Augusto Medeiros | Editor-chefe do Portal Mais Berlim https://maisberlim.com/author/maisberlim/ Notícias e serviços para brasileiros em Berlim e na Alemanha Fri, 21 Aug 2026 19:58:40 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://maisberlim.com/wp-content/uploads/2026/06/cropped-logo-3-32x32.png Augusto Medeiros | Editor-chefe do Portal Mais Berlim https://maisberlim.com/author/maisberlim/ 32 32 Em qual Berlim você vive? https://maisberlim.com/em-qual-berlim-voce-vive/ https://maisberlim.com/em-qual-berlim-voce-vive/#respond Mon, 17 Aug 2026 16:46:42 +0000 https://maisberlim.com/?p=1664 SÉRIE ESPECIAL maisberlim Mais Berlim Berlim: várias cidades em uma Sete faces de uma metrópole que não cabe em um rótulo — drogas, clubes, natureza, história, arte, startups e diversidade. […]

O post Em qual Berlim você vive? apareceu primeiro em .

]]>
SÉRIE ESPECIAL
Mais Berlim

Berlim: várias cidades em uma

Sete faces de uma metrópole que não cabe em um rótulo — drogas, clubes, natureza, história, arte, startups e diversidade. Dados de fontes oficiais, com links pra quem quiser se aprofundar.

Saúde pública

Berlim das Drogas

Berlim está entre as cidades europeias com maior consumo de cocaína, segundo análises de esgoto feitas pela agência europeia de drogas (EUDA). Diferente da maioria das substâncias, cujo consumo dispara nos fins de semana, a cocaína é detectada de forma praticamente constante ao longo de toda a semana em Berlim — um padrão associado a turismo de festa, disponibilidade e hype pop-cultural, segundo reportagem do jornal taz. A cidade registrou recorde de mortes relacionadas a drogas em 2024, e desde então mantém um programa de “drug-checking” (testagem de substâncias) como estratégia de redução de danos, com balanço positivo após um ano de funcionamento.

No cinema: o retrato mais conhecido do submundo das drogas em Berlim é Eu, Christiane F. — 13 Anos, Drogada e Prostituída (1981), com trilha de David Bowie, baseado em fatos reais dos anos 1970 na estação Bahnhof Zoo. A história ganhou uma minissérie mais recente, Nós, os Filhos da Estação Zoo (2021, Prime Video).

Techno & vida noturna

Berlim dos Clubes

Em 2024, a cultura techno de Berlim foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Alemanha — o mesmo tipo de proteção dado ao canto coral e a ofícios tradicionais. A cena nasceu logo após a queda do Muro, quando prédios industriais abandonados viraram pistas de dança. Hoje, o setor vive um momento de transição: clubes históricos como Watergate e Renate fecharam recentemente, enquanto uma nova geração (RSO, OXI, Lokschuppen) reorganiza o mapa.

Clássicos: Berghain (a porta mais difícil do mundo, sem celular), Tresor (nasceu no cofre de uma loja de departamentos), ://about blank, Sisyphos, KitKat (dress code fetiche obrigatório).

Dress code geral: roupas escuras e confortáveis, tênis surrados, nada de grife, salto ou grupos com looks combinando. Câmeras de celular são lacradas com adesivo na entrada — fotografar dentro é proibido na maioria das casas.

A cena muda rápido — clubes fecham e abrem o tempo todo. Confira sempre o site oficial da casa antes de ir.
Parques & florestas

Berlim Verde

Cerca de 18% da área de Berlim é coberta por florestas — cerca de 29 mil hectares, segundo a administração florestal da cidade (Berliner Forsten). Isso faz de Berlim a cidade alemã com mais de 1 milhão de habitantes com maior proporção de floresta, à frente de Hamburgo, Colônia e Munique. Somando florestas, parques, rios e lagos, cerca de 1/3 do território da cidade é área verde ou azul.

Florestas: o Grunewald (3.000 hectares) é a maior e mais famosa, cercada pelo rio Havel e por lagos como Schlachtensee e Krumme Lanke — dentro dela fica o Teufelsberg, colina artificial feita de escombros da guerra e um dos pontos mais altos da cidade. Outras grandes áreas florestais: Tegeler Forst, Spandauer Forst e a mata ao redor do Müggelsee, em Treptow-Köpenick — o distrito mais arborizado de Berlim.

Parques urbanos: o Tempelhofer Feld — um antigo aeroporto — hoje é um dos maiores espaços verdes urbanos do mundo. O Tiergarten, no coração da cidade, tem 210 hectares (maior que o Hyde Park de Londres). O Mauerpark, erguido sobre o antigo “corredor da morte” do Muro, vira feira de pulgas e karaokê livre todo domingo.

  • Grunewald — floresta de 3.000 ha a oeste da cidade, às margens do Havel
  • Tiergarten — Str. des 17. Juni, 10785 Berlin
  • Tempelhofer Feld — Tempelhofer Damm, 12101 Berlin
  • Mauerpark — Bernauer Str. 63-64, 13355 Berlin (feira e karaokê aos domingos)
  • Treptower Park — às margens do Spree, com o memorial soviético
  • Britzer Garten — o maior relógio de flores da Europa
  • Gärten der Welt (Marzahn) — jardins temáticos de várias culturas
Memória & museus

Berlim da História

Poucas cidades carregam tanto peso histórico quanto Berlim: capital do Terceiro Reich, dividida pela Guerra Fria, palco da queda do Muro em 1989. A Museumsinsel (Ilha dos Museus) é Patrimônio Mundial da Unesco desde 1999, reunindo cinco museus e 6 mil anos de história da arte num só lugar.

  • Museu Pérgamo — parte da Ilha dos Museus (atualmente com áreas em reforma)
  • DDR Museum — cotidiano da Alemanha Oriental, bem interativo
  • Checkpoint Charlie — um dos postos de fronteira mais famosos do mundo
  • Topographie des Terrors — sobre o aparato nazista, entrada gratuita
  • Memorial do Holocausto — perto do Portão de Brandemburgo
Cena artística

Berlim da Arte

Depois da queda do Muro, aluguéis baratíssimos e prédios vazios transformaram Berlim num ímã para artistas do mundo inteiro — um perfil de cidade que a metrópole mantém até hoje. A edição de 2026 do Gallery Weekend Berlin reuniu 50 galerias participantes em 63 endereços pela cidade, segundo o site oficial do evento. A região da Auguststraße, em Mitte, concentra várias delas.

  • KW Institute for Contemporary Art — Auguststraße 69, sede da Bienal de Berlim
  • Hamburger Bahnhof — arte contemporânea numa antiga estação de trem
  • C/O Berlin — referência em fotografia
  • Neue Nationalgalerie — arte do século 20, prédio de Mies van der Rohe
  • Boros Collection — coleção contemporânea dentro de um bunker da Segunda Guerra
Inovação

Berlim das Startups

Um novo startup nasce em Berlim a cada 14 horas, segundo o Berlin Startup Ecosystem Report 2025 — pesquisa oficial encomendada pela Secretaria de Economia do governo de Berlim e apresentada pela própria administração municipal. O ecossistema já vale €169 bilhões, reúne cerca de 1.600 startups financiadas por capital de risco e conta com 57 unicórnios (avaliados em mais de US$ 1 bilhão) ou “thoroughbreds” (empresas com receita anual acima de €100 milhões). Isso representa 43% de todo o valor do ecossistema de startups alemão concentrado numa única cidade.

Nomes conhecidos: N26, Trade Republic, GetYourGuide, Delivery Hero, Contentful, Flink — várias já negociadas na bolsa ou avaliadas em bilhões.

Povos & liberdade

Berlim da Diversidade

Berlim tinha 3.913.644 habitantes no fim de 2025, segundo o Departamento de Estatística de Berlim-Brandemburgo — dos quais 976.419 são estrangeiros (quase 25% da população), vindos de mais de 190 países diferentes. A maior comunidade estrangeira é a turca. Essa mistura de origens, somada à liberdade de expressão e de se vestir que marca a cidade — da cena LGBTQ+ de Schöneberg aos looks sem regra dos clubes — é o que faz Berlim parecer várias cidades ao mesmo tempo, dependendo de que rua você está.

Música clássica

Berlim Erudita

A Filarmônica de Berlim (Berliner Philharmoniker), fundada em 1882, é considerada uma das orquestras mais aclamadas do mundo. Toca na Philharmonie, sala com o palco no centro do auditório — projeto inaugurado em 1963 e copiado por salas de concerto no mundo todo. Desde a temporada 2019/20, o maestro titular é Kirill Petrenko. A orquestra também mantém a Digital Concert Hall, um serviço próprio de streaming com transmissões ao vivo dos concertos.

A Staatskapelle Berlin, fundada em 1570, é a orquestra mais antiga da cidade e se apresenta na Staatsoper Unter den Linden — casa de ópera erguida em 1742 a pedido de Frederico, o Grande. Outros templos da música clássica: o Konzerthaus Berlin, na bela Gendarmenmarkt, e a Deutsche Oper, no oeste da cidade.

Bares & restaurantes

Berlim Gastronômica: Friedrichshain

Friedrichshain, principalmente ao redor da Simon-Dach-Straße e da Boxhagener Platz (“Boxi”), é um dos bairros com maior densidade de bares, restaurantes e cafés de Berlim — pubs e restaurantes literalmente lado a lado, com happy hour o dia inteiro, segundo o guia oficial de turismo da cidade (visitBerlin). O bairro nasceu como reduto alternativo e de ocupações após a queda do Muro, e hoje é um dos points mais gentrificados — e mais visitados por turistas — da cidade.

Vale notar: não encontramos nenhuma fonte confiável que confirme a fama de “uma das maiores concentrações do mundo” — parece ser reputação de boca a boca entre viajantes. O que é bem documentado é a altíssima densidade de bares dentro de Berlim mesmo, especialmente nessa região.

  • Simon-Dach-Straße — entre Warschauer Str. e Frankfurter Allee
  • Boxhagener Platz — feira orgânica aos sábados, feira de pulgas aos domingos
  • RAW-Gelände — antigo pátio ferroviário virado point de bares, clubes e street art
Economia & negócios

Berlim das Feiras

Por sua localização central na Europa e sua importância política, Berlim é sede de uma das maiores organizadoras de feiras comerciais do planeta: a Messe Berlin, que está entre as maiores empresas de feiras do mundo em faturamento, segundo levantamento da AUMA (associação alemã do setor de feiras) com base em receitas publicadas. São cerca de 190 mil m² de área de exposição e um portfólio de aproximadamente 80 eventos internacionais por ano, comercializados em mais de 170 países.

  • ITB Berlin — considerada a maior feira de turismo do mundo, desde 1966
  • IFA — feira líder mundial de eletrônicos de consumo e eletrodomésticos
  • InnoTrans — referência mundial em transporte, mobilidade e logística
  • FRUIT LOGISTICA — feira líder do comércio internacional de frutas e vegetais
  • Internationale Grüne Woche — uma das maiores feiras de agricultura e alimentação do mundo

A economia de Berlim como um todo já soma cerca de €218 bilhões em PIB (2025) — e as feiras são uma peça importante desse motor, movimentando hotelaria, gastronomia e turismo de negócios.

Meio ambiente

Berlim Sustentável

Berlim é a 4ª metrópole mais sustentável do mundo (entre cidades com mais de 1,5 milhão de habitantes), segundo o Global Destination Sustainability Index de 2025 — seu melhor resultado desde que entrou no ranking em 2020, com nota de 80,5%. A cidade fica atrás de Melbourne, Singapura e Barcelona. A cidade tem meta de neutralidade climática até 2045. Cerca de 46% dos domicílios berlinenses não têm carro, e a proporção é de 1,7 bicicleta por domicílio, segundo a pesquisa nacional de mobilidade “Mobilität in Städten”. Mais de 100 km de novas ciclovias estão planejados até 2030 pelo Berlin Mobility Act.

Prédios & design

Berlim Arquitetônica

Berlim é um museu vivo de arquitetura do século 20. Seis conjuntos residenciais do modernismo berlinense — como o Hufeisensiedlung (Conjunto em Ferradura) e a Siemensstadt — foram declarados Patrimônio Mundial da Unesco em 2008, projetados por nomes como Bruno Taut e Walter Gropius, cofundador da Bauhaus. A Fernsehturm (Torre de TV), com 368 metros, foi erguida pelo governo da Alemanha Oriental entre 1965 e 1969 como símbolo de poder — hoje é só o símbolo mais famoso da cidade reunificada. Do outro lado da história arquitetônica, o Plattenbau (os grandes conjuntos habitacionais pré-fabricados do Leste) ainda define a paisagem de bairros inteiros.

Livros & exílio

Berlim Literária

Berlim é palco literário há mais de um século. Bertolt Brecht viveu e escreveu boa parte de sua obra teatral na cidade. Alfred Döblin publicou em 1929 o clássico Berlin Alexanderplatz. Já o inglês Christopher Isherwood morou na Nollendorfstraße, em Schöneberg, entre o fim dos anos 1920 e início dos 1930 — período que virou os contos de Adeus a Berlim, base do musical e do filme Cabaret.

Hoje, o ilb — international literature festival berlin, realizado todo mês de setembro desde 2001, reúne mais de 200 autores de 40 países ao longo de 11 dias de programação, segundo o site oficial do festival.

Curadoria Mais Berlim · maisberlim.com
Dados de fontes públicas e oficiais, citadas em cada seção. Números mudam com o tempo — sempre vale conferir a fonte original pra dados atualizados.

O post Em qual Berlim você vive? apareceu primeiro em .

]]>
https://maisberlim.com/em-qual-berlim-voce-vive/feed/ 0
Cinema alemão para dia de chuva https://maisberlim.com/cinema-alemao-para-dia-de-chuva/ https://maisberlim.com/cinema-alemao-para-dia-de-chuva/#respond Sun, 16 Aug 2026 08:31:12 +0000 https://maisberlim.com/?p=1662 CINEMA ALEMÃO PRA DIA DE CHUVA maisberlim Caderno de cinema 10 filmes alemães pra assistir num dia de chuva Do cinema mudo expressionista aos vencedores de festival mais recentes — […]

O post Cinema alemão para dia de chuva apareceu primeiro em .

]]>
CINEMA ALEMÃO PRA DIA DE CHUVA
Caderno de cinema

10 filmes alemães pra assistir num dia de chuva

Do cinema mudo expressionista aos vencedores de festival mais recentes — uma seleção pra maratonar em casa. Toque em cada filme pra ver onde assistir agora.

