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Após relato da artista brasileira Gissauro Araújo, Mais Berlim reúne depoimentos de vítimas, dados inéditos da Polícia e alertas de especialistas sobre o uso de K.O.-Tropfen na Alemanha

Por Mais Berlim

Reportagem: Augusto Medeiros, Igor Abreu; Edição: Emilene Silva

Uma queda repentina.

Um apagão sem explicação.

Um nariz quebrado.

Um dente destruído.

E uma pergunta que permanece sem resposta.

Foi assim que começou a investigação do Mais Berlim sobre casos suspeitos de “Boa Noite Cinderela”, conhecidos na Alemanha como K.O.-Tropfen.

Nas últimas semanas, a reportagem ouviu vítimas, testemunhas, especialistas, organizadores de eventos, instituições  de apoio e a própria Polícia de Berlim. Os relatos vieram de Berlim, Colônia e outras cidades alemãs. Alguns terminaram em roubos, outros levantam suspeitas de crimes mais graves. Em comum, as vítimas  descrevem perda repentina de controle, falhas de memória, dificuldade para reunir provas e a sensação de vulnerabilidade diante de algo que muitas vezes desaparece do organismo antes mesmo de ser identificado.

O caso que motivou esta reportagem aconteceu na madrugada de 11 de maio de 2026, em Berlim.


“A noite começou a ficar estranha”

A artista e dançarina brasileira Gissauro Araújo havia passado o sábado inteiro participando de uma batalha de dança.

Depois do evento, seguiu para a casa do amigo Jonathan “Jhow” da Silva, onde ambos se prepararam para sair.

Gissauro conta que eles estavam cansados e quase desistiram.

“Estava aquela preguiça. A gente ficou enrolando para sair. Quando vimos já era uma hora, uma e meia da manhã.”

Mesmo assim decidiram ir para uma festa no Maaya, um clube que pode ser alugado para eventos, numa das regiões mais badaladas da cidade.

Ao chegar ao local encontraram amigos, deixaram seus pertences na recepção e seguiram para a pista.

“Era uma noite muito tranquila. A gente estava ali para dançar”, lembra a artista.

Segundo Gissauro, não havia intenção de beber muito.

“Não era uma noite de encher a cara. Era uma noite de dançar.”

Em determinado momento ela e Jhow dividiram uma caipirinha.

Mais tarde, Gissauro consumiu uma segunda bebida.

Ela contou ao Mais Berlim que bebeu aproximadamente uma caipirinha e meia ao longo de toda a noite.

Pouco depois começaram os sintomas.

Primeiro veio uma forte tontura.

“Eu senti uma tontura muito forte.”

A princípio ela não associou aquilo ao consumo de álcool.

“Eu praticamente não tinha bebido.”

Em seguida surgiu uma forte dor de barriga.

Ela foi ao banheiro.

“Eu fiquei sentada na privada pensando: nossa, que estranho.”

Depois retornou à pista.

Foi então que apareceu outro sintoma.

Frio.

Muito frio.

Ela decidiu sentar em um sofá próximo dos amigos.

Foi nesse momento que algo começou a lhe parecer errado.

“A noite começou a ficar estranha para mim.”

“Eu não sei explicar.”

“Parecia que alguma coisa estava errada.”

A dançarina conta que chegou a pensar que fosse apenas cansaço.

Mas os sintomas continuaram.

Então veio uma forte ânsia de vômito.

Ela se levantou para ir ao banheiro.

Não conseguiu chegar.

“Eu lembro de pensar: não vai dar tempo.”

Essa é a última lembrança clara que tem daquela madrugada.


“Eu acordei cheia de sangue”

A memória seguinte já é depois da queda.

“Eu acordei cheia de sangue.”

Ela estava caída no chão.

Desorientada.

Sem entender o que havia acontecido.

Ao redor estavam amigos e outras pessoas tentando ajudá-la.

“Eu lembro do Jhow falando comigo.”

“Foi isso que me despertou.”

A queda foi violenta.

Ela bateu o rosto diretamente no chão.

O impacto provocou uma fratura no nariz e a quebra de um dente.

“Foi um apagão muito estranho.”

Segundo Gissauro, nunca havia vivido algo semelhante.

“Nunca tive um apagão assim.”

“Nunca tive um desmaio assim.”

“Nem quando eu bebia mais no Brasil.”

O choque emocional foi imediato.

“Eu comecei a tremer.”

A primeira hipótese que lhe veio à cabeça foi justamente aquilo que mais temia.

“Minha mãe sempre falava para tomar cuidado com copo, com bebida, com alguém colocar alguma coisa.”

“E aconteceu justamente aquilo que eu tinha medo.”

Até hoje ela não consegue afirmar o que aconteceu.

Mas diz que jamais conseguiu explicar a perda repentina de consciência.


As testemunhas

Jonathan “Jhow” da Silva estava ao lado de Gissauro naquela noite.

Ele contou que os dois têm um hábito que adotaram justamente por receio desse tipo de situação: dividir bebidas.

“A gente sempre divide bebida.”

Segundo Jhow, essa prática faz parte dos cuidados que costumam ter quando saem.

“A gente tenta dividir justamente porque existe esse medo.”

Ele relata que, depois de algum tempo, começou a perceber mudanças no comportamento da amiga.

“Ela voltou da outra pista e sentou.”

Isso chamou sua atenção.

“Normalmente a gente dança muito.”

“Ela ficou mais quieta.”

Ainda assim acreditou que pudesse ser apenas cansaço.

Jhow conversava com o amigo Cléber Amaral quando ouviu um alerta.

“Cléber falou: ‘Jhow, ela caiu.’”

Quando chegou perto encontrou a amiga desacordada e sangrando.

“Eu coloquei minha mão embaixo da cabeça dela.”

“Fiquei falando o tempo todo: meu bem, estamos aqui.”

Pouco depois ela recuperou a consciência.

Durante a entrevista ao Mais Berlim, Jhow revelou que também passou por uma situação semelhante anos atrás.

Ele havia tomado apenas parte da segunda cerveja da noite quando começou a sentir uma forte náusea e intensa dor de cabeça.

Conseguiu chegar em casa.

Mas sofreu apagões.

“Eu lembro de tentar abrir a porta.”

“Depois lembro de acordar no chão da cozinha.”

Para ele, só não aconteceu algo pior porque conseguiu voltar para casa.

“Se fosse uma amiga sozinha, poderia ter sido muito pior.”

Cléber Amaral também presenciou a queda.

Ele viu quando Gissauro caminhou em direção ao bar e então caiu.

“Ela simplesmente apagou.”

“Havia muito sangue.”

Cléber ajudou nos primeiros socorros, controlou o sangramento, acionou a equipe de segurança e permaneceu ao lado da vítima.

“O correto teria sido chamar a ambulância.”

A equipe do Maaya informou à vítima que iria chamar a ambulância, mas Gissauro conta de recusou o atendimento de emergência.


Seis horas de espera e o exame que não aconteceu

Imagem: Mais Berlim

Assim como muitos imigrantes, Gissauro acreditava que uma ambulância poderia resultar em custos elevados.

Por isso decidiu voltar para casa.

Dormiu algumas horas.

E apenas depois procurou atendimento médico.

Hoje acredita que essa decisão pode ter prejudicado a coleta de provas.

Ao chegar ao hospital, informou que suspeitava que sua bebida pudesse ter sido adulterada.

Mesmo assim, segundo seu relato, aguardou aproximadamente seis horas para ser atendida.

“Foram umas seis horas esperando.”

Quando finalmente foi chamada, a atenção médica concentrou-se nos ferimentos provocados pela queda.

Uma tomografia descartou lesões graves na cabeça.

Mas confirmou a fratura no nariz.

O dente quebrado também exigiu atendimento urgente.

“O nervo ficou exposto.”

Segundo Gissauro, nenhum exame toxicológico foi solicitado.

Ela afirma que no relatório médico apareceu a palavra “intoxicação”, embora não tenha sido realizado exame de sangue.

Dias depois procurou a Polícia de Berlim.

Ela foi informada por uma policial que o exame deveria ter sido solicitado imediatamente.

A policial também teria alertado que muitas substâncias utilizadas nesses casos permanecem pouco tempo no organismo.


Casos crescem quase 1000% em Berlim

Foto de Myko Makh na Unsplash

Os dados obtidos com exclusividade pelo Mais Berlim junto à Polícia de Berlim mostram que os registros de suspeitas envolvendo K.O.-Tropfen aumentaram drasticamente na última década.

Em 2016 foram registrados 52 casos.

Em 2025 o número chegou a 569.

Isso representa um aumento de aproximadamente 994%, ou quase onze vezes mais registros em menos de dez anos.

Somente entre 1º de janeiro e 20 de maio de 2026 já haviam sido contabilizados outros 214 casos.

AnoCasos
201652
201761
201850
2019119
2020182
2021155
2022190
2023358
2024415
2025569
2026*214

*Dados até 20 de maio de 2026.


Friedrichshain-Kreuzberg lidera os registros

Segundo a Polícia de Berlim, os distritos com maior número de ocorrências registradas em 2025 foram:

  • Friedrichshain-Kreuzberg: 165 casos;
  • Mitte: 130 casos;
  • Neukölln: 59 casos.

Entre janeiro e maio de 2026, Friedrichshain-Kreuzberg permaneceu na liderança, com 76 registros.

A Polícia de Berlim ressalta que esses números não permitem concluir que determinados estabelecimentos sejam mais perigosos que outros e não atribui responsabilidade a locais específicos.


O que diz o MAAYA

O Mais Berlim procurou o Maaya para comentar o caso.

Em pronunciamento público divulgado nas redes sociais, João Victor Dantas Beyer, gerente de eventos, afirmou que o local tem equipes treinadas para lidar com situações de emergência e insegurança.

Ele explica que o treinamento envolve segurança, bar, limpeza, logística, awareness e demais funcionários da casa.

João afirmou que qualquer frequentador que se sinta inseguro deve procurar imediatamente um integrante da equipe.

“Se você vê uma ameaça ou sente que algo está errado, procure um funcionário”, reforça.

O responsável pelo espaço também destacou um ponto que conversa diretamente com a experiência vivida por Gissauro.

A ambulância.

Segundo ele, muitas vítimas recusam atendimento por acreditarem que precisarão arcar com os custos.

E pede, “se você é vítima, aceite ajuda.”

João afirmou que o seguro do local cobre situações dessa natureza e que o atendimento imediato é fundamental para proteger a vítima e preservar provas.

“Você não estará prejudicando a casa.”

“Você estará ajudando a identificar quem cometeu o crime.”

Além disso, destacou que o encaminhamento imediato ao hospital aumenta as chances de coleta de evidências e de abertura rápida de investigação policial.

Para ele, a prioridade deve ser sempre a segurança da vítima.


Outros relatos, apagões, roubos e situações de risco

Foto de Axville na Unsplash

Durante a apuração desta reportagem, o Mais Berlim ouviu brasileiros que viveram experiências semelhantes em diferentes contextos: festas brasileiras, bares, eventos de rua e encontros entre amigos.

Alguns relatos terminaram em roubos.

Outros envolvem situações que as vítimas descrevem como tentativas de aproveitamento da incapacidade de reação provocada pelas substâncias.

Em comum, de acordo com as informações da Polícia e de especialistas, os depoimentos apresentam elementos semelhantes aos associados aos chamados K.O.-Tropfen: perda repentina de consciência, apagões de memória, desorientação, dificuldade de locomoção, incapacidade de reagir e dificuldade posterior para reunir provas.


Mais um apagão após festa brasileira

Um dos casos mais recentes ocorreu após uma festa brasileira realizada no YAAM (Young African Art Market), um projeto sociocultural independente de Berlim, que reúne música, arte urbana, cultura africana e caribenha, esportes e iniciativas de integração social. 

Foi na noite de 8 para 9 de maio.

O Mais Berlim teve acesso ao caso e ouviu diretamente a vítima, um homem que pediu para não ser identificado.

Segundo o relato, a noite começou de forma completamente normal.

A vítima afirma que chegou bem ao evento e que havia consumido apenas uma cerveja comprada em um Späti Kaufe (uma loja de bebidas que permanece aberta até mais tarde) durante o trajeto.

Nada além disso.

A última lembrança clara da noite foi por volta das 2h30 da madrugada.

Depois disso, a memória desaparece completamente.

Não existem flashes.

Não existem recordações fragmentadas.

Não existe qualquer lembrança do que aconteceu durante as horas seguintes.

A próxima memória foi dentro de um trem da rede S-Bahn.

Eram quase seis horas da manhã.

Não sabia como havia chegado ali.

Não sabia por onde havia passado.

Nem conseguia reconstruir o trajeto realizado durante aquele período.

Ao recuperar a consciência percebeu que alguns pertences haviam desaparecido.

O celular não estava mais com ele.

Cerca de 100 euros em dinheiro também desapareceram.

Os cartões bancários, porém, permaneceram na carteira.

No dia seguinte registrou uma ocorrência online junto à Polícia de Berlim.

Poucas horas depois recebeu uma ligação dos investigadores.

No domingo, policiais compareceram à sua casa para recolher uma amostra de urina.

O material foi encaminhado para análise toxicológica.

Até o momento da entrevista ao Mais Berlim, a vítima ainda aguardava os resultados.

