital.

Estava deitada no chão de um corredor.

Molhada.

Suja.

Sem entender onde estava.

Sem saber como havia chegado ali.

Sem conseguir reconstruir o que tinha acontecido.

Sua primeira reação foi ir embora.

Saiu do hospital.

Foi até a estação de trem.

Telefonou para um amigo.

E voltou para casa chorando.

“Eu não sabia o que tinha acontecido comigo.”

Meses depois recebeu uma cobrança relacionada ao atendimento de emergência prestado naquele dia.

Posteriormente procurou um médico.

Segundo Joanna, ele afirmou que existia grande possibilidade de sua bebida ter sido adulterada.

Mas diante da quantidade de pessoas presentes no Carnaval de Colônia seria extremamente difícil descobrir o que aconteceu.

Até hoje ela evita participar da festa.

“Tenho pânico do Carnaval de Colônia.”


O relato mais antigo: Essen

Entre os relatos recebidos pelo Mais Berlim existe um que permanece doloroso mais de uma década depois.

Uma mãe contou à reportagem a história da filha.

O episódio foi em Essen, há cerca de onze anos.

Na época, a jovem tinha apenas 15 anos.

Alguém colocou uma substância em sua bebida durante uma festa.

Ela passou mal.

Foi levada para um quarto para descansar.

Mas a situação não terminou ali.

Segundo a mãe, a adolescente permaneceu consciente durante todo o episódio.

Ela sabia o que estava acontecendo ao seu redor.

Mas não conseguia se mover.

Não conseguia reagir.

Não conseguia pedir ajuda.

A mãe afirma que a situação “chegou ao extremo”, mas prefere não divulgar mais detalhes para preservar a privacidade da filha.

O trauma foi tão profundo que a jovem levou anos para falar sobre o assunto.

Nem a própria mãe sabia o que havia acontecido.

A revelação só veio cerca de seis anos depois do episódio.

Mãe e filha assistiam juntas a um programa de televisão alemão sobre K.O.-Tropfen quando a jovem começou a chorar.

Foi naquele momento que decidiu contar sua história.

Segundo a mãe, a filha carregou sozinha o peso daquela experiência durante anos.

Sem registrar ocorrência.

Sem procurar ajuda especializada.

Sem compartilhar o que havia vivido nem mesmo com familiares próximos.

A mãe contou ao Mais Berlim que até hoje a jovem prefere não falar publicamente sobre o assunto.

“A estratégia dela é esquecer e silenciar”, relatou.

A mãe decidiu compartilhar a história de forma anônima porque acredita que outras pessoas precisam ser alertadas.

“Quando a gente é jovem, acha que uma coisa dessas nunca vai acontecer numa festa de amigos.”

“Mas pode acontecer.”

Ela também faz um alerta que considera importante.

“Muitas vezes as pessoas pensam que o perigo vem de desconhecidos. Mas também é preciso ter cuidado com o círculo de conhecidos e com pessoas que frequentam os mesmos ambientes.”

Segundo a mãe, o homem envolvido no episódio era um convidado da festa que sua filha não conhecia.

Mais de uma década depois, ela afirma que ainda sofre ao lembrar que não pôde proteger a filha do que aconteceu naquela noite.

“Essas pessoas destroem almas.”


Um padrão que se repete

Embora os casos tenham ocorrido em cidades diferentes, em contextos específicos e períodos distintos, vários elementos se repetem nos relatos ouvidos pelo Mais Berlim.

As vítimas descrevem:

  • sensação repentina de desorientação;
  • perda de memória;
  • dificuldade para permanecer em pé;
  • apagões;
  • náuseas;
  • vômitos;
  • incapacidade de reagir;
  • desaparecimento de pertences;
  • dificuldade para reunir provas posteriormente.

Em muitos casos, as pessoas só perceberam a gravidade da situação horas depois, quando a oportunidade de realizar exames toxicológicos já havia passado.

Os relatos também mostram que o fenômeno não está restrito a um único tipo de ambiente.

As ocorrências mencionadas nesta reportagem ocorreram em festas brasileiras, bares, eventos de rua, ambientes privados e grandes celebrações públicas.

O que são os K.O.-Tropfen

Imagem: Charles Chen

Embora a expressão “Boa Noite Cinderela” seja amplamente utilizada no Brasil, na Alemanha o termo mais comum é K.O.-Tropfen, algo que poderia ser traduzido livremente como “gotas que apagam”.

A farmacêutica Mikaella Miranda Siqueira, pós-graduada em Farmácia Clínica e Prescrição Médica pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), explica que não se trata de uma substância única.

Na verdade, o termo engloba diferentes drogas capazes de provocar sedação, perda de memória, confusão mental e incapacidade de reação.

“Muitas dessas substâncias são incolores e praticamente não possuem sabor, o que facilita sua administração sem que a vítima perceba”, explica.

Segundo a especialista, os principais grupos utilizados nesses casos são:

  • Benzodiazepínicos;
  • Ácido gama-hidroxibutírico (GHB);
  • Ketamina.

Os benzodiazepínicos são medicamentos prescritos para ansiedade severa e distúrbios do sono.

Já o GHB foi originalmente estudado como anestésico e pode provocar depressão profunda do nível de consciência.

A ketamina, por sua vez, é um anestésico dissociativo utilizado em procedimentos médicos.

“Embora diferentes substâncias possam ser usadas indevidamente, elas podem ser agrupadas em três pilares principais, de acordo com o mecanismo de ação sobre o sistema nervoso central”, alerta.


Por que elas são tão perigosas

Segundo Mikaella Siqueira, um dos principais riscos é a combinação dessas substâncias com álcool.