Toque em “onde assistir” pra buscar no JustWatch
01 Ficção científica muda

Metrópolis

“Metropolis” · 1927 · Fritz Lang

Obra-prima muda do expressionismo alemão — o visual que influenciou o cinema até hoje.

Onde assistir
02 Horror clássico

Nosferatu

“Nosferatu, eine Symphonie des Grauens” · 1922 · F. W. Murnau

O vampiro mais assustador (e mais imitado) do cinema mudo.

Onde assistir
03 Thriller frenético

Corra, Lola, Corra

“Lola rennt” · 1998 · Tom Tykwer

Berlim em ritmo acelerado — 20 minutos, três finais possíveis.

Onde assistir
04 Drama poético

Asas do Desejo

“Der Himmel über Berlin” · 1987 · Wim Wenders

Anjos observam Berlim em preto e branco — poesia pura.

Onde assistir
05 Drama · Oscar

A Vida dos Outros

“Das Leben der Anderen” · 2006 · F. Henckel von Donnersmarck

Vigilância da Stasi na Berlim Oriental — tensão do início ao fim.

Onde assistir
06 Comédia dramática

Good Bye, Lenin!

“Good Bye, Lenin!” · 2003 · Wolfgang Becker

A queda do Muro contada com humor e muito coração.

Onde assistir
07 Comédia

Sonnenallee

“Sonnenallee” · 1999 · Leander Haußmann

Adolescência e rock no lado errado do Muro — leve e nostálgico.

Onde assistir
08 Comédia familiar

Almanya

“Almanya – Willkommen in Deutschland” · 2011 · Yasemin Şamdereli

Três gerações de uma família turco-alemã — emocionante e engraçado.

Onde assistir
09 Comédia · aclamado

Toni Erdmann

“Toni Erdmann” · 2016 · Maren Ade

Pai excêntrico, filha workaholic — um dos filmes alemães mais premiados da década.

Onde assistir
10 Thriller em plano único

Victoria

“Victoria” · 2015 · Sebastian Schipper

Uma noite em Berlim, filmada em um único take de 140 minutos.

Onde assistir
Curadoria Mais Berlim · maisberlim.com
Disponibilidade de streaming muda com frequência — os links levam à busca atualizada no JustWatch.

O post Cinema alemão para dia de chuva apareceu primeiro em .

]]>
https://maisberlim.com/cinema-alemao-para-dia-de-chuva/feed/ 0
Casos de “Boa Noite Cinderela” disparam em Berllim https://maisberlim.com/boa-noite-cinderela-berlim-ko-tropfen-alemanha/ https://maisberlim.com/boa-noite-cinderela-berlim-ko-tropfen-alemanha/#respond Sat, 06 Jun 2026 09:11:24 +0000 https://maisberlim.com/?p=1408 Dados obtidos pelo Mais Berlim junto à Polícia de Berlim revelam aumento de quase 1.000% nos registros de K.O.-Tropfen nos últimos dez anos. O "Boa Noite Cinderela".

O post Casos de “Boa Noite Cinderela” disparam em Berllim apareceu primeiro em .

]]>

Após relato da artista brasileira Gissauro Araújo, Mais Berlim reúne depoimentos de vítimas, dados inéditos da Polícia e alertas de especialistas sobre o uso de K.O.-Tropfen na Alemanha

Por Mais Berlim

Reportagem: Augusto Medeiros, Igor Abreu; Edição: Emilene Silva

Uma queda repentina.

Um apagão sem explicação.

Um nariz quebrado.

Um dente destruído.

E uma pergunta que permanece sem resposta.

Foi assim que começou a investigação do Mais Berlim sobre casos suspeitos de “Boa Noite Cinderela”, conhecidos na Alemanha como K.O.-Tropfen.

Nas últimas semanas, a reportagem ouviu vítimas, testemunhas, especialistas, organizadores de eventos, instituições  de apoio e a própria Polícia de Berlim. Os relatos vieram de Berlim, Colônia e outras cidades alemãs. Alguns terminaram em roubos, outros levantam suspeitas de crimes mais graves. Em comum, as vítimas  descrevem perda repentina de controle, falhas de memória, dificuldade para reunir provas e a sensação de vulnerabilidade diante de algo que muitas vezes desaparece do organismo antes mesmo de ser identificado.

O caso que motivou esta reportagem aconteceu na madrugada de 11 de maio de 2026, em Berlim.


“A noite começou a ficar estranha”

A artista e dançarina brasileira Gissauro Araújo havia passado o sábado inteiro participando de uma batalha de dança.

Depois do evento, seguiu para a casa do amigo Jonathan “Jhow” da Silva, onde ambos se prepararam para sair.

Gissauro conta que eles estavam cansados e quase desistiram.

“Estava aquela preguiça. A gente ficou enrolando para sair. Quando vimos já era uma hora, uma e meia da manhã.”

Mesmo assim decidiram ir para uma festa no Maaya, um clube que pode ser alugado para eventos, numa das regiões mais badaladas da cidade.

Ao chegar ao local encontraram amigos, deixaram seus pertences na recepção e seguiram para a pista.

“Era uma noite muito tranquila. A gente estava ali para dançar”, lembra a artista.

Segundo Gissauro, não havia intenção de beber muito.

“Não era uma noite de encher a cara. Era uma noite de dançar.”

Em determinado momento ela e Jhow dividiram uma caipirinha.

Mais tarde, Gissauro consumiu uma segunda bebida.

Ela contou ao Mais Berlim que bebeu aproximadamente uma caipirinha e meia ao longo de toda a noite.

Pouco depois começaram os sintomas.

Primeiro veio uma forte tontura.

“Eu senti uma tontura muito forte.”

A princípio ela não associou aquilo ao consumo de álcool.

“Eu praticamente não tinha bebido.”

Em seguida surgiu uma forte dor de barriga.

Ela foi ao banheiro.

“Eu fiquei sentada na privada pensando: nossa, que estranho.”

Depois retornou à pista.

Foi então que apareceu outro sintoma.

Frio.

Muito frio.

Ela decidiu sentar em um sofá próximo dos amigos.

Foi nesse momento que algo começou a lhe parecer errado.

“A noite começou a ficar estranha para mim.”

“Eu não sei explicar.”

“Parecia que alguma coisa estava errada.”

A dançarina conta que chegou a pensar que fosse apenas cansaço.

Mas os sintomas continuaram.

Então veio uma forte ânsia de vômito.

Ela se levantou para ir ao banheiro.

Não conseguiu chegar.

“Eu lembro de pensar: não vai dar tempo.”

Essa é a última lembrança clara que tem daquela madrugada.


“Eu acordei cheia de sangue”

A memória seguinte já é depois da queda.

“Eu acordei cheia de sangue.”

Ela estava caída no chão.

Desorientada.

Sem entender o que havia acontecido.

Ao redor estavam amigos e outras pessoas tentando ajudá-la.

“Eu lembro do Jhow falando comigo.”

“Foi isso que me despertou.”

A queda foi violenta.

Ela bateu o rosto diretamente no chão.

O impacto provocou uma fratura no nariz e a quebra de um dente.

“Foi um apagão muito estranho.”

Segundo Gissauro, nunca havia vivido algo semelhante.

“Nunca tive um apagão assim.”

“Nunca tive um desmaio assim.”

“Nem quando eu bebia mais no Brasil.”

O choque emocional foi imediato.

“Eu comecei a tremer.”

A primeira hipótese que lhe veio à cabeça foi justamente aquilo que mais temia.

“Minha mãe sempre falava para tomar cuidado com copo, com bebida, com alguém colocar alguma coisa.”

“E aconteceu justamente aquilo que eu tinha medo.”

Até hoje ela não consegue afirmar o que aconteceu.

Mas diz que jamais conseguiu explicar a perda repentina de consciência.


As testemunhas

Jonathan “Jhow” da Silva estava ao lado de Gissauro naquela noite.

Ele contou que os dois têm um hábito que adotaram justamente por receio desse tipo de situação: dividir bebidas.

“A gente sempre divide bebida.”

Segundo Jhow, essa prática faz parte dos cuidados que costumam ter quando saem.

“A gente tenta dividir justamente porque existe esse medo.”

Ele relata que, depois de algum tempo, começou a perceber mudanças no comportamento da amiga.

“Ela voltou da outra pista e sentou.”

Isso chamou sua atenção.

“Normalmente a gente dança muito.”

“Ela ficou mais quieta.”

Ainda assim acreditou que pudesse ser apenas cansaço.

Jhow conversava com o amigo Cléber Amaral quando ouviu um alerta.

“Cléber falou: ‘Jhow, ela caiu.’”

Quando chegou perto encontrou a amiga desacordada e sangrando.

“Eu coloquei minha mão embaixo da cabeça dela.”

“Fiquei falando o tempo todo: meu bem, estamos aqui.”

Pouco depois ela recuperou a consciência.

Durante a entrevista ao Mais Berlim, Jhow revelou que também passou por uma situação semelhante anos atrás.

Ele havia tomado apenas parte da segunda cerveja da noite quando começou a sentir uma forte náusea e intensa dor de cabeça.

Conseguiu chegar em casa.

Mas sofreu apagões.

“Eu lembro de tentar abrir a porta.”

“Depois lembro de acordar no chão da cozinha.”

Para ele, só não aconteceu algo pior porque conseguiu voltar para casa.

“Se fosse uma amiga sozinha, poderia ter sido muito pior.”

Cléber Amaral também presenciou a queda.

Ele viu quando Gissauro caminhou em direção ao bar e então caiu.

“Ela simplesmente apagou.”

“Havia muito sangue.”

Cléber ajudou nos primeiros socorros, controlou o sangramento, acionou a equipe de segurança e permaneceu ao lado da vítima.

“O correto teria sido chamar a ambulância.”

A equipe do Maaya informou à vítima que iria chamar a ambulância, mas Gissauro conta de recusou o atendimento de emergência.


Seis horas de espera e o exame que não aconteceu

Imagem: Mais Berlim

Assim como muitos imigrantes, Gissauro acreditava que uma ambulância poderia resultar em custos elevados.

Por isso decidiu voltar para casa.

Dormiu algumas horas.

E apenas depois procurou atendimento médico.

Hoje acredita que essa decisão pode ter prejudicado a coleta de provas.

Ao chegar ao hospital, informou que suspeitava que sua bebida pudesse ter sido adulterada.

Mesmo assim, segundo seu relato, aguardou aproximadamente seis horas para ser atendida.

“Foram umas seis horas esperando.”

Quando finalmente foi chamada, a atenção médica concentrou-se nos ferimentos provocados pela queda.

Uma tomografia descartou lesões graves na cabeça.

Mas confirmou a fratura no nariz.

O dente quebrado também exigiu atendimento urgente.

“O nervo ficou exposto.”

Segundo Gissauro, nenhum exame toxicológico foi solicitado.

Ela afirma que no relatório médico apareceu a palavra “intoxicação”, embora não tenha sido realizado exame de sangue.

Dias depois procurou a Polícia de Berlim.

Ela foi informada por uma policial que o exame deveria ter sido solicitado imediatamente.

A policial também teria alertado que muitas substâncias utilizadas nesses casos permanecem pouco tempo no organismo.


Casos crescem quase 1000% em Berlim

Foto de Myko Makh na Unsplash

Os dados obtidos com exclusividade pelo Mais Berlim junto à Polícia de Berlim mostram que os registros de suspeitas envolvendo K.O.-Tropfen aumentaram drasticamente na última década.

Em 2016 foram registrados 52 casos.

Em 2025 o número chegou a 569.

Isso representa um aumento de aproximadamente 994%, ou quase onze vezes mais registros em menos de dez anos.

Somente entre 1º de janeiro e 20 de maio de 2026 já haviam sido contabilizados outros 214 casos.

AnoCasos
201652
201761
201850
2019119
2020182
2021155
2022190
2023358
2024415
2025569
2026*214

*Dados até 20 de maio de 2026.


Friedrichshain-Kreuzberg lidera os registros

Segundo a Polícia de Berlim, os distritos com maior número de ocorrências registradas em 2025 foram:

  • Friedrichshain-Kreuzberg: 165 casos;
  • Mitte: 130 casos;
  • Neukölln: 59 casos.

Entre janeiro e maio de 2026, Friedrichshain-Kreuzberg permaneceu na liderança, com 76 registros.

A Polícia de Berlim ressalta que esses números não permitem concluir que determinados estabelecimentos sejam mais perigosos que outros e não atribui responsabilidade a locais específicos.


O que diz o MAAYA

O Mais Berlim procurou o Maaya para comentar o caso.

Em pronunciamento público divulgado nas redes sociais, João Victor Dantas Beyer, gerente de eventos, afirmou que o local tem equipes treinadas para lidar com situações de emergência e insegurança.

Ele explica que o treinamento envolve segurança, bar, limpeza, logística, awareness e demais funcionários da casa.

João afirmou que qualquer frequentador que se sinta inseguro deve procurar imediatamente um integrante da equipe.

“Se você vê uma ameaça ou sente que algo está errado, procure um funcionário”, reforça.

O responsável pelo espaço também destacou um ponto que conversa diretamente com a experiência vivida por Gissauro.

A ambulância.

Segundo ele, muitas vítimas recusam atendimento por acreditarem que precisarão arcar com os custos.

E pede, “se você é vítima, aceite ajuda.”

João afirmou que o seguro do local cobre situações dessa natureza e que o atendimento imediato é fundamental para proteger a vítima e preservar provas.

“Você não estará prejudicando a casa.”

“Você estará ajudando a identificar quem cometeu o crime.”

Além disso, destacou que o encaminhamento imediato ao hospital aumenta as chances de coleta de evidências e de abertura rápida de investigação policial.

Para ele, a prioridade deve ser sempre a segurança da vítima.


Outros relatos, apagões, roubos e situações de risco

Foto de Axville na Unsplash

Durante a apuração desta reportagem, o Mais Berlim ouviu brasileiros que viveram experiências semelhantes em diferentes contextos: festas brasileiras, bares, eventos de rua e encontros entre amigos.

Alguns relatos terminaram em roubos.

Outros envolvem situações que as vítimas descrevem como tentativas de aproveitamento da incapacidade de reação provocada pelas substâncias.

Em comum, de acordo com as informações da Polícia e de especialistas, os depoimentos apresentam elementos semelhantes aos associados aos chamados K.O.-Tropfen: perda repentina de consciência, apagões de memória, desorientação, dificuldade de locomoção, incapacidade de reagir e dificuldade posterior para reunir provas.