Além do possível uso de substâncias, o caso também envolve suspeita de roubo.

O Mais Berlim também procurou o YAAM para comentar o caso relatado nesta reportagem.

Até o fechamento desta edição, não havia recebido resposta.

A Polícia de Berlim também foi questionada sobre o episódio e informou que responderá posteriormente dentro dos trâmites normais da investigação.


“Você vai comigo para o quarto”

Acervo particular: Bruno Torati

O enfermeiro brasileiro Bruno Torati, morador de Berlim há mais de 14 anos, também relatou uma experiência que nunca esqueceu.

Foi durante o verão em um bar bastante conhecido da cidade.

Naquela noite aguardava a chegada de um amigo.

Os demais companheiros já haviam ido embora.

Foi então que um homem mais velho se aproximou.

Segundo Bruno, o desconhecido afirmou estar hospedado em um hotel localizado acima do estabelecimento.

Pouco depois fez um convite direto.

“Você não quer subir comigo?”

Bruno recusou.

Explicou que estava esperando um amigo.

O homem insistiu de outra forma.

Ofereceu uma cerveja.

Bruno aceitou.

Acervo Particular: Bruno Torati

Naquele momento não viu motivo para desconfiar.

Mas seu amigo já estava chegando ao local.

Ao passar de carro em frente ao bar, percebeu algo estranho.

Segundo Bruno, o amigo afirma ter visto o momento em que o homem teria colocado alguma substância no copo.

Ele correu até a mesa.

Mas nesse instante Bruno já havia tomado dois goles da bebida.

O efeito teria sido quase imediato.

“Eu comecei a passar mal muito rápido.”

Bruno conta que costuma consumir bebidas alcoólicas e que aquela era apenas sua terceira cerveja da noite.

Mesmo assim começou a perder completamente a coordenação motora.

Foi então que ouviu uma frase que nunca esqueceu.

“Você vai comigo para o quarto.”

Ele explicou que naquele momento já estava confuso.

Desorientado.

Sem conseguir reagir adequadamente.

O amigo precisou praticamente carregá-lo até o carro.

Durante o trajeto de volta para casa, vomitou diversas vezes.

Também sofreu apagões de memória.

“Eu não lembro de muita coisa.”

Segundo ele, só não aconteceu algo mais grave porque o amigo chegou antes do horário combinado.

“Se ele não tivesse chegado naquele momento, eu não sei o que teria acontecido.”

Hoje Bruno não aceita bebidas abertas oferecidas por desconhecidos.

“Só se abrir na minha frente.”

Em 14 anos vivendo em Berlim, afirma que foi a única situação desse tipo que enfrentou pessoalmente.

Mas diz conhecer outras pessoas que relatam experiências semelhantes.


Uma corrente de prata, um banheiro e o medo de não conseguir reagir.

Foto de Aleksandar Andreev na Unsplash

Outro relato recebido pelo Mais Berlim ocorreu em um estabelecimento da região de Neukölln.

A vítima pediu anonimato.

E conta que tudo começou após conhecer um homem durante a noite.

Mais tarde os dois seguiram para outro local.

Enquanto um conhecido jogava bilhar, ela permaneceu sentada próxima ao balcão.

Foi então que um segundo homem iniciou conversa.

Segundo o relato, ele perguntou várias vezes se ela estava sozinha.

“Ele perguntou duas ou três vezes.”

Em determinado momento colocou uma corrente de prata em sua mão.

A vítima acredita que foi exatamente naquele instante que sua bebida foi adulterada.

“Eu fiquei olhando para a corrente sem entender por que ele estava me dando aquilo.”

Depois começaram os sintomas.

Outros homens apareceram.

Um deles a conduziu até um banheiro.

Ali a situação ficou ainda mais estranha.

A vítima lembra que o homem mostrou drogas e dinheiro.

E afirma ter percebido que estava em perigo.

“Eu comecei a entrar em estado de alerta.”

Mesmo confusa, a vítima conseguiu sair do banheiro.

Do lado de fora encontrou novamente o conhecido que a acompanhava naquela noite.

Mas percebeu que não encontrava suas chaves.

Enquanto ele retornava ao interior do estabelecimento para procurá-las, dois homens se aproximaram.

Eles começaram a tocar seu corpo e tentar retirar suas roupas.

Ela afirma que naquele momento já tinha dificuldade de reagir e de compreender totalmente o que estava acontecendo.

O conhecido retornou e interrompeu a situação.

Pouco depois ela perdeu completamente as forças.

Uma ambulância foi chamada.

A vítima registrou ocorrência junto à polícia.

Meses depois foi informada de que não haviam sido encontradas imagens que permitissem avançar na investigação.

A vítima acredita que se tratava de uma ação coordenada envolvendo mais de uma pessoa.

“Para mim estava claro que era uma gangue.”

Ela afirma que o homem que acredita ter colocado algo em sua bebida não foi o mesmo que posteriormente a abordou do lado de fora do estabelecimento.


“Ela simplesmente decidiu me drogar”

Outro relato recebido pelo Mais Berlim aconteceu durante uma festa de aniversário em Berlim.

A vítima também pediu anonimato.

Naquela noite estava com forte dor de cabeça e pretendia ir embora.

Amigos insistiram para que permanecesse mais algum tempo.

Uma das convidadas ofereceu um suposto remédio.

Depois disso, as lembranças tornam-se fragmentadas.

A pessoa recorda apenas flashes.

Conversas.

Momentos de dança.

Trechos desconexos da noite.

No dia seguinte veio a descoberta.

Segundo o relato, a substância oferecida como remédio era, na verdade, ópio.

“Ela simplesmente decidiu que podia me drogar.”

A vítima afirma que nunca recebeu explicações convincentes sobre o episódio.

O caso nunca foi investigado formalmente.

Mas permanece como uma das experiências mais perturbadoras relatadas durante esta apuração.


“Até hoje tenho pânico do Carnaval de Colônia”

A brasileira Joanna Silva conta que sua vida mudou durante o Carnaval de Colônia.

O episódio ocorreu antes da pandemia.

Naquele dia ela viajou até a cidade acompanhada de uma amiga.

Como muitos foliões, carregava uma bebida preparada previamente.

Joanna diz que não havia consumido grande quantidade de álcool.

A última lembrança que possui é de quando entrou em um banheiro.

Depois disso, nada.

Horas mais tarde despertou em um hospital.

Estava deitada no chão de um corredor.

Molhada.

Suja.

Sem entender onde estava.

Sem saber como havia chegado ali.

Sem conseguir reconstruir o que tinha acontecido.

Sua primeira reação foi ir embora.

Saiu do hospital.

Foi até a estação de trem.

Telefonou para um amigo.

E voltou para casa chorando.

“Eu não sabia o que tinha acontecido comigo.”

Meses depois recebeu uma cobrança relacionada ao atendimento de emergência prestado naquele dia.

Posteriormente procurou um médico.

Segundo Joanna, ele afirmou que existia grande possibilidade de sua bebida ter sido adulterada.

Mas diante da quantidade de pessoas presentes no Carnaval de Colônia seria extremamente difícil descobrir o que aconteceu.

Até hoje ela evita participar da festa.

“Tenho pânico do Carnaval de Colônia.”


O relato mais antigo: Essen

Entre os relatos recebidos pelo Mais Berlim existe um que permanece doloroso mais de uma década depois.

Uma mãe contou à reportagem a história da filha.

O episódio foi em Essen, há cerca de onze anos.

Na época, a jovem tinha apenas 15 anos.

Alguém colocou uma substância em sua bebida durante uma festa.

Ela passou mal.

Foi levada para um quarto para descansar.

Mas a situação não terminou ali.

Segundo a mãe, a adolescente permaneceu consciente durante todo o episódio.

Ela sabia o que estava acontecendo ao seu redor.

Mas não conseguia se mover.

Não conseguia reagir.

Não conseguia pedir ajuda.

A mãe afirma que a situação “chegou ao extremo”, mas prefere não divulgar mais detalhes para preservar a privacidade da filha.

O trauma foi tão profundo que a jovem levou anos para falar sobre o assunto.

Nem a própria mãe sabia o que havia acontecido.

A revelação só veio cerca de seis anos depois do episódio.

Mãe e filha assistiam juntas a um programa de televisão alemão sobre K.O.-Tropfen quando a jovem começou a chorar.

Foi naquele momento que decidiu contar sua história.

Segundo a mãe, a filha carregou sozinha o peso daquela experiência durante anos.

Sem registrar ocorrência.

Sem procurar ajuda especializada.

Sem compartilhar o que havia vivido nem mesmo com familiares próximos.

A mãe contou ao Mais Berlim que até hoje a jovem prefere não falar publicamente sobre o assunto.

“A estratégia dela é esquecer e silenciar”, relatou.

A mãe decidiu compartilhar a história de forma anônima porque acredita que outras pessoas precisam ser alertadas.

“Quando a gente é jovem, acha que uma coisa dessas nunca vai acontecer numa festa de amigos.”

“Mas pode acontecer.”

Ela também faz um alerta que considera importante.

“Muitas vezes as pessoas pensam que o perigo vem de desconhecidos. Mas também é preciso ter cuidado com o círculo de conhecidos e com pessoas que frequentam os mesmos ambientes.”

Segundo a mãe, o homem envolvido no episódio era um convidado da festa que sua filha não conhecia.

Mais de uma década depois, ela afirma que ainda sofre ao lembrar que não pôde proteger a filha do que aconteceu naquela noite.

“Essas pessoas destroem almas.”


Um padrão que se repete

Embora os casos tenham ocorrido em cidades diferentes, em contextos específicos e períodos distintos, vários elementos se repetem nos relatos ouvidos pelo Mais Berlim.

As vítimas descrevem:

  • sensação repentina de desorientação;
  • perda de memória;
  • dificuldade para permanecer em pé;
  • apagões;
  • náuseas;
  • vômitos;
  • incapacidade de reagir;
  • desaparecimento de pertences;
  • dificuldade para reunir provas posteriormente.

Em muitos casos, as pessoas só perceberam a gravidade da situação horas depois, quando a oportunidade de realizar exames toxicológicos já havia passado.

Os relatos também mostram que o fenômeno não está restrito a um único tipo de ambiente.

As ocorrências mencionadas nesta reportagem ocorreram em festas brasileiras, bares, eventos de rua, ambientes privados e grandes celebrações públicas.

O que são os K.O.-Tropfen

Imagem: Charles Chen

Embora a expressão “Boa Noite Cinderela” seja amplamente utilizada no Brasil, na Alemanha o termo mais comum é K.O.-Tropfen, algo que poderia ser traduzido livremente como “gotas que apagam”.

A farmacêutica Mikaella Miranda Siqueira, pós-graduada em Farmácia Clínica e Prescrição Médica pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), explica que não se trata de uma substância única.

Na verdade, o termo engloba diferentes drogas capazes de provocar sedação, perda de memória, confusão mental e incapacidade de reação.

“Muitas dessas substâncias são incolores e praticamente não possuem sabor, o que facilita sua administração sem que a vítima perceba”, explica.

Segundo a especialista, os principais grupos utilizados nesses casos são:

  • Benzodiazepínicos;
  • Ácido gama-hidroxibutírico (GHB);
  • Ketamina.

Os benzodiazepínicos são medicamentos prescritos para ansiedade severa e distúrbios do sono.

Já o GHB foi originalmente estudado como anestésico e pode provocar depressão profunda do nível de consciência.

A ketamina, por sua vez, é um anestésico dissociativo utilizado em procedimentos médicos.

“Embora diferentes substâncias possam ser usadas indevidamente, elas podem ser agrupadas em três pilares principais, de acordo com o mecanismo de ação sobre o sistema nervoso central”, alerta.


Por que elas são tão perigosas

Segundo Mikaella Siqueira, um dos principais riscos é a combinação dessas substâncias com álcool.

“O efeito pode ser potencializado de forma exponencial.”

Além da sedação profunda, os efeitos podem incluir:

  • perda de memória;
  • relaxamento muscular;
  • dificuldade de reação;
  • alterações de consciência;
  • confusão mental;
  • incapacidade de locomoção;
  • depressão respiratória.

Em casos extremos, podem levar à morte.

Os benzodiazepínicos costumam provocar bloqueio na formação de novas memórias.

O GHB produz rápida sedação e perda de consciência.

Já a ketamina pode criar um estado dissociativo no qual a pessoa permanece parcialmente consciente, mas incapaz de reagir adequadamente ao ambiente.

“A vítima pode aparentar estar acordada, mas encontra-se desconectada da realidade e sem condições de tomar decisões”, explica.


O tempo é o maior inimigo das investigações

Imagem: Adrian Susec

Um dos maiores desafios para as autoridades é a rápida eliminação dessas substâncias pelo organismo.

Segundo Mikaella Siqueira:

  • Benzodiazepínicos podem permanecer ativos por até 12 horas;
  • GHB costuma desaparecer em cerca de 3 horas;
  • Ketamina pode deixar de ser detectável após aproximadamente 2 horas.

A resposta enviada pela Polícia de Berlim ao Mais Berlim confirma essa dificuldade.

Segundo a corporação, o GHB pode ser detectado no sangue por apenas cinco a seis horas.

Na urina, o prazo costuma chegar a aproximadamente onze horas.