“O efeito pode ser potencializado de forma exponencial.”

Além da sedação profunda, os efeitos podem incluir:

  • perda de memória;
  • relaxamento muscular;
  • dificuldade de reação;
  • alterações de consciência;
  • confusão mental;
  • incapacidade de locomoção;
  • depressão respiratória.

Em casos extremos, podem levar à morte.

Os benzodiazepínicos costumam provocar bloqueio na formação de novas memórias.

O GHB produz rápida sedação e perda de consciência.

Já a ketamina pode criar um estado dissociativo no qual a pessoa permanece parcialmente consciente, mas incapaz de reagir adequadamente ao ambiente.

“A vítima pode aparentar estar acordada, mas encontra-se desconectada da realidade e sem condições de tomar decisões”, explica.


O tempo é o maior inimigo das investigações

Imagem: Adrian Susec

Um dos maiores desafios para as autoridades é a rápida eliminação dessas substâncias pelo organismo.

Segundo Mikaella Siqueira:

  • Benzodiazepínicos podem permanecer ativos por até 12 horas;
  • GHB costuma desaparecer em cerca de 3 horas;
  • Ketamina pode deixar de ser detectável após aproximadamente 2 horas.

A resposta enviada pela Polícia de Berlim ao Mais Berlim confirma essa dificuldade.

Segundo a corporação, o GHB pode ser detectado no sangue por apenas cinco a seis horas.

Na urina, o prazo costuma chegar a aproximadamente onze horas.

Após esse período, as chances de comprovação diminuem drasticamente.

“A oportunidade para coleta de provas é extremamente curta”, destacou a polícia.

Esse detalhe ajuda a explicar por que muitos casos acabam sem confirmação laboratorial.

As vítimas frequentemente despertam horas depois dos acontecimentos, ainda desorientadas e sem compreender exatamente o que ocorreu.


Polícia de Berlim: número de casos quase 11 vezes maior que em 2016

Foto de Ivan Lopatin na Unsplash

Os dados enviados pela Polícia ao Mais Berlim mostram uma evolução que preocupa as autoridades.

Os registros envolvendo os termos “KO-Wirkstoff”, Ketamina, GHB e Rohypnol passaram de 52 casos em 2016 para 569 casos em 2025.

Trata-se de um crescimento de aproximadamente 994%.

Segundo a polícia, a maior parte dos registros não está relacionada exclusivamente a crimes sexuais.

Os casos incluem também:

  • roubos;
  • lesões corporais;
  • furtos;
  • situações em que a vítima perde completamente a capacidade de reação.

A corporação informou que não tem dados sobre a subnotificação, mas reconhece que ela provavelmente é elevada.


O que aparece nos exames toxicológicos

Foto de CDC na Unsplash

A Polícia de Berlim também forneceu ao Mais Berlim uma lista das substâncias mais frequentemente identificadas em análises laboratoriais realizadas pelo setor de criminalística da corporação ao longo de 2025.

Os resultados incluem substâncias que podem ser utilizadas como K.O.-Mittel.

As mais detectadas foram:

SubstânciaCasos
Álcool (etanol)62
Cocaína32
Anfetamina19
THC17
MDMA11
Ketamina11
Difenidramina10
Metanfetamina8
GHB7
Pregabalina7
Diazepam6

A polícia ressalta, porém, que esses resultados não permitem concluir automaticamente que houve crime.

Segundo a corporação, não é possível determinar apenas pelo exame se a substância foi consumida voluntariamente ou administrada por terceiros.


ZIF defende penas mais duras

O crescimento dos casos levou o tema ao debate político nacional.

Em dezembro de 2025, o Centro de Informação Central dos Abrigos Autônomos para Mulheres (ZIF) apresentou um parecer ao governo alemão defendendo o endurecimento das penas relacionadas ao uso de K.O.-Tropfen.

O Centro apoia mudanças legislativas que equiparem o uso dessas substâncias ao emprego de meios particularmente perigosos em crimes sexuais e roubos.

Em maio deste ano, o governo federal avançou com uma proposta para aumentar a pena mínima aplicável nesses casos de dois para cinco anos de prisão.

No documento enviado ao Ministério Federal da Justiça, o ZIF afirma:

“A classificação dos K.O.-Tropfen como meio perigoso pode ter um efeito simbólico importante para a sociedade.”

Mas ressalta que a punição, sozinha, não resolverá o problema.

“O fator decisivo para uma sociedade livre de violência é a prevenção consistente.”


“Berlim diz não”

O ZIF também participa da campanha “Berlin sagt Nein zu K.O.-Tropfen” (“Berlim diz não às drogas de violação”).

A iniciativa reúne instituições de apoio às vítimas, profissionais da saúde, organizações de prevenção e grupos da sociedade civil.

A campanha destaca que homens, mulheres e pessoas LGBTQIA+ podem ser vítimas.

Além disso, enfatiza a necessidade de:

  • campanhas educativas permanentes;
  • atendimento especializado;
  • acolhimento das vítimas;
  • coleta rápida de provas;
  • combate à culpabilização das pessoas afetadas.

A subnotificação preocupa

Segundo o ZIF, um dos maiores desafios continua sendo a quantidade de casos que nunca chegam ao conhecimento das autoridades.

“A subnotificação desses crimes é extremamente alta.”

A organização afirma que muitas vítimas:

  • sentem vergonha;
  • não conseguem reconstruir os acontecimentos;
  • têm medo de não serem acreditadas;
  • evitam reviver o trauma.