Mais um apagão após festa brasileira

Um dos casos mais recentes ocorreu após uma festa brasileira realizada no YAAM (Young African Art Market), um projeto sociocultural independente de Berlim, que reúne música, arte urbana, cultura africana e caribenha, esportes e iniciativas de integração social. 

Foi na noite de 8 para 9 de maio.

O Mais Berlim teve acesso ao caso e ouviu diretamente a vítima, um homem que pediu para não ser identificado.

Segundo o relato, a noite começou de forma completamente normal.

A vítima afirma que chegou bem ao evento e que havia consumido apenas uma cerveja comprada em um Späti Kaufe (uma loja de bebidas que permanece aberta até mais tarde) durante o trajeto.

Nada além disso.

A última lembrança clara da noite foi por volta das 2h30 da madrugada.

Depois disso, a memória desaparece completamente.

Não existem flashes.

Não existem recordações fragmentadas.

Não existe qualquer lembrança do que aconteceu durante as horas seguintes.

A próxima memória foi dentro de um trem da rede S-Bahn.

Eram quase seis horas da manhã.

Não sabia como havia chegado ali.

Não sabia por onde havia passado.

Nem conseguia reconstruir o trajeto realizado durante aquele período.

Ao recuperar a consciência percebeu que alguns pertences haviam desaparecido.

O celular não estava mais com ele.

Cerca de 100 euros em dinheiro também desapareceram.

Os cartões bancários, porém, permaneceram na carteira.

No dia seguinte registrou uma ocorrência online junto à Polícia de Berlim.

Poucas horas depois recebeu uma ligação dos investigadores.

No domingo, policiais compareceram à sua casa para recolher uma amostra de urina.

O material foi encaminhado para análise toxicológica.

Até o momento da entrevista ao Mais Berlim, a vítima ainda aguardava os resultados.

Além do possível uso de substâncias, o caso também envolve suspeita de roubo.

O Mais Berlim também procurou o YAAM para comentar o caso relatado nesta reportagem.

Até o fechamento desta edição, não havia recebido resposta.

A Polícia de Berlim também foi questionada sobre o episódio e informou que responderá posteriormente dentro dos trâmites normais da investigação.


“Você vai comigo para o quarto”

Acervo particular: Bruno Torati

O enfermeiro brasileiro Bruno Torati, morador de Berlim há mais de 14 anos, também relatou uma experiência que nunca esqueceu.

Foi durante o verão em um bar bastante conhecido da cidade.

Naquela noite aguardava a chegada de um amigo.

Os demais companheiros já haviam ido embora.

Foi então que um homem mais velho se aproximou.

Segundo Bruno, o desconhecido afirmou estar hospedado em um hotel localizado acima do estabelecimento.

Pouco depois fez um convite direto.

“Você não quer subir comigo?”

Bruno recusou.

Explicou que estava esperando um amigo.

O homem insistiu de outra forma.

Ofereceu uma cerveja.

Bruno aceitou.

Acervo Particular: Bruno Torati

Naquele momento não viu motivo para desconfiar.

Mas seu amigo já estava chegando ao local.

Ao passar de carro em frente ao bar, percebeu algo estranho.

Segundo Bruno, o amigo afirma ter visto o momento em que o homem teria colocado alguma substância no copo.

Ele correu até a mesa.

Mas nesse instante Bruno já havia tomado dois goles da bebida.

O efeito teria sido quase imediato.

“Eu comecei a passar mal muito rápido.”

Bruno conta que costuma consumir bebidas alcoólicas e que aquela era apenas sua terceira cerveja da noite.

Mesmo assim começou a perder completamente a coordenação motora.

Foi então que ouviu uma frase que nunca esqueceu.

“Você vai comigo para o quarto.”

Ele explicou que naquele momento já estava confuso.

Desorientado.

Sem conseguir reagir adequadamente.

O amigo precisou praticamente carregá-lo até o carro.

Durante o trajeto de volta para casa, vomitou diversas vezes.

Também sofreu apagões de memória.

“Eu não lembro de muita coisa.”

Segundo ele, só não aconteceu algo mais grave porque o amigo chegou antes do horário combinado.

“Se ele não tivesse chegado naquele momento, eu não sei o que teria acontecido.”

Hoje Bruno não aceita bebidas abertas oferecidas por desconhecidos.

“Só se abrir na minha frente.”

Em 14 anos vivendo em Berlim, afirma que foi a única situação desse tipo que enfrentou pessoalmente.

Mas diz conhecer outras pessoas que relatam experiências semelhantes.


Uma corrente de prata, um banheiro e o medo de não conseguir reagir.

Foto de Aleksandar Andreev na Unsplash

Outro relato recebido pelo Mais Berlim ocorreu em um estabelecimento da região de Neukölln.

A vítima pediu anonimato.

E conta que tudo começou após conhecer um homem durante a noite.

Mais tarde os dois seguiram para outro local.

Enquanto um conhecido jogava bilhar, ela permaneceu sentada próxima ao balcão.

Foi então que um segundo homem iniciou conversa.

Segundo o relato, ele perguntou várias vezes se ela estava sozinha.

“Ele perguntou duas ou três vezes.”

Em determinado momento colocou uma corrente de prata em sua mão.

A vítima acredita que foi exatamente naquele instante que sua bebida foi adulterada.

“Eu fiquei olhando para a corrente sem entender por que ele estava me dando aquilo.”

Depois começaram os sintomas.

Outros homens apareceram.

Um deles a conduziu até um banheiro.

Ali a situação ficou ainda mais estranha.

A vítima lembra que o homem mostrou drogas e dinheiro.

E afirma ter percebido que estava em perigo.

“Eu comecei a entrar em estado de alerta.”

Mesmo confusa, a vítima conseguiu sair do banheiro.

Do lado de fora encontrou novamente o conhecido que a acompanhava naquela noite.

Mas percebeu que não encontrava suas chaves.

Enquanto ele retornava ao interior do estabelecimento para procurá-las, dois homens se aproximaram.

Eles começaram a tocar seu corpo e tentar retirar suas roupas.

Ela afirma que naquele momento já tinha dificuldade de reagir e de compreender totalmente o que estava acontecendo.

O conhecido retornou e interrompeu a situação.

Pouco depois ela perdeu completamente as forças.

Uma ambulância foi chamada.

A vítima registrou ocorrência junto à polícia.

Meses depois foi informada de que não haviam sido encontradas imagens que permitissem avançar na investigação.

A vítima acredita que se tratava de uma ação coordenada envolvendo mais de uma pessoa.

“Para mim estava claro que era uma gangue.”

Ela afirma que o homem que acredita ter colocado algo em sua bebida não foi o mesmo que posteriormente a abordou do lado de fora do estabelecimento.


“Ela simplesmente decidiu me drogar”

Outro relato recebido pelo Mais Berlim aconteceu durante uma festa de aniversário em Berlim.

A vítima também pediu anonimato.

Naquela noite estava com forte dor de cabeça e pretendia ir embora.

Amigos insistiram para que permanecesse mais algum tempo.

Uma das convidadas ofereceu um suposto remédio.

Depois disso, as lembranças tornam-se fragmentadas.

A pessoa recorda apenas flashes.

Conversas.

Momentos de dança.

Trechos desconexos da noite.

No dia seguinte veio a descoberta.

Segundo o relato, a substância oferecida como remédio era, na verdade, ópio.

“Ela simplesmente decidiu que podia me drogar.”

A vítima afirma que nunca recebeu explicações convincentes sobre o episódio.

O caso nunca foi investigado formalmente.

Mas permanece como uma das experiências mais perturbadoras relatadas durante esta apuração.


“Até hoje tenho pânico do Carnaval de Colônia”

A brasileira Joanna Silva conta que sua vida mudou durante o Carnaval de Colônia.

O episódio ocorreu antes da pandemia.

Naquele dia ela viajou até a cidade acompanhada de uma amiga.

Como muitos foliões, carregava uma bebida preparada previamente.

Joanna diz que não havia consumido grande quantidade de álcool.

A última lembrança que possui é de quando entrou em um banheiro.

Depois disso, nada.

Horas mais tarde despertou em um hospital.

Estava deitada no chão de um corredor.

Molhada.

Suja.

Sem entender onde estava.

Sem saber como havia chegado ali.

Sem conseguir reconstruir o que tinha acontecido.

Sua primeira reação foi ir embora.

Saiu do hospital.

Foi até a estação de trem.

Telefonou para um amigo.

E voltou para casa chorando.

“Eu não sabia o que tinha acontecido comigo.”

Meses depois recebeu uma cobrança relacionada ao atendimento de emergência prestado naquele dia.

Posteriormente procurou um médico.

Segundo Joanna, ele afirmou que existia grande possibilidade de sua bebida ter sido adulterada.

Mas diante da quantidade de pessoas presentes no Carnaval de Colônia seria extremamente difícil descobrir o que aconteceu.

Até hoje ela evita participar da festa.

“Tenho pânico do Carnaval de Colônia.”


O relato mais antigo: Essen

Entre os relatos recebidos pelo Mais Berlim existe um que permanece doloroso mais de uma década depois.

Uma mãe contou à reportagem a história da filha.

O episódio foi em Essen, há cerca de onze anos.

Na época, a jovem tinha apenas 15 anos.

Alguém colocou uma substância em sua bebida durante uma festa.

Ela passou mal.

Foi levada para um quarto para descansar.

Mas a situação não terminou ali.

Segundo a mãe, a adolescente permaneceu consciente durante todo o episódio.

Ela sabia o que estava acontecendo ao seu redor.

Mas não conseguia se mover.

Não conseguia reagir.

Não conseguia pedir ajuda.

A mãe afirma que a situação “chegou ao extremo”, mas prefere não divulgar mais detalhes para preservar a privacidade da filha.

O trauma foi tão profundo que a jovem levou anos para falar sobre o assunto.

Nem a própria mãe sabia o que havia acontecido.

A revelação só veio cerca de seis anos depois do episódio.

Mãe e filha assistiam juntas a um programa de televisão alemão sobre K.O.-Tropfen quando a jovem começou a chorar.

Foi naquele momento que decidiu contar sua história.

Segundo a mãe, a filha carregou sozinha o peso daquela experiência durante anos.

Sem registrar ocorrência.

Sem procurar ajuda especializada.

Sem compartilhar o que havia vivido nem mesmo com familiares próximos.

A mãe contou ao Mais Berlim que até hoje a jovem prefere não falar publicamente sobre o assunto.

“A estratégia dela é esquecer e silenciar”, relatou.

A mãe decidiu compartilhar a história de forma anônima porque acredita que outras pessoas precisam ser alertadas.

“Quando a gente é jovem, acha que uma coisa dessas nunca vai acontecer numa festa de amigos.”

“Mas pode acontecer.”

Ela também faz um alerta que considera importante.

“Muitas vezes as pessoas pensam que o perigo vem de desconhecidos. Mas também é preciso ter cuidado com o círculo de conhecidos e com pessoas que frequentam os mesmos ambientes.”

Segundo a mãe, o homem envolvido no episódio era um convidado da festa que sua filha não conhecia.

Mais de uma década depois, ela afirma que ainda sofre ao lembrar que não pôde proteger a filha do que aconteceu naquela noite.

“Essas pessoas destroem almas.”


Um padrão que se repete

Embora os casos tenham ocorrido em cidades diferentes, em contextos específicos e períodos distintos, vários elementos se repetem nos relatos ouvidos pelo Mais Berlim.

As vítimas descrevem:

  • sensação repentina de desorientação;
  • perda de memória;
  • dificuldade para permanecer em pé;
  • apagões;
  • náuseas;
  • vômitos;
  • incapacidade de reagir;
  • desaparecimento de pertences;
  • dificuldade para reunir provas posteriormente.

Em muitos casos, as pessoas só perceberam a gravidade da situação horas depois, quando a oportunidade de realizar exames toxicológicos já havia passado.

Os relatos também mostram que o fenômeno não está restrito a um único tipo de ambiente.

As ocorrências mencionadas nesta reportagem ocorreram em festas brasileiras, bares, eventos de rua, ambientes privados e grandes celebrações públicas.

O que são os K.O.-Tropfen

Imagem: Charles Chen

Embora a expressão “Boa Noite Cinderela” seja amplamente utilizada no Brasil, na Alemanha o termo mais comum é K.O.-Tropfen, algo que poderia ser traduzido livremente como “gotas que apagam”.

A farmacêutica Mikaella Miranda Siqueira, pós-graduada em Farmácia Clínica e Prescrição Médica pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), explica que não se trata de uma substância única.

Na verdade, o termo engloba diferentes drogas capazes de provocar sedação, perda de memória, confusão mental e incapacidade de reação.

“Muitas dessas substâncias são incolores e praticamente não possuem sabor, o que facilita sua administração sem que a vítima perceba”, explica.

Segundo a especialista, os principais grupos utilizados nesses casos são:

  • Benzodiazepínicos;
  • Ácido gama-hidroxibutírico (GHB);
  • Ketamina.

Os benzodiazepínicos são medicamentos prescritos para ansiedade severa e distúrbios do sono.

Já o GHB foi originalmente estudado como anestésico e pode provocar depressão profunda do nível de consciência.

A ketamina, por sua vez, é um anestésico dissociativo utilizado em procedimentos médicos.

“Embora diferentes substâncias possam ser usadas indevidamente, elas podem ser agrupadas em três pilares principais, de acordo com o mecanismo de ação sobre o sistema nervoso central”, alerta.


Por que elas são tão perigosas

Segundo Mikaella Siqueira, um dos principais riscos é a combinação dessas substâncias com álcool.

“O efeito pode ser potencializado de forma exponencial.”

Além da sedação profunda, os efeitos podem incluir:

  • perda de memória;
  • relaxamento muscular;
  • dificuldade de reação;
  • alterações de consciência;
  • confusão mental;
  • incapacidade de locomoção;
  • depressão respiratória.

Em casos extremos, podem levar à morte.

Os benzodiazepínicos costumam provocar bloqueio na formação de novas memórias.

O GHB produz rápida sedação e perda de consciência.

Já a ketamina pode criar um estado dissociativo no qual a pessoa permanece parcialmente consciente, mas incapaz de reagir adequadamente ao ambiente.

“A vítima pode aparentar estar acordada, mas encontra-se desconectada da realidade e sem condições de tomar decisões”, explica.


O tempo é o maior inimigo das investigações

Imagem: Adrian Susec

Um dos maiores desafios para as autoridades é a rápida eliminação dessas substâncias pelo organismo.