Após esse período, as chances de comprovação diminuem drasticamente.

“A oportunidade para coleta de provas é extremamente curta”, destacou a polícia.

Esse detalhe ajuda a explicar por que muitos casos acabam sem confirmação laboratorial.

As vítimas frequentemente despertam horas depois dos acontecimentos, ainda desorientadas e sem compreender exatamente o que ocorreu.


Polícia de Berlim: número de casos quase 11 vezes maior que em 2016

Foto de Ivan Lopatin na Unsplash

Os dados enviados pela Polícia ao Mais Berlim mostram uma evolução que preocupa as autoridades.

Os registros envolvendo os termos “KO-Wirkstoff”, Ketamina, GHB e Rohypnol passaram de 52 casos em 2016 para 569 casos em 2025.

Trata-se de um crescimento de aproximadamente 994%.

Segundo a polícia, a maior parte dos registros não está relacionada exclusivamente a crimes sexuais.

Os casos incluem também:

  • roubos;
  • lesões corporais;
  • furtos;
  • situações em que a vítima perde completamente a capacidade de reação.

A corporação informou que não tem dados sobre a subnotificação, mas reconhece que ela provavelmente é elevada.


O que aparece nos exames toxicológicos

Foto de CDC na Unsplash

A Polícia de Berlim também forneceu ao Mais Berlim uma lista das substâncias mais frequentemente identificadas em análises laboratoriais realizadas pelo setor de criminalística da corporação ao longo de 2025.

Os resultados incluem substâncias que podem ser utilizadas como K.O.-Mittel.

As mais detectadas foram:

SubstânciaCasos
Álcool (etanol)62
Cocaína32
Anfetamina19
THC17
MDMA11
Ketamina11
Difenidramina10
Metanfetamina8
GHB7
Pregabalina7
Diazepam6

A polícia ressalta, porém, que esses resultados não permitem concluir automaticamente que houve crime.

Segundo a corporação, não é possível determinar apenas pelo exame se a substância foi consumida voluntariamente ou administrada por terceiros.


ZIF defende penas mais duras

O crescimento dos casos levou o tema ao debate político nacional.

Em dezembro de 2025, o Centro de Informação Central dos Abrigos Autônomos para Mulheres (ZIF) apresentou um parecer ao governo alemão defendendo o endurecimento das penas relacionadas ao uso de K.O.-Tropfen.

O Centro apoia mudanças legislativas que equiparem o uso dessas substâncias ao emprego de meios particularmente perigosos em crimes sexuais e roubos.

Em maio deste ano, o governo federal avançou com uma proposta para aumentar a pena mínima aplicável nesses casos de dois para cinco anos de prisão.

No documento enviado ao Ministério Federal da Justiça, o ZIF afirma:

“A classificação dos K.O.-Tropfen como meio perigoso pode ter um efeito simbólico importante para a sociedade.”

Mas ressalta que a punição, sozinha, não resolverá o problema.

“O fator decisivo para uma sociedade livre de violência é a prevenção consistente.”


“Berlim diz não”

O ZIF também participa da campanha “Berlin sagt Nein zu K.O.-Tropfen” (“Berlim diz não às drogas de violação”).

A iniciativa reúne instituições de apoio às vítimas, profissionais da saúde, organizações de prevenção e grupos da sociedade civil.

A campanha destaca que homens, mulheres e pessoas LGBTQIA+ podem ser vítimas.

Além disso, enfatiza a necessidade de:

  • campanhas educativas permanentes;
  • atendimento especializado;
  • acolhimento das vítimas;
  • coleta rápida de provas;
  • combate à culpabilização das pessoas afetadas.

A subnotificação preocupa

Segundo o ZIF, um dos maiores desafios continua sendo a quantidade de casos que nunca chegam ao conhecimento das autoridades.

“A subnotificação desses crimes é extremamente alta.”

A organização afirma que muitas vítimas:

  • sentem vergonha;
  • não conseguem reconstruir os acontecimentos;
  • têm medo de não serem acreditadas;
  • evitam reviver o trauma.

Por isso,  o ZIF defende treinamento especializado para profissionais da saúde, policiais e integrantes do sistema de Justiça.

O objetivo é evitar situações de revitimização.

“Perguntas que culpabilizam as vítimas devem pertencer ao passado.”


O que dizem os organizadores de eventos

O Mais Berlim também procurou organizadores de festas brasileiras em Berlim para entender como o tema está sendo tratado dentro da comunidade.


Bossa FM

A organização da Bossa FM informou que a segurança do público é prioridade.

Segundo a produtora, já houve relatos de situações suspeitas em eventos anteriores, motivo pelo qual protocolos preventivos vêm sendo reforçados.

A Bossa FM afirmou que realiza alinhamentos constantes com equipes de segurança e busca agir rapidamente diante de qualquer ocorrência.

A organização também declarou que procura impedir a entrada de pessoas envolvidas em incidentes anteriores sempre que isso é possível.


Bruta Flor

O produtor Aurélio Santos, da Bruta Flor, afirmou que nunca registrou casos graves em seus eventos ao longo dos últimos oito anos.

Segundo ele, o foco agora é ampliar as medidas preventivas e incentivar denúncias imediatas.


Forró di Kenga reforça awareness

A produtora Bruna Veiga, do Forró di Kenga, informou ao Mais Berlim que nunca registrou casos desse tipo em seus eventos.

Segundo ela, a festa conta com uma equipe de Awareness e adota medidas preventivas em todas as edições.

A anfitriã da festa, Gabi, costuma apresentar ao público as regras de convivência, acolhimento e segurança no início dos eventos.

Além disso, a produção orienta a equipe do bar a observar pessoas que aparentem estar excessivamente alteradas e continuem solicitando bebidas.

Segundo Bruna, a prevenção e a atenção aos sinais de vulnerabilidade fazem parte da política permanente da festa.


Maloca Berlin

O produtor Ricci Ferreira, da Maloca Berlin, afirmou que acompanha o tema com preocupação.

Segundo ele, existe atualmente uma suspeita envolvendo um frequentador, que relatou perda de memória e desaparecimento de pertences.

Até o momento da entrevista, os resultados laboratoriais ainda não haviam sido divulgados.

Ricci afirma que pretende ampliar ações de awareness e comunicação direta com o público.

Entre as medidas estudadas estão:

  • avisos constantes durante festas;
  • reforço da equipe de awareness;
  • campanhas educativas;
  • criação de uma rede de troca de informações entre organizadores.

“A gente precisa continuar fazendo das nossas festas espaços seguros.”

Ricci também defende a criação de mecanismos de cooperação entre produtores para impedir a circulação de pessoas identificadas em episódios de violência ou comportamento predatório.


O que fazer se você suspeitar de K.O.-Tropfen

A Polícia de Berlim orienta que qualquer suspeita seja tratada imediatamente.

As recomendações incluem:

Durante a festa

  • Nunca deixar bebidas desacompanhadas;
  • Aceitar apenas bebidas fechadas ou abertas diante de você;
  • Evitar consumir bebidas com sabor ou cheiro incomum;
  • Observar mudanças repentinas em amigos.

Se algo parecer errado

  • Procurar imediatamente funcionários, seguranças ou amigos;
  • Não sair sozinho com desconhecidos;
  • Acionar socorro médico em casos de desorientação grave ou perda de consciência.

Se houver suspeita de adulteração

  • Procurar imediatamente um hospital;
  • Solicitar coleta de sangue e urina;
  • Guardar copos, garrafas e outros possíveis vestígios;
  • Evitar tomar banho caso exista possibilidade de crime sexual;
  • Registrar ocorrência policial o mais rápido possível.

A Polícia de Berlim destaca que a rapidez é decisiva.

Em alguns casos, substâncias como o GHB podem desaparecer do sangue em apenas cinco ou seis horas.


Uma discussão que está longe de terminar

Os dados oficiais mostram que os registros de suspeitas envolvendo K.O.-Tropfen cresceram fortemente em Berlim na última década.

Os relatos reunidos pelo Mais Berlim indicam que o problema não está restrito a um único tipo de evento, bairro ou público.

As histórias ouvidas pela reportagem aconteceram em festas brasileiras, bares, eventos de rua, ambientes privados e grandes celebrações públicas.

Nem todos os casos foram confirmados por exames laboratoriais.

Mas todos deixaram marcas.

Em alguns casos, físicas.

Em outros, emocionais.

A Polícia de Berlim afirma que o principal desafio continua sendo a rápida eliminação dessas substâncias do organismo e a dificuldade de reunir provas.

Enquanto autoridades discutem mudanças na legislação e especialistas defendem mais prevenção, vítimas seguem enfrentando não apenas os efeitos físicos dos episódios, mas também as consequências emocionais de experiências que muitas vezes permanecem sem respostas.

O Mais Berlim também aguarda respostas adicionais da Polícia de Berlim sobre os casos relatados nesta reportagem, incluindo o episódio envolvendo Gissauro Araújo.

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Brasileiro assume comando do principal time de vôlei de Berlim e já leva equipe à semifinal https://maisberlim.com/brasileiro-tecnico-berlin-recycling-volleys-semifinal/ https://maisberlim.com/brasileiro-tecnico-berlin-recycling-volleys-semifinal/#respond Sun, 05 Apr 2026 14:11:36 +0000 https://maisberlim.com/?p=1357 Alexandre Leal, brasileiro, assume o Berlin Recycling Volleys e já leva o time à semifinal dos playoffs. Conheça sua trajetória internacional.

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Foto: Pressefoto Gora

Alexandre Leal, técnico do Berlin Recycling Volleys, aposta em intensidade, gestão de grupo e experiência internacional para buscar mais um título


De quase 10 anos no Taubaté ao comando em Berlim

A trajetória de Alexandre Leal até o comando do Berlin Recycling Volleys é marcada por consistência e formação sólida dentro do voleibol de alto nível.

O brasileiro construiu a base da sua carreira no Vôlei Taubaté, onde atuou entre as temporadas 2013/2014 e o início de 2021/2022. Durante esse período, trabalhou como analista de desempenho até 2020/2021 e depois como auxiliar técnico.

No clube paulista, acumulou conquistas importantes:

  • bicampeão da Superliga (2018/19 e 2020/21)
  • campeão do Sul-Americano de Clubes (2015/16)
  • bicampeão da Copa do Brasil (2014/15 e 2016/17)
  • campeão da Supercopa do Brasil (2020/21)
  • múltiplos títulos do Campeonato Paulista

Além disso, integrou a comissão técnica da seleção brasileira nos Jogos Pan-Americanos de Lima 2019, onde conquistou a medalha de bronze como analista de desempenho.


Experiência internacional antes da Alemanha

Após deixar o Brasil, Leal iniciou sua trajetória internacional. Trabalhou no Kuwait, pelo Kazma, e na Arábia Saudita, pelo Al Hilal, ambos como auxiliar técnico.

No Kazma, foi vice-campeão da liga e da copa nacional do Kuwait.

Também acumulou experiências como auxiliar técnico na Holanda e na Turquia antes de chegar à Alemanha.


A chegada a Berlim e a promoção

18.01.26, Berlin, Volleyball, 17. Spieltag, Berlin Recycling Volleys – Helios Grizzlys Giesen.

Leal chegou ao Berlin Recycling Volleys como auxiliar técnico e permaneceu na função por duas temporadas e meia até janeiro deste ano, quando assumiu o comando da equipe principal.

A mudança aconteceu após a saída do treinador anterior — um momento delicado, como ele próprio define:

“É uma situação que nunca é legal. Um colega de trabalho foi desligado, mas o clube precisava de alguém para assumir. A gente tem que fazer o que for necessário para ajudar o clube que te acolheu.”


“Não mudou nada — só a responsabilidade”

Mesmo com o novo cargo, o treinador reforça que sua forma de trabalhar permanece a mesma.

“Tô fazendo o que eu sempre fiz. Não mudou nada. Continuo fazendo o que eu sempre faço, mas com mais responsabilidades, com mais decisões a serem tomadas. Agora é literalmente a responsabilidade de decidir, não apenas de dar suporte.”

Para ele, manter a identidade foi essencial para chegar até aqui — e continua sendo no novo desafio.


Ajustes pontuais e continuidade

Ao assumir o time, Leal encontrou uma estrutura já consolidada e optou por ajustes pontuais.

“A equipe já tinha uma situação bem sólida. Fiz alguns ajustes no dia a dia de treinamento, mas não grandes mudanças.”

A base de trabalho foi mantida, com foco na evolução progressiva.


Um estilo mais brasileiro

18.01.26, Berlin, Volleyball, 17. Spieltag, Berlin Recycling Volleys – Helios Grizzlys Giesen.

A principal diferença aparece na forma de conduzir o grupo.

“Talvez um pouco mais latino, um pouco mais brasileiro. Um pouco mais intenso, mais enérgico, mas também com calma. Tem que ter um balanço entre as duas coisas.”

Segundo ele, esse equilíbrio entre intensidade e controle é essencial no alto nível.


Mudar a atmosfera foi o primeiro objetivo

Nos primeiros meses como técnico principal, o foco esteve no ambiente interno da equipe.

“É difícil fazer uma autoavaliação, mas a atmosfera com certeza mudou. Esse era o meu principal foco.”