Por isso,  o ZIF defende treinamento especializado para profissionais da saúde, policiais e integrantes do sistema de Justiça.

O objetivo é evitar situações de revitimização.

“Perguntas que culpabilizam as vítimas devem pertencer ao passado.”


O que dizem os organizadores de eventos

O Mais Berlim também procurou organizadores de festas brasileiras em Berlim para entender como o tema está sendo tratado dentro da comunidade.


Bossa FM

A organização da Bossa FM informou que a segurança do público é prioridade.

Segundo a produtora, já houve relatos de situações suspeitas em eventos anteriores, motivo pelo qual protocolos preventivos vêm sendo reforçados.

A Bossa FM afirmou que realiza alinhamentos constantes com equipes de segurança e busca agir rapidamente diante de qualquer ocorrência.

A organização também declarou que procura impedir a entrada de pessoas envolvidas em incidentes anteriores sempre que isso é possível.


Bruta Flor

O produtor Aurélio Santos, da Bruta Flor, afirmou que nunca registrou casos graves em seus eventos ao longo dos últimos oito anos.

Segundo ele, o foco agora é ampliar as medidas preventivas e incentivar denúncias imediatas.


Forró di Kenga reforça awareness

A produtora Bruna Veiga, do Forró di Kenga, informou ao Mais Berlim que nunca registrou casos desse tipo em seus eventos.

Segundo ela, a festa conta com uma equipe de Awareness e adota medidas preventivas em todas as edições.

A anfitriã da festa, Gabi, costuma apresentar ao público as regras de convivência, acolhimento e segurança no início dos eventos.

Além disso, a produção orienta a equipe do bar a observar pessoas que aparentem estar excessivamente alteradas e continuem solicitando bebidas.

Segundo Bruna, a prevenção e a atenção aos sinais de vulnerabilidade fazem parte da política permanente da festa.


Maloca Berlin

O produtor Ricci Ferreira, da Maloca Berlin, afirmou que acompanha o tema com preocupação.

Segundo ele, existe atualmente uma suspeita envolvendo um frequentador, que relatou perda de memória e desaparecimento de pertences.

Até o momento da entrevista, os resultados laboratoriais ainda não haviam sido divulgados.

Ricci afirma que pretende ampliar ações de awareness e comunicação direta com o público.

Entre as medidas estudadas estão:

  • avisos constantes durante festas;
  • reforço da equipe de awareness;
  • campanhas educativas;
  • criação de uma rede de troca de informações entre organizadores.

“A gente precisa continuar fazendo das nossas festas espaços seguros.”

Ricci também defende a criação de mecanismos de cooperação entre produtores para impedir a circulação de pessoas identificadas em episódios de violência ou comportamento predatório.


O que fazer se você suspeitar de K.O.-Tropfen

A Polícia de Berlim orienta que qualquer suspeita seja tratada imediatamente.

As recomendações incluem:

Durante a festa

  • Nunca deixar bebidas desacompanhadas;
  • Aceitar apenas bebidas fechadas ou abertas diante de você;
  • Evitar consumir bebidas com sabor ou cheiro incomum;
  • Observar mudanças repentinas em amigos.

Se algo parecer errado

  • Procurar imediatamente funcionários, seguranças ou amigos;
  • Não sair sozinho com desconhecidos;
  • Acionar socorro médico em casos de desorientação grave ou perda de consciência.

Se houver suspeita de adulteração

  • Procurar imediatamente um hospital;
  • Solicitar coleta de sangue e urina;
  • Guardar copos, garrafas e outros possíveis vestígios;
  • Evitar tomar banho caso exista possibilidade de crime sexual;
  • Registrar ocorrência policial o mais rápido possível.

A Polícia de Berlim destaca que a rapidez é decisiva.

Em alguns casos, substâncias como o GHB podem desaparecer do sangue em apenas cinco ou seis horas.


Uma discussão que está longe de terminar

Os dados oficiais mostram que os registros de suspeitas envolvendo K.O.-Tropfen cresceram fortemente em Berlim na última década.

Os relatos reunidos pelo Mais Berlim indicam que o problema não está restrito a um único tipo de evento, bairro ou público.

As histórias ouvidas pela reportagem aconteceram em festas brasileiras, bares, eventos de rua, ambientes privados e grandes celebrações públicas.

Nem todos os casos foram confirmados por exames laboratoriais.

Mas todos deixaram marcas.

Em alguns casos, físicas.

Em outros, emocionais.

A Polícia de Berlim afirma que o principal desafio continua sendo a rápida eliminação dessas substâncias do organismo e a dificuldade de reunir provas.

Enquanto autoridades discutem mudanças na legislação e especialistas defendem mais prevenção, vítimas seguem enfrentando não apenas os efeitos físicos dos episódios, mas também as consequências emocionais de experiências que muitas vezes permanecem sem respostas.

O Mais Berlim também aguarda respostas adicionais da Polícia de Berlim sobre os casos relatados nesta reportagem, incluindo o episódio envolvendo Gissauro Araújo.

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A história de uma imigrante brasileira que morreu em Berlim — e das vidas que ela transformou https://maisberlim.com/a-historia-de-uma-imigrante-brasileira-que-morreu-em-berlim-e-das-vidas-que-ela-transformou/ Tue, 17 Mar 2026 18:02:15 +0000 https://maisberlim.com/?p=1245 A história de uma imigrante que morreu em Berlim e carregava sonhos e ajudava a comunidade.

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Graziele ao lado da mãe, Margarida

Por trás das vidas imigrantes estão sempre histórias que surpreendem, e que fazem cada um se tornar essencial para a comunidade, no desafio de morar fora do seu país.