Segundo Mikaella Siqueira:

  • Benzodiazepínicos podem permanecer ativos por até 12 horas;
  • GHB costuma desaparecer em cerca de 3 horas;
  • Ketamina pode deixar de ser detectável após aproximadamente 2 horas.

A resposta enviada pela Polícia de Berlim ao Mais Berlim confirma essa dificuldade.

Segundo a corporação, o GHB pode ser detectado no sangue por apenas cinco a seis horas.

Na urina, o prazo costuma chegar a aproximadamente onze horas.

Após esse período, as chances de comprovação diminuem drasticamente.

“A oportunidade para coleta de provas é extremamente curta”, destacou a polícia.

Esse detalhe ajuda a explicar por que muitos casos acabam sem confirmação laboratorial.

As vítimas frequentemente despertam horas depois dos acontecimentos, ainda desorientadas e sem compreender exatamente o que ocorreu.


Polícia de Berlim: número de casos quase 11 vezes maior que em 2016

Foto de Ivan Lopatin na Unsplash

Os dados enviados pela Polícia ao Mais Berlim mostram uma evolução que preocupa as autoridades.

Os registros envolvendo os termos “KO-Wirkstoff”, Ketamina, GHB e Rohypnol passaram de 52 casos em 2016 para 569 casos em 2025.

Trata-se de um crescimento de aproximadamente 994%.

Segundo a polícia, a maior parte dos registros não está relacionada exclusivamente a crimes sexuais.

Os casos incluem também:

  • roubos;
  • lesões corporais;
  • furtos;
  • situações em que a vítima perde completamente a capacidade de reação.

A corporação informou que não tem dados sobre a subnotificação, mas reconhece que ela provavelmente é elevada.


O que aparece nos exames toxicológicos

Foto de CDC na Unsplash

A Polícia de Berlim também forneceu ao Mais Berlim uma lista das substâncias mais frequentemente identificadas em análises laboratoriais realizadas pelo setor de criminalística da corporação ao longo de 2025.

Os resultados incluem substâncias que podem ser utilizadas como K.O.-Mittel.

As mais detectadas foram:

SubstânciaCasos
Álcool (etanol)62
Cocaína32
Anfetamina19
THC17
MDMA11
Ketamina11
Difenidramina10
Metanfetamina8
GHB7
Pregabalina7
Diazepam6

A polícia ressalta, porém, que esses resultados não permitem concluir automaticamente que houve crime.

Segundo a corporação, não é possível determinar apenas pelo exame se a substância foi consumida voluntariamente ou administrada por terceiros.


ZIF defende penas mais duras

O crescimento dos casos levou o tema ao debate político nacional.

Em dezembro de 2025, o Centro de Informação Central dos Abrigos Autônomos para Mulheres (ZIF) apresentou um parecer ao governo alemão defendendo o endurecimento das penas relacionadas ao uso de K.O.-Tropfen.

O Centro apoia mudanças legislativas que equiparem o uso dessas substâncias ao emprego de meios particularmente perigosos em crimes sexuais e roubos.

Em maio deste ano, o governo federal avançou com uma proposta para aumentar a pena mínima aplicável nesses casos de dois para cinco anos de prisão.

No documento enviado ao Ministério Federal da Justiça, o ZIF afirma:

“A classificação dos K.O.-Tropfen como meio perigoso pode ter um efeito simbólico importante para a sociedade.”

Mas ressalta que a punição, sozinha, não resolverá o problema.

“O fator decisivo para uma sociedade livre de violência é a prevenção consistente.”


“Berlim diz não”

O ZIF também participa da campanha “Berlin sagt Nein zu K.O.-Tropfen” (“Berlim diz não às drogas de violação”).

A iniciativa reúne instituições de apoio às vítimas, profissionais da saúde, organizações de prevenção e grupos da sociedade civil.

A campanha destaca que homens, mulheres e pessoas LGBTQIA+ podem ser vítimas.

Além disso, enfatiza a necessidade de:

  • campanhas educativas permanentes;
  • atendimento especializado;
  • acolhimento das vítimas;
  • coleta rápida de provas;
  • combate à culpabilização das pessoas afetadas.

A subnotificação preocupa

Segundo o ZIF, um dos maiores desafios continua sendo a quantidade de casos que nunca chegam ao conhecimento das autoridades.

“A subnotificação desses crimes é extremamente alta.”

A organização afirma que muitas vítimas:

  • sentem vergonha;
  • não conseguem reconstruir os acontecimentos;
  • têm medo de não serem acreditadas;
  • evitam reviver o trauma.

Por isso,  o ZIF defende treinamento especializado para profissionais da saúde, policiais e integrantes do sistema de Justiça.

O objetivo é evitar situações de revitimização.

“Perguntas que culpabilizam as vítimas devem pertencer ao passado.”


O que dizem os organizadores de eventos

O Mais Berlim também procurou organizadores de festas brasileiras em Berlim para entender como o tema está sendo tratado dentro da comunidade.


Bossa FM

A organização da Bossa FM informou que a segurança do público é prioridade.

Segundo a produtora, já houve relatos de situações suspeitas em eventos anteriores, motivo pelo qual protocolos preventivos vêm sendo reforçados.

A Bossa FM afirmou que realiza alinhamentos constantes com equipes de segurança e busca agir rapidamente diante de qualquer ocorrência.

A organização também declarou que procura impedir a entrada de pessoas envolvidas em incidentes anteriores sempre que isso é possível.


Bruta Flor

O produtor Aurélio Santos, da Bruta Flor, afirmou que nunca registrou casos graves em seus eventos ao longo dos últimos oito anos.

Segundo ele, o foco agora é ampliar as medidas preventivas e incentivar denúncias imediatas.


Forró di Kenga reforça awareness

A produtora Bruna Veiga, do Forró di Kenga, informou ao Mais Berlim que nunca registrou casos desse tipo em seus eventos.

Segundo ela, a festa conta com uma equipe de Awareness e adota medidas preventivas em todas as edições.

A anfitriã da festa, Gabi, costuma apresentar ao público as regras de convivência, acolhimento e segurança no início dos eventos.

Além disso, a produção orienta a equipe do bar a observar pessoas que aparentem estar excessivamente alteradas e continuem solicitando bebidas.

Segundo Bruna, a prevenção e a atenção aos sinais de vulnerabilidade fazem parte da política permanente da festa.


Maloca Berlin

O produtor Ricci Ferreira, da Maloca Berlin, afirmou que acompanha o tema com preocupação.

Segundo ele, existe atualmente uma suspeita envolvendo um frequentador, que relatou perda de memória e desaparecimento de pertences.

Até o momento da entrevista, os resultados laboratoriais ainda não haviam sido divulgados.

Ricci afirma que pretende ampliar ações de awareness e comunicação direta com o público.

Entre as medidas estudadas estão:

  • avisos constantes durante festas;
  • reforço da equipe de awareness;
  • campanhas educativas;
  • criação de uma rede de troca de informações entre organizadores.

“A gente precisa continuar fazendo das nossas festas espaços seguros.”

Ricci também defende a criação de mecanismos de cooperação entre produtores para impedir a circulação de pessoas identificadas em episódios de violência ou comportamento predatório.


O que fazer se você suspeitar de K.O.-Tropfen

A Polícia de Berlim orienta que qualquer suspeita seja tratada imediatamente.

As recomendações incluem:

Durante a festa

  • Nunca deixar bebidas desacompanhadas;
  • Aceitar apenas bebidas fechadas ou abertas diante de você;
  • Evitar consumir bebidas com sabor ou cheiro incomum;
  • Observar mudanças repentinas em amigos.

Se algo parecer errado

  • Procurar imediatamente funcionários, seguranças ou amigos;
  • Não sair sozinho com desconhecidos;
  • Acionar socorro médico em casos de desorientação grave ou perda de consciência.

Se houver suspeita de adulteração

  • Procurar imediatamente um hospital;
  • Solicitar coleta de sangue e urina;
  • Guardar copos, garrafas e outros possíveis vestígios;
  • Evitar tomar banho caso exista possibilidade de crime sexual;
  • Registrar ocorrência policial o mais rápido possível.

A Polícia de Berlim destaca que a rapidez é decisiva.

Em alguns casos, substâncias como o GHB podem desaparecer do sangue em apenas cinco ou seis horas.


Uma discussão que está longe de terminar

Os dados oficiais mostram que os registros de suspeitas envolvendo K.O.-Tropfen cresceram fortemente em Berlim na última década.

Os relatos reunidos pelo Mais Berlim indicam que o problema não está restrito a um único tipo de evento, bairro ou público.

As histórias ouvidas pela reportagem aconteceram em festas brasileiras, bares, eventos de rua, ambientes privados e grandes celebrações públicas.

Nem todos os casos foram confirmados por exames laboratoriais.

Mas todos deixaram marcas.

Em alguns casos, físicas.

Em outros, emocionais.

A Polícia de Berlim afirma que o principal desafio continua sendo a rápida eliminação dessas substâncias do organismo e a dificuldade de reunir provas.

Enquanto autoridades discutem mudanças na legislação e especialistas defendem mais prevenção, vítimas seguem enfrentando não apenas os efeitos físicos dos episódios, mas também as consequências emocionais de experiências que muitas vezes permanecem sem respostas.

O Mais Berlim também aguarda respostas adicionais da Polícia de Berlim sobre os casos relatados nesta reportagem, incluindo o episódio envolvendo Gissauro Araújo.

O post Casos de “Boa Noite Cinderela” disparam em Berllim apareceu primeiro em .

]]>
https://maisberlim.com/boa-noite-cinderela-berlim-ko-tropfen-alemanha/feed/ 0
Brasileiro assume comando do principal time de vôlei de Berlim e já leva equipe à semifinal https://maisberlim.com/brasileiro-tecnico-berlin-recycling-volleys-semifinal/ https://maisberlim.com/brasileiro-tecnico-berlin-recycling-volleys-semifinal/#respond Sun, 05 Apr 2026 14:11:36 +0000 https://maisberlim.com/?p=1357 Alexandre Leal, brasileiro, assume o Berlin Recycling Volleys e já leva o time à semifinal dos playoffs. Conheça sua trajetória internacional.

O post Brasileiro assume comando do principal time de vôlei de Berlim e já leva equipe à semifinal apareceu primeiro em .

]]>
Foto: Pressefoto Gora

Alexandre Leal, técnico do Berlin Recycling Volleys, aposta em intensidade, gestão de grupo e experiência internacional para buscar mais um título


De quase 10 anos no Taubaté ao comando em Berlim

A trajetória de Alexandre Leal até o comando do Berlin Recycling Volleys é marcada por consistência e formação sólida dentro do voleibol de alto nível.

O brasileiro construiu a base da sua carreira no Vôlei Taubaté, onde atuou entre as temporadas 2013/2014 e o início de 2021/2022. Durante esse período, trabalhou como analista de desempenho até 2020/2021 e depois como auxiliar técnico.

No clube paulista, acumulou conquistas importantes:

  • bicampeão da Superliga (2018/19 e 2020/21)
  • campeão do Sul-Americano de Clubes (2015/16)
  • bicampeão da Copa do Brasil (2014/15 e 2016/17)
  • campeão da Supercopa do Brasil (2020/21)
  • múltiplos títulos do Campeonato Paulista

Além disso, integrou a comissão técnica da seleção brasileira nos Jogos Pan-Americanos de Lima 2019, onde conquistou a medalha de bronze como analista de desempenho.


Experiência internacional antes da Alemanha

Após deixar o Brasil, Leal iniciou sua trajetória internacional. Trabalhou no Kuwait, pelo Kazma, e na Arábia Saudita, pelo Al Hilal, ambos como auxiliar técnico.

No Kazma, foi vice-campeão da liga e da copa nacional do Kuwait.

Também acumulou experiências como auxiliar técnico na Holanda e na Turquia antes de chegar à Alemanha.


A chegada a Berlim e a promoção

18.01.26, Berlin, Volleyball, 17. Spieltag, Berlin Recycling Volleys – Helios Grizzlys Giesen.

Leal chegou ao Berlin Recycling Volleys como auxiliar técnico e permaneceu na função por duas temporadas e meia até janeiro deste ano, quando assumiu o comando da equipe principal.

A mudança aconteceu após a saída do treinador anterior — um momento delicado, como ele próprio define:

“É uma situação que nunca é legal. Um colega de trabalho foi desligado, mas o clube precisava de alguém para assumir. A gente tem que fazer o que for necessário para ajudar o clube que te acolheu.”


“Não mudou nada — só a responsabilidade”

Mesmo com o novo cargo, o treinador reforça que sua forma de trabalhar permanece a mesma.

“Tô fazendo o que eu sempre fiz. Não mudou nada. Continuo fazendo o que eu sempre faço, mas com mais responsabilidades, com mais decisões a serem tomadas. Agora é literalmente a responsabilidade de decidir, não apenas de dar suporte.”

Para ele, manter a identidade foi essencial para chegar até aqui — e continua sendo no novo desafio.


Ajustes pontuais e continuidade

Ao assumir o time, Leal encontrou uma estrutura já consolidada e optou por ajustes pontuais.

“A equipe já tinha uma situação bem sólida. Fiz alguns ajustes no dia a dia de treinamento, mas não grandes mudanças.”

A base de trabalho foi mantida, com foco na evolução progressiva.


Um estilo mais brasileiro

18.01.26, Berlin, Volleyball, 17. Spieltag, Berlin Recycling Volleys – Helios Grizzlys Giesen.

A principal diferença aparece na forma de conduzir o grupo.

“Talvez um pouco mais latino, um pouco mais brasileiro. Um pouco mais intenso, mais enérgico, mas também com calma. Tem que ter um balanço entre as duas coisas.”

Segundo ele, esse equilíbrio entre intensidade e controle é essencial no alto nível.


Mudar a atmosfera foi o primeiro objetivo

Nos primeiros meses como técnico principal, o foco esteve no ambiente interno da equipe.

“É difícil fazer uma autoavaliação, mas a atmosfera com certeza mudou. Esse era o meu principal foco.”


Time já está na semifinal dos playoffs

O impacto do trabalho já aparece em resultados. O Berlin Recycling Volleys venceu as quartas de final da Bundesliga e garantiu vaga na semifinal.

Agora, a equipe aguarda a definição do adversário na próxima fase.

“Agora começa uma outra competição. Playoffs são uma outra competição.”

“Berlim é uma das melhores equipes da Europa e o objetivo é sempre ser campeão.”