Time já está na semifinal dos playoffs

O impacto do trabalho já aparece em resultados. O Berlin Recycling Volleys venceu as quartas de final da Bundesliga e garantiu vaga na semifinal.

Agora, a equipe aguarda a definição do adversário na próxima fase.

“Agora começa uma outra competição. Playoffs são uma outra competição.”

“Berlim é uma das melhores equipes da Europa e o objetivo é sempre ser campeão.”


O que realmente conta no voleibol internacional

Mesmo vindo de uma das maiores escolas de vôlei do mundo, Leal relativiza o peso da origem.

“O mais importante é o que você constrói dentro da equipe. Não é de onde você veio, mas o que você faz no clube.”


Um gigante do vôlei europeu

O Berlin Recycling Volleys é um dos clubes mais dominantes da Alemanha nas últimas décadas. A equipe soma mais de 10 títulos da Bundesliga, além de conquistas da Copa da Alemanha e da Supercopa.

O clube também é presença frequente na CEV Champions League, consolidando-se como uma das principais forças do voleibol europeu.

A aposta da diretoria em Alexandre Leal foi justamente para dar um novo impulso ao elenco.

“Alexandre Leal vem realizando um trabalho valioso há três anos no clube. Mesmo quando era estatístico, já assumia mais responsabilidades do que o habitual e atuava quase como um segundo auxiliar técnico. Demos a ele a oportunidade de assumir como treinador principal porque a equipe precisava de um novo impulso. Ele encara esse desafio com muito empenho e ambição. Valorizamos não apenas seu conhecimento de vôlei, mas também sua paixão pelo esporte e sua forma humana de lidar com as pessoas.”


O momento mais importante da carreira

Agora como técnico principal de uma das maiores equipes da Europa, Alexandre Leal vive o auge da carreira.

Sem prometer revoluções, mas apostando em intensidade, consistência e gestão de grupo, o brasileiro já começa sua trajetória no comando levando o time à semifinal — e com o objetivo claro de manter Berlim no topo.

Você pode enviar essa matéria para um amigo, na versão alemão ou inglês:

Quer saber mais? Mais Berlim News.

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Berlim reforça liderança global e cria estratégia pioneira na Alemanha contra queerfobia https://maisberlim.com/berlim-reforca-lideranca-global-e-cria-estrategia-pioneira-na-alemanha-contra-queerfobia/ Tue, 31 Mar 2026 18:38:21 +0000 https://maisberlim.com/?p=1343 Berlim aprova plano pioneiro na Alemanha contra queerfobia, com medidas de segurança, apoio e combate à violência após aumento de ataques LGBTQIA+.

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Foto: Gustavo Fring

O Senado de Berlim aprovou, no último dia 24 de março, uma estratégia oficial para a segurança de pessoas LGBTQIA+, tornando a cidade o primeiro estado da Alemanha a adotar uma política estruturada desse tipo.

O plano foi desenvolvido com a participação de mais de 400 pessoas, entre sociedade civil, especialistas e instituições.

A iniciativa reforça o histórico de Berlim como uma das cidades mais avançadas do mundo em direitos LGBTQIA+.

O que diz o governo

Foto: SLAYTINA

A senadora Cansel Kızıltepe afirmou:

“Estamos enviando um sinal claro: a proteção e a segurança de pessoas queer passam a ser permanentes em Berlim.”

Já o comissário Alfonso Pantisano declarou:

“Berlim deixa claro: vidas queer importam. Proteger essas pessoas é também proteger a democracia.”

Por que isso foi criado

Segundo os dados mais recentes disponíveis (2023):

588 crimes contra pessoas LGBTQIA+ registrados em Berlim 127 desses casos envolveram violência física

As autoridades reconhecem que há subnotificação.

Medidas oficiais do plano

Foto: Polina Tankilevitch

Com base no documento do governo de Berlim, a estratégia prevê:

Segurança e combate à violência

Melhoria no registro e monitoramento de crimes de ódio Treinamento específico para polícia e autoridades Ações de prevenção em áreas consideradas de risco

Combate à queerfobia online

Estruturas para enfrentamento de discurso de ódio digital Monitoramento e resposta institucional

Apoio e proteção social

Expansão de serviços de apoio psicológico Fortalecimento de redes de acolhimento Atendimento específico para pessoas LGBTQIA+ refugiadas

Educação e instituições públicas

Promoção da diversidade nas escolas Capacitação de profissionais Incentivo a ambientes mais inclusivos

Espaço urbano

Medidas para aumentar a segurança em espaços públicos Avaliação de pontos de ajuda e emergência

Contexto: por que Berlim é referência

Foto: Abdulmomen Bsruki

Berlim tem um histórico consolidado de políticas LGBTQIA+:

Reconhecimento de diversidade de gênero em políticas públicas Forte rede de apoio institucional e comunitária Histórico de proteção legal e visibilidade desde o pós-reunificação Uma das maiores cenas LGBTQIA+ do mundo

A nova estratégia se soma a esse histórico, agora com foco estruturado em segurança e combate à violência.

O que isso significa

A cidade aprofunda sua atuação ao tratar a queerfobia como uma questão estrutural de segurança pública e direitos humanos, com impacto direto no cotidiano da população LGBTQIA+.

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A história de uma imigrante brasileira que morreu em Berlim — e das vidas que ela transformou https://maisberlim.com/a-historia-de-uma-imigrante-brasileira-que-morreu-em-berlim-e-das-vidas-que-ela-transformou/ Tue, 17 Mar 2026 18:02:15 +0000 https://maisberlim.com/?p=1245 A história de uma imigrante que morreu em Berlim e carregava sonhos e ajudava a comunidade.

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Graziele ao lado da mãe, Margarida

Por trás das vidas imigrantes estão sempre histórias que surpreendem, e que fazem cada um se tornar essencial para a comunidade, no desafio de morar fora do seu país.

(Texto original Mais Berlim)

Mesmo sem se conhecerem, amigos e familiares descrevem Graziele da mesma forma e revelam o impacto de uma brasileira que construiu laços, liderou comunidades e deixou marcas profundas na Europa

A morte da brasileira Graziele Costa Moreira, encontrada sem vida em seu apartamento em Berlim na quinta-feira feira, 19 de fevereiro, mobilizou familiares, amigos e a comunidade brasileira na Alemanha e em outros países da Europa.

À medida que novos relatos surgem, uma outra história começa a se desenhar — não apenas sobre o caso, mas sobre quem ela foi em vida.

O Mais Berlim reuniu depoimentos de pessoas que conviveram com Graziele em diferentes momentos — em Berlim, na Irlanda e no Brasil.

Muitos desses relatos vieram de pessoas que nunca se conheceram entre si, mas que, ao falar dela, repetem praticamente as mesmas palavras:

uma mulher inteligente, generosa, independente, agregadora e que fazia diferença real na vida das pessoas ao seu redor.

Leia ao final a matéria completa e atualizada sobre o caso, com informações sobre liberação do corpo, custos e orientações para brasileiros no exterior.

O vôlei em Berlim: onde ela criou uma comunidade

Vôlei: uma paixão que formava comunidade

Se há um lugar onde o impacto de Graziele se torna visível de forma concreta, é no grupo de vôlei que ela ajudou a construir em Berlim.

Não era apenas um esporte — era um ponto de encontro.

E, segundo os amigos, isso só existia por causa dela.

Isaías, que convivia com ela semanalmente, relembra os últimos dias:

“Eu estive com ela na quinta-feira, no nosso último jogo. A gente conversou normalmente, como sempre.”

O encontro aconteceu poucos dias antes de sua morte, indicando que ela seguia ativa e inserida na rotina social.

“Até agora a gente não acredita. Ela vai fazer muita falta. Na verdade, já está fazendo.”

Sobre quem ela era:

“Ela era uma pessoa maravilhosa, sorridente, sonhadora… uma pessoa de alto astral.”

E sobre o papel que exercia no grupo:

“Esse vôlei acontece por causa dela. Foi ela que convidou várias pessoas, que organizou tudo.”

A convivência ia além da quadra:

“Depois do jogo, a gente voltava junto até o ponto do M10…

Hoje eu fico lá lembrando dela.”

Luiz Nunes reforça essa liderança natural:

“Ela ajudava todo mundo, dava dicas, organizava os times…

Era quase uma líder.”

Ele explica como o grupo se formou e se manteve:

“Ela chamava gente, primeiro italianos, depois brasileiros…

Sempre tentando manter o grupo vivo.”

E relembra o último encontro:

“A gente se despediu com um ‘até semana que vem’.

A gente nunca imagina que isso pode acontecer.”

Ele também lembra que, naquele período, Graziele já demonstrava vontade de voltar ao Brasil para rever a família após anos fora.

O vôlei era uma de suas motivações

Carolina Clemens destaca o impacto imediato:

“No meu primeiro dia, ela foi muito receptiva, muito gentil.

Me fez sentir parte do grupo.”

E resume:

“Ela tinha uma energia de muita alegria, muita luz.”

Vinícius Pignataro, que também conheceu Graziele pelo grupo, relembra:

“Ela era muito ativa, sempre chamando a galera pra jogar.

Dava pra ver a alegria dela de estar em Berlim.”

Inteligência, personalidade e uma fase de transição

Além do esporte, Graziele também vivia um momento importante de mudança.

Ela frequentava um curso de alemão nível B2, onde se destacou rapidamente.

Lívia Rangel, colega de turma, descreve:

“Ela chamava atenção por ser muito divertida, com tiradas rápidas e inteligentes, sempre com um olhar crítico sobre a vida e sobre as questões sociais.”

E destaca o lado colaborativo:

“Ela sempre me ajudava, compartilhando materiais de estudo pra eu treinar em casa.”

Mas também traz um retrato mais profundo do momento que ela vivia:

“Dava pra perceber que ela carregava algumas angústias e incertezas da vida em Berlim.”

Graziele estava em uma fase de transição:

“Ela estava resolvendo questões e pensando nos próximos passos, em se mudar, recomeçar.”

O curso fazia parte desse processo:

“Era um fechamento de ciclo.”

E um dado concreto:

“Ela era uma das alunas que melhor falava alemão na turma.”

A ausência repentina inicialmente foi interpretada como algo comum:

“No começo, a gente achou que ela só tinha parado de ir às aulas.”

Depois veio a confirmação da morte — e a turma prestou uma homenagem em sala.

Uma vida em movimento: entre países, escolhas e experiências

Graziele construiu uma trajetória internacional ao longo de mais de uma década.

Saiu de Sete Lagoas (MG), viveu em Dublin, na Irlanda, e depois em Berlim. Trabalhou, mudou de área, construiu amizades e visitou diversos países.

Um amigo próximo, que conviveu com ela na Irlanda e hoje vive em Portugal, descreve:

“De Sete Lagoas para Dublin e depois Berlim… sua vida foi feita de coragem, descobertas e sonhos que não cabiam em um só lugar.”

Ele também destaca um traço constante:

“Ajudar os outros não era um gesto ocasional — era parte de quem ela era.”

E conecta isso à forma como ela vivia:

“Entre viagens, histórias e partidas de vôlei, ela construía conexões reais.”

Família: saudade e uma descoberta sobre quem ela era

Para a família, além da dor, há também um processo de descoberta.

Rafael Padrão, cunhado de Graziele, explica:

“Ela era uma pessoa reservada, mas a gente não sabia que ela tinha tantos amigos.”

E completa:

“A gente está descobrindo o quanto ela era querida.”

Ele relembra a trajetória dela:

“Ela sempre teve o sonho de conhecer o mundo, buscar oportunidades.”

E descreve a realidade da vida fora do país:

“Teve momentos difíceis, perrengues, mas também crescimento, evolução.”

Rafael também destaca um lado pessoal da convivência com Graziele:

“Eu e ela compartilhávamos alguns gostos parecidos, como cultura geek e ufologia.”

Graziele visitou diversos países, gostava de fotografar paisagens e arquitetura e construiu uma vida fora do Brasil.

“Ela viveu do jeito que queria.”

A mãe, Margarida Ribeiro, traz o lado mais íntimo:

“Ela era dedicada, esforçada, honesta e atenciosa.

Todos os dias queria saber como eu estava.”

E resume o sentimento:

“Agora eu só tenho que agradecer pelas boas lembranças e pelas amizades que ela conquistou.”

Quando diferentes histórias contam a mesma pessoa

O que mais chama atenção ao reunir todos esses relatos é um padrão claro:

Mesmo pessoas que nunca se encontraram descrevem Graziele da mesma forma.

ativa

acolhedora

inteligente

agregadora

presente

Ela liderava sem formalidade.

Ajudava sem precisar ser solicitada.

Criava espaços onde as pessoas se sentiam parte.

E talvez isso explique por que, mesmo sendo descrita como reservada,

deixou marcas profundas em tantas vidas.

Campanha para custos com a morte

Para ajudar com os custos de cremação do corpo, passagens, advogados e taxas burocráticas, a família criou uma conta bancária na Europa, no nome da mãe, Margarida Ribeiro:

E também há uma chave PIX para quem quer ajudar e está no Brasil:

Leia também

Atualização do caso Graziele: o que se sabe sobre a morte, liberação do corpo, decisão da família e próximos passos.