(Texto original Mais Berlim)

Mesmo sem se conhecerem, amigos e familiares descrevem Graziele da mesma forma e revelam o impacto de uma brasileira que construiu laços, liderou comunidades e deixou marcas profundas na Europa

A morte da brasileira Graziele Costa Moreira, encontrada sem vida em seu apartamento em Berlim na quinta-feira feira, 19 de fevereiro, mobilizou familiares, amigos e a comunidade brasileira na Alemanha e em outros países da Europa.

À medida que novos relatos surgem, uma outra história começa a se desenhar — não apenas sobre o caso, mas sobre quem ela foi em vida.

O Mais Berlim reuniu depoimentos de pessoas que conviveram com Graziele em diferentes momentos — em Berlim, na Irlanda e no Brasil.

Muitos desses relatos vieram de pessoas que nunca se conheceram entre si, mas que, ao falar dela, repetem praticamente as mesmas palavras:

uma mulher inteligente, generosa, independente, agregadora e que fazia diferença real na vida das pessoas ao seu redor.

Leia ao final a matéria completa e atualizada sobre o caso, com informações sobre liberação do corpo, custos e orientações para brasileiros no exterior.

O vôlei em Berlim: onde ela criou uma comunidade

Vôlei: uma paixão que formava comunidade

Se há um lugar onde o impacto de Graziele se torna visível de forma concreta, é no grupo de vôlei que ela ajudou a construir em Berlim.

Não era apenas um esporte — era um ponto de encontro.

E, segundo os amigos, isso só existia por causa dela.

Isaías, que convivia com ela semanalmente, relembra os últimos dias:

“Eu estive com ela na quinta-feira, no nosso último jogo. A gente conversou normalmente, como sempre.”

O encontro aconteceu poucos dias antes de sua morte, indicando que ela seguia ativa e inserida na rotina social.

“Até agora a gente não acredita. Ela vai fazer muita falta. Na verdade, já está fazendo.”

Sobre quem ela era:

“Ela era uma pessoa maravilhosa, sorridente, sonhadora… uma pessoa de alto astral.”

E sobre o papel que exercia no grupo:

“Esse vôlei acontece por causa dela. Foi ela que convidou várias pessoas, que organizou tudo.”

A convivência ia além da quadra:

“Depois do jogo, a gente voltava junto até o ponto do M10…

Hoje eu fico lá lembrando dela.”

Luiz Nunes reforça essa liderança natural:

“Ela ajudava todo mundo, dava dicas, organizava os times…

Era quase uma líder.”

Ele explica como o grupo se formou e se manteve:

“Ela chamava gente, primeiro italianos, depois brasileiros…

Sempre tentando manter o grupo vivo.”

E relembra o último encontro:

“A gente se despediu com um ‘até semana que vem’.

A gente nunca imagina que isso pode acontecer.”

Ele também lembra que, naquele período, Graziele já demonstrava vontade de voltar ao Brasil para rever a família após anos fora.

O vôlei era uma de suas motivações

Carolina Clemens destaca o impacto imediato:

“No meu primeiro dia, ela foi muito receptiva, muito gentil.

Me fez sentir parte do grupo.”

E resume:

“Ela tinha uma energia de muita alegria, muita luz.”

Vinícius Pignataro, que também conheceu Graziele pelo grupo, relembra:

“Ela era muito ativa, sempre chamando a galera pra jogar.

Dava pra ver a alegria dela de estar em Berlim.”

Inteligência, personalidade e uma fase de transição

Além do esporte, Graziele também vivia um momento importante de mudança.

Ela frequentava um curso de alemão nível B2, onde se destacou rapidamente.

Lívia Rangel, colega de turma, descreve:

“Ela chamava atenção por ser muito divertida, com tiradas rápidas e inteligentes, sempre com um olhar crítico sobre a vida e sobre as questões sociais.”

E destaca o lado colaborativo:

“Ela sempre me ajudava, compartilhando materiais de estudo pra eu treinar em casa.”

Mas também traz um retrato mais profundo do momento que ela vivia:

“Dava pra perceber que ela carregava algumas angústias e incertezas da vida em Berlim.”

Graziele estava em uma fase de transição:

“Ela estava resolvendo questões e pensando nos próximos passos, em se mudar, recomeçar.”

O curso fazia parte desse processo:

“Era um fechamento de ciclo.”

E um dado concreto:

“Ela era uma das alunas que melhor falava alemão na turma.”

A ausência repentina inicialmente foi interpretada como algo comum:

“No começo, a gente achou que ela só tinha parado de ir às aulas.”

Depois veio a confirmação da morte — e a turma prestou uma homenagem em sala.

Uma vida em movimento: entre países, escolhas e experiências

Graziele construiu uma trajetória internacional ao longo de mais de uma década.

Saiu de Sete Lagoas (MG), viveu em Dublin, na Irlanda, e depois em Berlim. Trabalhou, mudou de área, construiu amizades e visitou diversos países.

Um amigo próximo, que conviveu com ela na Irlanda e hoje vive em Portugal, descreve:

“De Sete Lagoas para Dublin e depois Berlim… sua vida foi feita de coragem, descobertas e sonhos que não cabiam em um só lugar.”

Ele também destaca um traço constante:

“Ajudar os outros não era um gesto ocasional — era parte de quem ela era.”

E conecta isso à forma como ela vivia:

“Entre viagens, histórias e partidas de vôlei, ela construía conexões reais.”

Família: saudade e uma descoberta sobre quem ela era

Para a família, além da dor, há também um processo de descoberta.