O que realmente conta no voleibol internacional

Mesmo vindo de uma das maiores escolas de vôlei do mundo, Leal relativiza o peso da origem.

“O mais importante é o que você constrói dentro da equipe. Não é de onde você veio, mas o que você faz no clube.”


Um gigante do vôlei europeu

O Berlin Recycling Volleys é um dos clubes mais dominantes da Alemanha nas últimas décadas. A equipe soma mais de 10 títulos da Bundesliga, além de conquistas da Copa da Alemanha e da Supercopa.

O clube também é presença frequente na CEV Champions League, consolidando-se como uma das principais forças do voleibol europeu.

A aposta da diretoria em Alexandre Leal foi justamente para dar um novo impulso ao elenco.

“Alexandre Leal vem realizando um trabalho valioso há três anos no clube. Mesmo quando era estatístico, já assumia mais responsabilidades do que o habitual e atuava quase como um segundo auxiliar técnico. Demos a ele a oportunidade de assumir como treinador principal porque a equipe precisava de um novo impulso. Ele encara esse desafio com muito empenho e ambição. Valorizamos não apenas seu conhecimento de vôlei, mas também sua paixão pelo esporte e sua forma humana de lidar com as pessoas.”


O momento mais importante da carreira

Agora como técnico principal de uma das maiores equipes da Europa, Alexandre Leal vive o auge da carreira.

Sem prometer revoluções, mas apostando em intensidade, consistência e gestão de grupo, o brasileiro já começa sua trajetória no comando levando o time à semifinal — e com o objetivo claro de manter Berlim no topo.

Você pode enviar essa matéria para um amigo, na versão alemão ou inglês:

Quer saber mais? Mais Berlim News.

O post Brasileiro assume comando do principal time de vôlei de Berlim e já leva equipe à semifinal apareceu primeiro em .

]]>
https://maisberlim.com/brasileiro-tecnico-berlin-recycling-volleys-semifinal/feed/ 0
Corpo de brasileira encontrada morta em Berlim é liberado quase um mês após a morte; família decide pela cremação https://maisberlim.com/quando-um-brasileiro-morre-na-alemanha-burocracia-investigacao-e-altos-custos-enfrentados-por-familias/ https://maisberlim.com/quando-um-brasileiro-morre-na-alemanha-burocracia-investigacao-e-altos-custos-enfrentados-por-familias/#respond Wed, 11 Mar 2026 14:50:38 +0000 https://maisberlim.com/?p=1203 Caso da brasileira Graziele Costa Moreira em Berlim revela burocracia, investigação policial, custos funerários e o que famílias precisam fazer quando um brasileiro morre na Alemanha.

O post Corpo de brasileira encontrada morta em Berlim é liberado quase um mês após a morte; família decide pela cremação apareceu primeiro em .

]]>
Graziele Moreira – imagem cedida pela família

O corpo da brasileira Graziele Costa Moreira, encontrada morta em seu apartamento em Berlim, foi liberado pelas autoridades alemãs, nesta quarta-feira, 11, quase um mês após a morte, segundo informou a família ao portal Mais Berlim. Com a liberação, os familiares decidiram realizar a cremação na Alemanha, diante dos altos custos e da demora para transportar o corpo ao Brasil.

Atualização do Caso em 11 de março, às 23h02.

Quase um mês após a morte de Graziele Costa Moreira, o corpo da brasileira foi finalmente liberado pelas autoridades alemãs. A família agora iniciou os procedimentos para a cremação na Alemanha.

Segundo a mãe de Graziele, a decisão foi tomada após avaliar os custos e o tempo necessário para transportar o corpo ao Brasil.

“Os custos são muito altos para trazer o corpo e também é muito demorado. Já vai completar quase um mês desde que ela morreu”, afirmou.

De acordo com o cunhado da brasileira, Rafael Padrão, a família foi informada sobre a liberação do corpo pela Embaixada do Brasil em Berlim.

Com a liberação, os familiares começaram a organizar os próximos passos do processo. Até o momento, os valores confirmados incluem 2.408,92 euros para a cremação, além de impostos. A família também estima gastos entre 800 e 1.000 euros para o transporte da urna com as cinzas, além de taxas adicionais.

O laudo oficial sobre a causa da morte ainda não foi divulgado. Segundo informações repassadas à família, o resultado pode levar até três meses ou mais para ser concluído.

De acordo com informações repassadas à família, as autoridades alemãs já descartaram o envolvimento de terceiros na morte.


A seguir, matéria publicada em 11 de março, às 17h05


Morte de brasileira em Berlim expõe burocracia e custos enfrentados por famílias de estrangeiros na Alemanha

A morte de brasileiros no exterior costuma trazer, além da dor da perda, uma série de procedimentos burocráticos complexos que muitas famílias desconhecem até se verem diante da situação. Na Alemanha, os processos legais podem levar dias ou semanas até a liberação do corpo, enquanto os custos para sepultamento ou traslado ao Brasil podem chegar a dezenas de milhares de euros.

O caso recente da brasileira Graziele Costa Moreira, 44 anos, natural de Sete Lagoas (Minas Gerais) e residente em Berlim há cerca de 12 anos, ilustra essas dificuldades enfrentadas por familiares que precisam lidar com essas etapas à distância.

Graziele foi encontrada morta em seu apartamento na capital alemã, no dia 19 de fevereiro. Desde então, a família aguarda a conclusão da investigação conduzida pelas autoridades alemãs.

Segundo o cunhado da brasileira, Rafael Padrão, a família ainda não recebeu o laudo definitivo sobre a causa da morte.

“Ela comentou que estava com febre e um pouco cansada e que iria descansar. A gente estava organizando a viagem dela para visitar o Brasil em abril. Essa foi a última mensagem que tivemos”, contou.

Ela relatou à mãe, no sábado 14 de fevereiro, que havia tido uma febre alta na noite anterior, sem razão clara. A partir do domingo, já não respondia mais às mensagens e ligações da mãe.

Depois disso, familiares tentaram contato, mas não tiveram resposta.

“A gente tentou ligar e mandar mensagens, mas não tivemos retorno. Como não tínhamos muitos contatos dela na Alemanha, pedimos ajuda a um amigo que trabalha com ela em Berlim.”

O amigo foi até o apartamento alguns dias depois.

“Ele bateu na porta, chamou e ligou para ela, mas não teve resposta. Então chamou a polícia e os bombeiros, que constataram que ela já estava sem vida.”

Até o momento, segundo a família, as autoridades alemãs descartaram sinais de violência.

“A polícia informou que descartou qualquer fator externo. Pode ter sido um vírus ou um mal súbito, mas ainda não temos confirmação”, disse Rafael.


Investigação pode levar dias ou semanas

Graziele e sua mãe, Margarida.

A família ainda aguarda a conclusão da investigação.

Segundo Rafael Padrão, o pedido de autópsia foi encaminhado ao procurador responsável.

“A policial responsável já deixou o pedido de autópsia na mesa do procurador. A gente ainda não sabe se já foi feita ou quando sai o resultado. Eles sempre falam que pode sair hoje ou amanhã, mas nunca tem data definida.”

Enquanto o processo não é concluído, a família enfrenta outra dificuldade: não pode acessar documentos pessoais da brasileira.

“Enquanto não tiver liberação da polícia, a gente não pode entrar no apartamento para ver documentos ou saber se ela tinha seguro de vida. Também não temos acesso ao celular ou ao computador.”


Como funciona o processo após uma morte na Alemanha

Advogada Glória Hermsdorf explica protocolo rigoroso em caso de mortes na Alemanha

Segundo a advogada Glória Hermsdorf, especializada em questões jurídicas envolvendo brasileiros no exterior, o procedimento após uma morte na Alemanha segue protocolos rigorosos.

De acordo com Glória Hermsdorf, o primeiro passo é a constatação da morte por um médico.

“O médico analisa o corpo e determina a causa do falecimento. Dependendo da situação, a polícia também pode ser chamada para verificar se houve morte natural ou se existe suspeita de crime.”

Isso ocorre principalmente quando a morte acontece fora de hospitais, como em residências.

Depois da verificação médica e policial, o corpo é liberado e encaminhado para uma funerária.


Como o corpo é preservado enquanto o processo acontece

Enquanto a família decide os próximos passos ou aguarda a conclusão de investigações, o corpo permanece sob responsabilidade das autoridades funerárias.

Segundo Glória Hermsdorf, os corpos são mantidos em câmaras refrigeradas.

“Eles ficam em locais com refrigeração, como grandes câmaras frias. O corpo é mantido em temperatura controlada até que seja enterrado ou cremado.”

Algumas funerárias possuem estrutura própria para isso. Outras utilizam instalações específicas para conservação dos corpos.

Durante esse período, podem existir custos de armazenamento.


Custos elevados levam famílias a buscar alternativas

Família divulgou uma chave PIX para doações. Você encontra na imagem acima.

Outro desafio enfrentado por famílias é o custo dos procedimentos funerários na Alemanha.

Segundo a família de Graziele, orçamentos iniciais indicaram valores entre 9 mil e 11 mil euros para sepultamento.

Já a cremação apresenta custos menores.

“A cremação fica entre dois mil e três mil e quinhentos euros”, explicou Rafael Padrão, cunhado de Graciele.

Além do custo menor, a cremação também reduz a burocracia para transporte internacional.

“Enviar um corpo envolve muitas exigências sanitárias e documentação. Transportar as cinzas é muito mais simples”, disse.

Diante dos custos, a família iniciou uma campanha de arrecadação.

“A gente criou uma vaquinha e amigos e conhecidos ajudaram na divulgação. A prefeitura de Sete Lagoas também ajudou.”


Dificuldades com doações internacionais

A família também tentou arrecadar recursos no exterior.

“A gente tentou usar o aplicativo Wise para receber doações internacionais, mas tivemos muitos problemas. Eles bloquearam várias doações e pediram documentos que não faziam sentido naquele momento”, contou Rafael.

Parte das doações acabou sendo cancelada.

“A gente precisou transferir o dinheiro arrecadado para uma conta brasileira.”

Até o momento, o valor arrecadado cobre apenas parte dos custos.


Procuração pode evitar conflitos e atrasos

A advogada Glória Hermsdorf explica que brasileiros que vivem no exterior podem evitar muitas dificuldades deixando uma procuração pública para uma pessoa de confiança.

Esse documento permite que alguém cuide da burocracia em caso de falecimento.

Sem a procuração, pode ser necessário recorrer ao tribunal para definir quem será responsável pelas decisões.

Segundo Glória Hermsdorf, disputas familiares podem atrasar o processo.

A advogada relatou um caso em que a esposa de um falecido queria decidir sobre o enterro, mas a família dele não concordava.

A disputa acabou indo para o tribunal.

“O corpo ficou aguardando decisão judicial por cerca de dois meses até que o caso fosse resolvido”, contou.


Seguro pode evitar custos elevados

Outra recomendação de Glória Hermsdorf é a contratação de seguros que cubram despesas funerárias ou traslado internacional.

Segundo ela, turistas que viajam para a Europa normalmente possuem seguros com essa cobertura.

Já brasileiros que vivem no exterior podem contratar seguros específicos.

“Existem seguros que cobrem funeral, cremação, burocracia e até cerimônia.”


Qual é o papel da Embaixada do Brasil

A Embaixada do Brasil em Berlim pode prestar orientação administrativa às famílias em caso de morte de brasileiros na Alemanha.

Entre os serviços oferecidos estão:

  • emissão gratuita da certidão brasileira de óbito
  • orientação sobre procedimentos com autoridades alemãs
  • auxílio no contato com funerárias
  • informações sobre cremação, sepultamento e traslado

A embaixada também orienta sobre a documentação necessária para transporte de restos mortais para o Brasil.

No entanto, a representação diplomática ressalta que não pode custear despesas funerárias ou transporte do corpo.


Planejamento pode evitar dificuldades

Especialistas destacam que, embora seja um tema difícil, o planejamento pode evitar dificuldades adicionais para familiares.

Isso inclui manter familiares informados sobre:

  • documentos importantes
  • seguros contratados
  • contatos de emergência
  • decisões sobre cremação ou sepultamento

Essas informações podem facilitar muito os procedimentos em momentos delicados.


Leia também

A importância de Graziele para a comunidade brasileira em Berlim.

Depoimentos de quem conviveu com Graziele até às vésperas de seu falecimento.

Outro caso envolvendo brasileiros na Alemanha foi relatado pelo Mais Berlim recentemente.

Corpo de brasileira vítima de intoxicação por gás na Alemanha é liberado para repatriação

O post Corpo de brasileira encontrada morta em Berlim é liberado quase um mês após a morte; família decide pela cremação apareceu primeiro em .

]]>
https://maisberlim.com/quando-um-brasileiro-morre-na-alemanha-burocracia-investigacao-e-altos-custos-enfrentados-por-familias/feed/ 0
Alemanha se consolida como 3º maior mercado europeu para o turismo no Brasil https://maisberlim.com/alemanha-se-consolida-como-3o-maior-mercado-europeu-para-o-turismo-no-brasil/ Fri, 06 Mar 2026 19:22:20 +0000 https://maisberlim.com/?p=1155 Brasil usou dados para entender que o alemão prefere destinos com turismo sustentável e regenerativo.

O post Alemanha se consolida como 3º maior mercado europeu para o turismo no Brasil apareceu primeiro em .

]]>
Participação brasileira na ITB Berlin reforça estratégia para atrair mais visitantes alemães

Durante três dias, de 3 a 5 de março, Berlim sediou a ITB Berlin, considerada uma das maiores e mais influentes feiras de turismo do mundo. O evento reúne anualmente destinos, empresas e autoridades do setor para discutir tendências e fechar negócios no mercado global de viagens.

Nesta edição, o Brasil apresentou uma estratégia clara: fortalecer a relação com o mercado alemão e ampliar a presença de turistas europeus no país.

Segundo dados da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo), a Alemanha é hoje o terceiro maior mercado europeu emissor de turistas para o Brasil, atrás apenas de Portugal e França. O crescimento reforça a importância estratégica do país para o turismo brasileiro.

O Mais Berlim acompanhou o evento diretamente do pavilhão brasileiro e conversou com autoridades do setor, representantes de destinos e visitantes internacionais.

Evolução do turismo alemão no Brasil

Para entender a importância do mercado alemão, é preciso observar a evolução do número de visitantes ao longo dos últimos anos.