Saiba também o que acontece quando um brasileiro morre na Alemanha: burocracia, custos e orientações

Clique aqui

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De Cannes ao Oscar,a viagem mundial de “O Agente Secreto” https://maisberlim.com/o-agente-secreto-oscar-kleber-mendonca-filho/ Sun, 15 Mar 2026 20:46:01 +0000 https://maisberlim.com/?p=1232 O filme brasileiro O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, chega ao Academy Awards indicado em quatro categorias após trajetória internacional iniciada no Festival de Cannes.

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30 pessoas da equipe de “O Agente Secreto” foram a Los Angels para a cerimônia do Oscar

Filme de Kleber Mendonça Filho chega à premiação após quase cinco anos de produção e uma intensa trajetória internacional iniciada no Festival de Cannes. Durante cerca de dez meses, o diretor percorreu diversos países apresentando o longa — incluindo duas passagens pela Alemanha, para a pré-estreia em Berlim e durante a Berlinale.

No dia em que o cinema mundial volta os olhos para a cerimônia do Oscar, o portal Mais Berlim publica uma entrevista com o diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho, responsável por O Agente Secreto, filme escolhido para representar o Brasil na disputa pela premiação.

Kléber em uma de suas passagens por Berlim para divulgação do filme

A conversa aconteceu durante a passagem do cineasta por Berlim para a pré-estreia do longa na cidade.

Conhecido por obras como Bacurau e Aquarius, o diretor pernambucano falou sobre o longo processo de criação do filme, ambientado em 1977, período em que o Brasil ainda vivia sob a ditadura militar.

Um filme que levou anos para ficar pronto

Segundo Kleber Mendonça Filho, a produção levou anos até chegar às telas.

“O Agente Secreto durou dois anos de roteiro, um ano de preparação, sete meses de montagem e mais alguns meses de pós-produção”, contou o diretor ao Mais Berlim.

“O sentimento é real, mas não é uma história real. É uma história totalmente fictícia.”

Apesar do forte realismo da narrativa, o cineasta explica que a história não é baseada em um caso específico.

Para ele, a força da narrativa está justamente na conexão com a história e a cultura do país.

“Eu acho que os melhores filmes, livros e músicas têm a lógica da cultura que produziu aquilo. E sendo um filme brasileiro, O Agente Secreto olha muito para a história do Brasil e para os brasileiros.”

O roteiro dialoga com o presente

Imagem Divulgação
© Port au Prince Pictures

Durante a entrevista, Kleber também comentou que o roteiro ganhou novas camadas ao dialogar com acontecimentos políticos recentes no país.

Segundo ele, o período de polarização e o crescimento de discursos autoritários no Brasil ajudaram a dar forma à narrativa.

“Esse momento político pelo qual nós passamos também fez com que o roteiro do filme tomasse corpo”, disse.

Embora ambientado na década de 1970, o diretor afirma que a história desperta reações contemporâneas em diferentes países.

“Eu tenho viajado com o filme e é muito interessante ver como plateias de outros países fazem associações com os momentos políticos que estão vivendo”, explicou.

A diversidade do Brasil no cinema

Imagem Divulgação
© Port au Prince Pictures

Kleber Mendonça Filho também destacou a importância de representar no cinema a diversidade real do Brasil. Para o diretor, mostrar diferentes regiões, sotaques e histórias do país sempre foi uma preocupação em seus filmes.

“Eu acho que meus filmes têm esse desejo de mostrar a variedade de caras que nós temos no Brasil”, disse ao Mais Berlim.

Na entrevista, o cineasta citou inclusive a diversidade do elenco de O Agente Secreto. “Você tem o Wagner Moura da Bahia, a Maria Fernanda Cândido do Paraná, o Buda Lira da Paraíba, a Tânia Maria do Rio Grande do Norte, a Fabiana Pirro do Recife. Isso é Brasil também”, afirmou.

Segundo ele, durante muitos anos o audiovisual brasileiro concentrou grande parte de suas produções no Sudeste, o que acabou criando representações pouco fiéis de outras regiões do país.

“Na televisão, quando aparece um personagem nordestino, muitas vezes é um personagem estilizado, com um sotaque muito estranho, que não é exatamente como as pessoas falam”, disse.

Para o diretor, filmes como O Agente Secreto ajudam a mostrar a pluralidade do país e a riqueza cultural que existe em diferentes partes do Brasil.

Um thriller político sobre o Brasil da ditadura

Imagem Divulgação
© Port au Prince Pictures

O Agente Secreto é um thriller político ambientado no Brasil de 1977, em pleno período da ditadura militar.

A história acompanha Marcelo, personagem interpretado por Wagner Moura, um especialista em tecnologia que retorna a Recife, sua cidade natal, tentando escapar de um passado perigoso e se reconectar com o filho.

O que parecia ser um refúgio, no entanto, rapidamente se transforma em um cenário de tensão e perseguições em meio ao clima de repressão política da época. Misturando elementos de suspense, drama político e investigação, o filme constrói um retrato da sociedade brasileira durante os anos mais duros do regime militar.

O longa reúne um elenco de destaque do cinema brasileiro, com nomes como Wagner Moura, Maria Fernanda Cândido, Tânia Maria, Gabriel Leone, Alice Carvalho e Thomás Aquino. O filme também conta com a participação do ator alemão Udo Kier, conhecido por sua longa carreira no cinema internacional.

A produção é uma coprodução internacional entre Brasil, França, Alemanha e Países Baixos, refletindo o caráter global do projeto e o crescente diálogo do cinema brasileiro com o mercado internacional. Parte da pós-produção do filme, incluindo trabalhos de imagem, foi realizada na Alemanha.

O longa teve estreia mundial no Festival de Cannes, onde competiu pela Palma de Ouro. No festival, Kleber Mendonça Filho recebeu o prêmio de Melhor Diretor, enquanto Wagner Moura foi premiado como Melhor Ator.

Depois da trajetória em festivais e exibições internacionais, o filme chegou aos cinemas em 6 de novembro, com lançamento simultâneo no Brasil, Alemanha e Portugal.

Na disputa por quatro estatuetas

O Agente Secreto concorre ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Elenco e Melhor Ator, para Wagner Moura.

A cerimônia do Oscar acontece neste domingo no Dolby Theatre, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Na Alemanha, a premiação começa à 1h da madrugada de segunda-feira, no horário local.

A perda do ator alemão Udo Kier

Durante a trajetória internacional do filme, a equipe também enfrentou uma perda importante. O ator alemão Udo Kier, que participa de O Agente Secreto e já havia trabalhado com Kleber Mendonça Filho em Bacurau, faleceu recentemente. Conhecido por sua longa carreira no cinema europeu e em produções internacionais, Kier teve participação marcante nas duas produções do diretor brasileiro.

Ficha técnica – O Agente Secreto

Direção e roteiro: Kleber Mendonça Filho

Elenco: Wagner Moura, Maria Fernanda Cândido, Tânia Maria, Gabriel Leone, Alice Carvalho, Thomás Aquino, Udo Kier

Gênero: thriller político / drama

Ambientação: Brasil, 1977, durante a ditadura militar

Produção: CinemaScópio, MK Productions, One Two Films, Lemming Film

Coprodução: Brasil, França, Alemanha e Países Baixos

Duração: 158 minutos

Idioma: português

Estreia mundial: Festival de Cannes

Lançamento nos cinemas: 6 de novembro (Brasil, Alemanha e Portugal)

Veja também

O Agente Secreto” vence dois Globos de Ouro e avança na corrida pelo Oscar 2026

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Corpo de brasileira encontrada morta em Berlim é liberado quase um mês após a morte; família decide pela cremação https://maisberlim.com/quando-um-brasileiro-morre-na-alemanha-burocracia-investigacao-e-altos-custos-enfrentados-por-familias/ https://maisberlim.com/quando-um-brasileiro-morre-na-alemanha-burocracia-investigacao-e-altos-custos-enfrentados-por-familias/#respond Wed, 11 Mar 2026 14:50:38 +0000 https://maisberlim.com/?p=1203 Caso da brasileira Graziele Costa Moreira em Berlim revela burocracia, investigação policial, custos funerários e o que famílias precisam fazer quando um brasileiro morre na Alemanha.

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Graziele Moreira – imagem cedida pela família

O corpo da brasileira Graziele Costa Moreira, encontrada morta em seu apartamento em Berlim, foi liberado pelas autoridades alemãs, nesta quarta-feira, 11, quase um mês após a morte, segundo informou a família ao portal Mais Berlim. Com a liberação, os familiares decidiram realizar a cremação na Alemanha, diante dos altos custos e da demora para transportar o corpo ao Brasil.

Atualização do Caso em 11 de março, às 23h02.

Quase um mês após a morte de Graziele Costa Moreira, o corpo da brasileira foi finalmente liberado pelas autoridades alemãs. A família agora iniciou os procedimentos para a cremação na Alemanha.

Segundo a mãe de Graziele, a decisão foi tomada após avaliar os custos e o tempo necessário para transportar o corpo ao Brasil.

“Os custos são muito altos para trazer o corpo e também é muito demorado. Já vai completar quase um mês desde que ela morreu”, afirmou.

De acordo com o cunhado da brasileira, Rafael Padrão, a família foi informada sobre a liberação do corpo pela Embaixada do Brasil em Berlim.

Com a liberação, os familiares começaram a organizar os próximos passos do processo. Até o momento, os valores confirmados incluem 2.408,92 euros para a cremação, além de impostos. A família também estima gastos entre 800 e 1.000 euros para o transporte da urna com as cinzas, além de taxas adicionais.

O laudo oficial sobre a causa da morte ainda não foi divulgado. Segundo informações repassadas à família, o resultado pode levar até três meses ou mais para ser concluído.

De acordo com informações repassadas à família, as autoridades alemãs já descartaram o envolvimento de terceiros na morte.


A seguir, matéria publicada em 11 de março, às 17h05


Morte de brasileira em Berlim expõe burocracia e custos enfrentados por famílias de estrangeiros na Alemanha

A morte de brasileiros no exterior costuma trazer, além da dor da perda, uma série de procedimentos burocráticos complexos que muitas famílias desconhecem até se verem diante da situação. Na Alemanha, os processos legais podem levar dias ou semanas até a liberação do corpo, enquanto os custos para sepultamento ou traslado ao Brasil podem chegar a dezenas de milhares de euros.

O caso recente da brasileira Graziele Costa Moreira, 44 anos, natural de Sete Lagoas (Minas Gerais) e residente em Berlim há cerca de 12 anos, ilustra essas dificuldades enfrentadas por familiares que precisam lidar com essas etapas à distância.

Graziele foi encontrada morta em seu apartamento na capital alemã, no dia 19 de fevereiro. Desde então, a família aguarda a conclusão da investigação conduzida pelas autoridades alemãs.

Segundo o cunhado da brasileira, Rafael Padrão, a família ainda não recebeu o laudo definitivo sobre a causa da morte.

“Ela comentou que estava com febre e um pouco cansada e que iria descansar. A gente estava organizando a viagem dela para visitar o Brasil em abril. Essa foi a última mensagem que tivemos”, contou.

Ela relatou à mãe, no sábado 14 de fevereiro, que havia tido uma febre alta na noite anterior, sem razão clara. A partir do domingo, já não respondia mais às mensagens e ligações da mãe.

Depois disso, familiares tentaram contato, mas não tiveram resposta.

“A gente tentou ligar e mandar mensagens, mas não tivemos retorno. Como não tínhamos muitos contatos dela na Alemanha, pedimos ajuda a um amigo que trabalha com ela em Berlim.”

O amigo foi até o apartamento alguns dias depois.

“Ele bateu na porta, chamou e ligou para ela, mas não teve resposta. Então chamou a polícia e os bombeiros, que constataram que ela já estava sem vida.”

Até o momento, segundo a família, as autoridades alemãs descartaram sinais de violência.

“A polícia informou que descartou qualquer fator externo. Pode ter sido um vírus ou um mal súbito, mas ainda não temos confirmação”, disse Rafael.


Investigação pode levar dias ou semanas

Graziele e sua mãe, Margarida.

A família ainda aguarda a conclusão da investigação.

Segundo Rafael Padrão, o pedido de autópsia foi encaminhado ao procurador responsável.

“A policial responsável já deixou o pedido de autópsia na mesa do procurador. A gente ainda não sabe se já foi feita ou quando sai o resultado. Eles sempre falam que pode sair hoje ou amanhã, mas nunca tem data definida.”

Enquanto o processo não é concluído, a família enfrenta outra dificuldade: não pode acessar documentos pessoais da brasileira.

“Enquanto não tiver liberação da polícia, a gente não pode entrar no apartamento para ver documentos ou saber se ela tinha seguro de vida. Também não temos acesso ao celular ou ao computador.”


Como funciona o processo após uma morte na Alemanha

Advogada Glória Hermsdorf explica protocolo rigoroso em caso de mortes na Alemanha

Segundo a advogada Glória Hermsdorf, especializada em questões jurídicas envolvendo brasileiros no exterior, o procedimento após uma morte na Alemanha segue protocolos rigorosos.

De acordo com Glória Hermsdorf, o primeiro passo é a constatação da morte por um médico.

“O médico analisa o corpo e determina a causa do falecimento. Dependendo da situação, a polícia também pode ser chamada para verificar se houve morte natural ou se existe suspeita de crime.”

Isso ocorre principalmente quando a morte acontece fora de hospitais, como em residências.