Rafael Padrão, cunhado de Graziele, explica:

“Ela era uma pessoa reservada, mas a gente não sabia que ela tinha tantos amigos.”

E completa:

“A gente está descobrindo o quanto ela era querida.”

Ele relembra a trajetória dela:

“Ela sempre teve o sonho de conhecer o mundo, buscar oportunidades.”

E descreve a realidade da vida fora do país:

“Teve momentos difíceis, perrengues, mas também crescimento, evolução.”

Rafael também destaca um lado pessoal da convivência com Graziele:

“Eu e ela compartilhávamos alguns gostos parecidos, como cultura geek e ufologia.”

Graziele visitou diversos países, gostava de fotografar paisagens e arquitetura e construiu uma vida fora do Brasil.

“Ela viveu do jeito que queria.”

A mãe, Margarida Ribeiro, traz o lado mais íntimo:

“Ela era dedicada, esforçada, honesta e atenciosa.

Todos os dias queria saber como eu estava.”

E resume o sentimento:

“Agora eu só tenho que agradecer pelas boas lembranças e pelas amizades que ela conquistou.”

Quando diferentes histórias contam a mesma pessoa

O que mais chama atenção ao reunir todos esses relatos é um padrão claro:

Mesmo pessoas que nunca se encontraram descrevem Graziele da mesma forma.

ativa

acolhedora

inteligente

agregadora

presente

Ela liderava sem formalidade.

Ajudava sem precisar ser solicitada.

Criava espaços onde as pessoas se sentiam parte.

E talvez isso explique por que, mesmo sendo descrita como reservada,

deixou marcas profundas em tantas vidas.

Campanha para custos com a morte

Para ajudar com os custos de cremação do corpo, passagens, advogados e taxas burocráticas, a família criou uma conta bancária na Europa, no nome da mãe, Margarida Ribeiro:

E também há uma chave PIX para quem quer ajudar e está no Brasil:

Leia também

Atualização do caso Graziele: o que se sabe sobre a morte, liberação do corpo, decisão da família e próximos passos.

Saiba também o que acontece quando um brasileiro morre na Alemanha: burocracia, custos e orientações

Clique aqui

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Quase caí em um golpe na Alemanha: carta falsa cobrava 1.000 euros após abertura de empresa https://maisberlim.com/golpe-carta-falsa-alemanha-abertura-empresa/ https://maisberlim.com/golpe-carta-falsa-alemanha-abertura-empresa/#respond Mon, 02 Feb 2026 23:22:30 +0000 https://maisberlim.com/?p=854 Golpe da carta de cobrança falsa é mais arriscado para estrangeiros que não estão familiarizados com os padrões das correspondências.

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Texto original Mais Berlim, por Augusto Medeiros

Abrir uma empresa na Alemanha envolve registros, taxas, prazos e comunicações com diferentes órgãos públicos. Foi justamente nesse momento de vulnerabilidade — logo após a abertura da minha firma — Mais Berlim, que eu quase me tornei vítima de um golpe conhecido pelas autoridades alemãs, mas ainda extremamente eficaz.

Pouco tempo depois do registro da empresa, recebi pelo correio uma carta com aparência oficial cobrando 999,52 euros. O documento dava a entender que se tratava de uma taxa ligada ao tribunal e ao processo de registro empresarial.

Em nenhum momento eu desconfiei. Achei que fosse uma cobrança normal do processo de abertura da empresa.

A carta estipulava um prazo curto: três dias para pagamento. Durante dias, fiquei preocupado, nervoso, fazendo contas. Não era um valor fácil de pagar, mas eu estava disposto a pagar — por medo de ter problemas legais na Alemanha.


“Isso é claramente um golpe”, diz advogada

Por coincidência — e muita sorte — no mesmo dia eu tinha uma reunião com a advogada Glória Hermsdorf, que me assessora juridicamente na abertura e regularização da empresa. Mostrei a carta de forma espontânea.

A resposta foi imediata:

“Augusto, isso é claramente um golpe.”

Segundo a advogada, os golpistas se aproveitam do fato de que, ao registrar uma empresa, dados passam a ser públicos.

“Quando você registra a empresa, o cartório comunica o Handelsregister. De alguma forma, essas pessoas identificam esse registro e enviam uma carta de cobrança falsa.”

Ela explica que o valor cobrado já era um forte indício de fraude:

“O registro de empresa na Alemanha custa em média cerca de 300 euros. Cobranças próximas de mil euros estão totalmente fora do padrão.”


Os 7 erros que entregam o golpe

1. Tribunal genérico

A carta menciona apenas “Amtsgericht”, sem indicar a cidade.

Comunicações reais sempre trazem o nome completo, como Amtsgericht Berlin.

2. Endereço incompatível

A cobrança parte de uma “central de pagamentos” localizada em outra cidade.

Tribunais não utilizam endereços genéricos para cobrança.

3. IBAN estrangeiro

A conta bancária indicada começa com ES (Espanha), e não com DE (Alemanha).

“Toda conta oficial da Alemanha começa com DE. Se o IBAN não começa com DE, é preciso desconfiar imediatamente.”

4. Valor fora do padrão

O custo real do registro empresarial gira em torno de 300 euros.

A carta cobrava quase 1.000 euros.

5. Prazo irreal para pagamento

O documento exige pagamento em apenas três dias.

“Autoridades públicas na Alemanha dão, no mínimo, 14 dias, muitas vezes até 30.”

6. Nome de juiz inexistente

A carta cita um juiz que não existe, segundo verificação profissional.