Turistas alemães no Brasil (2019–2024)

2019 — 221.000

2020 — 68.000

2021 — 51.000

2022 — 120.000

2023 — 158.000

2024 — 177.000

Fonte: Embratur / Polícia Federal

Os números mostram o impacto da pandemia no turismo internacional e a recuperação do fluxo de visitantes nos anos seguintes. Em 2024, cerca de 177 mil turistas alemães visitaram o Brasil, consolidando o país como um dos principais mercados europeus para o destino.

Ranking europeu de turistas para o Brasil

Principais mercados europeus (2024)

Portugal — 218.000

França — 208.000

Alemanha — 177.000

Reino Unido — 152.000

Itália — 129.000

Espanha — 118.000

Fonte: Embratur / Polícia Federal

Entre os países europeus, Portugal e França lideram o envio de turistas para o Brasil. A Alemanha aparece na terceira posição, consolidando sua importância estratégica para o turismo brasileiro.

Estratégia para atrair mais alemães ao Brasil

Uma das principais vozes brasileiras na feira foi Lilás Nascimento, executiva da Embratur responsável pelo desenvolvimento de negócios da instituição no mercado europeu, que tem base no escritório sediado em Lisboa.

Segundo ela, a estratégia atual aposta em três pilares: sustentabilidade, inteligência de dados e ampliação da conectividade aérea.

“Estamos lançando uma nova campanha de marketing no mercado europeu, com o mote do turismo sustentável e regenerativo, que é uma pauta muito forte para o público alemão.”

De acordo com a executiva, todas as ações da agência seguem essa linha estratégica.

“Essa gestão da Embratur é muito orientada por dados. Temos uma equipe forte de inteligência de mercado que nos ajuda a entender para onde devemos ir e quais estratégias desenvolver com operadores e companhias aéreas.”

A estratégia inclui parcerias com operadores internacionais, empresas aéreas e iniciativas de capacitação para o mercado europeu.

Parceria com a Azul lança Brazil Air Pass

Foto de 周 康

Uma das medidas divulgadas durante a feira foi o programa Brazil Air Pass, desenvolvido em parceria com a companhia aérea Azul.

A iniciativa permite que turistas estrangeiros que já compraram um voo internacional para o Brasil adquiram até cinco voos domésticos adicionais com tarifas reduzidas, incentivando a visita a mais destinos dentro do país.

“Com esse programa o visitante consegue conhecer mais destinos pagando menos”, explicou Lilás.

“Isso está alinhado com nossa estratégia de diversificar a oferta turística e levar visitantes também para regiões menos conhecidas.”

Amazônia no radar do mercado europeu

Foto Alejandro Om. Floresta Amazônica

Outra iniciativa destacada na feira foi a parceria com o Import Promotion Desk, programa apoiado pelo governo alemão.

O projeto selecionou cinco empresas brasileiras da Amazônia para participar de um processo de incubação voltado ao mercado internacional. As empresas recebem consultoria e capacitação para comercializar seus produtos turísticos na Europa.

A ação busca fortalecer o turismo sustentável e ampliar a presença de experiências amazônicas no mercado europeu.

Plataforma reúne experiências autênticas no Brasil

Durante a feira também foi apresentada a plataforma Feel Brasil, que reúne 101 experiências turísticas sustentáveis e autênticas em diferentes regiões do país.

A iniciativa conecta operadores internacionais a experiências ligadas a:

• natureza

• cultura

• comunidades locais

• turismo regenerativo

Capacitação para agentes de viagem europeus

Outra iniciativa importante é o programa Brazil Travel Specialist, uma plataforma de treinamento online voltada a agentes de viagem estrangeiros.

O programa oferece cursos e materiais sobre destinos brasileiros e busca ampliar a presença do Brasil nos catálogos de operadoras internacionais.

Segundo a Embratur, a nova fase da plataforma também inclui programas de recompensa para agentes que se especializarem na venda do destino Brasil.

Fonte: Embratur.

Conectividade aérea entre Alemanha e Brasil

A expansão das rotas aéreas também é considerada essencial para o crescimento do turismo entre os dois países.

Foto Pixabay

Principais rotas diretas

Frankfurt – São Paulo (Lufthansa / LATAM)

Frankfurt – Rio de Janeiro (Lufthansa)

Munique – São Paulo (Lufthansa)

Frankfurt – Recife (Condor)

Fonte: Companhias aéreas / dados do setor.

O aeroporto de Frankfurt é atualmente o principal hub europeu para voos diretos para o Brasil, enquanto o aeroporto de São Paulo–Guarulhos funciona como a principal porta de entrada de turistas internacionais no país.

Destinos brasileiros que atraem turistas alemães

Foto: Raul Dario (Foz do Iguaçu)

Destinos ligados à natureza e à biodiversidade estão entre os mais procurados pelo público alemão.

Entre os principais destinos estão:

• Rio de Janeiro

• Foz do Iguaçu

• São Paulo

• Amazônia

• Salvador

• Pantanal e Bonito

Fonte: Embratur / trade turístico internacional.

Olhar internacional sobre o Brasil

Um visitante alemão da região de Dresden contou ao Mais Berlim que o Brasil ainda está na sua lista de destinos a conhecer.

“Quando penso no Brasil, penso em um país enorme, com muitas paisagens e culturas diferentes. Claro que também ouvimos falar de desafios e conflitos, mas ao mesmo tempo sabemos que é um país muito bonito.”

Ele afirmou que ainda não visitou o país, mas pretende fazê-lo no futuro.

“Ainda não fui ao Brasil, mas está definitivamente na minha lista de lugares que quero conhecer.”

Um visitante dos Países Baixos destacou a dimensão do país e o interesse pela natureza.

“Quando penso no Brasil, a primeira coisa que me vem à cabeça é a Amazônia.”

Ele explicou que ainda não visitou o país porque a viagem exige planejamento.

“É um país enorme, quase como um continente. Para conhecê-lo bem é preciso tempo e planejamento.”

Mesmo assim, ele pretende visitar o Brasil no futuro.

“Gostaria muito de conhecer a Amazônia, mas também cidades como Rio de Janeiro, Brasília ou São Paulo.”

Uma visitante de Cabo Verde destacou a forte ligação cultural entre os dois países.

“Quando penso no Brasil, penso em um país muito bonito, com uma cultura forte e muito próxima da nossa. Cabo Verde e Brasil têm muitas conexões históricas e culturais.”

Ela contou que já esteve no país.

“Eu já visitei o Brasil, mas foi uma viagem de trabalho. Agora estou planejando voltar para conhecer melhor.”

Durante sua visita, ela passou por Brasília e Fortaleza.

“O que mais me marcou foi a forma como as pessoas recebem os visitantes. A hospitalidade é muito parecida com a de Cabo Verde. Somos povos que gostam de receber bem.”

Estados brasileiros aproveitam ITB Berlin para promover destinos internacionais

Além da estratégia nacional apresentada pela Embratur, diversos estados brasileiros participaram da ITB Berlin para promover seus destinos diretamente ao mercado europeu.

Representantes de diferentes regiões do país estiveram presentes na feira para apresentar experiências ligadas ao ecoturismo, turismo cultural, natureza e destinos urbanos, além de fortalecer relações com operadores e agentes de viagem internacionais.

A seguir, dois exemplos de estados que participaram da feira e conversaram com o Mais Berlim.


Paraná aposta em natureza, cultura e nas Cataratas do Iguaçu para atrair turistas europeus

Foz do Iguaçu – Cataratas Foto: José Fernando Ogura/ANPr

O estado do Paraná esteve presente na ITB Berlin com representantes da agência Viaje Paraná, instituição responsável pela promoção do turismo do estado.

Daltron, assessor da presidência do Viaje Paraná, destacou o potencial turístico da região e a importância da presença em eventos internacionais.

“Estamos aqui para mostrar ao mundo o que o Paraná tem a oferecer. O estado reúne destinos muito diversos, como Curitiba, Foz do Iguaçu e várias regiões com experiências de natureza e cultura que estão prontas para receber visitantes internacionais.”

Segundo ele, a participação em feiras internacionais é fundamental para fortalecer o posicionamento do estado no turismo global.

Luana (tradutora VBrata), Célia Andrade (Secretária de Turismo de Foz do Iguaçu),
Daltron Neto e Marcelo Martini (Viaje Paraná). Foto: Embratur

“Eventos como a ITB Berlin são muito importantes para conectar nossos destinos com operadores, agentes de viagem e turistas de diferentes partes do mundo.”

Marcelo, diretor de operações do Viaje Paraná e natural de Foz do Iguaçu, destacou o potencial do estado no turismo de natureza e aventura.

“O Paraná tem um enorme potencial em ecoturismo e turismo de aventura. Estamos trabalhando para ampliar a presença do estado no mercado internacional e atrair cada vez mais visitantes.”

Também presente no estande do estado, Célia, secretária de Turismo do Paraná, destacou a importância de Foz do Iguaçu como um dos destinos brasileiros mais conhecidos no exterior.

“Os turistas alemães são um dos principais mercados europeus para Foz do Iguaçu. Todos os anos recebemos visitantes de cerca de 190 países.”

Segundo ela, as Cataratas do Iguaçu estão entre os destinos mais desejados por turistas internacionais.

“Quem vê uma foto das cataratas quer conhecer pessoalmente. É impressionante observar a reação das pessoas quando chegam pela primeira vez. Muitos dizem que aquele lugar estava na lista de destinos que sonhavam visitar.”

Ela também destacou o impacto emocional do local.

“As Cataratas do Iguaçu têm uma energia muito especial. É um lugar que realmente emociona quem chega ali.”


Mato Grosso do Sul promove Pantanal e Bonito como destinos de natureza para o público internacional

Tucano, em Bonito, MS. Foto: Fernando Maidana

O estado de Mato Grosso do Sul também participou da feira para apresentar dois de seus principais destinos de natureza: o Pantanal e a região de Bonito.

Breno Amorim, representante do turismo do estado, destacou o potencial das experiências de natureza para o mercado internacional.

“O Mato Grosso do Sul ainda não é um destino massivo, mas sim um destino de experiência, especialmente para quem busca contato com a natureza.”

Segundo ele, o Pantanal tem despertado grande interesse entre turistas estrangeiros.

“O Pantanal chama muito a atenção dos visitantes internacionais, principalmente pela observação da vida selvagem, que muitas vezes é comparada a um safari africano.”

Breno explicou que a região oferece a possibilidade de conhecer dois destinos importantes em uma única viagem.

Breno Amorim – representante do Mato Grosso do Sul

“Com apenas um voo é possível visitar dois dos principais destinos de natureza do Brasil: Bonito e o Pantanal. Eles ficam a cerca de duas horas e meia um do outro, mas oferecem experiências completamente diferentes.”

Bonito é conhecido pelas águas cristalinas e atividades de natureza.

“Bonito é considerado o paraíso das águas cristalinas. São mais de cinquenta atrativos ligados a rios, flutuação e mergulho em águas transparentes.”

Já o Pantanal se destaca pela observação da fauna.

“O Pantanal oferece experiências únicas de observação da vida selvagem, seja em fazendas pantaneiras ou em cruzeiros pelo rio.”

Segundo ele, a experiência costuma marcar profundamente os visitantes.

“Muitos turistas dizem depois que a viagem foi transformadora e que mudou a forma como enxergam a natureza.”

Turismo brasileiro vive momento histórico

Segundo dados da Embratur, o Brasil recebeu cerca de 9,28 milhões de turistas internacionais em 2025, o maior número já registrado.

O crescimento é impulsionado pela retomada das viagens internacionais e pelo fortalecimento das estratégias de promoção do país no exterior.

Uma ponte entre Brasil e Alemanha

Para o Mais Berlim, acompanhar a ITB Berlin de perto reforça a importância da comunidade brasileira na Alemanha como ponte entre os dois países.

O turismo se consolida como um instrumento de aproximação cultural, econômica e social entre Brasil e Alemanha.

E a mensagem da Embratur durante a feira foi clara:

“Precisamos levar mais alemães para conhecer o Brasil.”

Texto original produzido por Mais Berlim

Fontes: Embratur, Import Promotion Desk, Feel Brasil, ITB Berlin, Polícia Federal do Brasil, companhias aéreas e dados do trade turístico internacional.


Você pode ler ou compartilhar essa matéria na versão em alemão. Clique link abaixo:

Deutschland wird zum drittgrößten europäischen Markt für den Tourismus nach Brasilien

O post Alemanha se consolida como 3º maior mercado europeu para o turismo no Brasil apareceu primeiro em .

]]>
Alemanha abate javalis para controle populacional. Recorde passou de 800 mil em um ano. https://maisberlim.com/abate-de-javalis-na-alemanha-recorde-passou-de-800-mil-por-ano/ https://maisberlim.com/abate-de-javalis-na-alemanha-recorde-passou-de-800-mil-por-ano/#respond Sun, 01 Mar 2026 13:48:20 +0000 https://maisberlim.com/?p=1131 Berlim já registrou até 3.700 javalis abatidos em uma única temporada. Na Alemanha, os números ultrapassaram 800 mil por ano. O crescimento da espécie, aliado a casos curiosos e episódios de ataque, mantém o debate sobre controle populacional em evidência.

O post Alemanha abate javalis para controle populacional. Recorde passou de 800 mil em um ano. apareceu primeiro em .

]]>
Após um encontro inesperado na floresta de Wuhlheide, reportagem do Mais Berlim investiga crescimento populacional, política de abate e os desafios da convivência urbana com javalis

De cara com o javali em Berlim

A madrugada do último dia 28 de fevereiro terminou de forma inesperada. Eu voltava de uma festa e precisei caminhar por cerca de 30 minutos entre a estação de trem de Karlshorst e minha casa. Seguia pela calçada da avenida que divide duas partes da floresta de Wuhlheide quando, de repente, dei de frente com um javali que parecia prestes a atravessar a via.

O animal parou e ficou me encarando. O susto foi imediato. Por alguns segundos, temi que ele pudesse avançar. Não corri. Afastei-me lentamente e peguei o celular para registrar o momento. Instantes depois, ele atravessou correndo a avenida. Em seguida, outro javali surgiu e também cruzou a pista. Além do medo inicial, veio a preocupação com o risco de atropelamento. Só depois de vê-los desaparecerem entre as árvores segui caminho, aliviado.

O episódio reacendeu uma pergunta recorrente entre moradores da capital alemã: afinal, quantos javalis existem em Berlim e por que eles estão tão presentes na cidade?


Quantos javalis existem na Alemanha e em Berlim?