Depois da verificação médica e policial, o corpo é liberado e encaminhado para uma funerária.


Como o corpo é preservado enquanto o processo acontece

Enquanto a família decide os próximos passos ou aguarda a conclusão de investigações, o corpo permanece sob responsabilidade das autoridades funerárias.

Segundo Glória Hermsdorf, os corpos são mantidos em câmaras refrigeradas.

“Eles ficam em locais com refrigeração, como grandes câmaras frias. O corpo é mantido em temperatura controlada até que seja enterrado ou cremado.”

Algumas funerárias possuem estrutura própria para isso. Outras utilizam instalações específicas para conservação dos corpos.

Durante esse período, podem existir custos de armazenamento.


Custos elevados levam famílias a buscar alternativas

Família divulgou uma chave PIX para doações. Você encontra na imagem acima.

Outro desafio enfrentado por famílias é o custo dos procedimentos funerários na Alemanha.

Segundo a família de Graziele, orçamentos iniciais indicaram valores entre 9 mil e 11 mil euros para sepultamento.

Já a cremação apresenta custos menores.

“A cremação fica entre dois mil e três mil e quinhentos euros”, explicou Rafael Padrão, cunhado de Graciele.

Além do custo menor, a cremação também reduz a burocracia para transporte internacional.

“Enviar um corpo envolve muitas exigências sanitárias e documentação. Transportar as cinzas é muito mais simples”, disse.

Diante dos custos, a família iniciou uma campanha de arrecadação.

“A gente criou uma vaquinha e amigos e conhecidos ajudaram na divulgação. A prefeitura de Sete Lagoas também ajudou.”


Dificuldades com doações internacionais

A família também tentou arrecadar recursos no exterior.

“A gente tentou usar o aplicativo Wise para receber doações internacionais, mas tivemos muitos problemas. Eles bloquearam várias doações e pediram documentos que não faziam sentido naquele momento”, contou Rafael.

Parte das doações acabou sendo cancelada.

“A gente precisou transferir o dinheiro arrecadado para uma conta brasileira.”

Até o momento, o valor arrecadado cobre apenas parte dos custos.


Procuração pode evitar conflitos e atrasos

A advogada Glória Hermsdorf explica que brasileiros que vivem no exterior podem evitar muitas dificuldades deixando uma procuração pública para uma pessoa de confiança.

Esse documento permite que alguém cuide da burocracia em caso de falecimento.

Sem a procuração, pode ser necessário recorrer ao tribunal para definir quem será responsável pelas decisões.

Segundo Glória Hermsdorf, disputas familiares podem atrasar o processo.

A advogada relatou um caso em que a esposa de um falecido queria decidir sobre o enterro, mas a família dele não concordava.

A disputa acabou indo para o tribunal.

“O corpo ficou aguardando decisão judicial por cerca de dois meses até que o caso fosse resolvido”, contou.


Seguro pode evitar custos elevados

Outra recomendação de Glória Hermsdorf é a contratação de seguros que cubram despesas funerárias ou traslado internacional.

Segundo ela, turistas que viajam para a Europa normalmente possuem seguros com essa cobertura.

Já brasileiros que vivem no exterior podem contratar seguros específicos.

“Existem seguros que cobrem funeral, cremação, burocracia e até cerimônia.”


Qual é o papel da Embaixada do Brasil

A Embaixada do Brasil em Berlim pode prestar orientação administrativa às famílias em caso de morte de brasileiros na Alemanha.

Entre os serviços oferecidos estão:

  • emissão gratuita da certidão brasileira de óbito
  • orientação sobre procedimentos com autoridades alemãs
  • auxílio no contato com funerárias
  • informações sobre cremação, sepultamento e traslado

A embaixada também orienta sobre a documentação necessária para transporte de restos mortais para o Brasil.

No entanto, a representação diplomática ressalta que não pode custear despesas funerárias ou transporte do corpo.


Planejamento pode evitar dificuldades

Especialistas destacam que, embora seja um tema difícil, o planejamento pode evitar dificuldades adicionais para familiares.

Isso inclui manter familiares informados sobre:

  • documentos importantes
  • seguros contratados
  • contatos de emergência
  • decisões sobre cremação ou sepultamento

Essas informações podem facilitar muito os procedimentos em momentos delicados.


Leia também

A importância de Graziele para a comunidade brasileira em Berlim.

Depoimentos de quem conviveu com Graziele até às vésperas de seu falecimento.

Outro caso envolvendo brasileiros na Alemanha foi relatado pelo Mais Berlim recentemente.

Corpo de brasileira vítima de intoxicação por gás na Alemanha é liberado para repatriação

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Alemanha se consolida como 3º maior mercado europeu para o turismo no Brasil https://maisberlim.com/alemanha-se-consolida-como-3o-maior-mercado-europeu-para-o-turismo-no-brasil/ Fri, 06 Mar 2026 19:22:20 +0000 https://maisberlim.com/?p=1155 Brasil usou dados para entender que o alemão prefere destinos com turismo sustentável e regenerativo.

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Participação brasileira na ITB Berlin reforça estratégia para atrair mais visitantes alemães

Durante três dias, de 3 a 5 de março, Berlim sediou a ITB Berlin, considerada uma das maiores e mais influentes feiras de turismo do mundo. O evento reúne anualmente destinos, empresas e autoridades do setor para discutir tendências e fechar negócios no mercado global de viagens.

Nesta edição, o Brasil apresentou uma estratégia clara: fortalecer a relação com o mercado alemão e ampliar a presença de turistas europeus no país.

Segundo dados da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo), a Alemanha é hoje o terceiro maior mercado europeu emissor de turistas para o Brasil, atrás apenas de Portugal e França. O crescimento reforça a importância estratégica do país para o turismo brasileiro.

O Mais Berlim acompanhou o evento diretamente do pavilhão brasileiro e conversou com autoridades do setor, representantes de destinos e visitantes internacionais.

Evolução do turismo alemão no Brasil

Para entender a importância do mercado alemão, é preciso observar a evolução do número de visitantes ao longo dos últimos anos.

Turistas alemães no Brasil (2019–2024)

2019 — 221.000

2020 — 68.000

2021 — 51.000

2022 — 120.000

2023 — 158.000

2024 — 177.000

Fonte: Embratur / Polícia Federal

Os números mostram o impacto da pandemia no turismo internacional e a recuperação do fluxo de visitantes nos anos seguintes. Em 2024, cerca de 177 mil turistas alemães visitaram o Brasil, consolidando o país como um dos principais mercados europeus para o destino.

Ranking europeu de turistas para o Brasil

Principais mercados europeus (2024)

Portugal — 218.000

França — 208.000

Alemanha — 177.000

Reino Unido — 152.000

Itália — 129.000

Espanha — 118.000

Fonte: Embratur / Polícia Federal

Entre os países europeus, Portugal e França lideram o envio de turistas para o Brasil. A Alemanha aparece na terceira posição, consolidando sua importância estratégica para o turismo brasileiro.

Estratégia para atrair mais alemães ao Brasil

Uma das principais vozes brasileiras na feira foi Lilás Nascimento, executiva da Embratur responsável pelo desenvolvimento de negócios da instituição no mercado europeu, que tem base no escritório sediado em Lisboa.

Segundo ela, a estratégia atual aposta em três pilares: sustentabilidade, inteligência de dados e ampliação da conectividade aérea.

“Estamos lançando uma nova campanha de marketing no mercado europeu, com o mote do turismo sustentável e regenerativo, que é uma pauta muito forte para o público alemão.”

De acordo com a executiva, todas as ações da agência seguem essa linha estratégica.

“Essa gestão da Embratur é muito orientada por dados. Temos uma equipe forte de inteligência de mercado que nos ajuda a entender para onde devemos ir e quais estratégias desenvolver com operadores e companhias aéreas.”

A estratégia inclui parcerias com operadores internacionais, empresas aéreas e iniciativas de capacitação para o mercado europeu.

Parceria com a Azul lança Brazil Air Pass

Foto de 周 康

Uma das medidas divulgadas durante a feira foi o programa Brazil Air Pass, desenvolvido em parceria com a companhia aérea Azul.

A iniciativa permite que turistas estrangeiros que já compraram um voo internacional para o Brasil adquiram até cinco voos domésticos adicionais com tarifas reduzidas, incentivando a visita a mais destinos dentro do país.

“Com esse programa o visitante consegue conhecer mais destinos pagando menos”, explicou Lilás.

“Isso está alinhado com nossa estratégia de diversificar a oferta turística e levar visitantes também para regiões menos conhecidas.”

Amazônia no radar do mercado europeu

Foto Alejandro Om. Floresta Amazônica

Outra iniciativa destacada na feira foi a parceria com o Import Promotion Desk, programa apoiado pelo governo alemão.

O projeto selecionou cinco empresas brasileiras da Amazônia para participar de um processo de incubação voltado ao mercado internacional. As empresas recebem consultoria e capacitação para comercializar seus produtos turísticos na Europa.

A ação busca fortalecer o turismo sustentável e ampliar a presença de experiências amazônicas no mercado europeu.

Plataforma reúne experiências autênticas no Brasil

Durante a feira também foi apresentada a plataforma Feel Brasil, que reúne 101 experiências turísticas sustentáveis e autênticas em diferentes regiões do país.

A iniciativa conecta operadores internacionais a experiências ligadas a:

• natureza

• cultura

• comunidades locais

• turismo regenerativo

Capacitação para agentes de viagem europeus

Outra iniciativa importante é o programa Brazil Travel Specialist, uma plataforma de treinamento online voltada a agentes de viagem estrangeiros.

O programa oferece cursos e materiais sobre destinos brasileiros e busca ampliar a presença do Brasil nos catálogos de operadoras internacionais.

Segundo a Embratur, a nova fase da plataforma também inclui programas de recompensa para agentes que se especializarem na venda do destino Brasil.

Fonte: Embratur.

Conectividade aérea entre Alemanha e Brasil

A expansão das rotas aéreas também é considerada essencial para o crescimento do turismo entre os dois países.

Foto Pixabay

Principais rotas diretas

Frankfurt – São Paulo (Lufthansa / LATAM)

Frankfurt – Rio de Janeiro (Lufthansa)

Munique – São Paulo (Lufthansa)

Frankfurt – Recife (Condor)

Fonte: Companhias aéreas / dados do setor.

O aeroporto de Frankfurt é atualmente o principal hub europeu para voos diretos para o Brasil, enquanto o aeroporto de São Paulo–Guarulhos funciona como a principal porta de entrada de turistas internacionais no país.

Destinos brasileiros que atraem turistas alemães

Foto: Raul Dario (Foz do Iguaçu)

Destinos ligados à natureza e à biodiversidade estão entre os mais procurados pelo público alemão.

Entre os principais destinos estão:

• Rio de Janeiro

• Foz do Iguaçu

• São Paulo

• Amazônia

• Salvador

• Pantanal e Bonito

Fonte: Embratur / trade turístico internacional.

Olhar internacional sobre o Brasil

Um visitante alemão da região de Dresden contou ao Mais Berlim que o Brasil ainda está na sua lista de destinos a conhecer.

“Quando penso no Brasil, penso em um país enorme, com muitas paisagens e culturas diferentes. Claro que também ouvimos falar de desafios e conflitos, mas ao mesmo tempo sabemos que é um país muito bonito.”

Ele afirmou que ainda não visitou o país, mas pretende fazê-lo no futuro.

“Ainda não fui ao Brasil, mas está definitivamente na minha lista de lugares que quero conhecer.”

Um visitante dos Países Baixos destacou a dimensão do país e o interesse pela natureza.

“Quando penso no Brasil, a primeira coisa que me vem à cabeça é a Amazônia.”

Ele explicou que ainda não visitou o país porque a viagem exige planejamento.

“É um país enorme, quase como um continente. Para conhecê-lo bem é preciso tempo e planejamento.”

Mesmo assim, ele pretende visitar o Brasil no futuro.

“Gostaria muito de conhecer a Amazônia, mas também cidades como Rio de Janeiro, Brasília ou São Paulo.”

Uma visitante de Cabo Verde destacou a forte ligação cultural entre os dois países.

“Quando penso no Brasil, penso em um país muito bonito, com uma cultura forte e muito próxima da nossa. Cabo Verde e Brasil têm muitas conexões históricas e culturais.”

Ela contou que já esteve no país.

“Eu já visitei o Brasil, mas foi uma viagem de trabalho. Agora estou planejando voltar para conhecer melhor.”

Durante sua visita, ela passou por Brasília e Fortaleza.

“O que mais me marcou foi a forma como as pessoas recebem os visitantes. A hospitalidade é muito parecida com a de Cabo Verde. Somos povos que gostam de receber bem.”

Estados brasileiros aproveitam ITB Berlin para promover destinos internacionais

Além da estratégia nacional apresentada pela Embratur, diversos estados brasileiros participaram da ITB Berlin para promover seus destinos diretamente ao mercado europeu.

Representantes de diferentes regiões do país estiveram presentes na feira para apresentar experiências ligadas ao ecoturismo, turismo cultural, natureza e destinos urbanos, além de fortalecer relações com operadores e agentes de viagem internacionais.

A seguir, dois exemplos de estados que participaram da feira e conversaram com o Mais Berlim.