7. Juiz atuando em duas cidades

O mesmo nome aparece em cartas enviadas para Berlim e Munique.

“Um juiz não pode atuar em dois tribunais diferentes ao mesmo tempo.”


Outros casos reais acompanhados por advogados

Segundo Glória, esse tipo de golpe é recorrente.

“Uma cliente minha em Munique recebeu uma carta praticamente idêntica. Ela queria pagar, mas me enviou antes para conferir.”

Dias depois, veio a confirmação:

“Ela recebeu a cobrança verdadeira, no valor correto de cerca de 300 euros. A carta falsa cobrava mais de mil.”


O impacto emocional do golpe

Mesmo sem ter feito o pagamento, o impacto psicológico foi grande.

Passei dias sob estresse, acreditando que tinha uma dívida oficial e um prazo curto para resolver.

A sensação de perceber que eu estava prestes a transferir um valor alto para criminosos foi de choque — e também de alívio por ter sido alertado a tempo. Passei o dia sem conseguir acreditar o que havia acontecido e, ao mesmo tempo, meu corpo todo começou a doer. Senti como se eu estivesse perdido, e nem coseguia comemorar por ter escapado do golpe.


O que dizem as autoridades alemãs

Casos como este são reconhecidos oficialmente pelas autoridades.

O Bundeskriminalamt classifica esse tipo de prática como fraude, estelionato e falsificação de documentos, frequentemente associada ao uso de contas bancárias no exterior para dificultar investigações.

A orientação oficial é clara: não pagar cobranças suspeitas e registrar ocorrência.

Em Berlim, o boletim de ocorrência (Anzeige) pode ser feito junto à Polizei Berlin, inclusive por meios digitais, dependendo do caso.

A Verbraucherzentrale também alerta que:

  • nenhuma cobrança oficial surge sem base legal verificável;
  • tribunais não utilizam IBAN estrangeiro;
  • prazos extremamente curtos são indício clássico de fraude.

Outros golpes por carta na Alemanha

Especialistas alertam que golpes semelhantes também ocorrem com falsas contas de luz, internet e telefonia, usando nomes de empresas conhecidas.

O padrão é sempre o mesmo: aparência oficial, urgência e erro técnico escondido.


Alerta final

A carta analisada nesta reportagem reúne todos os elementos clássicos de um golpe já conhecido na Alemanha.

No meu caso, o pagamento só não foi feito porque houve orientação jurídica a tempo. Em muitos outros, vítimas pagam e, na maioria das vezes, não conseguem recuperar o dinheiro.

Na dúvida, não pague.

Verifique. Pergunte. Procure orientação.

Carta no correio não é sinônimo de cobrança legítima.

Leia mais notícias:

Pedido de casamento inusitado mostra a diversidade do amor. Árbitro de futebol pede seu companheiro em casamento diante de 50 mil torcedores no Campeonato Alemão.

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Acidente com brasileiras integra estatísticas da polícia durante os dias mais severos do inverno na Alemanha https://maisberlim.com/acidente-brasileiras-brandemburgo-inverno-alemanha-policia/ Wed, 21 Jan 2026 16:54:03 +0000 https://maisberlim.com/?p=825 Acidente com duas brasileiras entre Fürstenwalde e Hangelsberg ocorreu durante período de gelo e neve em janeiro e integra o contexto de risco nas estradas da Alemanha, segundo dados da polícia.

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Imagens cedidas pela entrevistada

Matéria original – Mais Berlim, por Augusto Medeiros

O acidente envolvendo duas brasileiras ocorrido no início de janeiro, no estado de Brandemburgo, faz parte do contexto dos dias mais críticos do inverno alemão, período marcado por alertas oficiais de risco nas estradas e por diversos acidentes registrados pela polícia em várias regiões do país.

O caso aconteceu no dia 3 de janeiro de 2026, às 9h40 da manhã, na estrada entre Fürstenwalde e Hangelsberg, durante um dia em que havia previsão de neve e formação de gelo na pista.

Depoimento exclusivo

Acervo entrevistada

O Mais Berlim conversou com Elisama Zerpa, uma das duas brasileiras envolvidas no acidente e que dirigia o veículo no momento da colisão. A outra ocupante do carro é Gislaine Coelho.

Elisama contou que estava se deslocando normalmente quando as condições da estrada começaram a mudar rapidamente:

“Eu estava me deslocando aqui da cidade de Fürstenwalde. Estava entre Fürstenwalde e Hangelsberg, e no dia estava previsto nevada. Bem na hora que eu saí foi quando iniciou. Então a pista já estava congelada.”

Segundo ela, em determinado ponto da estrada, o carro começou a perder estabilidade:

“Chegou um determinado ponto ali, o carro começou a puxar pra um lado.”

Acervo entrevistada

“A minha amiga que estava comigo falava: ‘Elisama, o que que você está fazendo? O que que você está fazendo?’

E eu falava: ‘Não estou fazendo nada.’”

Ela relata que tentou recuperar o controle do carro, mas não conseguiu:

“O carro simplesmente puxava pro outro lado. Eu tentava jogar pro outro e, até que, em um momento, eu não tive mais controle.”

“O carro atravessou a pista e bateu na árvore”

Na sequência, o acidente se concretizou:

“O carro atravessou a pista, desceu um barranco — não tão grande, mas um barranquinho — e bateu na árvore.”

Com o impacto, os dispositivos de segurança foram acionados:

“Aí abriu o airbag, tudo.”

O veículo teve perda total:

“O carro deu perda total. Não tinha muito o que fazer.”