Doğan Alpaslan Demir

Na Alemanha, o principal indicador oficial é o número anual de animais abatidos, divulgado pelo Deutscher Jagdverband (DJV). Em temporadas recentes, o país registrou mais de 800 mil javalis abatidos em um único ano, um recorde histórico.

Pesquisadores da Universität Bonn explicam que o número de abates não corresponde ao total da população, mas serve como indicador de tendência. Estimativas científicas apontam que a Alemanha pode ter entre 1,5 e 2 milhões de javalis, dependendo das condições climáticas e ambientais.

Em Berlim, estudos citados pelo Leibniz-Institut für Zoo- und Wildtierforschung (IZW) estimam que haja entre 3.000 e 5.000 javalis vivendo dentro dos limites urbanos.

O IZW conduz um projeto comparativo entre Berlim e Barcelona, analisando geneticamente cerca de 400 animais em cada cidade. Os resultados indicam que existem subpopulações urbanas estáveis, geneticamente estruturadas, o que demonstra adaptação real ao ambiente urbano — não se trata apenas de animais que entram ocasionalmente na cidade.


Por que a população cresce?

Foto de Filip Olsok

Segundo pesquisas da Universität Bonn:

  • fêmeas podem se reproduzir já no primeiro ano de vida
  • as taxas de sobrevivência aumentaram com invernos mais amenos
  • a expansão agrícola amplia a oferta de alimento
  • a dieta onívora permite ocupação de diferentes habitats
  • a espécie possui enorme plasticidade ecológica

O javali (Sus scrofa) é um porco selvagem nativo da Europa. Não é invasor. A espécie sempre existiu na Alemanha — o que mudou foi sua capacidade de prosperar em paisagens agrícolas e ambientes urbanos.

Estudos genéticos mostram ainda taxas de paternidade múltipla entre 23% e 30% em algumas populações, fator que também contribui para o crescimento acelerado.


Por que o abate é adotado como política pública?

Foto: Pixabay

Apesar da intensificação da caça, os pesquisadores indicam que as altas taxas reprodutivas compensam parte significativa da pressão exercida pelo abate.

Ainda assim, o controle é considerado necessário por autoridades devido a:

  • danos extensivos à agricultura
  • aumento de colisões com veículos
  • risco de disseminação de doenças zoonóticas

Entre as doenças associadas ao javali, a Peste Suína Africana representa ameaça significativa à suinocultura europeia.

Pesquisadores alertam que dados de abate tendem a subestimar o tamanho real das populações, mas continuam sendo a principal ferramenta de monitoramento disponível.

Evolução do abate de javalis na Alemanha (Jagdstrecke)

  • Anos 1980: entre 150.000 e 250.000 javalis abatidos por temporada
  • 2000/2001: cerca de 300.000 animais
  • 2010/2011: aproximadamente 550.000
  • 2016/2017: 589.417
  • 2017/2018: cerca de 820.000 (recorde histórico até então)
  • 2019/2020: cerca de 690.000
  • 2020/2021: 687.581
  • 2022/2023: aproximadamente 550.000
  • 2023/2024: cerca de 550.600 (dados preliminares consolidados pelo BMEL)

Fonte: Estatísticas oficiais de caça do Deutscher Jagdverband (DJV) e Bundesministerium für Ernährung und Landwirtschaft (BMEL).

Evolução do abate de javalis em Berlim (Land Berlin)

  • 2000/2001: cerca de 1.200 javalis abatidos
  • 2010/2011: aproximadamente 2.500
  • 2015/2016: cerca de 3.400
  • 2017/2018: aproximadamente 3.700
  • 2019/2020: cerca de 2.800
  • 2020/2021: aproximadamente 1.900 (queda associada a restrições da pandemia)
  • 2022/2023: cerca de 2.200
  • 2023/2024: aproximadamente 2.000 (dados mais recentes consolidados)

Fonte: Estatísticas oficiais de caça do estado de Berlim (Jagdstatistik Land Berlin).


Ataques registrados em Berlim

Embora incidentes sejam raros, há casos documentados.

Foto de Magda Ehlers

Charlottenburg, 2012

Em outubro de 2012, um javali de aproximadamente 120 quilos atacou quatro pessoas no bairro de Charlottenburg, incluindo dois idosos, uma jovem e um policial que tentou intervir. O animal foi abatido pelas autoridades. O caso teve repercussão internacional e foi noticiado pelo The Guardian.

Friedrichshagen, 2025

Em abril de 2025, uma mulher ficou ferida após um incidente envolvendo javalis em um parque em Friedrichshagen. Equipes de emergência, incluindo helicóptero de resgate, foram acionadas. O caso foi reportado pelo The Berliner.

Especialistas reforçam que ataques geralmente são defensivos, sobretudo quando há filhotes ou quando o animal se sente encurralado.


O episódio que viralizou: o javali e o laptop

Em 2020, um episódio inusitado ocorrido no Teufelssee ganhou repercussão mundial.

Um javali saiu da mata e levou uma sacola que continha um laptop. O dono da bolsa, que tomava sol em uma área de nudismo, saiu correndo atrás do animal. A cena foi fotografada por uma frequentadora do lago, Adele Landauer, tornando-se símbolo da convivência peculiar entre humanos e fauna urbana em Berlim.


Quando Berlim caçou uma “leoa” que virou javali

Em julho de 2023, moradores do sul de Berlim e da região de Brandemburgo viveram dias de tensão após a divulgação de um vídeo que supostamente mostrava uma leoa solta na área de Kleinmachnow.

A polícia mobilizou helicópteros, drones, veterinários e caçadores. Moradores foram orientados a permanecer em casa, e a busca ganhou repercussão internacional.

Dois dias depois, após análise técnica das imagens e consultas a especialistas em fauna, as autoridades concluíram que o animal filmado provavelmente era um javali — espécie comum na região.

O caso virou manchete em veículos como a BBC e o Der Spiegel, e entrou para a lista de episódios curiosos envolvendo javalis na capital alemã.

A ocorrência reforçou como a silhueta e o porte de um javali em baixa luminosidade podem gerar interpretações equivocadas — especialmente em uma cidade onde a fauna selvagem já faz parte do cotidiano urbano.

Convivência exige informação

O encontro na Wuhlheide terminou sem incidentes. A recomendação das autoridades permanece clara: manter distância, não correr, não alimentar e manter cães na guia.

Berlim é uma das capitais mais verdes da Europa, com florestas interligadas como a Wuhlheide e o Grunewald, criando corredores naturais que favorecem a circulação da fauna.

O desafio das autoridades é equilibrar segurança, conservação ambiental e controle populacional em uma cidade onde a natureza insiste em permanecer presente.


Texto original produzido por Mais Berlim

Leia mais…

O post Alemanha abate javalis para controle populacional. Recorde passou de 800 mil em um ano. apareceu primeiro em .

]]>
https://maisberlim.com/abate-de-javalis-na-alemanha-recorde-passou-de-800-mil-por-ano/feed/ 0
Depressão no inverno: o frio afeta mesmo a saúde mental? Especialistas explicam https://maisberlim.com/depressao-no-inverno-o-frio-afeta-mesmo-a-saude-mental-especialistas-explicam/ https://maisberlim.com/depressao-no-inverno-o-frio-afeta-mesmo-a-saude-mental-especialistas-explicam/#respond Fri, 20 Feb 2026 19:09:43 +0000 https://maisberlim.com/?p=1102 Se você quer saber se depressão de inverno existe veja o que dizem os especialistas ouvidos pelo Mais Berlim.

O post Depressão no inverno: o frio afeta mesmo a saúde mental? Especialistas explicam apareceu primeiro em .

]]>
Imagem: Tobi

Texto original criado por Mais Berlim

O inverno na Alemanha traz dias mais curtos, o sol aparece menos e a rotina muda. Para muitos brasileiros que vivem em Berlim e em outras cidades do país, esse período vem não só com o frio, mas também com alterações no humor, na energia e na disposição.

Mas afinal: isso é apenas uma sensação ou existe, de fato, uma relação entre inverno e depressão?

O Mais Berlim ouviu especialistas para entender o que está por trás dessas mudanças — e como cuidar da saúde mental nessa época do ano.


Depressão vai muito além da tristeza

Guilherme Medeiros

Segundo o médico pós-graduando em psiquiatria Guilherme Medeiros, é importante começar desmistificando o conceito de depressão.

“Quando falamos em depressão, não é só tristeza. É uma condição médica que afeta o humor, a energia, o sono, o apetite e, principalmente, a capacidade de sentir prazer.”

Ele explica que nem sempre a depressão se manifesta com choro ou emoções intensas.

“Às vezes, o que mais chama atenção é o oposto: a pessoa vai ficando mais apática, sem vontade, cansada emocionalmente.”

Apesar da complexidade, há um ponto essencial:

“Depressão tem tratamento e tem recuperação.”


Existe mesmo ‘depressão de inverno’?

Imagem: Daniel Reche

A resposta é: sim, mas com nuances.

De acordo com Guilherme, existe uma condição chamada transtorno afetivo sazonal, que ocorre em algumas pessoas durante períodos com menos luz solar.

“A luz influencia diretamente o nosso relógio biológico e substâncias cerebrais ligadas ao humor. Com dias mais curtos, algumas pessoas apresentam mais cansaço, sonolência, aumento do apetite e queda do humor.”

O psicoterapeuta Gabriel Vila Nova reforça que o inverno alemão pode sim impactar o bem-estar emocional, mas faz um alerta importante:

“Nem todo sintoma depressivo caracteriza um transtorno depressivo maior. A depressão é multifatorial — nunca é uma coisa só.”

Ou seja: o inverno pode contribuir, mas não é o único fator.


Por que o inverno pesa mais para quem mora na Alemanha?

Imagem: Melanie Duck

Além da redução da luz solar, há mudanças no estilo de vida que também influenciam:

  • Menos tempo ao ar livre
  • Redução do convívio social
  • Maior isolamento
  • Rotina mais sedentária

Para brasileiros vivendo fora, existe ainda um fator importante destacado por Gabriel:

“Muitas pessoas têm pouca rede de apoio na Alemanha. E essa rede é fundamental — tanto para o convívio quanto para ajudar a perceber quando é hora de buscar ajuda.”

Segundo ele, amigos e pessoas próximas podem ser essenciais para identificar sinais que, sozinho, nem sempre são percebidos.


Vitamina D: qual o papel dela nisso tudo?

A vitamina D costuma ser um dos temas mais comentados no inverno — e com razão.

Guilherme explica:

“Níveis baixos de vitamina D estão associados a maior risco de sintomas depressivos, embora não seja a causa única.”

Mas ele faz um alerta importante:

“Nem todo mundo precisa suplementar. O ideal é avaliar com exame de sangue e fazer reposição com orientação médica.”


Serotonina, exercício e bem-estar

Imagem: André Castro

A educadora física Sônia de Oliveira destaca que a atividade física tem um papel fundamental, especialmente no inverno.

“Quando a gente se exercita, libera serotonina, conhecida como o hormônio do bem-estar. E uma das principais fontes naturais dela também é o sol — que fica escasso nessa época.”

Ela explica que a serotonina está ligada a diversos aspectos do corpo:

  • Humor
  • Sono
  • Apetite
  • Sensibilidade à dor

Com menos luz solar, o corpo tende a buscar compensações — muitas vezes na alimentação.

“O exercício ajuda a equilibrar isso, melhora o humor, o sono e até o controle do peso.”

E não precisa exagerar:

“Trinta minutos por dia já são suficientes.”


Sono, rotina e saúde mental

Outro ponto essencial destacado pelos especialistas é o sono.

“Dormir mal altera diretamente os circuitos cerebrais do humor”, explica Guilherme.

A recomendação inclui práticas simples de higiene do sono:

  • Manter horários regulares
  • Reduzir o uso de telas à noite
  • Dormir em ambiente escuro

Além disso, manter uma rotina equilibrada com alimentação adequada e atividade física faz parte do cuidado integral.


O papel das relações e do propósito

Imagem: Ketut Subiyanto

Gabriel reforça que saúde mental não se constrói apenas com hábitos físicos.

“A qualidade das relações, sentir que você pode ser quem é, ter objetivos e hobbies — tudo isso dá cor à vida e protege contra sintomas depressivos.”

Ele destaca que, quando esses pilares não são suficientes, buscar ajuda profissional é fundamental.


Tratamento: um caminho integrado

Os especialistas concordam: não existe uma única solução.

A abordagem mais eficaz envolve:

  • Mudanças no estilo de vida
  • Psicoterapia
  • E, quando necessário, tratamento medicamentoso

“A depressão envolve fatores biológicos, psicológicos e sociais. Por isso, o tratamento precisa ser integrado”, resume Guilherme.


Quando procurar ajuda?

Imagem: RDNE Stock project

Se os sintomas persistem por semanas, afetam a rotina ou tiram o prazer das atividades, é importante buscar apoio.

A rede de apoio pode ser o primeiro passo — mas profissionais são essenciais no cuidado.


Conclusão

O inverno pode, sim, impactar a saúde mental — especialmente em um país como a Alemanha, onde a luz natural diminui drasticamente. Mas ele não é o único fator.

A depressão é uma condição complexa, que envolve corpo, mente e contexto de vida.

A boa notícia é que existem caminhos — e quanto antes o cuidado começa, melhores são as chances de recuperação.

Encontre outras matérias aqui: Mais Berlim News

O post Depressão no inverno: o frio afeta mesmo a saúde mental? Especialistas explicam apareceu primeiro em .

]]>
https://maisberlim.com/depressao-no-inverno-o-frio-afeta-mesmo-a-saude-mental-especialistas-explicam/feed/ 0
“Um país que não apoia seus artistas não é um país”: Kléber Mendonça destaca acolhimento ao cinema brasileiro na Embaixada do Brasil em Berlim https://maisberlim.com/um-pais-que-nao-apoia-seus-artistas-nao-e-um-pais-kleber-mendonca-destaca-acolhimento-ao-cinema-brasileiro-na-embaixada-do-brasil-em-berlim/ https://maisberlim.com/um-pais-que-nao-apoia-seus-artistas-nao-e-um-pais-kleber-mendonca-destaca-acolhimento-ao-cinema-brasileiro-na-embaixada-do-brasil-em-berlim/#respond Thu, 19 Feb 2026 14:57:34 +0000 https://maisberlim.com/?p=1072 Em passagem por Berlim, durante o festival de cinena da cidade, Kléber Mendonça Filho falou sobre a importância do apoio do governo aos artistas.