Paraná aposta em natureza, cultura e nas Cataratas do Iguaçu para atrair turistas europeus

Foz do Iguaçu – Cataratas Foto: José Fernando Ogura/ANPr

O estado do Paraná esteve presente na ITB Berlin com representantes da agência Viaje Paraná, instituição responsável pela promoção do turismo do estado.

Daltron, assessor da presidência do Viaje Paraná, destacou o potencial turístico da região e a importância da presença em eventos internacionais.

“Estamos aqui para mostrar ao mundo o que o Paraná tem a oferecer. O estado reúne destinos muito diversos, como Curitiba, Foz do Iguaçu e várias regiões com experiências de natureza e cultura que estão prontas para receber visitantes internacionais.”

Segundo ele, a participação em feiras internacionais é fundamental para fortalecer o posicionamento do estado no turismo global.

Luana (tradutora VBrata), Célia Andrade (Secretária de Turismo de Foz do Iguaçu),
Daltron Neto e Marcelo Martini (Viaje Paraná). Foto: Embratur

“Eventos como a ITB Berlin são muito importantes para conectar nossos destinos com operadores, agentes de viagem e turistas de diferentes partes do mundo.”

Marcelo, diretor de operações do Viaje Paraná e natural de Foz do Iguaçu, destacou o potencial do estado no turismo de natureza e aventura.

“O Paraná tem um enorme potencial em ecoturismo e turismo de aventura. Estamos trabalhando para ampliar a presença do estado no mercado internacional e atrair cada vez mais visitantes.”

Também presente no estande do estado, Célia, secretária de Turismo do Paraná, destacou a importância de Foz do Iguaçu como um dos destinos brasileiros mais conhecidos no exterior.

“Os turistas alemães são um dos principais mercados europeus para Foz do Iguaçu. Todos os anos recebemos visitantes de cerca de 190 países.”

Segundo ela, as Cataratas do Iguaçu estão entre os destinos mais desejados por turistas internacionais.

“Quem vê uma foto das cataratas quer conhecer pessoalmente. É impressionante observar a reação das pessoas quando chegam pela primeira vez. Muitos dizem que aquele lugar estava na lista de destinos que sonhavam visitar.”

Ela também destacou o impacto emocional do local.

“As Cataratas do Iguaçu têm uma energia muito especial. É um lugar que realmente emociona quem chega ali.”


Mato Grosso do Sul promove Pantanal e Bonito como destinos de natureza para o público internacional

Tucano, em Bonito, MS. Foto: Fernando Maidana

O estado de Mato Grosso do Sul também participou da feira para apresentar dois de seus principais destinos de natureza: o Pantanal e a região de Bonito.

Breno Amorim, representante do turismo do estado, destacou o potencial das experiências de natureza para o mercado internacional.

“O Mato Grosso do Sul ainda não é um destino massivo, mas sim um destino de experiência, especialmente para quem busca contato com a natureza.”

Segundo ele, o Pantanal tem despertado grande interesse entre turistas estrangeiros.

“O Pantanal chama muito a atenção dos visitantes internacionais, principalmente pela observação da vida selvagem, que muitas vezes é comparada a um safari africano.”

Breno explicou que a região oferece a possibilidade de conhecer dois destinos importantes em uma única viagem.

Breno Amorim – representante do Mato Grosso do Sul

“Com apenas um voo é possível visitar dois dos principais destinos de natureza do Brasil: Bonito e o Pantanal. Eles ficam a cerca de duas horas e meia um do outro, mas oferecem experiências completamente diferentes.”

Bonito é conhecido pelas águas cristalinas e atividades de natureza.

“Bonito é considerado o paraíso das águas cristalinas. São mais de cinquenta atrativos ligados a rios, flutuação e mergulho em águas transparentes.”

Já o Pantanal se destaca pela observação da fauna.

“O Pantanal oferece experiências únicas de observação da vida selvagem, seja em fazendas pantaneiras ou em cruzeiros pelo rio.”

Segundo ele, a experiência costuma marcar profundamente os visitantes.

“Muitos turistas dizem depois que a viagem foi transformadora e que mudou a forma como enxergam a natureza.”

Turismo brasileiro vive momento histórico

Segundo dados da Embratur, o Brasil recebeu cerca de 9,28 milhões de turistas internacionais em 2025, o maior número já registrado.

O crescimento é impulsionado pela retomada das viagens internacionais e pelo fortalecimento das estratégias de promoção do país no exterior.

Uma ponte entre Brasil e Alemanha

Para o Mais Berlim, acompanhar a ITB Berlin de perto reforça a importância da comunidade brasileira na Alemanha como ponte entre os dois países.

O turismo se consolida como um instrumento de aproximação cultural, econômica e social entre Brasil e Alemanha.

E a mensagem da Embratur durante a feira foi clara:

“Precisamos levar mais alemães para conhecer o Brasil.”

Texto original produzido por Mais Berlim

Fontes: Embratur, Import Promotion Desk, Feel Brasil, ITB Berlin, Polícia Federal do Brasil, companhias aéreas e dados do trade turístico internacional.


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Deutschland wird zum drittgrößten europäischen Markt für den Tourismus nach Brasilien

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Alemanha abate javalis para controle populacional. Recorde passou de 800 mil em um ano. https://maisberlim.com/abate-de-javalis-na-alemanha-recorde-passou-de-800-mil-por-ano/ https://maisberlim.com/abate-de-javalis-na-alemanha-recorde-passou-de-800-mil-por-ano/#respond Sun, 01 Mar 2026 13:48:20 +0000 https://maisberlim.com/?p=1131 Berlim já registrou até 3.700 javalis abatidos em uma única temporada. Na Alemanha, os números ultrapassaram 800 mil por ano. O crescimento da espécie, aliado a casos curiosos e episódios de ataque, mantém o debate sobre controle populacional em evidência.

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Após um encontro inesperado na floresta de Wuhlheide, reportagem do Mais Berlim investiga crescimento populacional, política de abate e os desafios da convivência urbana com javalis

De cara com o javali em Berlim

A madrugada do último dia 28 de fevereiro terminou de forma inesperada. Eu voltava de uma festa e precisei caminhar por cerca de 30 minutos entre a estação de trem de Karlshorst e minha casa. Seguia pela calçada da avenida que divide duas partes da floresta de Wuhlheide quando, de repente, dei de frente com um javali que parecia prestes a atravessar a via.

O animal parou e ficou me encarando. O susto foi imediato. Por alguns segundos, temi que ele pudesse avançar. Não corri. Afastei-me lentamente e peguei o celular para registrar o momento. Instantes depois, ele atravessou correndo a avenida. Em seguida, outro javali surgiu e também cruzou a pista. Além do medo inicial, veio a preocupação com o risco de atropelamento. Só depois de vê-los desaparecerem entre as árvores segui caminho, aliviado.

O episódio reacendeu uma pergunta recorrente entre moradores da capital alemã: afinal, quantos javalis existem em Berlim e por que eles estão tão presentes na cidade?


Quantos javalis existem na Alemanha e em Berlim?

Doğan Alpaslan Demir

Na Alemanha, o principal indicador oficial é o número anual de animais abatidos, divulgado pelo Deutscher Jagdverband (DJV). Em temporadas recentes, o país registrou mais de 800 mil javalis abatidos em um único ano, um recorde histórico.

Pesquisadores da Universität Bonn explicam que o número de abates não corresponde ao total da população, mas serve como indicador de tendência. Estimativas científicas apontam que a Alemanha pode ter entre 1,5 e 2 milhões de javalis, dependendo das condições climáticas e ambientais.

Em Berlim, estudos citados pelo Leibniz-Institut für Zoo- und Wildtierforschung (IZW) estimam que haja entre 3.000 e 5.000 javalis vivendo dentro dos limites urbanos.

O IZW conduz um projeto comparativo entre Berlim e Barcelona, analisando geneticamente cerca de 400 animais em cada cidade. Os resultados indicam que existem subpopulações urbanas estáveis, geneticamente estruturadas, o que demonstra adaptação real ao ambiente urbano — não se trata apenas de animais que entram ocasionalmente na cidade.


Por que a população cresce?

Foto de Filip Olsok

Segundo pesquisas da Universität Bonn:

  • fêmeas podem se reproduzir já no primeiro ano de vida
  • as taxas de sobrevivência aumentaram com invernos mais amenos
  • a expansão agrícola amplia a oferta de alimento
  • a dieta onívora permite ocupação de diferentes habitats
  • a espécie possui enorme plasticidade ecológica

O javali (Sus scrofa) é um porco selvagem nativo da Europa. Não é invasor. A espécie sempre existiu na Alemanha — o que mudou foi sua capacidade de prosperar em paisagens agrícolas e ambientes urbanos.

Estudos genéticos mostram ainda taxas de paternidade múltipla entre 23% e 30% em algumas populações, fator que também contribui para o crescimento acelerado.


Por que o abate é adotado como política pública?

Foto: Pixabay

Apesar da intensificação da caça, os pesquisadores indicam que as altas taxas reprodutivas compensam parte significativa da pressão exercida pelo abate.

Ainda assim, o controle é considerado necessário por autoridades devido a:

  • danos extensivos à agricultura
  • aumento de colisões com veículos
  • risco de disseminação de doenças zoonóticas

Entre as doenças associadas ao javali, a Peste Suína Africana representa ameaça significativa à suinocultura europeia.

Pesquisadores alertam que dados de abate tendem a subestimar o tamanho real das populações, mas continuam sendo a principal ferramenta de monitoramento disponível.

Evolução do abate de javalis na Alemanha (Jagdstrecke)

  • Anos 1980: entre 150.000 e 250.000 javalis abatidos por temporada
  • 2000/2001: cerca de 300.000 animais
  • 2010/2011: aproximadamente 550.000
  • 2016/2017: 589.417
  • 2017/2018: cerca de 820.000 (recorde histórico até então)
  • 2019/2020: cerca de 690.000
  • 2020/2021: 687.581
  • 2022/2023: aproximadamente 550.000
  • 2023/2024: cerca de 550.600 (dados preliminares consolidados pelo BMEL)

Fonte: Estatísticas oficiais de caça do Deutscher Jagdverband (DJV) e Bundesministerium für Ernährung und Landwirtschaft (BMEL).

Evolução do abate de javalis em Berlim (Land Berlin)

  • 2000/2001: cerca de 1.200 javalis abatidos
  • 2010/2011: aproximadamente 2.500
  • 2015/2016: cerca de 3.400
  • 2017/2018: aproximadamente 3.700
  • 2019/2020: cerca de 2.800
  • 2020/2021: aproximadamente 1.900 (queda associada a restrições da pandemia)
  • 2022/2023: cerca de 2.200
  • 2023/2024: aproximadamente 2.000 (dados mais recentes consolidados)

Fonte: Estatísticas oficiais de caça do estado de Berlim (Jagdstatistik Land Berlin).


Ataques registrados em Berlim

Embora incidentes sejam raros, há casos documentados.

Foto de Magda Ehlers

Charlottenburg, 2012

Em outubro de 2012, um javali de aproximadamente 120 quilos atacou quatro pessoas no bairro de Charlottenburg, incluindo dois idosos, uma jovem e um policial que tentou intervir. O animal foi abatido pelas autoridades. O caso teve repercussão internacional e foi noticiado pelo The Guardian.

Friedrichshagen, 2025

Em abril de 2025, uma mulher ficou ferida após um incidente envolvendo javalis em um parque em Friedrichshagen. Equipes de emergência, incluindo helicóptero de resgate, foram acionadas. O caso foi reportado pelo The Berliner.

Especialistas reforçam que ataques geralmente são defensivos, sobretudo quando há filhotes ou quando o animal se sente encurralado.


O episódio que viralizou: o javali e o laptop

Em 2020, um episódio inusitado ocorrido no Teufelssee ganhou repercussão mundial.

Um javali saiu da mata e levou uma sacola que continha um laptop. O dono da bolsa, que tomava sol em uma área de nudismo, saiu correndo atrás do animal. A cena foi fotografada por uma frequentadora do lago, Adele Landauer, tornando-se símbolo da convivência peculiar entre humanos e fauna urbana em Berlim.


Quando Berlim caçou uma “leoa” que virou javali

Em julho de 2023, moradores do sul de Berlim e da região de Brandemburgo viveram dias de tensão após a divulgação de um vídeo que supostamente mostrava uma leoa solta na área de Kleinmachnow.

A polícia mobilizou helicópteros, drones, veterinários e caçadores. Moradores foram orientados a permanecer em casa, e a busca ganhou repercussão internacional.

Dois dias depois, após análise técnica das imagens e consultas a especialistas em fauna, as autoridades concluíram que o animal filmado provavelmente era um javali — espécie comum na região.

O caso virou manchete em veículos como a BBC e o Der Spiegel, e entrou para a lista de episódios curiosos envolvendo javalis na capital alemã.

A ocorrência reforçou como a silhueta e o porte de um javali em baixa luminosidade podem gerar interpretações equivocadas — especialmente em uma cidade onde a fauna selvagem já faz parte do cotidiano urbano.

Convivência exige informação

O encontro na Wuhlheide terminou sem incidentes. A recomendação das autoridades permanece clara: manter distância, não correr, não alimentar e manter cães na guia.

Berlim é uma das capitais mais verdes da Europa, com florestas interligadas como a Wuhlheide e o Grunewald, criando corredores naturais que favorecem a circulação da fauna.