Atendimento e hospitalização

Acervo entrevistada

Logo após o acidente, pessoas que passavam pelo local pararam para ajudar:

“Na hora, pararam pessoas ali, auxiliaram, ajudaram bastante a gente.”

Em seguida, chegaram os serviços de emergência:

“Depois veio o bombeiro, veio a ambulância.”

As duas brasileiras foram levadas para atendimento médico em Bad Saarow, cidade próxima ao local do acidente:

“Levaram a gente para o hospital de Bad Saarow.”

Elisama ficou internada por alguns dias:

“Eu fiquei internada por três dias. A minha colega ficou mais tempo.”

Ferimentos e recuperação

Elisama contou que sofreu ferimentos, mas reforçou que o quadro não foi considerado grave:

“Eu tive fratura e um traumatismo craniano de grau leve. Graças a Deus, não foi grave.”

Ela passou uma noite sob observação intensiva e depois seguiu em recuperação:

“Passei uma noite na UTI e depois fui encaminhada para o quarto.”

Situação da outra brasileira

A outra ocupante do veículo, Gislaine Coelho, teve um quadro que exigiu mais cuidados:

“A minha amiga teve uma fratura na região da coluna, bem no meio.”

Por isso, os médicos decidiram manter observação prolongada:

“Os médicos começaram a observar se precisava de cirurgia ou não, porque é uma região que pode prejudicar várias partes do corpo.”

Elisama explicou que havia riscos:

“Pode perder movimento, pode dar outras complicações.”

Felizmente, a cirurgia não foi necessária:

“Graças a Deus, ela não precisou de cirurgia.”

No entanto, o tratamento continua:

“Ela vai ter que usar um colete por seis semanas. Não pode se mexer muito, não pode ficar muito tempo em pé nem andar muito.”

Registro policial

O acidente ocorrido na manhã de 3 de janeiro de 2026, na rodovia L38, entre Fürstenwalde/Spree e Hangelsberg, consta em registro oficial da polícia.

Segundo o comunicado, o acidente aconteceu por volta das 9h40, quando um carro saiu da pista em um trecho coberto de neve e escorregadio e colidiu contra uma árvore. Duas mulheres ficaram feridas, conseguiram deixar o veículo por conta própria e foram atendidas pelas equipes de resgate. Em seguida, ambas foram encaminhadas a um hospital para tratamento.

Durante o atendimento da ocorrência, o local foi isolado e o trânsito ficou temporariamente restrito.

Contexto dos dias de risco

Imagem: Mais Berlim

O acidente ocorreu durante as primeiras semanas de janeiro, período em que polícias estaduais alemãs registraram um aumento significativo de acidentes relacionados à neve, gelo e pista escorregadia, segundo comunicados oficiais.

Embora ainda não houvesse, naquele momento, um balanço nacional consolidado, as autoridades já alertavam para alto risco de perda de controle dos veículos, especialmente em estradas regionais como a que liga Fürstenwalde a Hangelsberg.

Nota editorial

Texto original produzido pelo Mais Berlim, com base em entrevista exclusiva concedida por uma das brasileiras envolvidas no acidente e em informações oficiais das autoridades alemãs.

Leia mais: Veja nossa reportagem sobre a tempestade de neve na Alemanha

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Tempestade de neve causa mortes e paralisa transporte no norte da Alemanha https://maisberlim.com/inverno-rigoroso-alemanha-alertas/ https://maisberlim.com/inverno-rigoroso-alemanha-alertas/#respond Thu, 08 Jan 2026 12:40:15 +0000 https://maisberlim.com/?p=763 Tempestade de inverno que atinge a Alemanha provoca mortes em acidentes e atrasos e cancelamentos em transporte.

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Berlim ficou fora da rota da tempestade, mas segue com temperaturas negativas e formação de gelo.

Texto original produzido pelo Mais Berlim

Atualização – domingo, 11/01/2026, 12h30

A tempestade de inverno que atingiu a Alemanha nos últimos dias continua gerando impactos, especialmente no norte do país, embora alguns serviços iniciem um processo gradual de normalização.

No Aeroporto de Hamburgo, cerca de 40 voos foram cancelados desde sexta-feira devido a neve, gelo e vento forte. Neste domingo, as operações ocorrem com ajustes e atrasos, e a administração do aeroporto segue orientando passageiros a verificar o status de seus voos antes de se deslocar.

Na malha ferroviária, a Deutsche Bahn informou que o tráfego de longa distância no norte da Alemanha, suspenso inicialmente por razões de segurança, foi retomado de forma gradual. Apesar disso, a operação ainda não está totalmente normalizada, com atrasos e cancelamentos pontuais, inclusive na região de Hannover, um dos principais entroncamentos ferroviários do país.

As polícias estaduais também confirmaram mortes registradas em acidentes ocorridos durante as condições de inverno, principalmente no trânsito. Segundo as autoridades, os casos estão associados a estradas escorregadias, gelo invisível e perda de controle de veículos. Até o momento, não há um balanço nacional consolidado, já que os registros são feitos separadamente por estado.

As autoridades seguem recomendando evitar deslocamentos não essenciais, redobrar a atenção em áreas com gelo e acompanhar apenas comunicados oficiais, pois a situação permanece dinâmica em algumas regiões.

E Berlim? Tempestade foi prevista, mas impacto ficou abaixo do esperado

Berlim estava inicialmente incluída na área de risco para neve intensa, ventos fortes e baixa visibilidade, segundo os alertas do Serviço Nacional de Meteorologia Alemão (DWD). No entanto, ao longo da sexta-feira e do sábado, o núcleo mais intenso da tempestade se deslocou para o norte e o leste da Alemanha, reduzindo os efeitos esperados na capital.