O post “Um país que não apoia seus artistas não é um país”: Kléber Mendonça destaca acolhimento ao cinema brasileiro na Embaixada do Brasil em Berlim apareceu primeiro em .

]]>
Embaixador Rodrigo Soares, Kléber Mendonça Filho, Emilie Lesclaux

Evento realizado nesta quarta-feira (ontem), durante a Berlinale, reuniu cineastas brasileiros e reforçou o papel das embaixadas no apoio à cultura

Texto original criado por Mais Berlim


Na noite desta quarta-feira (ontem), a Embaixada do Brasil em Berlim voltou a se transformar em um verdadeiro ponto de encontro do cinema brasileiro durante a Berlinale. O evento deu continuidade a uma agenda que já havia começado no domingo anterior, quando artistas e produções brasileiras foram recebidos em uma primeira celebração oficial.

Mais do que um encontro protocolar, o momento revelou algo maior: um movimento de reaproximação entre o cinema brasileiro e a diplomacia do país — agora com portas abertas e presença ativa.


Um novo momento para o cinema brasileiro

O diretor Kléber Mendonça Filho, que concorre ao Oscar com quatro indicações pelo filme O Agente Secreto, foi direto ao ponto ao comentar essa mudança de cenário. Em tom crítico, mas também assertivo, ele destacou que a diferença não está na recepção internacional (referindo-se a outros países)— que, segundo ele, sempre existiu —, mas sim dentro da própria estrutura brasileira.

“A diferença entre ter um governo democrático e um governo que não respeita a arte brasileira. É só isso.”

Para o diretor, o problema vivido nos governos anteriores foi interno: a ausência de apoio institucional ao artista brasileiro por parte da própria diplomacia.

“Um país deve apoiar os seus artistas. Um país que não apoia seus artistas não é um país.”

Ele reforça que, mesmo durante períodos de negligência institucional, os filmes brasileiros continuaram sendo bem recebidos no exterior — o que evidencia ainda mais a importância do suporte oficial:

“Internacionalmente, os filmes continuaram sendo bem recebidos. Estou falando da diplomacia brasileira no período Temer/Bolsonaro era de ignorar o artista brasileiro. Isso tá errado e precisa ser lembrado.”


Berlim como símbolo desse acolhimento

Kléber Mendonça Filho, Karim Aïnouz, Emilie Lesclaux

A produtora Sara Silveira, uma das figuras mais respeitadas do cinema nacional, reforça que Berlim tem um papel histórico nesse processo.

Com mais de 20 anos de presença na Berlinale, ela aponta que a capital alemã sempre foi um ponto fora da curva no apoio institucional:

“Berlim é especial, porque foi sempre a Embaixada que abriu as portas para o cinema brasileiro — das únicas no mundo inteiro.”

Sara destaca ainda que o reconhecimento atual — incluindo as recentes presenças brasileiras no Oscar — é resultado de uma construção coletiva:

“Só se chega ao Oscar com grandes filmes, mas também com toda a base do cinema brasileiro.”

E completa, com entusiasmo:

“A embaixada de Berlim é o coração, é a que recebe o cinema brasileiro há anos.”


Recepções da Embaixada na Berlinale

Segundo apuração do Mais Berlim, a Embaixada do Brasil em Berlim não realizou recepções aos artistas nos anos 2019, 2020, 2021 e 2022. A partir do ano 2023, houve recepções anualmente.

Os artistas e produtores brasileiros que vêm participar do Festival de Cinema de Berlim são convidados para um coquetel, no salão de eventos da Embaixada, momento em que há oportunidade para trocas de experiências e contatos.

O impacto direto nos artistas

Emilie Lesclaux

A produtora de O Agente Secreto, Emilie Lesclaux, também percebe claramente essa mudança — inclusive no plano pessoal e profissional.

“A gente teve anos muito difíceis […] , de não acolher os filmes e os artistas, como se fosse uma orientação, na época do governo anterior.”

Hoje, segundo ela, o cenário é outro:

“É muito bom poder contar com o Itamaraty, com o apoio de todas as Embaixadas. […] A gente se sente realmente em casa.[…] E bom sentir que voltamos ao que sempre foi.”

Vivendo um momento de grande reconhecimento internacional — com dezenas de prêmios acumulados — Emilie resume a fase atual como uma experiência intensa e positiva:

“A gente está aproveitando cada momento. Não tem um dia que não seja interessante.”


O papel da diplomacia cultural

Embaixador Rodrigo Soares

O embaixador brasileiro em Berlim, Rodrigo Baena Soares, reforçou que esse movimento não é casual, mas parte de uma estratégia clara.

Segundo ele, cabe às representações diplomáticas promover o cinema brasileiro como ferramenta de conexão internacional:

“O Itamaraty tem que fazer todo o possível para que o público de cada país tenha o privilégio de assistir às nossas produções. […] O Itamaraty, como o braço do Estado brasileiro no exterior, tem que procurar apoiar sempre essas produções. ”

Ele também relembrou os dois momentos recentes organizados pela Embaixada durante a Berlinale — o encontro de domingo e a homenagem realizada nesta quarta-feira (ontem) — destacando a presença de diversas produções brasileiras no festival.

Para além do cinema, ele aponta o papel estratégico da cultura:

“A cultura é um dos melhores instrumentos da nossa política exterior — é o cimento das relações entre os países. […] Nós podemos mostrar o nosso país de uma forma até lúdica, suave. Então, nós temos essa capacidade, isso o Itamaraty tem que estimular e tem que promover. ”


Mais do que eventos: um momento de aproximação

O encontro na Embaixada do Brasil em Berlim reforça o papel das representações diplomáticas no apoio à cultura brasileira no exterior.

As falas de diretores, produtores e representantes do governo indicam um momento de maior proximidade entre o cinema brasileiro e a diplomacia do país, especialmente em espaços estratégicos como a Berlinale.

Nesse contexto, Berlim segue como um dos principais pontos de encontro entre o Brasil e o cenário internacional do cinema, reunindo artistas, produções e instituições em torno da promoção da cultura brasileira.

Continue lendo:

Brasileira faz história como primeira maestra a assumir orquestra da Alemanha que foi fundada há 130 anos.

O post “Um país que não apoia seus artistas não é um país”: Kléber Mendonça destaca acolhimento ao cinema brasileiro na Embaixada do Brasil em Berlim apareceu primeiro em .

]]>
https://maisberlim.com/um-pais-que-nao-apoia-seus-artistas-nao-e-um-pais-kleber-mendonca-destaca-acolhimento-ao-cinema-brasileiro-na-embaixada-do-brasil-em-berlim/feed/ 0
Como Lucas Laet usou o diário para se tornar Mister Brasil e Campeão Europeu de Jiu-jitsu. https://maisberlim.com/como-lucas-laet-usou-o-diario-para-se-tornar-mister-brasil-e-campeao-europeu-de-jiu-jitsu/ https://maisberlim.com/como-lucas-laet-usou-o-diario-para-se-tornar-mister-brasil-e-campeao-europeu-de-jiu-jitsu/#respond Fri, 13 Feb 2026 16:19:19 +0000 https://maisberlim.com/?p=1008 Diário de um campeão. Lucas Laet usa a escrita para treinar a mente. Em um ano, ele se tornou Mister Brasil e venceu o Europeu de jiu-jitsu.

O post Como Lucas Laet usou o diário para se tornar Mister Brasil e Campeão Europeu de Jiu-jitsu. apareceu primeiro em .

]]>

No dia 17 janeiro, em Lisboa, o árbitro levantou o braço de Lucas Laet Mattos no European Jiu-Jitsu Championship, organizado pela IBJJF – International Brazilian Jiu-Jitsu Federation. O carioca de 32 celebrou o título de campeão europeu, na categoria Faixa-preta, Master 1, Peso Médio. No ano passado, a faixa foi a de Mister Brasil, título de homem mais bonito do país.

Imagem acervo particular / Mister Brasil 2025

As vitórias de Lucas começaram num quarto silencioso, diante de uma folha em branco. Foi o que o Mais Berlim descobriu durante uma entrevista exclusiva, nessa quinta-feira, 12, durante sua passagem por Berlim.

E como será que um diário transformou a vida de um adolescente hiperativo. É o que vamos te contar agora.


“O papel aceita tudo”

Imagem: acervo particular – Campeonato Europeu 2026

Lucas tinha pouco mais de 20 anos quando uma lesão o tirou do tatame. O corpo parou. A mente não.

Foi ali que a escrita deixou de ser impulso e virou método.

“O papel aceita tudo. Ele aceita sonho, aceita valor milionário, aceita qualquer coisa. Ele tá ali em branco e cabe a gente preencher.”

Sem treinar, ele começou a organizar pensamentos, metas, frustrações, medos, planos.

O que parecia desabafo virou estratégia de alta performance.

Hoje, Lucas não começa um ciclo de preparação sem escrever.


O diário como treinador

Imagem acervo particular: Europeu de Jiu-jitsu 2026

No caderno que carrega na mochila, Lucas registra:

  • objetivos divididos em ciclos
  • metas semanais
  • pequenas vitórias diárias
  • erros técnicos
  • dificuldades emocionais
  • ajustes de rotina
  • padrões de comportamento

Ele não escreve apenas quando vence.

Escreve quando falha.

“Eu anoto o que eu quero melhorar, o que eu melhorei, o que não consegui.”

“É uma conversa comigo.”

“Se tentar construir a Muralha da China de um dia pro outro, não vai conseguir. Mas se colocar um tijolo por dia…”

O campeão europeu foi construído assim: um tijolo por dia.


A criança que precisava aprender a respirar

Acervo particular: Mister Brasil 2025

Antes do campeão, havia um menino inquieto.

Lucas fala sem romantizar: era briguento, indisciplinado. Hoje reconhece traços claros de hiperatividade — algo que, na época, ninguém sabia diagnosticar.

Foi o jiu-jitsu que trouxe ordem.

“O jiu-jitsu trouxe disciplina pra mim. Você aprende respeito, hierarquia, controle emocional.”

“Aprende a respirar sob pressão — literalmente.”

Respirar quando alguém mais pesado tenta te imobilizar.

Respirar quando o caos quer tomar conta.

O tatame ensinou controle do corpo.

O diário ensinou controle da mente.


Lisboa foi consequência

O Europeu da IBJJF é um dos torneios mais exigentes do calendário internacional.

O título europeu na categoria europeu, na categoria Faixa-preta, Master 1, Peso Médio, veio depois de meses de preparação física — e mental.

Cada ajuste estava anotado.

Cada treino dividido em ciclos.

Cada falha analisada.

Ele não fala em sorte.

Fala em processo.

“Eu tô feliz com o processo. Eu me ganhei durante o camp.”


Roma: defender o que já escreveu

Nesta sexta-feira 13, pela manhã, Lucas deixou Berlim rumo à Itália para disputar novamente o Abu Dhabi Grand Slam Rome, organizado pela Abu Dhabi Jiu Jitsu Pro, no Centro Olimpico Matteo Pellicone.

Ele foi campeão da sua categoria no ano passado. Agora retorna para defender o título. Mas Roma não é sobre provar algo ao mundo. O topo do ranking já fala por si. Roma é continuidade. É manter o padrão que foi escrito antes mesmo da viagem.


A faixa e a responsabilidade

Imagem acervo particular: Mister Brasil 2025

Em 2025, Lucas venceu o Mister Brasil.

O tema que apresentou foi direto:

“O esporte como ferramenta de transformação.”

Lucas conta que não planejava disputar concursos de beleza. O convite veio durante a pandemia, quando estava no Brasil e foi abordado por uma agência. Ele aceitou o desafio com a mesma disciplina que aplica ao esporte.

“Eu não estava esperando. Foi por acaso. Mas quando eu entro em algo, eu entro para dar o meu melhor”, afirma.

Em cinco dias de provas, em Balneário Camboriú, superou outros 38 candidatos e conquistou o título de Mister Brasil 2025 levando como tema “o esporte como ferramenta de transformação”.

E se tem provas e desafios, o diário está sempre lá, como ferramenta de treinamento mental.

Lucas passará oficialmente a faixa quando retornar ao Brasil para a cerimônia de transição do título.

Mas o que ele faz com a visibilidade importa mais do que a faixa.


Onde o diário vira ponte

Imagem acervo particular: Projeto Brasil do Amanhã

Instituto DHS Brasil do Amanhã

Lucas é embaixador do Instituto DHS Brasil do Amanhã, que atua entre as comunidades da Babilônia e Chapéu Mangueira, no Leme, Rio de Janeiro.

Ali, o esporte é ferramenta de acesso.

De autoestima.

De oportunidade.

Lucas usa seus títulos para captar:

  • kimonos
  • equipamentos
  • apoio educacional
  • aulas de inglês
  • chances internacionais para jovens atletas

“Quero trazer esperança pra vida dessa galera.”

“A beleza é pessoal. O que você faz com ela é o que importa.”


Diário de um roteirista

Imagem acervo particular: gravação ao lado do Cauã Reinold

Além dos títulos no tatame e nas passarelas, Lucas também levou sua história para o streaming. Ele participou do desenvolvimento da série Viajando de Kimono, produzida pela Caravana Filmes que será exibida no Globoplay e no Canal Combate.

A ideia nasceu anos atrás, durante um período de recuperação de lesão, quando começou a escrever o projeto no mesmo diário que usa até hoje.

“Eu já tinha esse esboço guardado. O jiu-jitsu não é só competição, é transformação, é identidade. Eu queria mostrar isso para o mundo”, explica.

E no mundo das telas, teve ainda uma passagem pela novela Vale Tudo, contracenando com o ator Cauã Reinold.

O que Berlim viu

Esse tour pela Europa incluiu seis países, por onde Lucas realizou workshops para atletas de jiu-jitsu. Aqui em Berlim, Alemanha, o foco inicial da matéria do Mais Berlim era falar sobre a curiosidade da visita de um Mister Brasil, mas Lucas tinha muito mais a mostrar.

Ele nos ensina, com o exemplo, que a vitória vem com propósito, que uma história se escreve a cada linha, e a correção dos erros pode mudar o rumo do roteiro, na próxima página.

.

Leia mais matérias em Mais Berlim News

O post Como Lucas Laet usou o diário para se tornar Mister Brasil e Campeão Europeu de Jiu-jitsu. apareceu primeiro em .

]]>
https://maisberlim.com/como-lucas-laet-usou-o-diario-para-se-tornar-mister-brasil-e-campeao-europeu-de-jiu-jitsu/feed/ 0