O desafio das autoridades é equilibrar segurança, conservação ambiental e controle populacional em uma cidade onde a natureza insiste em permanecer presente.


Texto original produzido por Mais Berlim

Leia mais…

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Depressão no inverno: o frio afeta mesmo a saúde mental? Especialistas explicam https://maisberlim.com/depressao-no-inverno-o-frio-afeta-mesmo-a-saude-mental-especialistas-explicam/ https://maisberlim.com/depressao-no-inverno-o-frio-afeta-mesmo-a-saude-mental-especialistas-explicam/#respond Fri, 20 Feb 2026 19:09:43 +0000 https://maisberlim.com/?p=1102 Se você quer saber se depressão de inverno existe veja o que dizem os especialistas ouvidos pelo Mais Berlim.

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Imagem: Tobi

Texto original criado por Mais Berlim

O inverno na Alemanha traz dias mais curtos, o sol aparece menos e a rotina muda. Para muitos brasileiros que vivem em Berlim e em outras cidades do país, esse período vem não só com o frio, mas também com alterações no humor, na energia e na disposição.

Mas afinal: isso é apenas uma sensação ou existe, de fato, uma relação entre inverno e depressão?

O Mais Berlim ouviu especialistas para entender o que está por trás dessas mudanças — e como cuidar da saúde mental nessa época do ano.


Depressão vai muito além da tristeza

Guilherme Medeiros

Segundo o médico pós-graduando em psiquiatria Guilherme Medeiros, é importante começar desmistificando o conceito de depressão.

“Quando falamos em depressão, não é só tristeza. É uma condição médica que afeta o humor, a energia, o sono, o apetite e, principalmente, a capacidade de sentir prazer.”

Ele explica que nem sempre a depressão se manifesta com choro ou emoções intensas.

“Às vezes, o que mais chama atenção é o oposto: a pessoa vai ficando mais apática, sem vontade, cansada emocionalmente.”

Apesar da complexidade, há um ponto essencial:

“Depressão tem tratamento e tem recuperação.”


Existe mesmo ‘depressão de inverno’?

Imagem: Daniel Reche

A resposta é: sim, mas com nuances.

De acordo com Guilherme, existe uma condição chamada transtorno afetivo sazonal, que ocorre em algumas pessoas durante períodos com menos luz solar.

“A luz influencia diretamente o nosso relógio biológico e substâncias cerebrais ligadas ao humor. Com dias mais curtos, algumas pessoas apresentam mais cansaço, sonolência, aumento do apetite e queda do humor.”

O psicoterapeuta Gabriel Vila Nova reforça que o inverno alemão pode sim impactar o bem-estar emocional, mas faz um alerta importante:

“Nem todo sintoma depressivo caracteriza um transtorno depressivo maior. A depressão é multifatorial — nunca é uma coisa só.”

Ou seja: o inverno pode contribuir, mas não é o único fator.


Por que o inverno pesa mais para quem mora na Alemanha?

Imagem: Melanie Duck

Além da redução da luz solar, há mudanças no estilo de vida que também influenciam:

  • Menos tempo ao ar livre
  • Redução do convívio social
  • Maior isolamento
  • Rotina mais sedentária

Para brasileiros vivendo fora, existe ainda um fator importante destacado por Gabriel:

“Muitas pessoas têm pouca rede de apoio na Alemanha. E essa rede é fundamental — tanto para o convívio quanto para ajudar a perceber quando é hora de buscar ajuda.”

Segundo ele, amigos e pessoas próximas podem ser essenciais para identificar sinais que, sozinho, nem sempre são percebidos.


Vitamina D: qual o papel dela nisso tudo?

A vitamina D costuma ser um dos temas mais comentados no inverno — e com razão.

Guilherme explica:

“Níveis baixos de vitamina D estão associados a maior risco de sintomas depressivos, embora não seja a causa única.”

Mas ele faz um alerta importante:

“Nem todo mundo precisa suplementar. O ideal é avaliar com exame de sangue e fazer reposição com orientação médica.”


Serotonina, exercício e bem-estar

Imagem: André Castro

A educadora física Sônia de Oliveira destaca que a atividade física tem um papel fundamental, especialmente no inverno.

“Quando a gente se exercita, libera serotonina, conhecida como o hormônio do bem-estar. E uma das principais fontes naturais dela também é o sol — que fica escasso nessa época.”

Ela explica que a serotonina está ligada a diversos aspectos do corpo:

  • Humor
  • Sono
  • Apetite
  • Sensibilidade à dor

Com menos luz solar, o corpo tende a buscar compensações — muitas vezes na alimentação.

“O exercício ajuda a equilibrar isso, melhora o humor, o sono e até o controle do peso.”

E não precisa exagerar:

“Trinta minutos por dia já são suficientes.”


Sono, rotina e saúde mental

Outro ponto essencial destacado pelos especialistas é o sono.

“Dormir mal altera diretamente os circuitos cerebrais do humor”, explica Guilherme.

A recomendação inclui práticas simples de higiene do sono:

  • Manter horários regulares
  • Reduzir o uso de telas à noite
  • Dormir em ambiente escuro

Além disso, manter uma rotina equilibrada com alimentação adequada e atividade física faz parte do cuidado integral.


O papel das relações e do propósito

Imagem: Ketut Subiyanto

Gabriel reforça que saúde mental não se constrói apenas com hábitos físicos.

“A qualidade das relações, sentir que você pode ser quem é, ter objetivos e hobbies — tudo isso dá cor à vida e protege contra sintomas depressivos.”

Ele destaca que, quando esses pilares não são suficientes, buscar ajuda profissional é fundamental.


Tratamento: um caminho integrado

Os especialistas concordam: não existe uma única solução.

A abordagem mais eficaz envolve:

  • Mudanças no estilo de vida
  • Psicoterapia
  • E, quando necessário, tratamento medicamentoso

“A depressão envolve fatores biológicos, psicológicos e sociais. Por isso, o tratamento precisa ser integrado”, resume Guilherme.


Quando procurar ajuda?

Imagem: RDNE Stock project

Se os sintomas persistem por semanas, afetam a rotina ou tiram o prazer das atividades, é importante buscar apoio.

A rede de apoio pode ser o primeiro passo — mas profissionais são essenciais no cuidado.


Conclusão

O inverno pode, sim, impactar a saúde mental — especialmente em um país como a Alemanha, onde a luz natural diminui drasticamente. Mas ele não é o único fator.

A depressão é uma condição complexa, que envolve corpo, mente e contexto de vida.

A boa notícia é que existem caminhos — e quanto antes o cuidado começa, melhores são as chances de recuperação.

Encontre outras matérias aqui: Mais Berlim News

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“Um país que não apoia seus artistas não é um país”: Kléber Mendonça destaca acolhimento ao cinema brasileiro na Embaixada do Brasil em Berlim https://maisberlim.com/um-pais-que-nao-apoia-seus-artistas-nao-e-um-pais-kleber-mendonca-destaca-acolhimento-ao-cinema-brasileiro-na-embaixada-do-brasil-em-berlim/ https://maisberlim.com/um-pais-que-nao-apoia-seus-artistas-nao-e-um-pais-kleber-mendonca-destaca-acolhimento-ao-cinema-brasileiro-na-embaixada-do-brasil-em-berlim/#respond Thu, 19 Feb 2026 14:57:34 +0000 https://maisberlim.com/?p=1072 Em passagem por Berlim, durante o festival de cinena da cidade, Kléber Mendonça Filho falou sobre a importância do apoio do governo aos artistas.

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Embaixador Rodrigo Soares, Kléber Mendonça Filho, Emilie Lesclaux

Evento realizado nesta quarta-feira (ontem), durante a Berlinale, reuniu cineastas brasileiros e reforçou o papel das embaixadas no apoio à cultura

Texto original criado por Mais Berlim


Na noite desta quarta-feira (ontem), a Embaixada do Brasil em Berlim voltou a se transformar em um verdadeiro ponto de encontro do cinema brasileiro durante a Berlinale. O evento deu continuidade a uma agenda que já havia começado no domingo anterior, quando artistas e produções brasileiras foram recebidos em uma primeira celebração oficial.

Mais do que um encontro protocolar, o momento revelou algo maior: um movimento de reaproximação entre o cinema brasileiro e a diplomacia do país — agora com portas abertas e presença ativa.


Um novo momento para o cinema brasileiro

O diretor Kléber Mendonça Filho, que concorre ao Oscar com quatro indicações pelo filme O Agente Secreto, foi direto ao ponto ao comentar essa mudança de cenário. Em tom crítico, mas também assertivo, ele destacou que a diferença não está na recepção internacional (referindo-se a outros países)— que, segundo ele, sempre existiu —, mas sim dentro da própria estrutura brasileira.

“A diferença entre ter um governo democrático e um governo que não respeita a arte brasileira. É só isso.”

Para o diretor, o problema vivido nos governos anteriores foi interno: a ausência de apoio institucional ao artista brasileiro por parte da própria diplomacia.

“Um país deve apoiar os seus artistas. Um país que não apoia seus artistas não é um país.”

Ele reforça que, mesmo durante períodos de negligência institucional, os filmes brasileiros continuaram sendo bem recebidos no exterior — o que evidencia ainda mais a importância do suporte oficial:

“Internacionalmente, os filmes continuaram sendo bem recebidos. Estou falando da diplomacia brasileira no período Temer/Bolsonaro era de ignorar o artista brasileiro. Isso tá errado e precisa ser lembrado.”


Berlim como símbolo desse acolhimento

Kléber Mendonça Filho, Karim Aïnouz, Emilie Lesclaux

A produtora Sara Silveira, uma das figuras mais respeitadas do cinema nacional, reforça que Berlim tem um papel histórico nesse processo.

Com mais de 20 anos de presença na Berlinale, ela aponta que a capital alemã sempre foi um ponto fora da curva no apoio institucional:

“Berlim é especial, porque foi sempre a Embaixada que abriu as portas para o cinema brasileiro — das únicas no mundo inteiro.”

Sara destaca ainda que o reconhecimento atual — incluindo as recentes presenças brasileiras no Oscar — é resultado de uma construção coletiva:

“Só se chega ao Oscar com grandes filmes, mas também com toda a base do cinema brasileiro.”

E completa, com entusiasmo:

“A embaixada de Berlim é o coração, é a que recebe o cinema brasileiro há anos.”


Recepções da Embaixada na Berlinale

Segundo apuração do Mais Berlim, a Embaixada do Brasil em Berlim não realizou recepções aos artistas nos anos 2019, 2020, 2021 e 2022. A partir do ano 2023, houve recepções anualmente.

Os artistas e produtores brasileiros que vêm participar do Festival de Cinema de Berlim são convidados para um coquetel, no salão de eventos da Embaixada, momento em que há oportunidade para trocas de experiências e contatos.

O impacto direto nos artistas

Emilie Lesclaux

A produtora de O Agente Secreto, Emilie Lesclaux, também percebe claramente essa mudança — inclusive no plano pessoal e profissional.

“A gente teve anos muito difíceis […] , de não acolher os filmes e os artistas, como se fosse uma orientação, na época do governo anterior.”

Hoje, segundo ela, o cenário é outro:

“É muito bom poder contar com o Itamaraty, com o apoio de todas as Embaixadas. […] A gente se sente realmente em casa.[…] E bom sentir que voltamos ao que sempre foi.”

Vivendo um momento de grande reconhecimento internacional — com dezenas de prêmios acumulados — Emilie resume a fase atual como uma experiência intensa e positiva:

“A gente está aproveitando cada momento. Não tem um dia que não seja interessante.”


O papel da diplomacia cultural

Embaixador Rodrigo Soares

O embaixador brasileiro em Berlim, Rodrigo Baena Soares, reforçou que esse movimento não é casual, mas parte de uma estratégia clara.

Segundo ele, cabe às representações diplomáticas promover o cinema brasileiro como ferramenta de conexão internacional:

“O Itamaraty tem que fazer todo o possível para que o público de cada país tenha o privilégio de assistir às nossas produções. […] O Itamaraty, como o braço do Estado brasileiro no exterior, tem que procurar apoiar sempre essas produções. ”

Ele também relembrou os dois momentos recentes organizados pela Embaixada durante a Berlinale — o encontro de domingo e a homenagem realizada nesta quarta-feira (ontem) — destacando a presença de diversas produções brasileiras no festival.

Para além do cinema, ele aponta o papel estratégico da cultura:

“A cultura é um dos melhores instrumentos da nossa política exterior — é o cimento das relações entre os países. […] Nós podemos mostrar o nosso país de uma forma até lúdica, suave. Então, nós temos essa capacidade, isso o Itamaraty tem que estimular e tem que promover. ”


Mais do que eventos: um momento de aproximação

O encontro na Embaixada do Brasil em Berlim reforça o papel das representações diplomáticas no apoio à cultura brasileira no exterior.

As falas de diretores, produtores e representantes do governo indicam um momento de maior proximidade entre o cinema brasileiro e a diplomacia do país, especialmente em espaços estratégicos como a Berlinale.

Nesse contexto, Berlim segue como um dos principais pontos de encontro entre o Brasil e o cenário internacional do cinema, reunindo artistas, produções e instituições em torno da promoção da cultura brasileira.

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