Na prática, Berlim registrou neve mais fraca do que o previsto, além de vento moderado e temperaturas negativas, mas sem os volumes de neve e as rajadas mais severas observadas em outras regiões do país. Ainda assim, as condições de inverno provocaram pistas escorregadias, formação de gelo invisível e aumento de acidentes, especialmente por quedas.

Hospitais confirmaram vários atendimentos de pessoas com fraturas em decorrência de quedas.


Atualização – sexta-feira, 09/01/2026, 15h30

A Alemanha enfrenta nesta sexta-feira (9) uma tempestade de inverno em andamento, com nevascas intensas, vento forte, neve soprada, formação de gelo e baixa visibilidade em diversas regiões do país. As informações constam nos boletins oficiais do Deutscher Wetterdienst (DWD), divulgados às 07h00 e 10h52, que indicam que os fenômenos já ocorrem desde a madrugada e devem persistir ao longo do dia, com enfraquecimento gradual apenas a partir de sábado.

Impactos no transporte: Deutsche Bahn suspende trens no norte

A Deutsche Bahn (DB) comunicou a suspensão temporária do tráfego ferroviário de longa distância em partes do norte da Alemanha por causa do clima severo associado à tempestade de inverno, com risco de neve soprada, vento forte e baixa visibilidade em algumas regiões.

Segundo a empresa, a medida tem objetivo de segurança e afeta rotas estratégicas, incluindo a região de Hannover, um dos principais entroncamentos ferroviários do país. A recomendação é evitar deslocamentos não essenciais e consultar atualizações oficiais antes de sair.


O que está acontecendo agora

Segundo o DWD, um sistema de baixa pressão (Sturmtief) avança do Canal da Mancha em direção à fronteira entre Alemanha e Holanda, deslocando-se depois para o sudeste. Enquanto o sul e o oeste recebem temporariamente ar atlântico mais ameno — que rapidamente perde força —, o norte e o leste permanecem sob ar frio, impulsionado por forte corrente de leste. Essa combinação favorece neve persistente, vento intenso e condições perigosas de tráfego.


Neve intensa e neve soprada: regiões e cidades afetadas

As nevascas mais fortes concentram-se na metade nordeste da Alemanha, em uma faixa ampla do noroeste ao sudeste, atingindo cidades e regiões como:

  • Hamburgo
  • Bremen
  • Hannover
  • Berlim
  • Magdeburg
  • Leipzig
  • Dresden
  • Lusácia (Lausitz)
  • Oeste da Baixa Saxônia
  • Renânia

Os acumulados ficam, em geral, entre 5 e 10 cm, com até 15 cm localmente e valores ainda maiores em áreas de relevo. Em muitos pontos, grande parte da neve cai em poucas horas, o que reduz drasticamente a visibilidade. O vento forte de leste intensifica a neve soprada, sobretudo no norte e no leste do país, caracterizando tempo severo em áreas pontuais.


Neve avança para o oeste e o sul

Enquanto a neve perde força no nordeste ao longo da tarde, novas áreas entram em atenção:

  • Hunsrück, Eifel e Rothaargebirge: cerca de 10 a 15 cm
  • Cadeias montanhosas centrais e do sudoeste: 2 a 7 cm, chegando a 10 cm em áreas mais altas
  • Floresta Negra e Allgäu (sábado): 15 a 30 cm, com possibilidade de valores superiores em áreas de retenção

Gelo e chuva congelante

Há risco elevado de gelo em diversas regiões, causado por:

  • neve e neve derretida
  • congelamento de umidade
  • precipitação congelante local

O sudeste da Baviera apresenta maior risco de chuva congelante, enquanto Floresta Negra e Allgäu devem enfrentar situação crítica de gelo associada às nevascas intensas.


Vento forte e tempestade

O DWD alerta para vento forte a tempestuoso:

  • 60 a 70 km/h no interior
  • até 80 km/h nas costas
  • até 100 km/h no litoral do Mar do Norte e do Mar Báltico
  • rajadas de força de furacão (até 110 km/h) em áreas expostas, como Helgoland e picos da Floresta Negra

A diminuição do vento ocorre apenas gradualmente a partir de sábado.


Berlim: neve, vento e baixa visibilidade

Em Berlim, a combinação de neve persistente, vento forte de leste, temperaturas abaixo de zero e baixa visibilidade aumenta significativamente o risco de acidentes, inclusive dentro da cidade. Autoridades recomendam evitar deslocamentos não essenciais e redobrar a atenção ao dirigir ou caminhar.


Impactos e prejuízos já registrados

Com a tempestade em curso, já há impactos concretos em várias regiões da Alemanha:

  • atrasos e interrupções no transporte ferroviário
  • redução de partidas em grandes aeroportos
  • suspensão parcial de ônibus regionais
  • medidas excepcionais em escolas, permitindo que os pais decidam se enviam os filhos às aulas

As autoridades alertam que os prejuízos podem aumentar ao longo do dia, à medida que o sistema avança.

Morte sob investigação

Há registro de uma morte relacionada às condições de inverno durante este episódio. O caso está sob investigação, e baixa visibilidade, gelo e condições adversas de tráfego são fatores frequentemente associados a acidentes desse tipo. A causa oficial ainda não foi confirmada.


Orientações das autoridades

O DWD recomenda:

  • evitar deslocamentos não essenciais
  • redobrar a atenção ao dirigir, caminhar e pedalar
  • acompanhar atualizações oficiais, pois a situação permanece dinâmica

Fonte das informações:

DWD – Deutscher Wetterdienst

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